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Vendedores do Mercado apanhados de surpresa

FOTO: Arquivo Labor
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Pelas notícias da requalificação vindas a público recentemente

Depois do que foi tornado público pelo labor relativamente à aprovação do anteprojeto da empreitada de remodelação e requalificação em sede de executivo municipal e à sua candidatura a fundos comunitários na última semana do ano, as reações não se fizeram esperar na página de Facebook do jornal. Com alguns dos cerca de 165 comerciantes do Mercado Municipal (MM) de S. João da Madeira a dizerem-se apanhados de surpresa pelas notícias da nova obra, como foi o caso de Laurinda Costa.
“Não sabemos de nada. Não nos foi apresentado o projeto. Onde está a comissão [de vendedores]? Onde está o projeto?”, perguntou. Em declarações exclusivas ao semanário, esta vendedora de bacalhau no MM há 27 anos não poupou críticas à comissão de vendedores. Esta, em seu entender, “não sabe exercer o cargo”, porque “se são porta-vozes dos comerciantes têm de reunir [com a câmara] e, depois, nos dar a saber [o que daí resultou]”.
Contrariamente ao que, na sua ótica, devia acontecer, “vamos sabendo das coisas uns pelos outros”. “O Mercado está cheio de ‘vícios’, desde os funcionários até aos comerciantes. Precisava de uma ‘limpeza’”, “atirou”, apesar de acreditar que “ainda virá alguém falar connosco”. “Que se ouça a opinião dos comerciantes!”, apelou.

“Cabe à câmara apresentar em definitivo o projeto”
Segundo António Campos, “cabe à câmara apresentar em definitivo o projeto”. Ao presidente e a mais dois elementos da comissão de vendedores do Mercado Municipal - num encontro com a autarquia, “a 22 de novembro salvo erro” - “foi dada a conhecer uma proposta” sobre a qual se pronunciaram na altura e da qual, posteriormente, no dia 25, falaram numa reunião da comissão em que apareceram só cinco dos seus sete membros.
Junto da edilidade, e por escrito, o talhante e os seus colegas defenderam, uma vez mais, a deslocalização do setor dos animais vivos para o exterior do edifício, concretamente para junto do Centro Columbófilo, na Avenida Eng. Arantes Oliveira e não “para o acesso Sul do Mercado, designadamente com a adaptação de dois módulos comerciais existentes”, conforme prevê o anteprojeto deliberado em reunião de câmara.
Na sua opinião, “não adianta fazermos obras nem ter um parque infantil enquanto tivermos o cheiro dos animais vivos cá dentro”. Aliás, conforme lamentou, “há crianças e jovens que entram aqui com os avós já com a mão no nariz (…). E foi-nos dito, aquando da última intervenção em 2007/2008, que iam ser colocados uma exaustão, uns vidros e não sei que mais, o que nunca aconteceu levando-me a pensar que a câmara nunca olhou para isto como um problema”.
António Campos foi mais longe defendendo que enquanto a questão dos animais vivos não for encarada como um “problema”, este equipamento camarário não tiver uma gestão profissional e os próprios comerciantes não mudarem de mentalidade debatendo-se pelos seus direitos de nada adiantarão investimentos como o que está previsto.
Na conversa com o labor, o dono do talho ainda esclareceu que durante o seu “mandato” de dois anos, que termina agora, a comissão de vendedores não se limitou a reunir “em fevereiro [de cada ano] para decidir os feriados em que o Mercado deveria abrir”. Foram várias as vezes que, em 2016 e 2017, António Campos e alguns dos seus pares foram ao Fórum Municipal para “discutir obras e outros assuntos”.

Setor dos animais vivos sem representante na comissão
A nossa reportagem foi ao encontro das tão propaladas vendedoras de animais vivos. Mas nenhuma das duas quis falar. Ou melhor, uma ainda deixou escapar umas palavras, mas sem identificar-se: “não falo com ninguém, não sei de nada. Dizem muita coisa mas não quero saber daquilo que os outros dizem. Tanto me importa que haja obras como não haja”, “não estou preocupada”:
À semelhança de outros, o setor dos animais vivos não tem representante na comissão de vendedores.

Solução “adequada à resolução do problema dos cheiros”
Ao labor o Município deixou claro que “a solução proposta é considerada pelos técnicos como adequada à resolução do problema dos cheiros no Mercado Municipal, indo também ao encontro do entendimento de que este espaço deve ser inclusivo de todas as atividades que tradicionalmente aí têm lugar”.
Prosseguiu informando que “a câmara reuniu por duas vezes com a comissão de vendedores” que “num primeiro momento” foi recebida pelo presidente da câmara e pelo vereador José Nuno Vieira, que tem a seu cargo o Mercado Municipal. Posteriormente, realizou-se uma nova reunião em que estiveram presentes o vereador, o chefe da Divisão de Planeamento, Ordenamento e Ambiente da Câmara e a equipa técnica que elaborou o anteprojeto”.
“Entretanto, será desenvolvido o projeto final, processo que voltará a contar com a auscultação dos vendedores”, completou.

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