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"Sorriso Plástico" do Moffat Takadiwa na exposição In and Out of Africa

FOTO: Direitos Reservados
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Até 8 de abril no Núcleo de Arte da Oliva

Em exposição no Núcleo de Arte da Oliva está a escultura do artista zimbabuense Moffat
Takadiwa “Sorriso Plástico”, integrada na exposição “In and Out of Africa” composta por obras
da Coleção Treger/Saint Silvestre. “Sorriso Plástico” faz parte do núcleo “In Africa” que agrupa
o trabalho de artistas africanos mais dedicado a obras de arte contemporânea, sendo esta obra uma das mais recentes aquisições da Coleção. Trata-se de uma escultura de parede de grande escala, inteiramente formada por objetos recuperados, mais especificamente, escovas e tubos de pulverizador datados de 2016. O título da obra pode ser entendido literalmente: a forma relativamente amorfa da peça sugere, efetivamente, o sorriso.
E habitual para Moffat manifestar a natureza dos materiais recuperados no título das suas obras e, nesse sentido, “Sorriso Plástico” estabelece uma continuação lúdica com “Dentífrico”, uma obra de 2015 composta por tubos vazios de pasta dentífrica. O título oferece, também, uma leitura alternativa: terá este sorriso perfeitamente sintético, “sorriso americano” vindo a simbolizar as nações ocidentais, “avançadas”, características de uma hospitalidade perfeita? Sorriso plástico enquanto ação mecânica que nos despe da sinceridade própria?
“Sorriso Plástico” é uma obra delicada, fabricada a partir de técnicas tradicionais de tecelagem de pérolas, que contribui para a sua leveza, criando igualmente um diálogo entre a arte e o artesanal, a invenção e o saber-fazer.
Moffat Takadiwa nasceu em 1983 em Karoi, estabelecendo o seu estúdio em Harare,
capital do Zimbabué. Moffat afirma que sempre quis ser um artista. Concluiu, em 2008, o bacharelato em artes pela “Harare Polytechnic College”, após a formatura, que coincidiu com um período de elevada inflação no país, começou a trabalhar com materiais achados e
recuperados, por falta de acesso aos materiais mais convencionais. Tal meio permitiu-lhe trabalhar sobre as questões de desigualdade social, capitalismo consumista e imperialismo cultural. Este último melhor representado através das suas esculturas-assemblage de teclados descartados de língua inglesa, um comentário ao passado do Zimbabué enquanto a colónia Britânica da Rodésia e dos modos em que a língua inglesa constrói uma elite social.
A obra de Moffat é influenciada pelo seu contexto – as ruas de Harare, onde o artista
encontra material para suas esculturas – assim como pela literatura e artes Africanas.
Nomeadamente pela escrita do teórico queniano Ngũgĩ wa Thiong'o, “Decolonizing the
Mind”. El Anatsui, um escultor de Ghana, desempenhou um papel decisivo nodesenvolvimento do estilo artístico de Takadiwa. A origem estrangeira dos materiais que o Moffat usa, ajuda-o a investigar mais aprofundadamente o efeito da globalização na produção tradicional e formação da identidade nacional. O artista sublinha que esses produtos foram utilizados como ferramentas de colonização. Na sua exposição mais recente no Museu de Arte Contemporânea de Leipzig, “Chinafrika. Under construction”, Takadiwa foca –se no papel que a China executa na economia e política zimbabuenses.
Moffat Takadiwa é uma figura de destaque na nova geração de artistas contemporâneos do
Zimbabué. Tem exposto extensivamente nas maiores instituições do seu país assim como
internacionalmente. A obra “Sorriso Plástico” foi apresentada em Cape Town e em Paris
antes de ser integrada em “In and Out of Africa” no Núcleo de Arte, a primeira exposição
portuguesa a mostrar o seu trabalho.

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