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O Serviço de Urgência Básica funciona com dois médicos durante 24 horas

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O mínimo é suficiente?

FOTO: Arquivo Labor
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O Serviço de Urgência Básica funciona com dois médicos durante 24 horas

O Hospital de S. João da Madeira foi reclassificado com o Serviço de Urgência Básica (SUB) desde o dia 1 de janeiro de 2017.
Um serviço que implica a permanência, no mínimo, de dois médicos e o apoio de Meios Complementares de Diagnóstico adequados durante as 24 horas, incluindo a radiologia e o apoio na área das análises clínicas.
Desde então, o Hospital de S. João da Madeira passou a estar integrado na Rede Nacional de Emergência Médica e pode ser ativado através dos meios de emergência médica e do INEM.
O número de médicos atribuídos ao SUB da unidade hospitalar sanjoanense é suficiente?
A questão surge depois de ter sido do conhecimento público que um dos médicos teve de realizar um turno de 24 horas, na semana passada, para colmatar a ausência do outro profissional de saúde devido a “doença súbita”, justificou, na altura, o Centro Hospitalar de Entre Douro e Vouga (CHEDV) ao labor.
Um plano de contingência em que um ou mais médicos estivesse de prevenção não deveria de ser feito? Esta é outra questão. Caso um dos médicos faltasse em cima da hora haveria sempre alguém de prevenção e disponível para colmatar esta falha.
O SUB do Hospital de S. João da Madeira está a funcionar com dois médicos a realizar turnos de 12horas (14h00/20h00 ou 20h00/14h00) cada um durante 24 horas.
O Hospital de S. João da Madeira teve um Serviço de Urgência Médico Cirúrgica com uma equipa de cirurgia no bloco permanente durante 24 horas. Tendo sido substituído, em janeiro de 2008, pela Consulta Aberta de Medicina Familiar (CAMF) que tinha dois médicos a trabalhar em simultâneo durante as 24 horas, ou seja, quatro no total. Passando, em 2011, a ter apenas um no horário noturno e em 2012 um entre as 20h00 e as 14h00 e dois entre as 14h00 e as 20h00.
A partir de julho de 2014, a CAMF ficou com o expediente reduzido a dois médicos a realizar dois turnos (08h00 às 20h00 e das 20h00 às 8h00).
Neste momento, o Hospital foi reclassificado de CAMF a Serviço de Urgência Básica, mas continua com o mesmo número de médicos.

“Continuar a gerir o serviço com a mesma estratégia”
O Conselho de Administração (CA) do CHEDV foi questionado pelo nosso jornal se depois de ter anunciado na semana passada um reforço no serviço de Oftalmologia estava previsto mais algum reforço no Hospital de S. João da Madeira, nomeadamente no número de médicos a prestar serviço na urgência, ou se o número de médicos existentes é suficiente.
Atendendo à “performance do SU do Hospital de S. João da Madeira em 2017, é propósito do Conselho de Administração do CHEDV continuar a gerir o serviço com a mesma estratégia e acompanhando de perto as necessidades de recursos para que, em 2018, os resultados sejam de idêntica qualidade”, respondeu o CA ao labor.
De acordo com os dados enviados pelo CA do CHEDV, o SUB do Hospital de SJM atendeu 39.142 pessoas, destas 36.278 dentro do tempo de espera previsto pela Triagem de Manchester.

“É muito curto para uma Urgência”
O número mínimo de dois médicos, “na minha opinião, é muito curto para uma Urgência Básica”, afirmou Fernando Portal, antigo diretor do Hospital de SJM, ao labor.
“Uma Urgência Básica com dois médicos de Clínica Geral em permanência durante as 24 horas, ou seja, dois em cada turno de 12 horas, com meios, capacidade e conhecimento é o suficiente para fazer face à maioria dos casos”, considerou o médico cirurgião aposentado.
No tempo em que Fernando Portal foi diretor do Hospital de SJM dirigia um Serviço de Urgência Médico Cirúrgica que implicava uma equipa de cirurgia no bloco permanente durante 24 horas constituída por dois cirurgiões, um anestesista, um ortopedista e dois ou três médicos de clínica geral, recordou o mesmo ao nosso jornal.

“Se estiver só um a fazer o turno, não fica ninguém”
O número de médicos no SUB da unidade hospitalar sanjoanense “não” é suficiente, assumiu um médico ligado ao serviço de urgência do CHEDV.
“Eles admitem isso na consulta aberta, mas o Serviço Nacional de Saúde no que se trata de serviço de urgência tem de estar dois médicos num turno ou até mesmo três quando está a ser implementado um plano de contingência nacional porque há muitas infeções e surtos gripais”, afirmou o profissional de saúde ao labor.
“Imagine quando há um caso grave e de transferência tem de ir um médico a acompanhar. Se estiver só um a fazer o turno, não fica ninguém”, apontou o médico.

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