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Musicatos - Recital de violino e viola d´arco com Raquel Santos e Ana Sofia Sousa este sábado, dia 2 de dezembro, pelas 21h30, nos Paços da Cultura

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“Parece que as notas cantam o seu nome para mim”

FOTO: Direitos Reservados
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Musicatos - Recital de violino e viola d´arco com Raquel Santos e Ana Sofia Sousa este sábado, dia 2 de dezembro, pelas 21h30, nos Paços da Cultura

Tem 22 anos, é natural de Mozelos, licenciada em Violino pela Escola Superior de Música e das Artes de Espetáculo do Porto.
Raquel Santos toca regularmente com a Orquestra Sinfónica da ESMAE e a Orquestra Clássica de Espinho. A jovem violinista é frequentemente chamada para reforço da Orquestra de Câmara Portuguesa e já colaborou também com a Orquestra Clássica do Centro. Recentemente ganhou as audições para ingressar na Orquestra de Jovens do Mediterrâneo onde teve a oportunidade de trabalhar com o conceituado Maestro Pablo Heras Casado e ser orientada por músicos da Orquestra Sinfónica de Londres.

A Raquel iniciou os estudos apenas com sete anos na Tuna Musical Mozelense. O que recorda destas primeiras andanças no mundo da música?
As minhas primeiras memórias neste mundo da música são muitas e boas! Recordo-me perfeitamente do tempo em que esperava pela chegada do meu primeiro violino e, em casa, com um violino improvisado, uma caixa de cereais com uma régua colada e um arco que não passava de uma simples vara, ia já treinando a posição de descanso e a pega do arco. Tenho também bastante presente as minhas primeiras aulas já com o violino a sério! Lembro-me do professor ser bastante exigente e eu desde logo ser muito perfecionista. Queria tocar as músicas que ia aprendendo sem qualquer erro do início ao fim. Quando me enganava, voltava de imediato ao início da música, até a acabar sem qualquer engano. Tenho também guardado na memória as primeiras lições de formação musical. Não encontrava dificuldades nos primeiros exercícios destas aulas e foi quando a professora descobriu que eu tinha ouvido absoluto depois de fazer um pequeno teste com notas no piano. Dizia-lhe eu: “Professora, isto é fácil, parece que as notas cantam o seu nome para mim”.

A iniciativa foi sua ou de familiares?
Dei os primeiros passos na minha jornada musical por determinação própria. O interesse pela música despertou na festa de aniversário de um amigo. Ele estudava órgão e na festa tocou a música dos parabéns. Foi o meu primeiro contacto com um instrumento musical e fiquei logo fascinada. Mal cheguei a casa pedi aos meus pais para ir aprender música.

Qual a razão que a levou a escolher o violino?
A verdade é que o violino não foi a minha primeira escolha. Muito por influência da tal festa de aniversário, queria aprender piano. No entanto, na altura não havia professor de piano na Tuna Musical Mozelense. Como alternativa, a minha mãe sugeriu-me o violino, experimentei e fiquei apaixonada!

Quais as características que distinguem este instrumento?
O violino é um instrumento da família das cordas friccionadas e dentro desta família é o instrumento mais agudo e o mais pequeno. No entanto, tem também uma região grave. Assemelha-se de certa forma à voz humana. No que diz respeito ao contexto coletivo da música (por exemplo, os ensembles), o violino manifesta um papel de destaque assumindo maioritariamente os temas principais, devido ao seu caráter melodioso. Evidencia também um perfil de liderança (no caso das orquestras), uma vez que um violinista pode chegar ao cargo de concertino - o “braço direito” do maestro. É sobretudo um instrumento versátil devido à existência de inúmeras formas de ser tocado, sendo exemplo disso as várias técnicas de arco existentes.

A Raquel já trabalhou com vários violinistas. Com qual deles mais gostou de trabalhar?
Para além de todos os professores que tive durante a minha formação académica, destaco o músico Bartek Niziol, com o qual tive a oportunidade de trabalhar numa masterclass. Para além de ser um excelente violinista e me identificar com a sua forma de tocar, é um professor com ideias musicais interessantes e que apresenta soluções inteligentes e eficazes para solucionar os demais problemas técnicos e musicais.

