a informação essencial
Pub

“Arranjem-me uma urgência melhor no SNS”

FOTO: Gisélia Nunes
Partilha

A afirmação é do presidente do conselho de administração (CA) do Centro Hospitalar de Entre Douro e Vouga (CHEDV), para quem o Hospital de S. João da Madeira tem “um SUB [Serviço de Urgência Básica] de enorme eficiência, com resultados absolutamente extraordinários”. Na passada segunda-feira, Miguel Paiva desafiou mesmo a apresentarem-lhe “uma urgência melhor no SNS [Serviço Nacional de Saúde], que sou o primeiro a pedir desculpa por alguma coisa que nós possamos não ter certo”.
A pedido da coligação PSD/CDS-PP que concorreu às últimas autárquicas, o líder do CA do CHEDV fez uma visita guiada às obras do HSJM, com destaque para a da requalificação do SUB que, como o próprio fez questão de dizer, “está muito atrasada porque tivemos o azar de estar a trabalhar com uma empresa incumpridora”. “É absolutamente desesperante e revoltante estar a lidar com gente que tenha esta atitude”, desabafou referindo-se concretamente ao empreiteiro.
Nesta área do HSJM, a conclusão dos trabalhos tem vindo a arrastar-se no tempo. “A obra era para ter sido concluída até 31 de dezembro. Entretanto, prometeu-me acabá-la até dia 15 de janeiro. Mas, enfim, palavra de empreiteiro é geralmente de pouca…”, lamentou, acabando por não concluir a frase. Preferiu antes adiantar que “vamos tentar que a primeira fase [da zona de admissão e saída de doentes] termine este mês”. Aliás, na tentativa de “evitar vias conflituosas”, “temos procurado levar o assunto através do diálogo”, acrescentou.

SUB atendeu mais de 39 mil doentes em 2017
“Atrasos das obras à parte”, a verdade é que, segundo o líder do CA, o HSJM “tem o maior Serviço de Urgência Básica do CHEDV em termos de número de doentes” – só neste seu primeiro ano de funcionamento foram contabilizados 39.142 atendimentos.
Em reação às notícias “claramente alarmistas e descontextualizadas” vindas a público recentemente, Miguel Paiva quis “refutar” o seu “teor alarmista” “não com palavras, mas com dados”. E, por isso, também fez saber que “a qualidade do Serviço é absolutamente excecional em termos de resposta e de cumprimento dos tempos de atendimento”.
Conforme avançou, em 2017, “do grosso dos doentes, de prioridade amarela, 94,1% foram atendidos em menos de 60 minutos e dos 5,9% que não foram atendidos praticamente 80 a 90% foram atendidos com diferenças inferiores a 30 minutos”. Falou igualmente dos “doentes de prioridade verde, em que tivemos 95% dos doentes atendidos dentro dos 120 minutos”; de “prioridade azul (até 240 minutos)”, em que atendemos 98,3% dentro do tempo previsto”; e quanto aos “de prioridade laranja (até 10 minutos), atendemos 81,7%”.
Miguel Paiva admitiu que “há dias difíceis e em que as coisas correm mal”. No entanto, estes “números absolutamente extraordinários”, possíveis graças ao “empenho” dos profissionais e “à organização que temos”, levam-no a sentir “muito orgulho de ser presidente de uma instituição que consegue oferecer à comunidade este serviço de qualidade”.


“Metade não atendeu o telefone e a outra metade não estava disponível”
Em relação ao facto de um médico do SUB ter feito um turno de 24 horas, a que o labor deu destaque na edição anterior, a diretora do Serviço de Urgência do CHEDV, que acompanhava Miguel Paiva, mencionou ter sido “um caso esporádico”. De acordo com Ana Paula Canhola, “o colega que deveria ir trabalhar [no dia 1] telefonou-me eram 7h30 da manhã a dizer que estava doente”.
Perante tal situação, “começámos a contactar as pessoas. Metade não atendeu o telefone e a outra metade não estava disponível. Foi o que aconteceu. Não vou inventar histórias. Foi exatamente o que aconteceu. Ninguém quis vir trabalhar”, relatou a médica, esclarecendo ainda: “não posso obrigar as pessoas. Posso fazer requisição civil, mas tenho de ter um tempo legal”, além de que “temos uma percentagem importante de médicos de baixa em casa doentes”.
Relativamente à Urgência do Hospital S. Sebastião, em Santa Maria da Feira, “não esperávamos tantos doentes” no primeiro dia do ano. No entanto, “pelo que vejo, em comparação com outros hospitais, está a funcionar muito bem”. “Ainda agora estou a vir de lá e tenho os corredores livres. Se tenho uma área de observação sobrelotada? Tenho. Onde deveriam estar 12 doentes tenho 18. Mas não tenho doentes nos corredores e tenho todos os doentes a serem vigiados”, contou, chamando a atenção para que “o que aconteceu nos dias 1 e 2 foi “um pico de afluência acima do normal” e que por se tratar desses dias “não consegui reforçar as equipas”.
Na altura, “estava a ter inscrições contínuas, os doentes entravam com menos de um minuto de diferença. Precisava de ter quatro hospitais nesse dia e mesmo assim ia ter tempo de espera. Não temos capacidade para ter mil e cento e tal doentes”, justificou, dando nota ainda que há, por exemplo, pacientes de freguesias de Vila Nova de Gaia, Espinho e Castelo de Paiva “que vêm para cá porque são atendidos mais rapidamente”.



