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Dono da Viarco pede à câmara para “esticar” ARU

FOTO: Rui Guilherme
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FOTO: Direitos Reservados
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“Estiquem a coisa”. Foi desta forma que José Vieira, da Viarco, terminou a primeira das duas intervenções que fez na sessão sobre a Área de Reabilitação Urbana (ARU), aberta à participação dos cidadãos em geral, promovida pela Assembleia Municipal (AM) de S. João da Madeira.
No passado dia 24, o empresário sanjoanense deu a saber que “alargar” a ARU uns metros “teria dado jeito” à sua fábrica de lápis, única em Portugal e uma das mais inovadoras do mundo. Até porque, na sua ótica, “as coisas não têm de ruir nem de falir para depois serem ajudadas” e porque no caso da Viarco, situada na Rua Jaime Afreixo, “numa zona industrial abandonada” portanto, “enquadra-se em qualquer tipo de programa e mais algum”.
Fazendo “mea culpa” por não ter dito de sua justiça na altura devida – leia-se antes de a ARU ter sido aprovada pela AM em maio último -, José Vieira veio agora questionar a autarquia se “é possível replicar [a ARU]” e, se sim, “para quando”.
Mas o dono da Viarco não foi o único a defender o alargamento da ARU. Também a oposição - com exceção do Movimento Independente SJM Sempre que prescindiu do uso da palavra por considerar que nada mais tinha a acrescentar àquilo que já havia defendido em outras ocasiões – reafirmou estar a favor de uma ARU que vá mais além da zona compreendida entre a Praça Luís Ribeiro e a antiga zona industrial da Oliva.
Recorde-se que a atual ARU, tal como o labor noticiou ampla e oportunamente, abrange uma extensão territorial de 53,6 hectares, dos quais 16,2 ha são espaço público, onde vivem cinco mil habitantes e existem 417 prédios, 87 dos quais encontrando-se “em mau ou péssimo estado de conservação” e outros 133 requerendo “pequenas e médias reparações”.

Em defesa de uma ARU “integradora”
Ainda antes do período de debate dirigido a todos os presentes, em que José Vieira interveio, Paulo Duarte, da CDU, foi o primeiro a subir ao púlpito em defesa de uma ARU “integradora”, que “não deve ficar refém dos interesses” só de alguns.
Alinhando pelo mesmo diapasão, seguiu-se José Mário Pessegueiro, para quem “as ARU são igualmente urgentes para a periferia”. “Pensa-se que o centro é a montra da cidade”, contudo, “outras zonas merecem igual atenção”, afirmou o arquiteto convidado pelo PS para falar sobre o tema, acrescentando: “há imensos espaços residenciais e rurais nos subúrbios que esperemos que sejam incluídos nestas áreas”.
José Mário Pessegueiro ainda referiu que “o Plano [Estratégico de Desenvolvimento Urbano (PEDU)] necessita de alguns ajustes” e de “ser acessível a todos os cidadãos”, devendo conter “pouquíssimas burocracias”. Caso contrário, poderá vir a tornar-se num “manual de boas intenções”.

Cidadãos terão à disposição gabinete para tirar dúvidas
Também oriundo da ala socialista falou Rodolfo Andrade, chamando a atenção para o facto de em “toda a zona da [Rua Dr.] Serafim Leite até à Viarco” serem “poucos os edifícios que não estão degradados”. Daí, em seu entender, não haver “um critério, para não se incluir” as zonas do Espadanal, Fontainhas, Quintã, Carquejido, etc., “a não ser o de não querer incluir”.
“São mais as vantagens e os interessados em alargar a ARU ou em criar uma nova do que manter a ARU inalterada que quase que arriscaria a dizer que o único interessado em não alargar a ARU é o PSD”, disse o líder partidário, lançando, de seguida, um desafio em nome do PS: “Que se reforce esta ARU e que se permita a criação de um gabinete na câmara para esclarecer as pessoas”. Pessoas como a cidadã, proprietária de um imóvel na cidade, que se deslocou propositadamente de Guimarães para participar nesta reunião temática por “não saber por onde começar”.
E por falar em “gabinete”, o edil Ricardo Figueiredo adiantou, naquela quinta-feira, que “pretendemos criar o ‘gabinete da reabilitação urbana’ como instrumento comunicacional, para transmitir às pessoas o que se pretende fazer”. Se bem que “toda a equipa [do executivo municipal] estará disponível para receber as pessoas”, à semelhança do que já acontece.

“O sucesso parece certo”
“Faria sentido uma ARU para toda a cidade?”, perguntou Ilídio Leite. De acordo com o membro da AM afeto ao PSD, com a ARU já deliberada, “o sucesso parece certo”. “Porque - como justificou - o investimento que se faz no centro tem um efeito multiplicador por toda a cidade”.
Caso, por exemplo, do que está a acontecer com a entrada em funcionamento, no início do próximo ano, de uma clínica CUF na antiga Garagem Ouro, na Rua Oliveira Júnior, que já “está a mexer” com a zona envolvente, através do surgimento de novos projetos.
Ainda antes de mostrar “abertura para estudar novas ARU” “com critério e viabilidade específica”, o social-democrata deixou claro que “nem toda a cidade é igual” “nem tem os mesmos desafios de reabilitação”. Aliás, “reabilitação e conservação não são a mesma coisa”, fez questão de deixar claro.

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