Da sua participação em diversas orquestras, consta a sua escolha para ser chefe de naipe e concertino. O que acarreta estas funções?
Para honrar o voto de confiança que nos é atribuído, devemos ter um sentido de responsabilidade redobrado. Para além da parte óbvia do estudo pessoal para ter tudo preparado e sabido ao ínfimo pormenor, o chefe de naipe e concertino estão incumbidos de tarefas específicas. No caso do chefe de naipe é esperado que sejamos um elemento unificador no naipe, que auxiliemos os demais colegas (como é o caso de dar entradas) e que tomemos decisões sobre questões técnicas e musicais. O concertino é tudo aquilo que um chefe de naipe é mas a uma maior escala, sendo também simultaneamente um assistente do maestro e o representante da orquestra.

A Raquel também já trabalhou com conceituados maestros. Qual a experiência mais marcante?
A escolha é difícil porque todos se destacaram, cada um com as suas singularidades. Contudo, talvez a experiência mais marcante recaia sobre o maestro Pablo Heras. Casado porque transmite uma paixão intensa pela música e isso reflete-se na energia com que as pessoas tocam sob a sua direção. Para além disso, o seu profissionalismo e gosto pelo trabalho que desempenha é uma fonte de inspiração para nós músicos nos tornarmos melhores de dia para dia.

Recentemente ganhou as audições para entrar na Orquestra de Jovens do Mediterrâneo. Qual o balanço deste desafio?
Sim, a minha participação neste estágio da Orquestra de Jovens do Mediterrâneo teve a duração de um mês, neste último Verão. Esta oportunidade foi bastante vantajosa porque adquiri ferramentas que ajudar-me-ão a ser um melhor músico de orquestra. Ademais, foi uma experiência multicultural uma vez que tive em contacto com músicos de diferentes países, o que me enriqueceu também a nível pessoal.

Já tocou em S. João da Madeira?
Nunca tive oportunidade de tocar em S. João da Madeira. Vejo neste Musicatos uma possibilidade agradável de apresentar o meu trabalho e acumular mais uma experiência ao meu percurso. Numa outra perspetiva, com a minha participação neste festival de música espero contribuir de alguma forma para o desenvolvimento da cultura em S. João da Madeira.

Quais os critérios usados na escolha do repertório?
Para definir o programa de um concerto devemos sempre ter em consideração o público-alvo, fazer uma boa combinação dos géneros e dos estilos musicais e ter em conta a data do concerto para nos assegurarmos que nos encontraremos preparados para a performance.

O que é que as pessoas podem esperar deste recital de viola d´arco e violino?
O público pode contar com música de qualidade interpretada por duas jovens motivadas a alcançar os seus sonhos. Será certamente uma boa opção para um serão diferente de sábado à noite.

Como é que concilia a participação nas orquestras com o dar aulas?
Seria fácil dizer que “Quem corre por gosto não cansa”. A verdade é que é necessária organização, boa gestão do tempo disponível e força de vontade pois o desempenho das duas funções é bastante exigente tanto a nível físico como psicológico. Mas no final de contas é gratificante.

Quais os projetos profissionais?
De momento sou professora de Violino e Viola d´Arco e sou músico de orquestra.
Não descurando a atividade de docente gostaria de me vincular a uma orquestra de prestígio nacional, quem sabe internacional.

A música estará sempre presente na sua vida?
Sim, sem dúvida. Já faz 15 anos que a música entrou na minha vida e agora sou eu que não a deixo sair! Tornou-se parte de quem sou.

Qual o significado desta arte para si?
Música é aquilo que nós quisermos que seja.
Na minha ótica, música é arte, conhecimento, enriquecimento pessoal, é paz, tranquilidade, porto seguro, vivacidade, energia, êxtase e mistério, felicidade e melancolia, amizade, troca cultural e um fator unificador. Uma verdadeira linguagem universal.

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