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Autarcas trocam “mimos”

FOTO: Diana Familiar
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A presidente da junta de freguesia, Helena Couto, agradeceu todo o apoio dado pela autarquia ao Encontro Internacional de Ilustração na Assembleia Municipal (AM) realizada, no dia 3 de novembro, no Fórum Municipal.
Não sem dar a achega de que foi uma “pena (a autarquia) não presenciar em pessoa o que fazemos em prol da cidade”. Do agradecimento, Helena Couto passou ao elogio pela abertura de um Museu do Calçado que é único no nosso país. É chegada a hora da se- gunda achega pela inexistência de uma “sinergia (entre a câmara e a junta) que podia, uma vez mais, ter sido aproveita- da”. Helena Couto referia-se aos sapatos ilustrados e gigantes que podiam ter sido aliados ao encontro e que antecederam a abertura do Museu do Calçado e que estão patentes até 28 de novembro na cidade. “Tanto eu, como o presidente da câmara defendemos as sinergias junto das associações e das instituições, mas estamos a dar um péssimo exemplo. Elas não se realizam (entre os dois órgãos autárquicos)”, lamentou Helena Couto, considerando que “quem ca a perder é a cidade e os sanjoanenses”.
O presidente da câmara a afirmou ter conhecimento de que os sapatos foram um dos primeiros temas do Encontro Internacional de Ilustração admitindo ter, acerca disso, “uma boa ideia para o futuro”. Ricardo Figueiredo não deixou de achar curioso o facto de Helena Couto saber da construção de um Museu do Calçado, “mas não disse nada”. “Guardou e veio meter água”, incitou o edil sanjoanense.
A autarca assumiu estar “chocada” com a forma como “o presidente da câmara tratou um órgão eleito pelos sanjoanenses”, acautelando que “não admito que maltrate um órgão que é importante para a autarquia”. “Pelo menos não deixei para o próximo mandato”, respondeu Ricardo Figueiredo, depois de Helena Couto ter perguntado se os problemas de infiltração nas instalações da junta de freguesia seriam resolvidos neste último mandato que termina em 2017.
O líder socialista Rodolfo Andrade
admitiu, incrédulo, que em tantos anos de política “nunca assisti a uma AM que baixasse tanto o nível”, reprovando ainda a atitude de Paulo Cavaleiro, vice- -presidente da câmara, e da bancada do PSD devido a alegados “comentários e bocas” manifestados durante a sessão. Tanto Paulo Cavaleiro como o a bancada do PSD contestaram a acusação. O líder do PS não entende “o que é que ganham com isto”, mais propriamente com “o discurso” recheado de “provocações” do presidente da câmara, dando ainda reprimenda a Oliveira Bastos, presidente da AM, para que ponha “ordem no órgão e em todos os políticos”.
Para Ilídio Leite, líder da bancada do PSD, tudo o que aconteceu não passou de uma “teorização. Não vi aqui nenhuma forma de ofensa à presidente da junta de freguesia nem à junta de freguesia enquanto órgão”. Na política é normal a existência de “contundência”. Por isso, quem não tem estofo para ouvir, não tem estofo para o cargo”, defendeu Ilídio Leite. O líder social democrata salientou ainda que “o presidente da câmara municipal está disponível para o que for preciso” referindo-se, neste caso, às instalações da junta de freguesia sanjoanense.
Não tardou a existência de um contraprotesto por parte de Rodolfo Andrade, ao que foi dito pelo homólogo Ilídio Leite. “Se ele acha normal o tom usado por Ricardo Figueiredo, então serei sempre anormal”.

“A Assembleia Municipal não tem de decorrer como uma missa”

Acerca de todo o ambiente vivido, Oliveira Bastos acalmou — ou incendiou ainda mais — os ânimos quando disse que “a AM não tem de decorrer como uma missa”. “Sabemos e temos de aceitar que num órgão deste tipo e mesmo na Assembleia da República há discussões contundentes e de certa forma agressivas”, continuou. Logo a seguir, Helena Couto quis saber o que é entendido como discurso político e o que é admissível na AM. “Para eu própria saber defender-me institucionalmente”, disse a autarca voltando à carga, “até que ponto um insulto é considerado política? Política é trocar ideias”. O que é ou não um insulto “cabe à mesa decidir”, respondeu Oliveira Bastos, considerando que “todos temos noções diferentes do que é ou não um insulto”. Para o presidente da AM Helena Couto foi “vítima de uma conversa agressiva, não de um insulto”.
O autarca Ricardo Figueiredo concordou que “o conceito de insulto pode ser muito variado”, podendo ser considerado insulto acharem que não tínhamos perdido a urgência, que apenas tinha sido transferida para o Hospital S. Sebastião em Santa Maria da Feira; a obra cativada da EN223 pelo governo de António Costa, obra essa que “já não é importante, mas baixar as portagens da A32 e o próprio acervo da Ilustração”.

Junta ainda não recebeu subsídio da Ilustração

O subsídio atribuído pela autarquia sanjoanense ao Encontro Internacional de Ilustração, organizado pela junta de freguesia, “está realmente perdido porque ainda não chegou à conta”, deu a conhecer Helena Couto, confirmando a receção do subsídio atribuído ao Passeio Sénior. No meio desta troca de “mimos” nem o Passeio Sénior ficou isento. Ricardo Figueiredo decidiu abrir uma ferida ao confirmar o pagamento do Passeio Sénior. O autarca fez questão de mencionar que a câmara decidiu criar um Passeio Sénior a Fátima porque a junta decidiu, com um valor que antes dava origem a dois passeios seniores, passar a fazer um passeio sénior mais passeios culturais, ao longo do ano, a Ílhavo.

Instalações continuam com infiltrações

A junta de freguesia sanjoanense desde o início do mandato que deu a conhecer a existência de infiltrações nas instalações, cedidas gratuitamente pela autarquia, sitas no Fórum Municipal. As obras realizadas pela autarquia há cerca de um ano não devem ter resolvido o problema porque “chove ainda mais” dentro da junta de freguesia sanjoanense, afirmou Helena Couto, apelando à resolução deste problema. A solução é verificar o estado da obra e se existir algum problema “acionar outro mecanismo”, assumiu Ilídio Leite, líder da bancada social-democrata.
Para Rodolfo Andrade, líder do PS, é importante saber “até quando é que a junta de freguesia tem de estar calada?” acerca do estado das instalações no Fórum Municipal. “Qual é o limite? É preciso o teto cair?”, questionou o líder da bancada socialista.

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