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O próximo Musicatos conta com a dupla Ana Sofia Sousa, violetista, e Raquel Santos, violinista, no dia 2 de dezembro, pelas 21h30, nos Paços da Cultura

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“A música é o que nós precisamos que ela seja”

FOTO: Direitos Reservados
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O próximo Musicatos conta com a dupla Ana Sofia Sousa, violetista, e Raquel Santos, violinista, no dia 2 de dezembro, pelas 21h30, nos Paços da Cultura

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Ana Sofia Sousa
Tem 22 anos, é natural de Espinho, licenciada em Música pela Escola Superior de Artes Aplicadas de Castelo Branco e está a frequentar o segundo ano do mestrado em Ensino da Música na Universidade de Aveiro.
A jovem venceu o 3º Prémio Ex-aequo na categoria C (2012) e o 1.º Prémio na Categoria A (2015) ambos no Concurso Nacional ‘’Paços’ Premium’’ realizado na Academia de Música de Paços de Brandão. Ana Sofia Sousa foi admitida na Penderecki Music: Academy Westphalia 2015 e selecionada para a The World Orchestra (Orquestra Mundial), em 2017.
Nesta edição damos a conhecer Ana Sofia Sousa e na seguinte Raquel Santos.

Quando iniciou os estudos na Academia de Música de Paços de Brandão?
Iniciei os meus estudos em 2007, mais tarde do que é normal, com 12 anos, sob orientação da professora Susana Cordeiro, e, mais tarde, com o professor António Pereira.

A iniciativa foi sua ou de familiares?
Eu pedi aos meus pais. Eles concordaram. Na altura, gostava de aprender violino, mas, quando me apresentaram os instrumentos que havia disponíveis na academia, apaixonei-me pela viola d’arco.

Qual a razão que a levou a escolher a viola d´arco?
Quando a professora me apresentou a viola d’arco (que nunca tinha visto na minha vida) foi amor à primeira vista. Especialmente após conhecer a corda dó, a mais grave de todas. O timbre é absolutamente incrível. Lembro-me que, na altura, mostraram-me a viola d’arco e o violino na mesma sala, e, entre os dois, achei que a viola d’arco tinha um registo muito mais agradável do que o violino (sem ser tão agudo e um som mais encorpado).

Quais as características que distinguem este instrumento?
É um instrumento da família das cordas friccionadas, assim como o violoncelo e o violino.
Normalmente, o público em geral ao visualizar o violino e a viola d’arco confunde-os, pois são tocados na mesma posição e apresentam um formato semelhante. A viola d’arco faz a ponte entre o registo do violoncelo (grave) e o violino (agudo), tendo uma amplitude semelhante à voz humana. É um pouco maior que o violino, no que toca ao comprimento, e apresenta cordas diferentes (Lá, Ré, Sol, Dó – da mais aguda para a mais grave).

A Ana participou em diversas orquestras. Como descreveria estas experiências?
Cada orquestra é como se fosse uma família nova, cheia de diferentes personalidades e experiências a serem vivenciadas todos juntos. Todos os dias aprendemos coisas novas e é uma alegria muito grande fazermos música todos juntos. O resultado final: os concertos. É aí que todo o trabalho feito é colocado à prova e damos tudo o que temos para que aconteça o que planeamos. Pois só se nos entregarmos completamente é que o público consegue perceber a mensagem que queremos transmitir.

Qual a orquestra que mais a marcou?
The World Orchestra (Orquestra Mundial).

E porquê?
Pela troca de experiências e culturas que tive o prazer de ter com pessoas de todo o mundo.

Quais os critérios usados na escolha do repertório?
Irei interpretar a 3º Suite de Bach, obra que me é muito querida, visto que realizei grandes progressos no instrumento através dela, tanto a nível técnico como em interpretação musical. É música simples de transmitir e muito agradável de ser ouvida.

Já tocou em S. João da Madeira?
Penso que há uns anos tive a oportunidade de realizar alguns concertos em S. João da Madeira com a Orquestra Juvenil da Academia de Música de Paços de Brandão, não me recordo o local infelizmente.
Queria que este Musicatos, acima de tudo, fosse um momento de partilha musical, que consiga alcançar as expectativas do público. Também apresentar este instrumento maravilhoso, que é a viola d’arco, a quem ainda não o conhece.

O que é que as pessoas podem esperar deste recital de viola d´arco e violino?
Muita energia, posso falar pelas duas neste aspeto. Para além disso, podem esperar música simples, fácil de perceber e um momento de introspeção através da música maravilhosa de J.S. Bach. Vamos dar um bocadinho de nós ao público. Resta-nos esperar que o público apareça e que seja um momento do seu agrado.

Como é que concilia a participação nas orquestras com os estudos e o dar aulas?
Concilio tudo às vezes com alguma dificuldade, tenho de admitir. Mas quem corre por gosto não se cansa! Tento responder a todas as obrigações, mas pensando sempre nos meus objetivos a longo prazo.

Quais os projetos profissionais?
Conseguir evoluir mais e mais, ter mais experiências no estrangeiro com grandes pedagogos do instrumento, ingressar numa orquestra profissional nacional ou não a tempo inteiro, etc..

A música estará sempre presente na sua vida?
Sempre. Não há outra opção. Foi para isto que estudei e dediquei tantas horas e com todo o gosto.

Qual o significado desta arte para si?
A música significa comunicar, é dizer o que não é fácil dizer por palavras, é conhecer e deixar-se conhecer, é amar e desprezar (às vezes ao mesmo tempo), é fúria e paz, é nostalgia e saudade. Pode ser inclusão ou solidão plena, pode ser vida ou morte. É transmitir uma mensagem e sentir que ela foi recebida com sucesso pelo público, que criou impacto ou não. Bem, é impossível ser concisa e completa para responder a esta questão. A cada dia que passa consigo atribuir um novo significado a esta arte e ao seu impacto no meu quotidiano. Na realidade, a música é o que nós precisamos que ela seja.

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