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A afirmação é do independente Manuel Neves, que na sessão da Assembleia Municipal evocativa do 25 de Abril trouxe à lembrança uma “velha luta” relacionada com custo da água em S. João da Madeira

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“Em democracia não vale tudo”

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A afirmação é do independente Manuel Neves, que na sessão da Assembleia Municipal evocativa do 25 de Abril trouxe à lembrança uma “velha luta” relacionada com custo da água em S. João da Madeira

Devido ao tempo, que se apresentou “murcho” imperando o cinzento do céu com alguma chuva miudinha à mistura, ou então a outros motivos de força maior, não foram muitos os populares que, às 10h00 em ponto, se concentraram junto Fórum Municipal para assistir ao hastear das bandeiras. Momento solene, integrado nas comemorações do 25 de Abril na cidade de S. João da Madeira, que contou com a participação da Fanfarra da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários.
No interior do edifício camarário, na sala das reuniões da Assembleia Municipal (AM), o cenário não foi muito diferente. Aqui, para além de poucos munícipes, não foi por aí além o número de membros do órgão deliberativo que marcaram presença na sessão comemorativa do 43.º aniversário da Revolução dos Cravos.
O próprio presidente da AM, José Oliveira Bastos, não esteve presente, assim como o autarca Ricardo Figueiredo, mas este último por se encontrar a representar o Município na Ilha do Maio, onde se situa a Cidade do Maio com que S. João da Madeira está geminada desde 1999, conforme fez questão de informar o vice-presidente da câmara.
Coube a Paulo Cavaleiro fechar os discursos, tendo aproveitado a ocasião para falar da tal deslocação de uma comitiva sanjoanense a Cabo Verde, que, na sua ótica, “é uma contribuição para a democracia maiense”.
Nesta viagem, a delegação encabeçada por Ricardo Figueiredo “levou livros, equipamentos desportivos e uma ambulância”. Sim, porque, como defendeu este elemento da maioria que compõe o executivo municipal, “a democracia também se constrói promovendo o acesso à cultura, educação, desporto”, etc..
Em relação a S. João da Madeira, “tem dados passos firmes”, mas ainda “temos todos muito que fazer para que continue a crescer”, defendeu o “vice”, acrescentando que, precisamente nesse sentido, “a vontade da população tem de ser respeitada”.

“Eleitores não podem esquecer as políticas esquizofrénicas” da coligação PSD/CDS

“Infelizmente, ao fim de 43 anos, assistimos à sua destruição [do Estado de Direito] por aqueles que se sentam na casa da democracia em benefício dos interesses da partidocracia”, começou por dizer Manuel Neves. “Sinto que a promiscuidade e a corrupção estão a arruinar o nosso país e a hipotecar o futuro das nossas gerações”, ao ponto de “a palavra estar mais desvalorizada do que as ações dos Bancos”, prosseguiu o deputado do Grupo Parlamentar do Movimento Independente SJM Sempre.
Focando-se no caso de S. João da Madeira, o independente afirmou que “hoje, 25 de abril de 2017, vivemos com a propaganda desmesurada da coligação PSD/CDS, através de um discurso criativo da liturgia do sucesso com dramatização e dissimulação, manipulando a opinião pública para tentar “usurpar” os votos, como aconteceu nas eleições intercalares de 2016”.
Mas, em seu entender, “os eleitores não podem esquecer as políticas esquizofrénicas que permitiram o aumento brutal do custo do serviço pelo abastecimento do equivalente ao consumo de 10 metros cúbicos de água num mês, inclusive aos idosos carenciados, que passou num espaço de tempo reduzido de 11 para mais de 27 euros”. “Em democracia não vale tudo”, rematou o independente.

“Cabe-nos repor a dignidade da democracia”

Ainda antes de Manuel Neves, interveio Rita Mendes. Tal como no ano transato, a comunista sublinhou o contributo do seu partido “para que Abril acontecesse e continue a acontecer”.
Do alto do púlpito, a jovem ainda surgiu em defesa do poder local democrático, “uma das conquistas de Abril”, “expressão direta da vontade popular”, e da “descentralização”, “inseparável da criação de regiões administrativas”.
Minutos depois, foi a vez do líder da bancada do PS intervir. Rodolfo Andrade falou de Mário Soares e do seu “contributo para a história do país e da democracia”, mas também de uma Europa “sem rumo, sem estratégia, mais pobre”.
“Vivem-se tempos de crispação”, afirmou o socialista, para quem “cabe-nos repor a dignidade da democracia, da política” e para quem “a nossa cidade precisa de muito mais”. Na sua opinião, “cabe ao poder autárquico apresentar alternativas” e “lançar o debate sobre a reorganização do território” “para que a cidade recupere o centralismo de outrora”.

“Democracia não é nem nunca poderá ser um processo findo”

“A democracia não é nem nunca poderá ser um processo findo”. Quem o disse foi Ilídio Leite. Segundo o social-democrata, “apesar dos defeitos do nosso regime, apenas a convicção e o sentido de Estado de muitos [como Mário Soares e Francisco Sá Carneiro] permitiram uma democracia pluralista como a que temos hoje”.
Desta sua intervenção ressaltam ainda “três notas pessoais”: a primeira remetendo para “o longo caminho que é preciso percorrer para impor uma transparência democrática europeia”; a segunda relacionada com os direitos de cidadania, indispensáveis num Estado de Direito; e a terceira sobre o poder autárquico local.
A propósito deste último, Ilídio Leite deu as petições “Cheiro a Casqueira Não” e “Pela Integração da Freguesia de Milheirós de Poiares no Concelho de S. João da Madeira”, bem como as eleições intercalares de 2016, como “excelentes exemplos de cidadania” dados no concelho de S. João da Madeira.

Música e teatro também assinalaram 25 de Abril na cidade

Além do hastear das bandeiras, que contou com a presença da Fanfarra da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de S. João da Madeira, e da sessão evocativa da Assembleia Municipal no Fórum Municipal (ver texto principal), as comemorações do 25 de Abril na cidade, agendadas para o próprio dia, contemplaram outras iniciativas.
Ainda de manhã houve a “Marcha por Abril”, com saída do Parque de Nossa Senhora dos Milagres rumo à Praça Luís Ribeiro, onde decorreu uma “Manhã Infantil”, com jogos, atividades lúdicas e xadrez.
Também na Praça Luís Ribeiro mas de tarde, teve lugar o momento musical “A Música com Abril – 2”, seguido do Coro da Associação Cultural e Recreativa É Bom Viver, Orquestra Académica da Banda de Música de S. João da Madeira e Tuna da Universidade Sénior de S. João da Madeira. Já a noite foi reservada para o espetáculo “Ailé, Ailé”, com José Fanha e Daniel Comprido, integrado no XI Festival de Teatro de S. João da Madeira, na Casa da Criatividade.
Mas o 43.º aniversário do 25 de Abril em S. João da Madeira também foi assinalado na véspera, com outro momento musical “A Música com Abril – 1”, nos Paços da Cultura, que contou ainda com o coro infantil da Academia de Música de S. João da Madeira, o coro dos Amigos da Música de Espinho e Cante Alentejano com Mineiros de Aljustrel.
Da comissão organizadora deste programa comemorativo fizeram parte instituições, coletividades desportivas e associações locais, bem como a câmara municipal e junta de freguesia. O evento também teve o apoio da PSP e dos “soldados da paz” sanjoanenses.

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