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Há documentários sobre, por exemplo, bandas de música que Luís Lima “foi deixando para trás” e que a “sua” associação faz questão de concluir. Trata-se de mais uma forma de prestar tributo a este jovem de S. João da Madeira que, em novembro de 2012, faleceu, vítima de doença prolongada

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ACLL quer “trazer à luz do dia” trabalho que Luís Lima deixou por fazer

FOTO: Nuno Santos Ferreira
FOTO: Nuno Santos Ferreira
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Há documentários sobre, por exemplo, bandas de música que Luís Lima “foi deixando para trás” e que a “sua” associação faz questão de concluir. Trata-se de mais uma forma de prestar tributo a este jovem de S. João da Madeira que, em novembro de 2012, faleceu, vítima de doença prolongada

Nasceu, cresceu e viveu na cidade de S. João da Madeira até aos 17 anos de idade, altura em que foi estudar Economia para o Porto. Ainda na “Invicta”, tirou o Mestrado em Gestão de Serviços e também trabalhou numa start-up tecnológica.
Entretanto, fez as malas e rumou a Lisboa também para trabalhar. Primeiro, para uma consultora e, depois, para “uma das grandes empresas de Portugal” onde agora é “estratega de transformação digital”.
Hoje com 28 anos, este jovem, que já foi jogador de andebol na Associação Desportiva Sanjoanense, tem a Associação Cultural Luís Lima (ACLL), de que é co-fundador e presidente da direção há dois mandatos, como quase único hobby. Quase único porque, volta e meia, o pouco tempo livre de que dispõe ainda dá para ir com os amigos a festivais (de cinema ou de música) ou a outras iniciativas culturais.

O que esteve na base da fundação da Associação Cultural Luís Lima (ACLL)?
Tal como o próprio nome indica, a ACLL [fundada a 10 de janeiro de 2015] é um tributo a um nosso amigo que faleceu em 2012. Na altura da morte do Luís, sentimos necessidade de lhe prestar tributo através do Party Sleep Repeat (PSR).
Depois, como o festival estava a crescer a um ritmo assinalável e como tínhamos outras coisas pontuais que queríamos desenvolver, decidimos que era benéfico, tanto para nós como para a Associação de Jovens Ecos Urbanos que desde o início suportou as nossas atividades em termos administrativos, burocráticos, etc., criar uma associação que corporizasse as nossas ideias.
Sabe que o Luís ainda deixou muito trabalho por fazer. E a ACLL pretende, a seu tempo e com qualidade, ir desenvolvendo o que ele deixou para trás como, por exemplo, alguns documentários sobre algumas bandas de música.
Já nos foi possível finalizar um documentário sobre a rapper Capicua, que o Luís não conseguiu terminar. Pretendemos continuar a fazer esse trabalho, tal como pretendemos continuar a fazer atividades que o lembrem e que vão ao encontro da sua personalidade.

O Luís fazia parte do vosso círculo de amigos?
Sim, tínhamos o mesmo grupo de amigos desde crianças.

E ele era um jovem com uma série de projetos para concretizar?
Sim. Para além de ser nosso amigo, depois de lhe ter sido diagnosticado o cancro, dedicou-se especialmente muito ao curso que, na altura, estava a tirar (Som e Imagem) na Universidade Católica do Porto.

Estudaram os dois na mesma altura na Universidade Católica do Porto?
Sim, embora em cursos diferentes. Mas já o conhecia desde criança. Éramos amigos de infância, muito chegados, muito íntimos, assim como as outras pessoas que também fazem parte da ACLL.
Quando ele foi tirar o curso de Som e Imagem, também percebendo que não tinha tempo suficiente para realizar todos os projetos que queria, foi montando, em cima das aulas, projetos a título pessoal ou por auto recriação. Alguns dos amigos até o acompanhavam nessas filmagens, iam ver concertos com ele, que ele aproveitava para filmar. E pronto, esses são muitos dos trabalhos que ele deixou por terminar que queríamos trazer à luz do dia.

“Sempre achámos que SJM merecia mais em termos culturais”

Acha que se a vida do Luís não tivesse tido o desfecho que teve a associação ia existir na mesma?
Acho que muito dificilmente existiria, porque talvez fosse faltar a motivação para a pôr para a frente. É muito difícil para todos nós que temos um trabalho a full time, sobretudo para muitos que nem sequer trabalham em S. João da Madeira (SJM), desenvolver as atividades que desenvolvemos.

