a informação essencial
Pub

Os vencedores e os vencidos

Partilha

OS VENCEDORES

JORGE SEQUEIRA


Obviamente o grande vencedor destas eleições. O candidato dos 3 “Hs” – Homem, Humano, Humilde – personificou uma reviravolta surpreendentemente estrondosa no panorama político local, conseguindo a maior votação de sempre do PS e conquistando o maior número de sempre em termos de mandatos em todos os órgãos autárquicos. Uma maioria absolutíssima.

PARTIDO SOCIALISTA

Recupera o lugar de maior força política na cidade no plano autárquico, o que só aconteceu em 1976. O papel do seu presidente – Rodolfo Andrade – na (re)unificação do partido após a deserção do anterior presidente e o empenhamento dos demais elementos constituiu uma base indispensável ao trabalho que culminaria na campanha eleitoral e na vitória de Jorge Sequeira. E conquista, nesta campanha, a simpatia de numerosos independentes, o que pode ser parcialmente aproveitado para o enriquecimento do seu quadro de militantes.

Pedro Nuno Santos

O líder distrital e mandatário de Jorge Sequeira foi um elemento decisivo na campanha eleitoral. O apoio presencial de António Costa e de outros dirigentes nacionais e governantes do PS não foi despiciendo e esta vitória, tal como a de Oliveira de Azeméis, reforçam o papel de Pedro Nuno Santos na liderança distrital.

TROIKA + 1

Durante mais de seis meses foram estes os responsáveis pela definição da estratégia que culminaria na vitória de 1 de outubro. Chegaram a ser “denunciados” por um cronista local como “a troika”. Reunia regularmente – quase sempre com faca e garfo – tendo desses repastos saído as linhas gerais da estratégia que foi cumprida à risca pela máquina do PS com a ajuda de muitos independentes. Estes 3+1 ficarão sempre associados a esta vitória do PS nas autárquicas de 2017!

RICARDO FIGUEIREDO, MIGUEL OLIVEIRA E DILMA NANTES

São também vencedores da noite eleitoral de 1 de outubro. A decisão de Ricardo Figueiredo em bater com a porta alterou pressupostos, fez redefinir estratégias e transformou-o num vencedor sem concorrer. Tal como aos futuros ex-vereadores Miguel Oliveira e Dilma Nantes que com ele estiveram até ao fim.

OS VENCIDOS

PAULO CAVALEIRO

É também óbvio que Paulo Cavaleiro se transformou no derrotado da noite eleitoral. Personificou uma candidatura gerada na polémica, incompatibilizou muitos sociais-democratas que se afastaram para outras escolhas e ficará sempre associado a um dos piores resultados de sempre do PSD, apesar da coligação com o CDS/PP! Da sua lista para a Câmara que se dizia ser constituída por “dispensados por Castro Almeida” como Fátima Roldão e Rui Costa, personalidades que tiveram a sua época e cujo regresso não terá sido apelativo. Perceber-se-á hoje que, afinal, não sentiu bem SJM!

JOÃO ALMEIDA

Não pode deixar de figurar neste painel. Dirigente nacional do CDS/PP, ex-governante, empenhou-se completamente nestas eleições, ajudou a valorizar um CDS praticamente inexistente e foi reconhecido como um dos elementos mais cativantes da campanha da maioria por SJM. Regressa agora a Lisboa sem mandato, mas com um futuro potencialmente prometedor.

CASTRO ALMEIDA

A solidariedade de Castro Almeida com a candidatura de Paulo Cavaleiro, como mandatário, não resultou como seria expectável. Ficou demonstrado que o elevado reconhecimento que a cidade sempre lhe dedicou pelo trabalho que fez enquanto presidente da câmara é dele e intransmissível por endosso. Fica, no entanto, a dúvida se era necessária tanta exposição pública numa candidatura polémica e, como se viu, desastrosamente perdedora.

PSD

Tem um problema para resolver. A reunificação. Transformou-se num partido fortemente seccionado, mas que tem no seu interior soluções que o farão, obviamente, renascer. Pode demorar. Se a gestão de Jorge Sequeira se pautar pelo equilíbrio e pela competência o PSD pode estar a iniciar a travessia no deserto. Corre o perigo de ver várias franjas social democratas manterem-se perto da futura gestão autárquica. Dependerá disso o tempo dessa travessia.

CDS

Não existia até à coligação, apareceu forte por força de João Almeida e da visibilidade que conseguiu nas listas, mas irá regressar – tudo o indica – à insignificância de 2013 e à divisão dos mini-partidos locais como o BE e o PAN. A surpreendente relevância que obteve nas listas desagradou a muita gente do PSD. Isso terá ajudado à derrota da maioria por SJM? Talvez!

CDU

Teve o pior resultado de sempre. É ainda a terceira força eleitoral e alguns dos seus eleitores terão usado o voto de forma útil contra a maioria. Não deve nem pode ser desvalorizada. Tem um núcleo eleitoral garantido e a tendência deverá ser retomar, no futuro, resultado mais favorável. Mas até lá é um dos vencidos destas eleições.

IPOM

As sondagens são exercícios matemáticos efectuados com base na rede de telefones fixos que hoje, reconhece-se, tem problemas de representatividade. Como tal seria exigir muito que acertassem, antecipadamente, na decisão dos eleitores. Mas uma coisa é evidenciar a tendência de mudança – que se verificou nas urnas – e outra é teimar, uma, duas, três ou quatro vezes num exercício “aparentemente” tendencioso. Se o exercício da Eurosondagem pelo menos acertou na tendência de voto, as várias da IPOM persistiram num sentido oposto. Muita gente ficou com justificadas dúvidas sobre os trabalhos desta empresa.

Comentários

Pub

Notícias relacionadas