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“Algum do lixo terá extravasado” do terreno da empresa para a margem do rio

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Câmara abre processo de contraordenação à Vieira Araújo

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“Algum do lixo terá extravasado” do terreno da empresa para a margem do rio

A informação de que a obra de ampliação da empresa Vieira Araújo estará a provocar “um mau cheiro anormal” na Rua de São Roque na Zona Industrial da Devesa Velha chegou através de denúncia anónima ao labor.
“A empresa em causa está a retirar o lixo de um terreno localizado a norte da sua fábrica e está a depositá-lo na margem do rio que se situa a nascente da sua fábrica. A margem do rio é uma zona pública e a empresa está a depositar o seu lixo nessa zona abusivamente, contaminando o rio e todo o espaço circundante” em vez de “pagar para enviar o lixo para um local onde possa ser tratado, respeitando as regras e o ambiente”, lê-se na carta.
A Câmara Municipal de S. João da Madeira informou que “detetou a situação em causa e que desencadeou as diligências exigíveis” depois de questionada pelo nosso jornal. Tendo, a autarquia, recebido posteriormente a mesma denúncia anónima, confirmou a própria ao labor.
No seguimento de um despacho do presidente da câmara, Jorge Sequeira, com “caráter de urgência, o proprietário em causa foi de imediato notificado no sentido de promover a completa remoção dos resíduos indevidamente depositados, sendo informado também da abertura de um processo de contraordenação pela realização de trabalhos não licenciados de escavação, movimentação de terras e deposição de aterro, bem como por violação de disposições do Plano Diretor Municipal”. A autarquia sanjoanense reportou a situação “à Agência Portuguesa do Ambiente (APA) para os efeitos convenientes, assim como à Associação de Municípios das Terras de Santa Maria (AMTSM), por terem sido detetadas no local alterações nas caixas de visita do emissário nascente do sistema de tratamento de águas residuais do Salgueiro da AMTSM”, adiantou a própria ao labor. 
A empresa sanjoanense confirmou a transferência do lixo do terreno comprado à câmara municipal para o terreno onde está situada a empresa. “Nós retiramos lixo. Pusemos junto do nosso terreno, algum do lixo terá extravasado a nossa parte” para a margem do rio, terreno municipal, mas “não extravasou para o rio. Dificilmente. O lixo foi transferido para ali provisoriamente”, começou por dizer Pais Vieira, proprietário da empresa, ao labor.
“Entretanto, pedimos a uma empresa especializada para fazer a determinação de lixos que ali havia”. “A partir daí estamos a levar o lixo para uma estação que trata este tipo de resíduos conforme estão classificados em Lousada. Já levamos mais de mil toneladas”, acrescentou o empresário. O lixo retirado do terreno comprado “já está ali há dezenas de anos e quem o colocou ali foi a câmara municipal” que “nunca tratou nem mostrou vontade em colaborar connosco no tratamento do lixo. A nossa intenção é retirar tudo dali (terreno comprado) e colocar ali temporariamente (terreno onde está a empresa) até ser levado para a estação de tratamento”, continuou o empresário.
“Queremos resolver isto sem conflitos e para o bem de S. João da Madeira”, reagiu assim Pais Vieira à abertura de um processo de contraordenação à empresa por parte da câmara. A carta enviada pela empresa à autarquia sanjoanense também seguiu para a APA a “explicar que estamos interessados em resolver pacificamente e rapidamente todo este imbróglio”, concluiu o empresário ao labor.

Antiga pedreira transformada em lixeira

A empresa encontrou no novo terreno “mais de 10 mil toneladas de lixo” cuja operação de transferência para a estação de tratamento vai custar cerca de “um milhão de euros”, adiantou o empresário.
De acordo com Pais Vieira, naquele terreno esteve em funcionamento há muitos anos uma pedreira, da qual depois de ter sido extraída o máximo de pedra possível apenas restou um grande buraco que “encheram de lixo. Agora estamos a encontrar muito lixo numa profundidade muito maior do que contaríamos. Tudo isto para não fazer fábrica fora de S. João da Madeira”, afirmou Pais Vieira ao labor.
A pedreira transformada em lixeira viria a ser coberta por terra e asfalto. O Mercado por Grosso funcionou até há bem pouco tempo por cima desta lixeira.

Investimento superior a cinco milhões

A Vieira Araújo é uma empresa de injeção de plásticos e vai precisar que o novo edifício esteja ao mesmo nível do atual, o que implicará uma escavação de pelo menos cinco metros.
O investimento será superior a cinco milhões de euros e criará pelo menos mais 30 postos de trabalho, acrescentados aos atuais 61.
A data de conclusão da obra de ampliação da Vieira Araújo está em aberto. O empresário Pais Vieira “gostaria que estivesse pronto no final de 2019 quando fazemos 100 anos de existência. Mas com estas dificuldades todas que estão a surgir vai ser muito complicado”.

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