Mas nunca falaram nessa possibilidade quando o Luís ainda estava vivo? Ou esta associação nasceu porque o Luís partiu cedo demais?
Esta associação nasceu porque o Luís partiu cedo demais, isso é certo. Agora, se nós algum dia almejávamos fazer um festival de música? Talvez, mas não era uma coisa que fosse muito falada entre nós. Porque mais do que organizar festivais nós gostamos é de os frequentar.
Mas sempre achámos que SJM merecia mais em termos culturais. E também uma das nossas grandes motivações é conseguir fazer uma coisa desta magnitude na cidade onde nascemos e crescemos e de que muito gostamos. Além de preservar a memória do Luís é muito motivante fazermos isto na nossa terra natal.
Se o iríamos fazer sem esta tragédia nas nossas vidas? É difícil de responder, mas a probabilidade era muito menor.

Quais são os pilares em que a ACLL assenta?
A associação, tal como o PSR e tal como quase todas as atividades que desenvolvemos, de forma mais tangível ou intangível, tem três pilares, sendo que dois deles estão enraizados no nome da associação: desenvolver atividades culturais que não sejam mais do mesmo, ou seja, que sejam mais vanguardistas ou que marquem pela diferença aqui na cidade.
Em princípio, não vamos fazer mais do mesmo, a não ser que o mesmo seja feito com tanta qualidade que possamos replicar e estender. Depois queremos sempre prestar um tributo claro ao Luís, isto é, pensamos se aquilo estaria alinhado com aquilo que ele gostaria, com os gostos pessoais talvez ou até com a personalidade dele.
O terceiro pilar é tentar que todas as atividades tenham um cariz solidário ou que apoiem uma causa social ou que chamem a atenção da comunidade sanjoanense ou regional para um certo tipo de temas que achamos pertinentes.

O Tiago encontra-se a cumprir o seu segundo mandato. Foi reeleito presidente da direção. Estamos a falar de uma associação que conta com quantos sócios?
Temos cerca de 165 sócios.

E estamos a falar de sócios de onde, com que idades?
Diria que a maior parte tem a minha idade ou é da minha faixa etária, porque são as pessoas que frequentam mais as nossas atividades. Depois existe uma faixa etária mais velha, na casa dos 50, 60 anos, que tem maturidade e até independência económica para reconhecer o valor das atividades que desenvolvemos e para nos apoiar.
Agora não existem muitas pessoas na faixa intermédia, entre os 40 e os 50 anos talvez, mas lá chegaremos. Porque obviamente que a ACLL tem associados muito próximos e depois vai, à medida que vai fazendo as suas atividades, expandindo a sua base de associados para não se tornar só numa coisa do tipo familiar.

“30% dos nossos sócios não são de SJM”

Então os vossos associados não são só de SJM? A ACLL já ultrapassou as fronteiras concelhias?
Sim, claramente. Diria que 30% dos nossos sócios não são de SJM. Até porque nós, que fazemos parte do órgão diretivo, temos vidas fora de SJM e, portanto, isso faz com que tenhamos muitos sócios de Lisboa, Aveiro, Porto, etc..
Além disso, a atividade da ACLL, apesar de se confinar um bocadinho a SJM, traz muita gente de fora, seja de Coimbra, Aveiro, Braga, Porto, Lisboa, etc., tal como traz pessoas que vêm de propósito do estrangeiro para estar cá no PSR.
Agora, no próximo dia 22 de abril, para o PSR, vêm pessoas de Bilbau, Paris ou de Londres. Já vieram de Amesterdão. Há muita gente que faz questão de estar cá essencialmente porque é uma altura em que se reúnem duas ou três gerações muito próximas de SJM. É uma oportunidade de rever muitos amigos e de estarmos todos juntos outra vez.

Ainda antes de iniciarmos esta entrevista falou-me de uma assembleia-geral (AG) da ACLL realizada recentemente. Quer dizer-nos o que foi tratado nessa sessão?
No último sábado houve uma AG onde discutimos e aprovámos por unanimidade o relatório e contas de 2016. Com este é o terceiro relatório e contas que aprovámos, sendo, por isso, possível a partir do próximo ano a consignação de 0,5% do IRS à ACLL.
Acreditamos que esta é uma forma muito fácil de as pessoas nos apoiarem. É que à medida que as nossas atividades vão escalando as nossas necessidades de financiamento começam a crescer. Ou seja, temos de cada vez mais de aproveitar todas as oportunidades de financiamento e de ‘fundraising’ possíveis.

