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Greve dos médicos termina hoje

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“As pessoas têm direito de fazer greve”

FOTO: Direitos Reservados
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Greve dos médicos termina hoje

A greve dos médicos começou no dia 8 e termina hoje, dia 10 de maio, em todos o país.
O Sindicato Independente dos Médicos (SIM) e a Federação Nacional dos Médicos (FNAM) convocaram esta greve contra a degradação do Serviço Nacional de Saúde e das condições de trabalho dos médicos, depois de dois anos de tentativa de negociação com o Governo sem resultados.
Os sindicatos criticam a opção do Governo em contratar serviços a empresas de trabalho temporário e por gastar 120 milhões de euros com a contratação de serviços a empresas de trabalho temporário.
Entre os motivos da greve estão a revisão da carreira dos médicos e das grelhas salariais; a redução do horário suplementar; o limite de 12 horas de trabalho semanal na Urgência; o reajustamento da lista de utentes dos médicos de família de 1900 para 1550; o descongelamento da progressão na carreira; a criação de um estatuto profissional de desgaste rápido e de risco e penosidade acrescidos e a diminuição da idade da reforma.
O nosso jornal esteve no primeiro dia de greve, durante o período da manhã, no Centro de Saúde e na Urgência do Hospital de S. João da Madeira. Tanto num, como noutro, a greve pouco ou nada pareceu afetar o normal funcionamento destes serviços de saúde.
Todas as pessoas que estavam na sala de espera do Centro de Saúde tinham tirado a senha, sido atendidas pelo serviço de secretaria e aguardavam ser chamadas pelos médicos.
Num dos corredores encontrámos Fernando Silva à espera do elevador para ir para uma consulta de rastreio visual, marcada para as 10h00, que ia decorrer “sem problema nenhum”.
Uma outra utente, Adriana Amaro, ia a caminho de uma consulta de psiquiatria, marcada na semana passada, mas “liguei antes e confirmei a presença da médica”, deu a conhecer ao labor.
Junto à secretaria encontrámos Maria Garcia que tinha uma consulta de rotina marcada há um mês, mas o médico não estava presente. Contudo, a utente revelou ter sido “avisada” sobre a possibilidade de não ter consulta. Mesmo assim, Maria Garcia ia ser atendida através da consulta aberta.
Relativamente à greve dos médicos, “as pessoas têm direito de fazer greve”, afirmou a utente ao labor.
Os dados, ainda que provisórios, do efeito da greve dos médicos no Centro de Saúde de S. João da Madeira não foram possíveis de apurar junto da Administração Regional de Saúde do Norte (ARS Norte). Neste momento, “não é possível fornecer dados concretos da greve”, informou fonte ligada à ARS Norte ao labor.

“Todos temos os nossos direitos e devemos reivindicá-los”
Quando chegámos à sala da Urgência do Hospital de S. João da Madeira, encontrámos duas pessoas que estavam a acabar de “dar entrada” para ser atendidas. Uma dessas pessoas era Sandra Pinto que tinha “uma dor no fundo das costas há alguns dias”. Depois de ter recorrido a alguns medicamentos através da farmácia e não sentir efeitos de melhoria teve de recorrer à Urgência. “Já não aguento mais”, admitiu ao labor.
Apesar do registo ter sido relativamente rápido, até porque não havia mais ninguém na sala, exceto a senhora que se registou a seguir a si, “só espero que os serviços mínimos estejam a funcionar”, afirmou depois de mencionarmos a greve dos médicos, uma vez que não queria receber “uma injeção que não resolve o problema, mas fazer um raio-x” para ver o que de facto se está a passar consigo. Quanto à greve, “eles (médicos) têm direito desde que sejam assegurados os serviços mínimos. Eu faria o mesmo”, afirmou a utente ao labor.
No entender de Sandra Pinto, “todos temos os nossos direitos e devemos reivindicá-los. Muitas vezes ficamos calados. Por isso, o país não vai para a frente”. Poucos minutos depois de ter conversado connosco, chamaram-na para ser atendida.
Num outro canto da sala de espera da Urgência estava sentada Judite Rodrigues por causa de uma alergia numa perna que teima em não passar. “Já estive cá há 10 dias, mas a alergia não passa”, contou ao labor.
Das vezes em que esteve na Urgência, foi “sempre bem atendida” e “sem problema nenhum”. “Hoje até foi mais depressa”, comentou a utente com o labor. Por isso, não sentiu o impacto da greve dos médicos.
Os dados, ainda que provisórios, do efeito da greve dos médicos no CHEDV não chegaram até ao fecho da edição.


Dados CHEDV
É relevante relembrar que todos os profissionais de saúde, exceto enfermeiros e médicos, fizeram greve nos dias 2 e 3 de maio. Uma greve que afetou nos dois dias o funcionamento do Centro Hospitalar de Entre Douro e Vouga (CHEDV). A adesão foi de 41% no dia 2 de maio e de 42% no dia 3 de maio. No primeiro dia, das 1.399 consultas programadas, 1.343 foram efetuadas (96%) e 16 cirurgias foram adiadas. No segundo dia, das 1.391 consultas programadas, 1.295 foram efetuadas (93%) e 18 cirurgias foram adiadas, informou o CHEDV ao labor.
O centro hospitalar não conseguiu em nenhum dos casos especificar o impacto destes dados da greve nos seus três hospitais.

“Se continuar assim a classe médica não tem dignidade”

“Devia acabar a contratação de médicos através de empresas de trabalho temporário porque é uma exploração em pleno século XXI”, defende um médico do centro hospitalar

A adesão à greve por parte de um médico ligado ao Serviço de Urgência do CHEDV não estava definida ainda que não esteja satisfeito com as condições de trabalho. “Não tenho bem a certeza porque temos de garantir os serviços mínimos na Urgência para atender todas as pessoas”, acreditando que o maior impacto será sentido nas consultas e cirurgias cujo adiamento “não põe em causa a vida das pessoas, apenas causa o descontentamento dos utentes”.
Este é um dos médicos que faz turno de 12 horas, mas que já chegou a realizar de 24 e até de 48 horas na Urgência.
O valor pago à hora de 22 euros para médicos não especialistas e 26 euros para médicos especialista, sem as devidas deduções, e a contratação de médicos através de empresas de trabalho temporário estão entre os desagrados deste profissional de saúde.
De acordo com este médico, “devia de acabar a contratação de médicos através de empresas de trabalho temporário porque é uma exploração em pleno século XXI. O Governo devia de entregar estas funções aos recursos humanos dos centros hospitalares. Não faz sentido existir um terceiro intermediário”. “Se continuar assim a classe médica não tem dignidade”, concluiu o médico ao labor.

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