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Campeão de boccia em risco de abandonar clube

FOTO: Direitos Reservados
FOTO: Nuno Santos Ferreira
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Por falta de transporte para ir aos treinos

O caso de Bruno Tavares de Sousa foi tornado público na passada terça-feira, em sede de executivo municipal, pela voz de quem também sabe o que é ser portador de deficiência numa sociedade que se diz inclusiva mas que lamentavelmente muitas vezes se esquece de o ser.
Paulo Bacalhau “trouxe à praça” o problema que “atormenta” o seu amigo de 23 anos que sofre de paralisia cerebral e que também marcou presença nesta última reunião de câmara. Embora natural de Vale de Cambra, Bruno reside em S. João da Madeira e treina no Centro de Treinos de Boccia Municipal de Oliveira de Azeméis “quase desde” que este abriu portas, nas instalações da CERCIAZ - Centro de Recuperação de Crianças Deficientes e Inadaptadas de Oliveira Azeméis, em Lações de Cima.
Desde então, poucos anos passaram até se tornar campeão nacional de sub-21 (BC3) e não foram poucos os “resultados significativos” que obteve, “especialmente para o município [oliveirense], nos campeonatos regionais e nacionais”. Neste momento, o atleta treina dois dias por semana, de manhã. Mas corre o risco de deixar de o fazer e até de abandonar o clube devido à falta de transporte.
Segundo Paulo Bacalhau, Bruno “deixou de ter apoio de transporte adaptado, desde a mudança do novo executivo camarário, sufragado em 1 de outubro de 2017”. O munícipe contou ainda que, apesar da “insistência do nosso sanjoanense e campeão de boccia em BC3, o Município de Oliveira de Azeméis” justifica que não o pode transportar “devido a avaria da viatura adaptada”.
É verdade que, em outros tempos, Bruno ainda chegou a ser levado pelo pai. Mas isso agora não é possível porque o progenitor não pode ausentar-se do local de trabalho durante o período em que decorrem os treinos.

“Assunto está a ser acompanhado” pela autarquia de S. João da Madeira
Em resposta a Paulo Bacalhau, Jorge Sequeira assegurou que “o assunto está a ser acompanhado” pela autarquia, através da sua Divisão Social. Segundo o presidente da câmara, a vereadora Paula Gaio “já solicitou apoio para contratar este tipo de serviço” junto quer da CERCI, quer da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de S. João da Madeira, mas sem sucesso. Foram também “pedidos orçamentos a táxis”, completou.
A propósito, Paulo Cavaleiro, vereador da coligação PSD/CDS-PP, lembrou que a Santa Casa da Misericórdia tem uma viatura adaptada para pessoas de mobilidade reduzida, “ganha” no âmbito do Orçamento Participativo Municipal de 2016, sendo esta, na sua opinião, outra hipótese a ponderar.

Atleta pediu ajuda a outras câmaras e aos bombeiros
Ainda antes da reunião de câmara do dia 20, Bruno entrou em contacto com o labor dando conhecimento desta sua “luta”. Contou ao nosso jornal que, no início do ano, tinha enviado “vários emails aos Municípios (Santa Maria da Feira, Vale de Cambra, Oliveira de Azeméis e S. João da Madeira) dos arredores e bombeiros na esperança de algum patrocinar o transporte para eu poder ir aos treinos sem ter que recorrer ao meu pai”, mas que “por infelicidade, recebi poucas respostas”.
Questionada pelo labor sobre o assunto, a edilidade de Vale de Cambra referiu que o pedido de Bruno, “encontra-se na fase de apreciação técnica, requerendo inclusive uma análise aturada uma vez que o jovem não reside aqui em Vale de Cambra, mas sim em S. João da Madeira, e pretende transporte para o município de Oliveira de Azeméis”.
Já a congénere oliveirense disse ter recebido o seu “contacto” “tendo prestado ao próprio os esclarecimentos solicitados”. Prosseguiu afirmando que, em parceria com a CERCIAZ, tem a funcionar desde 2010 o Centro de Treinos de Boccia Municipal de Oliveira de Azeméis, estando disponível para, assim que concluído o procedimento de aquisição de viatura de transporte com as características adequadas para o transporte de cidadãos portadores de mobilidade reduzida, avaliar a possibilidade de assegurar os pedidos de transporte a residentes no concelho de Oliveira de Azeméis ao abrigo do Regulamento de Cedência e Utilização dos Veículos Municipais de Transporte de Passageiros”.
Quanto à câmara da Feira, não prestou quaisquer declarações acerca desta matéia até ao fecho da presente edição. O mesmo aconteceu com os “soldados da paz” de Oliveira de Azeméis.
Por sua vez, os bombeiros voluntários sanjoanenses, na pessoa de Carlos Coelho, informaram que “em reunião conjunta de direção e comando ficou decidido que não temos disponibilidade para fazer o serviço no horário pretendido pelo munícipe”. “A prioridade é sempre o socorro”, continuou o dirigente, alertando para o facto de poder “não ser possível transportar a cadeira de rodas na viatura dos bombeiros”.

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