O que distingue a ACLL das demais?
Diria que somos uma associação de jovens, mas isso não distingue necessariamente das outras associações. Mas trata-se de uma associação composta por um grupo de amigos. Dizemo-lo claramente, sem pudor. Não temos problema algum com isso.
Somos uma associação sem estrutura profissionalizada, sem grandes fundos, cujas vida e atividades são desenvolvidas muito a partir dos esforços das pessoas que a compõem.

A ACLL tem sede?
Não. Nem sequer temos isso.

Mas não querem ter?
Sim. Há a perspetiva de termos uma sede. Já falámos nisso à câmara. Quando existir um espaço disponível, por exemplo, na Casa das Associações teremos em princípio uma sede.

Esta não é então uma das vossas necessidades no imediato?
Não é uma urgência, porque para já não temos ninguém a tempo inteiro a colaborar com a associação.

Mas pensam em vir a ter?
Pensamos sim. Não sei se daqui a dois anos, se daqui a 10, isso vai ser possível, mas achamos que a partir do momento em que isso aconteça teremos condições para realizar o triplo das atividades.
Mas para isso é necessário ter uma sede, ter meios próprios e ter acesso a alguns fundos, a algum financiamento.

Neste momento quais são as vossas fontes de receita?
Quotas de sócios beneméritos, quotas de sócios comuns…

Qual a diferença entre umas e outras quotas?
Sócios beneméritos pagam mais dez vezes do que se pagassem uma quota normal. E, normalmente, são pessoas coletivas, não são individuais. São empresários da cidade que, através da sua empresa, investem numa quota da ACLL tendo, obviamente, benefícios fiscais ao fazê-lo.
Também temos alguns apoios institucionais, sejam da junta, sejam da câmara, que cobrem algumas despesas da associação para atividades claramente identificadas. Depois, no caso do PSR, temos um patrocinador que é o revendedor da Galp Energia aqui da zona – Abílio Marques dos Reis, de Cucujães. Além disso, vendemos merchandising em alguns dos eventos, mas trata-se de uma rubrica residual para as nossas pretensões. E é dessa forma que vamos conseguindo sustentar as nossas atividades

Estão a preparar um novo site?
Lançámos o site do PSR há um ano, com muitas funcionalidades. Esse, aliás, foi o nosso principal foco porque é o site que tem mais visitas, mais até do que o da ACLL. O site do PSR levou uma renovação total para esta nova edição. Ou seja, todos os conteúdos foram alterados e mudados para a nova imagem do festival.
Quanto ao site da ACLL, tenho como missão, neste meu segundo mandato, criar um site que seja digno de ser visto, assim como é o do PSR. Nós só fazemos as coisas se forem para ser bem feitas. Não vamos ter de certeza um site mortiço, estático. Neste mandato tenho o compromisso de fazer um site como deve ser.

Neste mandato, tem outras missões a cumprir?
Temos atividades que queremos desenvolver em contínuo, uma das quais o PSR, onde alocamos, sem exagero, 90% do nosso tempo. É uma atividade que é desenvolvida o ano inteiro. A outra é o “ThinkSpace”, um ciclo de conferências que desenvolvemos desde o ano passado e para o qual criámos uma marca.
Também em 2016, fizemos uma parceria com a junta de freguesia para co-produzir o Concerto Ilustrado do Encontro Internacional de Ilustração de SJM. E temos perspetiva de continuar essa parceria também. São já três atividades em contínuo que vamos ter de assegurar.
Além disso, existem outras na calha, coisas mais pequenas, mais pontuais e mais informais que não sejam para grandes públicos, como tertúlias ou coisa que o valha.

“Este PSR vai ser muito intenso”

Relativamente ao PSR, está aí à porta. É já no próximo sábado…
Sim. Sempre tivemos a ambição de trazer uma banda internacional. Desta vez conseguimos trazer.

É a primeira vez que o fazem?
Sim. É a primeira vez que vem uma banda internacional.

Tal significa que o orçamento disparou em comparação com as outras edições?
Não necessariamente. É uma banda de Madrid [Baywaves]. Portanto não vem assim de tão longe. Vai fechar a tarde de 22 de abril. Esta é outra das grandes novidades: ao passo que no ano passado realizámos duas noites, este ano achámos que devíamos experimentar a parte da tarde e fazer tudo seguido. O festival começa às 16h30/17h00 e, 10 horas depois, acaba às 5h00 ou coisa que o valha.
Queríamos que as pessoas também acompanhassem o festival à tarde, não estando só confinadas à Sala dos Fornos. Ou seja, o palco da tarde vai estar montado na Alameda. As pessoas vão poder ver concertos ao ar livre, que é uma coisa também muito prazerosa se estiver sol.

