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As histórias que ficaram por contar d´“O último turno”

FOTO: Diana Familiar
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A Noite Europeia dos Museus voltou a ser assinalada com o espetáculo “O último turno” no dia 19 de maio, pelas 22h00, no Museu da Chapelaria.
O espetáculo foi construído com base em acontecimentos verídicos da vida de chapeleiros e sapateiros de S. João da Madeira.
Como o Dia Internacional dos Museus é dedicado às “histórias controversas” nada melhor do que dar as histórias à maneira de cada um que estarão para sempre cravadas nas paredes do Museu da Chapelaria.
O espetáculo “O último turno” contou este ano a história de muitas gentes no mundo da chapelaria e do calçado.
A começar pelo sonho de um jovem trabalhador que sonhava em conseguir dinheiro suficiente para comprar um relógio, a pressão exercida sobre os trabalhadores muito jovens na secção e acabamento de uma empresa de calçado, as crianças que não tiveram infância porque tinham de ir trabalhar, a exploração infantil e um jovem que acaba por estragar o feltro de um chapéu para que o possa comprar a metade do preço e passar a ter um chapéu de qualidade. A história continuou com a luta pela igualdade salarial entre homens e mulheres, a secção da apropriagem – devido ao excesso de calor e humidade – levava a que muitos trabalhadores com as diferenças de temperatura ficassem muito doentes, a transição da empresa de chapelaria para a Oliva e a abertura de uma loja sanjo onde vendia sacos, calçado, fatos de treino e até loiça da Vista Alegre que despertou rivalidades entre colegas. Depois, o consumo de álcool no espaço de trabalho, a greve por melhores salários e subsidio de alimentação, e o amor que era proibido entre dois jovens de setores diferentes na empresa de chapelaria.
O espetáculo dividido em 10 atos contou com a colaboração dos atores dos grupos de teatro Lua Nova, Tepas, H'Ora Viva, Artes do Palco, Anim'Arte, TOJ, A Bem Dizer e NAQA.

Um projeto com continuidade
A primeira edição de "O último turno" recriou alguns cenários representativos do mundo do trabalho e recebeu muita adesão da comunidade.
Um voto de confiança que levou a que decidissem arriscar ainda mais ao dividir em duas partes o célebre romance "Unhas Negras" do escritor sanjoanense João da Silva Correia. Os primeiros seis capítulos foram retratados na 2.ª edição e os restantes na 3.ª edição de "O último turno".
O espetáculo regressou este ano à ideia inicial de retratar histórias de vida reais que ficaram por contar. Ora por vergonha, ora por pudor, ora por os protagonistas acharem que não tinham importância para serem ouvidos.
Então "fomos ao nosso arquivo de informações buscar todas as histórias que nos foram contadas por chapeleiros e sapateiros ou trabalhadores da indústria e que foram vividas a maior parte delas em grande segredo", revelou Suzana Menezes, Chefe de Divisão de Cultura da Câmara Municipal de S. João da Madeira, ao labor.
O espetáculo retratou "10 histórias com temáticas diferentes, mas igualmente importantes para a indústria do trabalho. Desde um primeiro quadro que é todo narrado sob a forma narrada, até um segundo quadro que é um diálogo direto entre um encarregado e operários. Até um outro ato que vai incluir por exemplo a dança contemporânea para representar também uma parte da história". E assim, "utilizando diferentes formas de expressão, conseguimos contar estas histórias controversas. E continuar a dar corpo a esta ideia de que ainda há muito mais por e para dizer", concluiu Suzana Menezes ao labor.

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