a informação essencial
Pub
Partilha

Teresa Tito de Morais e Carlos Magno foram os oradores convidados para a primeira conferência do ciclo “Pensar Futuro”

Tags

“Autarquias têm um papel fundamental” na integração dos refugiados

FOTO: Direitos Reservados
Partilha

Teresa Tito de Morais e Carlos Magno foram os oradores convidados para a primeira conferência do ciclo “Pensar Futuro”

TEXTO + UMA FOTO


A presidente do Conselho Português para os Refugiados (CPR) e o jornalista que já presidiu à Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) estiveram, este último sábado, em S. João da Madeira a refletir sobre a temática do acolhimento e da integração dos refugiados em Portugal e na Europa.
Perante um auditório dos Paços da Cultura com pouco público, depois de o autarca anfitrião, Jorge Sequeira, ter dado as boas vindas e contextualizado o ciclo de conferências “Pensar Futuro”, foi Carlos Magno quem “deu o primeiro ‘mergulho’ no Mediterrâneo”. Isto é, deu início à reflexão do tema que “hoje dificilmente se discute porque as notícias deixaram de falar sobre os refugiados”.
“Puxando” da história e, inevitavelmente, da religião, porque “não se pode perceber a atualidade sem se perceber o passado”, o antigo líder da ERC defendeu que tudo “isto é milenar”. “Todos fomos, somos e seremos refugiados”, afirmou, acrescentando que “há necessidade de restaurar este mundo”.
Quanto à questão “quem morre por esta Europa?”, mostrou não ter dúvidas que são os refugiados, “que morrem no Mediterrâneo, nos arames farpados, nas estradas de asfalto”.

Portugal recebeu cerca de 1.800 refugiados em 2017
Ainda antes do início da conferência, Teresa Tito de Morais falou à comunicação social dizendo-se “muito feliz por estar” em S. João da Madeira. “Terra com tradições democráticas, de solidariedade”, até onde se deslocou para “apelar à solidariedade para com os refugiados”, “que tanta necessidade têm de proteção e de sítios onde possam refazer as suas vidas”.
Confrontada com o facto de os refugiados quererem ir para países que não o nosso, a responsável pelo CPR disse que agora, contrariamente ao que se passou há uns anos quando “Portugal atravessou períodos de grande recessão económica”, “estão reunidas melhores condições para aceitar refugiados e para que os próprios criem raízes no nosso país e possam ajudar ao seu desenvolvimento”.
Como fatores que também “pesam” na hora de escolher o país de acolhimento, Teresa Tito de Morais referiu ainda as questões da língua, que “é sempre um problema”; da “nossa” localização geográfica, que não consta “muito nas rotas que são utilizadas por estes migrantes que se deslocam de um sítio para o outro”; e da existência nos países do Norte da Europa “de comunidades de refugiados e pessoas das mesmas nacionalidades que garantem logo à partida um apoio a estas pessoas que num sítio isolado como Portugal poderão não ter”.
Em seu entender, “as autarquias têm um papel fundamental” na integração dos refugiados, sendo um dos “grandes objetivos” do CPR “colaborar com os municípios na criação de planos de integração local em vários pontos do país”.
Aos jornalistas, Teresa Tito de Morais ainda adiantou dados referentes a 2017, ano em que Portugal recebeu aproximadamente 1.800 refugiados. Destes, 1.010 “vieram diretamente, são espontâneos”, conforme explicou; cerca de 200 “vieram ao abrigo do programa de reinstalação [pessoas da Síria, Iraque e Eritreia que foram para países fora da Europa onde não estavam seguros e que entretanto foram reinstalados em Portugal]”; e os restantes “ao abrigo do programa de recolocação da Grécia e Itália”.
Trata-se, no caso dos provenientes da Síria e do Iraque, de maioritariamente famílias com crianças, muito numerosas, e de algumas famílias monoparentais. “Da Eritreia são mais jovens com idades entre os 20 e os 30 anos e alguns menores não acompanhados”, especificou.
Ao que o labor apurou junto da edilidade, encontram-se a viver, neste momento, em S. João da Madeira seis refugiados, três dos quais crianças que “estão perfeitamente integradas nas nossas escolas”. Iraque e Síria são as suas proveniências.

Próximas conferências em junho, setembro e novembro
Promovido pelo Município, “Pensar Futuro” prossegue no dia 16 de junho, com o sociólogo João Teixeira Lopes, que vai olhar o futuro das cidades sob diversos prismas. Seguem-se o padre e ensaísta Anselmo Borges, a 29 de setembro, e o médico e investigador Manuel Sobrinho Simões, a 10 de novembro.

Comentários

Pub

Notícias relacionadas