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“Ler jornais é saber mais”

FOTO: Rui Guilherme
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“Vamos ser famosos?”, “Vamos aparecer no jornal?” foram as primeiras reações dos alunos do 1.º ao 4.º ano do Espadanal, Parque, Ribeiros, Casaldelo, Condes, Parrinho, Carquejido, Fontaínhas e Fundo de Vila dos Agrupamentos de Escolas Dr. Serafim Leite, João da Silva Correia e Oliveira Júnior quando confrontados com questões sobre os jornais (regionais e nacionais, formato impresso ou digital, vantagens e desvantagens, etc.) pelo labor.
De todos os alunos com quem falámos, quase todos, para não dizer todos, já ouviram falar ou sabem o que é um jornal em formato papel e digital. A maior parte tem avós que leem jornais em formato papel seja em casa ou no café. Uma outra grande parte tem pais que preferem ter acesso às notícias através do telemóvel, do tablet ou do computador. Contudo, entre os alunos há casos de pais, avós e outros familiares que leem jornais nos dois formatos.
E para que serve um jornal? A resposta foi quase unânime em todas as turmas. As palavras e a estrutura das frases é que foi diferente. Os jornais servem para informar sobre o que aconteceu, está ou vai acontecer na cidade, no caso dos jornais regionais, e no país e no mundo, no caso dos jornais nacionais. Os nomes do labor e de O Regional, os dois jornais regionais sanjoanenses, eram do conhecimento de uma grande parte, mas também desconhecidos por uma outra. Uma frase comum a mais de um dos encontros com as turmas foi “ler jornais é saber mais”, um mote usado em tempos para os alunos que seguiam as línguas e as humanidades.
As vantagens e desvantagens do jornal em formato papel ou digital foram um dos pontos discutidos nos encontros entre as turmas e o labor.

“Se deixar de existir o papel começamos a ficar muito viciados nas tecnologias”
Vamos começar pelas vantagens do jornal em formato papel. “Para não estarmos sempre no computador podemos usar o jornal de papel. Se não faz mal aos olhos”, indicou um dos alunos. “Não temos de ficar com os olhos vermelhos ao contrário do tablet. Podemos ler a qualquer hora, não precisamos de ler à pressa e podemos levar para qualquer lado”, constatou um outro aluno.
“Queria que continuasse em papel para não ser sempre a mesma coisa”, revelou um dos alunos talvez com a intenção de demonstrar que nesta era cada vez mais digital é preciso ter, melhor dizendo manter, alternativas palpáveis, como o papel. “Se deixar de existir, pessoas como os avós vão deixar de ler notícias porque não sabem mexer no computador”, apontou outro aluno. “Se deixar de existir o papel começamos a ficar muito viciados nas tecnologias”, indicou um dos alunos.
“Podemos sempre plantar mais árvores”, mas “as sementes podem acabar e o papel acaba”, disse um seguido de um outro. “O jornal é mais importante em papel porque se virmos muito no telefone fica a doer a cabeça e no jornal não”, referiu outro aluno. “Podemos receber o jornal em casa”, indicou um dos alunos. “É melhor para ver melhor”, indicou outro. “Podemos recortar e recordar a notícia em papel”, destacou um dos alunos.
Agora vamos às vantagens do jornal em formato digital. “Imagina que as pessoas querem saber de notícias, mas são um bocado preguiçosas. Em vez de saírem de casa pegam no computador e pesquisam”, apontou um dos alunos. “As notícias vão ser sempre de mais fácil acesso no computador”, disse outro. “Não estraga o meio ambiente”, referiu outro aluno. “Não é preciso sair de casa, é mais divertido”, declarou um dos alunos. E porquê? A professora ajudou a responder ao dizer que este formato, o digital, é o que é “mais real para eles”. “Há internet grátis em muito sítios”, mencionou um dos alunos. “A internet nunca acaba, as árvores podem acabar”, mencionou um dos alunos. “Gasta energia, mas se usarmos painéis solares...”, disse outro. “Se uma pessoa viajar para o estrangeiro, lê o jornal no telemóvel para poupar dinheiro”, disse um dos alunos, concordando com a professora que o jornal da terra não estará à venda num quiosque no estrangeiro. Então terá sempre de ser comprado cá em papel ou em digital. “Não temos de sair de casa se estiver a chover”, apontou outro aluno. “Podemos ler o jornal a partir da playstation”, revelou um outro. “As notícias são mais atuais do que no papel”, indicou outro aluno. Para um outro aluno não há dúvidas de que “o jornal em papel vai deixar de existir porque o digital vai dominar”.

