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Um jovem consegue (sobre)viver com 650 euros?

FOTO: Direitos Reservados
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Em S. João da Madeira

Por estes dias vestimos a pele de um jovem licenciado que entrou recentemente no mercado de trabalho em S. João da Madeira a ganhar um ordenado de 650 euros líquidos.
Depois de estudar, agora que está a trabalhar, chegou o momento de querer morar sozinho, uma vez mais, em S. João da Madeira.
O primeiro passo dado para isso acontecer foi visitar imobiliárias. O jovem quer preferencialmente um apartamento de tipologia zero ou um. E aqui encontrou a primeira barreira. Os apartamentos de tipologia zero que existem são “muito poucos”, as rendas estão entre os 200, os 250 e os 275 euros, e estão ocupados. O jovem decide avançar para o apartamento de tipologia um que “existe pouco, mas existe”, as rendas andam à volta dos 275, 300 ou até mesmo 325 euros, mas também estão quase sempre ocupados. O jovem pensa no seu orçamento, não desespera, e quer saber sobre a oferta de apartamentos de tipologia dois. Ora, este tipo de apartamento é muito mais fácil de encontrar em S. João da Madeira com a renda a variar entre os 300, 350 os 400 euros.
O jovem quer saber se existe a possibilidade de procurar outros imóveis com rendas mais em conta. Um pedido que é compreendido pelo agente imobiliário só que será, à partida quase impossível, porque “faltam imóveis no mercado de arrendamento, por isso as rendas estão a aumentar” sejam em S. João da Madeira ou noutros concelhos, explicou o agente imobiliário.
Se o jovem decidir arriscar arrendar um apartamento de tipologia um ou dois corre o risco de gastar metade do ordenado só em renda. Antes de tomar uma decisão, quer saber o que precisa para conseguir fazer um contrato de arrendamento. Para começar, este jovem ou qualquer outra pessoa sozinha precisa sempre, hoje em dia, de um fiador, deixa claro o agente imobiliário. Um caso em que pode não ser pedido fiador é quando a pessoa sozinha que quer arrendar paga até 12 meses adiantados de renda. O que para um jovem que está a começar a dar os primeiros passos de independência pode ser complicado. Caso o jovem decida comprar em vez de arrendar, continua a precisar de fiadores, relembra o agente imobiliário, explicando que se for um imóvel do banco, avaliado, o empréstimo poderá ser de 100%. Contudo, estas medidas podem variar de banco para banco. Se o imóvel não for do banco, o empréstimo poderá ser até 85% do valor total do imóvel, mais encargos com escritura e outros impostos. Além disso, o jovem tem de entrar no negócio com os 15% restantes do valor do imóvel. Uma alternativa possível se tiver um suporte familiar. Caso contrário, é impossível comprar um imóvel.
O jovem pede uma simulação de empréstimo para compra de um imóvel até 50.000 euros que dá uma prestação a rondar os 150 a 200 euros. Um valor muito mais económico do que arrendar e constitui a aquisição de um bem pessoal, contudo, é preciso um suporte financeiro para realizar o empréstimo. Caso o jovem consiga prosseguir com o empréstimo tem de estar efetivo no local de trabalho. De outra forma, não realizam o empréstimo. No caso do arrendamento a alguém que está ou não efetivo no trabalho, depende exclusivamente do senhorio.

Arrendar ou comprar?

