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De corredor a artista plástico

FOTO: Rui Guilherme
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Com apenas 26 anos, Diego Manjate é já um nome conhecido em S. João da Madeira, terra que o acolheu poucos anos depois de ter chegado com a sua família a Portugal. Por cá o jovem natural de Moçambique fez o seu percurso escolar, foi atleta - primeiro, na escola e, depois, nos Serviços Sociais do Pessoal do Município de S. João da Madeira - e agora é um dos artistas plásticos mais requisitados.
Vicissitudes da vida levaram-no, com cerca de 20 anos, a ter de escolher entre continuar a correr e a somar títulos ou dedicar-se única e exclusivamente às artes. Optou pela segunda hipótese, porque assim dava para conciliar com um trabalho que arranjou para ajudar os pais, e hoje diz não ter dúvidas que foi o melhor que fez.
Para trás ficaram, muito provavelmente, um corredor de grande nível e uma carreira desportiva de sucesso. Mas a verdade é que o atletismo “não me ia realizar tanto como as artes”, assumiu ao labor, acrescentando que “as artes são uma extensão de mim”.
Em conversa com o jornal, Diego Manjate revelou que já em criança fazia os próprios brinquedos. Isto, para não falar “nas paredes e nos móveis lá de casa” que pintava e que deixava a família “à beira de um ataque de nervos”, como seria de esperar.
Ou seja, o “bichinho” das artes acompanhou-o desde sempre, levando-o a seguir artes na Escola Básica e Secundária Dr. Serafim Leite até ao 11º ano e, depois, na congénere Ferreira de Castro, em Oliveira de Azeméis, onde concluiu o 12º. Aliás, já na escola primária a professora lhe dizia que “tinha algum jeito”.

Diego Manjate conhecido, sobretudo, pelas suas pinturas em grande escala

Com ateliê em Cucujães, vila onde reside há alguns anos, Diego Manjate trabalha por encomenda. E, de facto, encomendas não lhe têm faltado nos últimos tempos, sobretudo de obras em grande escala como murais, feitas tanto por particulares como por instituições públicas que o ficam a conhecer através do Facebook (Diego Manjate), Instagram, Tumblr ou, então, do passa-a-palavra.
“Já fiz trabalhos coletivos, mas ultimamente tenho-me dedicado a trabalhos individuais”, contou ao labor. Por exemplo, neste momento, encontra-se a concluir um trabalho na Esquadra da Polícia da Segurança Pública de S. João da Madeira.
Também é o autor do mural do Partido Pessoas, Natureza e Animais (PAN) no gaveto da Rua Oliveira Júnior com a Rua Visconde, mandado fazer por altura das autárquicas de 2017, e das pinturas nas paredes do salão de jogos do Cups Bar, junto à Casa da Criatividade, em S. João da Madeira. Fora da cidade sanjoanense, tem criações no Porto, Caldas da Rainha, etc..
O número de horas diárias que dedica à criação “é relativo”. Como, geralmente, tem vários projetos em curso ao mesmo tempo, “não convém que se trabalhe muitas horas seguidas, porque pode prejudicar um bocado em termos criativos”. E quando “tenho algum tempo livre, exploro novas composições, novas gamas de cor, aprofundo os conhecimentos”, adiantou à nossa reportagem.
Passando pelos murais, mas também pela escultura, pintura, ilustração (inclusive, para t-shirts), etc., o seu trabalho, “visualmente, é rico, quer em termos cromáticos, quer nas cores, quer em termos expressivos”. Diego Manjate trabalha muito com “a figura humana, animais, plantas, alguma geometria”, fazendo “uma simbiose entre as cores e as figuras”.
A par disto, tem vindo a interessar-se por fotografia e vídeo, “área que ainda não explorei muito, mas que vou fazê-lo para o fazer o registo dos meus trabalhos da maneira que quero”, e tem “um projeto musical, que ainda está muito no início, e que envolve mais pessoas”.

Sair de Portugal não faz parte dos planos, pelo menos, para já

Estamos, pois, perante um novo talento “com algo a dizer em várias frentes artísticas ou criativas”, que até já “mostrou trabalho a curadores dos EUA, Austrália, etc., mas que, apesar de “ainda não ganhar o suficiente para pagar todas as minhas contas”, não quer, por enquanto, deixar Portugal.
“Tenho cá todas as minhas raízes, colegas, local de trabalho, além de que há coisas que tenho de melhorar”, afirmou, prosseguindo: “só quando me sentir suficientemente confiante e satisfeito com o meu trabalho é que poderei pensar nessa possibilidade”.

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