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Uma noite repleta de magia, dança e música

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Ginita celebrou 70 anos

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Uma noite repleta de magia, dança e música

A empresa António Correia Alves & Filho, SA, mais conhecida como Ginita, sediada em Escapães, celebrou o 70.º aniversário no dia 2 de fevereiro com um jantar, acompanhado de muita animação, na Quinta de Santiago em Oliveira de Azeméis.
Os 170 convidados tiveram direito à companhia de dois mágicos, à atuação de duas bailarinas e de uma dupla de animadores durante o resto da noite. Pelo meio, um grupo constituído por 10 colaboradores da Ginita – cinco mulheres e cinco homens – apresentaram uma dança para todos os outros colegas de trabalho e para a gerência. E assim o baile foi oficialmente aberto para todos os presentes.
A celebração dos 70 anos “correu muito bem. Desde o espaço, à comida até à diversão foram todos excelentes”, afirmou António Correia Alves, fundador da Ginita, ao labor.
“As pessoas queriam mais”, acrescentou Albérico Alves, responsável pela produção e pela parte comercial da Ginita, atestando assim o anteriormente dito pelo seu pai.
Para José Luís, de 44 anos, encarregado do setor da montagem, é “muito difícil” comparar o jantar dos 50 com o dos 70 anos de Ginita porque “viver um e viver outro é muito nostálgico”.
E por uma, melhor, duas razões muito simples. No primeiro jantar, todos os funcionários foram acompanhados dos seus cônjuges e nessa mesma altura a sua esposa estava grávida. Passados 20 anos, José Luís esteve acompanhado do seu filho, com 20 anos, como trabalhador da Ginita. Por isso, este jantar, tal como o outro, teve um significado “muito bom. Maravilhoso”, confessou o encarregado ao labor.
O jantar e a atuação dos colaboradores foram “um espetáculo. Correu tudo muito bem”, revelou Ana Silva, 25 anos, empregada de escritório e uma das responsáveis pela organização desta surpresa. “Ninguém estava à espera” do momento de atuação dos colegas, mas “depois toda a gente foi dançar”, adiantou Ana Silva ao labor.
O cérebro de toda esta operação surpresa para a gerência foi Sandra Ferreira, 41 anos e encarregada do setor da costura há seis na Ginita. Relativamente ao convívio dos 70 anos da empresa, “gostei. Tive uma grande satisfação em ver a alegria do senhor António. Acho que isso valeu pela festa. Acho que toda a gente gostou”, destacou Sandra Ferreira.

A meta é “chegar aos oito milhões”

António Correia Alves tinha 17 anos quando começou a dar os primeiros passos no mundo do calçado.
A empresa Ginita começou numa casa em 1948 e, oito anos depois, “mandei fazer a fábrica de raiz juntamente com o meu pai”, contou o empresário ao labor.
“Passámos por muitas dificuldades” num tempo em que “os bancos não criavam contas” para qualquer pessoa, muito menos para “uma firma como a minha com cinco pessoas”. Quem não tinha dinheiro, “não tinha facilidades nenhumas”, relembrou António Correia Alves.
Longe vão os tempos em que havia apenas cinco funcionários (gaspeadeiras, cortadores e sapateiros) e a montagem do sapato era feita fora, o meio de transporte usado para contactar os clientes mais próximos era a bicicleta e os mais distantes a camioneta ou o comboio e as encomendas eram levadas à cabeça em caixas de madeira até à Linha do Vouga.
Agora, os tempos que é como quem diz o número de funcionários, os métodos de fabrico e os meios de transporte são outros, concordou António Correia Alves que com 87 anos continua a estar presente todos os dias, das 10h00 às 18h00, na sua empresa.
Olhando para trás, a empresa passou por “muitas dificuldades” quando aconteceu o 25 de Abril devido à perda de colónias para onde vendiam calçado, recordou Albérico Alves. E como diz o velho ditado: quando uma porta se fecha, abre-se outra. Isso foi exatamente o que aconteceu à Ginita. As primeiras Mocaps abriram outras portas a esta empresa que começou a exportar até então.
A Ginita exporta calçado essencialmente para três países: França, Holanda e Espanha. Por vezes, tem encomendas para Inglaterra e Japão.
O sapato Ginita é um sapato “casual, prático, confortável e um quanto basta elegante”, descreveu Albérico Alves ao labor.
A empresa teve as marcas Dural para sapatos de homem, Ginita para criança e Magli para mulher, optando, mais tarde, por adotar apenas a marca Ginita para sapato de mulher. Por curiosidade, o nome Ginita surgiu devido ao nome da filha Maria Virgínia, conhecida como Gina ou Ginita, em conversa entre António Correia Alves com uma pessoa muito amiga.
Uma das grandes dificuldades sentidas atualmente pelo setor do calçado é a captação de mão de obra jovem e especializada, confirmou Albérico Alves.
Neste preciso momento, o empresário está com dificuldade em arranjar cortadores e a maioria dos jovens quer é a área da modelação e do estilismo, deixando de parte o setor dos operários e das máquinas.
“O que terá de mudar? É uma boa pergunta”, respondeu assim Albérico Alves à questão do labor.
Numa nova viagem ao passado, a Ginita viveu a melhor época em todos os níveis possíveis nos “anos 80 em que trabalhamos para a Holanda. Uma época em que a empresa ganhou bem, cresceu muito. Muito bons. A partir de 2010 tem sido uns anos bons, outros menos bons. Um bocado irregular devido à crise”, considerou o empresário.
A meta a atingir pela Ginita em 2018 é nada mais nada menos do que “chegar aos oito milhões de volume de faturação”, superando assim os sete milhões e 800 mil euros de 2016, depois de ter descido para sete milhões em 2017, revelou Albérico Alves, em consonância com António Correia Alves, ao labor.

Testemunhos

José Silva, 59 anos, encarregado fabril e chefe de exportação
“A grande dificuldade é encontrarmos trabalhadores mais ou menos qualificados. Os sapatos é uma das artes mais antigas e agora as pessoas fogem para outras áreas de trabalho. É complicado. Não se pode dar mais ordenados porque os sapatos estão estagnados. Os clientes subjugam os empresários. Não há maneira de os cativar. Era um bom fator e princípio de base, mas não se consegue. Antigamente muitas coisas eram feitas à mão, hoje em dia as máquinas fazem tudo. Ainda bem que evoluiu”.

Graça Jorge, 47 anos, funcionária ligada às amostras e exportação
“Este foi o meu primeiro trabalho e espero bem que seja o último. Gosto muito disto. Estou ligada à parte das amostras e faço exportação para França e Holanda. Todos os dias são diferentes. Sempre ao telefone a apoiar os clientes, mas é complicado. Muito exigentes. Cada vez mais. Tudo era mais fácil. Agora é mais complicado. Se não é a cor, é a linha, é o peito do pé que está muito cheio. Vamos ter de formar as pessoas aqui. De outra forma não vamos ter futuro. Já tivemos um curso à noite, pago pelo patrão, para formar miúdas e formamos boas gaspeadeiras”.

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