A procura de um espaço para morar não está fácil. Vamos criar dois cenários. O primeiro em que o jovem não tem condições para pedir empréstimo e acaba por optar por arrendar um apartamento de tipologia dois a 300 euros a renda. No segundo cenário, o jovem consegue contrair um empréstimo a pagar pelo imóvel 200 euros de prestação.
O jovem ao decidir arrendar tem de adiantar duas rendas, uma do primeiro mês de pagamento e uma outra como uma espécie de caução que servirá para o último mês de arrendamento naquele determinado imóvel. O segundo jovem tem o pagamento da prestação durante alguns anos.
Tanto num caso como noutro o jovem começa a ter noção de que o primeiro mês vai ter custos mais elevados pelo custo de instalação dos serviços de água, luz, gás e de telefone/internet. Vamos contar com cerca de 100 euros para as contas todas mais cerca de 150 para alimentação mensal.
Até ao momento, o jovem que arrendou tem de pegar no ordenado e separar 300 euros para a renda, 100 para as contas e 150 para a alimentação, o que perfaz 550 euros. O jovem fica com 100 euros do seu ordenado para pequenos gastos do dia a dia e para lazer.
Já o jovem que comprou tem de pagar 200 euros de prestação, 100 de contas e 150 de alimentação, um total de 450 euros. Este jovem fica com 200 euros para gastos do dia a dia e para lazer.

O transporte...

Ora os jovens chegam até aqui e deparam-se com um outro anseio que é o ter um transporte próprio.
Eles podem optar pelo passe mensal dos Transportes Urbanos Sanjoanenses com um custo de 15 euros e ver até que ponto as duas linhas existentes, verde e azul, passam junto ao seu local de trabalho em S. João da Madeira. Uma outra opção é a bicicleta. O piso não é muito regular com subidas e descidas constantes, mas continua a ser uma opção. E uma bicicleta mais dita normal pode custar, no mínimo, 160 euros, devendo ser acrescentando a esta compra um capacete, mais económico, de 40 euros, umas luvas mais básicas de 25 euros, umas luzes mais económicas de 40 euros, uma bolsa de ar (20 euros), uma câmara de ar (cinco euros), e um desmonta (dois euros). O que leva a um total de 292 euros.
Se o jovem preferir uma bicicleta elétrica, a mais económica ronda os 1.300 euros, acrescentando todos os acessórios anteriormente mencionados.
O jovem quer explorar mais opções e vira-se para as motas sempre com vista grossa sobre o mais económico. Ora uma mota de 125 de cilindrada, antiga, pode custar entre os 400 e os 500 euros e uma de 150 de cilindrada, também antiga, por volta de 300 euros, num stand. Por curiosidade, o jovem quis saber quanto custa uma mota de 125 de cilindrada nova e ronda os 2.000 euros e uma de 650 de cilindrada pode rondar os 7.000 euros. Se o jovem tiver um emprego fixo e não tiver outras despesas poderá conseguir financiamento sem necessidade de fiadores para a compra de uma mota, segundo um dos vendedores de stand de motas, informando que as pessoas “procuram cada vez mais motas”. Caso o jovem venha a comprar a mota deve ter em conta custos como o capacete, económico, no valor de 50 euros, as luvas de 30 euros e um blusão até 100 euros.

Novo ou usado?

O jovem fica a pensar em todas as possibilidades e o que queria mesmo era um carro. Um carro comercial de 2004, usado, pode rondar os 3.000 euros. Se o jovem trabalhar há mais de três anos consegue um financiamento sem fiador, se não tem de ter fiador, deu a conhecer o vendedor durante a simulação de pedido de empréstimo. Os valores de prestação podem variar consoante a disponibilidade financeira das pessoas. Num stand de carros novos, o jovem se estiver efetivo no local de trabalho poderá obter financiamento com ou sem fiador, dependendo de outras variantes como ter outras despesas. Por exemplo, um carro novo no valor de 16.000 euros poderá levar ao pagamento de uma prestação de 200 a 200 e tal euros por mês durante cerca de 10 anos. Tendo em conta, o valor do ordenado que sobra no caso do jovem que escolhe arrendar uma casa e no caso do jovem que decide comprar uma casa, mais uma prestação extra poderá complicar a gestão do resto do mês.
Por isso, um jovem que queira ser independente logo de uma vez, sem suporte familiar, a ganhar 650 euros é impossível. Se o jovem tiver suporte familiar poderá ser possível, mas mesmo assim fica à justa. Posto isto, o que acha? Um jovem consegue viver ou sobreviver com 650 euros em S. João da Madeira?

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