Que podemos então esperar deste PSR?

Este PSR vai ser muito intenso para as pessoas que o frequentarem porque basicamente não vai ter grandes espaços mortos. O festival nem sequer pára para as pessoas jantarem.

São esperadas quantas pessoas?

Esperamos ter num dia as mesmas duas mil pessoas que no ano passado tivemos em dois dias. É essa a nossa perspetiva. O público tem vindo a crescer de edição para edição. Mas até por restrições do espaço e por questões de segurança não queremos que o PSR se torne muito maior do que isto em termos de público.

A nível de venda de bilhetes, como está a correr?
Para já não tenho muita noção. Mas o que posso dizer, pela experiência dos outros anos, é que 70% dos bilhetes se vendem na semana anterior ao festival e que, normalmente, metade destes se vende no próprio dia.

Mas a ACLL não é apenas o PSR?
A ACLL foi criada depois de o festival existir. Mas a ACLL não pode nem deve ser só o PSR. A associação pretende desenvolver mais atividades, talvez não à escala que o PSR tem ou pretende ter. Mas, sim, é verdade que queremos desenvolver outras atividades e lutamos anualmente para que sejam realizadas. Agora, temos uma restrição enorme de disponibilidade para poder fazer mais.
O que disse em relação ao site é válido para o que vou dizer agora: só vamos fazer uma atividade se soubermos que a podemos fazer bem e que interessa para alguma coisa. Não vamos fazer atividades por fazer.
O PSR é da ACLL, é propriedade da associação, mas já passou por várias fases. Cada um terá a sua vida própria, mas se um crescer o outro também vai crescer.

Party Sleep Repeat é já este sábado

Aquele que foi reconhecido nos Iberian Festival Awards como o “Melhor Festival Indoor da Península Ibérica” (2016) e o “Melhor Festival Pequeno de Portugal” (2017) está de volta à Oliva Creative Factory (OCF), em S. João da Madeira.
Orçada em “dezenas de milhares de euros”, conforme o presidente da direção da Associação Cultural Luís Lima (ACLL) disse em entrevista ao labor, a quinta edição do Party Sleep Repeat (PSR) é já este sábado, dia 22 de abril, a partir das 16h00 (abertura de portas do festival). Pela primeira vez o PSR conta com uma banda internacional emergente - os espanhóis Baywaves que vêm à cidade sanjoanense dar a provar o seu “psychedelic hipnopop” – e dois palcos, um dos quais montado ao ar livre na Alameda da OCF.
As atuações começam às 17h00, precisamente na Alameda, com as bandas Toulouse, The Sunflowers e Baywaves, seguidas do Dj Adão prosseguem na Sala dos Fornos com Prana, Marvel Lima, Riding Pânico, The Legendary Tigerman, a partir das 22h00, encerrando já de madrugada com o Baile Tropicante dos Dj’s A Boy Named Sue e La Flama Blanca.
Mas o programa do PSR deste ano contempla também arte contemporânea. Segundo Tiago Valente dos Santos, os detentores de bilhete para o Party Sleep Repeat têm acesso gratuito ao Núcleo de Arte da Oliva Creative Factory das 16h00 às 18h00, havendo, pelo menos, uma visita guiada às 16h30 para quem decidir visitar a exposição através do PSR. “Os animais que ao longe parecem moscas”, da autoria de João Maria Gusmão e Pedro Paiva com a participação da Coleção Norlinda e José Lima, e “Arte Bruta: uma história de mitologias individuais”, da Coleção Treger/Saint Silvestre, são as exposições que estão patentes ao público no Núcleo de Arte.
Os bilhetes custam sete euros para quem comprar com antecedência na bilheteira online Last2Ticket e 10 para quem comprar no próprio dia à porta da Oliva entre as 14h00 e as 03h30. A organização disponibiliza ainda um autocarro com partida no Porto até à Oliva Creative Factory e com regresso ao fim da noite gratuitamente. Quem quiser pode reservar o seu lugar no horário pretendido ao enviar o nome, n.º Bilhete de Identidade/Cartão de Cidadão, contacto e comprovativo do bilhete para shuttle@party-sleep-repeat.com.
À semelhança do ano anterior, as receitas da bilheteira revertem para a iniciativa “Apadrinhe esta Ideia”, da Associação de Jovens Ecos Urbanos,  e para projectos de investigação da Liga Portuguesa Contra o Cancro 
Este festival de tributo a Luís Lima é organizado pela ACLL com a parceria da câmara municipal, junta de freguesia e Associação de Jovens Ecos Urbanos.

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