“A internet tem a vantagem de não existir desperdício de papel”
E agora chegou a hora das desvantagens do jornal em formato papel. A primeira quase sempre a ser apontada foi o uso do papel. “O papel vem das árvores e tem-se de cortar as árvores para o papel. Por causa disso estamos a perder oxigénio. Quanto mais árvores forem cortadas, menos oxigénio temos”, afirmou um dos alunos. “O papel é mais caro”, “mas também pagas a internet”, disse um seguido de outro. “O cortar árvores, o rasgar, cortar os dedos, o uso de tintas tóxicas”, mencionaram outros tantos. “Pode rasgar, gastar papel, custa dinheiro”, disseram alguns alunos. E o digital também não custa dinheiro? A resposta foi muito simples: não. O que nos leva a um dos temas a ter em consideração pelos grupos de comunicação social: o acesso a notícias na íntegra no formato digital quando os assinantes em papel/digitais e os leitores habituais pagam para ler essas mesmas notícias. “Se as árvores acabarem, a nossa vida também. As plantas produzem oxigénio e a partir do momento em que morrem nós também. Logo, a internet ganha. A internet tem a vantagem de não existir desperdício de papel. Estou a defender a natureza para ela nunca acabar”, explicou um dos alunos. “As pessoas têm cães e podem deixar cair o jornal e o cão pode roer”, disse outro aluno. “Quando acabaram as árvores, acaba o papel e acaba o mundo”, indicou um dos alunos.
Não pensem que os alunos pouparam o digital. Este formato também tem desvantagens. Vamos a elas. “Cansa os olhos, o contacto (dos meios digitais) com a água pode eletrocutar, é preciso ter acesso à internet para ler as notícias”, apontaram alguns alunos. “O digital pode ficar sem bateria...o papel vai para todo o lado”, apontou outro aluno. “Podem falhar a luz e a bateria...o papel está sempre disponível”, referiu outro aluno. “A internet pode ficar sem prazo, pode falhar”, apontou um dos alunos. “O tablet magoa os olhos, o papel não”, disse outro aluno. “Se lermos com o telemóvel faz mal aos olhos”, indicou outro aluno. “Podem acabar os tablets e os computadores. Eles podem ficar sem bateria”, indicou outro.

Quem ganhará a luta? O papel ou o digital?
Um número infinito de informação é veiculado todos os dias seja em formato papel ou digital em todo o mundo. Quem ganhará a luta? O papel ou o digital? Estas e outras questões estão há algum tempo em cima da mesa e mais cedo ou mais tarde os pequenos, médios e grandes grupos de comunicação vão ter de tomar decisões.
De uma forma geral, estes (futuros) leitores de palmo e meio acreditam que poderá continuar a existir espaço para os dois formatos. Além disso, as opiniões, umas mais vincadas que outras, estão a começar a ser formadas tal como foi possível ler anteriormente.
O certo é que para já, há lugar para os dois formatos. O menos certo é quando começamos a pensar no depois. Como já dizia o ditado: mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. Por isso, e até lá, logo se vê...ouve ou lê.


Frases “fora da caixa”

“Imagina que as pessoas querem saber de notícias, mas são um bocado preguiçosas. Em vez de sair de casa pegam no computador”

“Podemos ler o jornal a partir da playstation”

“Quando acabarem as árvores acaba o papel e acaba o mundo”

“O jornal em papel vai deixar de existir porque o digital vai dominar”

“A minha avó gosta de ver as pessoas que morreram”

“Se deixar de existir papel começamos a ficar viciados nas tecnologias”

“A internet nunca acaba. As árvores podem acabar”

“A internet pode ficar sem prazo, pode falhar”

“Podemos sempre plantar mais árvores”

“As sementes podem acabar e o papel acaba”

“Gasta energia, mas se usarmos painéis solares...”

“Se formos de viagem (o jornal em papel) fica antigo, mas o telemóvel tem notícias atuais”

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