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Bombeiros comemoram 90º aniversário sem “inaugurações”

FOTO: Gisélia Nunes
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“Por opção”, 2018 será “o ano de estabilização das contas e de redução do investimento”, “devido à diminuição das receitas correntes e à estagnação dos valores das verbas transferidas da câmara municipal”.
Este último sábado, no âmbito das comemorações do 90º aniversário da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de S. João da Madeira (AHBVSJM) em que, “por motivos de responsabilidade governativa”, o secretário de Estado da Proteção Civil não pôde estar presente, o presidente da direção justificou assim o facto de naquele dia não haver “inaugurações”, contrariamente ao que aconteceu, por exemplo, no ano passado.
Note-se que, para “compensar” esta sua ausência, José Artur Neves comprometeu-se a vir à cidade sanjoanense, dentro de meses, para participar na celebração do Dia Municipal do Bombeiro.

“Somos talvez o único corpo de bombeiros em todo o país a receber da câmara apoio financeiro idêntico ao que recebia no virar do século”

Depois da entrada de nove novos “soldados da paz” e da imposição de condecorações e promoções em parada, Carlos Coelho aproveitou a sessão solene para, uma vez mais, pedir à autarquia de S. João da Madeira para “repensar a política” referente aos bombeiros. Porque - como fundamentou - “investir nos bombeiros é investir na segurança” “do próprio município”.
Apesar de o autarca Jorge Sequeira, chegado ao poder há seis meses, já ter dado “um sinal de boa vontade ao proceder à correção de uma ilegalidade que estava a ser cometida [em termos de financiamento da Equipa de Intervenção Permanente (EIP)]”, “será imperioso que no próximo ano se proceda às correções que se justificam”, defendeu o líder diretivo, lembrando de seguida: “somos talvez o único corpo de bombeiros em todo o país a receber da câmara apoio financeiro idêntico ao que recebia no virar do século para este [à volta de 100 mil euros]”.
Passadas quase duas décadas, perante um cenário de “menos receitas, mais encargos, mais despesas, mais impostos, mais cortes no investimento e apetrechamento do corpo de bombeiros”, Carlos Coelho assegurou que “temos feito das tripas coração” e são “um bom exemplo de que com tão pouco se faz tanto”.
Falando de exemplos, o dirigente recordou, na ocasião, os comandantes José Gonçalves Amado, Manuel Oliveira, Valdemar Oliveira, Eduardo Almeida, David Aleixo e Normando Costa Oliveira e presidentes como Gaspar Vaz da Silva, Sílvio Bulhosa e Normando Oliveira, etc., como “homens que prestaram relevantes serviços” e que “deverão ser sempre reconhecidos como símbolos desta casa”.
Também evocou o Grupo Patriótico Sanjoanense que, em 1923, “sentindo a necessidade de acautelar pessoas e bens que à época se sentiam desprotegidos e indefesos tomou a iniciativa de desenvolver as diligências necessárias de forma a aglutinar vontades entre os notáveis sanjoanenses em torno de um projeto de formação de um corpo de bombeiros”. “Iniciativa” que, em abril de 1928, viria a resultar na fundação da AHBVSJM.

Município está a preparar “uma verdadeira revolução” em termos de regalias sociais

“Os bombeiros devem e vão ser tratados de forma diferenciada”, garantiu o edil, fazendo questão de informar que “a transferência corrente do subsídio anual [camarário] aumentou em mais de 20% face a 2017”. Precisamente para “assegurar o cumprimento de um protocolo celebrado em 2009 com a Autoridade Nacional de Proteção Civil e a AHBVSJM com vista a financiar 50% do custo da manutenção de uma EIP”.
“Além disso - prosseguiu - “temos no Orçamento Municipal outra rubrica destinada ao financiamento dos bombeiros para equipamentos ou pessoal de acordo com o levantamento das necessidades levado a cabo pelo comando ou pela direção”.
Jorge Sequeira referiu ainda que estão em vias de rever o Regulamento de Concessão de Regalias Sociais aos Bombeiros Voluntários de S. João da Madeira, tendo, inclusive, já sido aprovada em reunião de câmara a abertura de procedimento de revisão.
“Este executivo, em conjunto com os vereadores da coligação PSD/CDS-PP, está a preparar uma proposta de regulamento que constituirá uma verdadeira revolução no que diz respeito a benefícios [a atribuir] aos bombeiros, incentivando e reconhecendo o papel do voluntariado”, anunciou, enumerando, seguidamente, as medidas que estão a pensar implementar e que se juntarão “aos benefícios já existentes”. A saber: “redução do IMI, do preço da água, de algumas taxas municipais, dos preços de acesso a equipamentos e eventos culturais, benefícios no acesso ao transporte público urbano, etc.”.
Jorge Sequeira, que também é o responsável pela Proteção Civil Municipal, terminou a intervenção afirmando que, com isto, “não temos dúvidas que a cidade estará na linha da frente” no que concerne ao “reconhecimento do voluntariado”.

Liga vai “lutar até final do mandato”

José Carlos Pinto, “estreante” nestas lides enquanto presidente da Federação dos Bombeiros do Distrito de Aveiro, António Ribeiro, comandante operacional distrital (CODIS) de Aveiro, Marco Braga, vice-presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP), entre outros, tiveram direito a assento na mesa que presidiu à cerimónia que teve lugar na sala nobre do quartel operacional.
Em S. João da Madeira, o representante da LBP, além de se referir à AHBVSJM como “uma referência no país”, deixou claro que “a Liga dos Bombeiros Portugueses precisa de ter federações fortes, unidas, que trabalhem”.
Não obstante ter admitido que “as negociações com o Governo ficaram aquém do que queríamos”, havendo ainda “questões importantíssimas por que a Liga vai continuar a lutar até final do mandato [comando único e revisão da lei de financiamento]”, Marco Braga trouxe a público o que já foi conseguido. Falou concretamente do aumento das EIP no Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR) (mais 41 do que estava previsto) e dos “avanços significativos das circulares financeira e operacional com o Governo”.
Entre os demais convidados, destacam-se ainda os deputados à Assembleia da República Susana Lamas (PSD) e João Almeida (CDS-PP) e as presidentes da Assembleia Municipal e da Junta de Freguesia de S. João da Madeira, respetivamente, Clara Reis e Helena Couto.
Nota também para a animação musical da primeira parte do programa a cargo da Banda de Música de S. João da Madeira e para o breve discurso do comandante da corporação cuja palavra de ordem foi “obrigado”. Normando Oliveira agradeceu a todos os que contribuíram e contribuem para o desenvolvimento do “seu” corpo de bombeiros, em particular os “soldados da paz”.

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