Coligação vai continuar atenta ao Hospital
A ideia desta visita ao Hospital de S. João da Madeira partiu de elementos dos dois partidos que compõem a coligação PSD/CDS. “Desde a primeira hora que dissemos que íamos acompanhar o assunto ‘hospital’” e, por isso, ali estavam, conforme esclareceu Paulo Cavaleiro.
Este tema “é muito importante para nós”. Aliás, “sempre foi, mesmo no tempo em que houve pessoas que defenderam que não havia problema de só haver urgência na Feira”, “atirou”, acrescentando que, contrariamente a estas vozes, “sempre defendemos que se investisse aqui no hospital”.
Depois de ouvir falar Miguel Paiva, presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar de Entre Douro e Vouga, o vereador da oposição disse fazer “votos para que os números que nos apresentaram continuem a crescer e que os investimentos se concluam o mais rapidamente possível”.
Embora o Hospital de S. João da Madeira assim como a Linha do Vale do Vouga sejam temas “que não têm a ver com a ação [direta] do Município, são importantes para a vida da comunidade”. Assim sendo, e neste caso concreto, “é nossa intenção visitar o hospital com regularidade”.




2017: “melhor ano de sempre da história do Hospital”
Na reunião, antes da visita às obras da unidade hospitalar, Miguel Paiva referiu -se a 2017 como "o melhor ano de sempre da história do Hospital de S. João da Madeira desde que está integrado no CHEDV em termos de investimento" e "um dos melhores anos de sempre em termos de atividade".
O presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar (CA) de Entre Douro e Vouga (CHEDV) deu nota de algumas das intervenções já realizadas, como a “total reabilitação da enfermaria do piso 3”, que está a ser agora usada para internamento de doentes, e da “requalificação completa da morgue”, para a qual adquiriram uma câmara frigorífica.
Mas também indicou as que estão em curso como as obras do Serviço de Urgência Básica, cuja primeira fase, incidindo na área da admissão e saída de doentes, “está praticamente concluída”, e do edifício administrativo, que estão “a meio” e que farão deste um “centro para promoção de atividades”.
O líder do CA do CHEDV evidenciou ainda o “investimento significativo em termos de reequipamento do bloco operatório”. Segundo disse, foi investida “mais de uma centena de milhares de euros só no bloco da cirurgia de ambulatório”.
Falando da atividade propriamente dita, “reativámos o internamento”. Contrariamente a 2016, em que “não houve praticamente doentes saídos [25], em 2017 tivemos 121” e contabilizaram-se 1.043 internamentos (em 2016 foram apenas 53).
No ano transato, verificou-se também um “aumento de 27,5%” em termos de consultas (cerca de 35 mil consultas das mais diversas especialidades). Além disso, “em termos de bloco operatório foi o melhor ano de sempre” com o registo de 4.332 utentes operados.
Quanto ao Hospital de Dia, o número de sessões foi 7.610, com “a grande fatia a corresponder ao departamento de saúde mental”.



Consultas de especialidade
Anestesiologia, Anestesiologia/Dor, Cirurgia Geral (incluindo Cirurgia de Obesidade), Ginecologia, Medicina Física e Reabilitação, Medicina Interna, Oftalmologia, Ortopedia, Otorrinolaringologia, Pediatria, Psiquiatria, Psicologia, Medicina do Trabalho

Comentários

Pub

Notícias relacionadas