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Sanjoanense luta por transporte acessível a todos

FOTO: Diana Familiar
FOTO: Diana Familiar
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A petição pública “Linha do Vouga acessível a portadores em cadeira de rodas” foi lançada na semana passada, no dia 22 de novembro, pelo sanjoanense Paulo Bacalhau.
O principal intuito é tornar o comboio, vulgo “Vouguinha”, num transporte acessível a todos.
“Todos os apeadeiros e estações da linha ferroviária têm rampas de acesso até à plataforma de descanso ou de embarque”, exceto a Linha Vale do Vouga, afirmou Paulo Bacalhau. “Quando o comboio para, na Linha do Vouga, em S. João da Madeira para Espinho ou Oliveira de Azeméis, existe um desnível de 100 centímetros na vertical”, tal como pode ser visto na fotografia que tirámos ao sanjoanense e autor da petição pública. O desnível é composto por “três degraus enormes, onde idosos, crianças, grávidas e pessoas com marcha condicionada sentem extrema dificuldade em transpor tal limitação”, alertou Paulo Bacalhau ao labor.
Para portadores em cadeira de rodas, como é o seu caso, o acesso ao comboio “só é possível com acesso a vários voluntários fortes” para superar esta “barreira” à sua mobilidade que é “perigosa” e “desnecessária” quando existe “solução”.
A primeira solução apresentada na petição passa pelo “levantamento de todos os apeadeiros até à cota zero, ou seja, nivelar a altura do apeadeiro de descanso com a plataforma do comboio”. A segunda consiste na “colocação de uma plataforma em braço mecânico como a existente no Alfa Pendular” que “pode ajustar e encostar na parede, não impedindo a entrada e saída dos demais clientes”, explicou o autor da petição ao labor.
A terceira solução apresentada é “colocar um sistema em grua pelo teto da composição” que permite “elevar o cliente com sistema de suspensórios, tipo alpinista, e colocá-lo dentro da composição” para “de seguida elevar com ajuda técnica vulgo cadeira elétrica ou manual”, revelou Paulo Bacalhau. 
Caso nenhuma destas três soluções seja aceite, devido a dificuldades orçamentais, o sanjoanense deixa uma quarta solução à consideração. A sugestão é o “lançamento de um concurso público para a prestação de serviços de transporte de passageiros em transporte rodoviário”, adiantou Paulo Bacalhau, salientando a “utilização de autocarros rebaixados com rampa para cadeira de rodas”. Agora é “preciso que este Governo seja sensível à mobilidade para todos”, frisou o autor da petição que contava com 60 assinaturas até ao fecho da nossa edição. Até ao momento, as reações à mesma têm sido de “empatia” e de “desejo” de ser possível a autonomia e liberdade para todos sem exceção, adiantou Paulo Bacalhau ao labor.

“O que é preciso são soluções integradas de mobilidade para todos e não remendos”

Paulo Bacalhau pertence à Associação Portuguesa de Neuromusculares (APN) com sede em S. Paio de Oleiros. Neste momento, poderia estar a frequentar as inúmeras atividades da associação, mas nem sempre é possível. A razão está na necessidade de ter sempre alguém que o possa ir levar e buscar ao apeadeiro que não está adaptado aos portadores de cadeira de rodas. O mesmo acontece com as aulas de natação adaptada em Santa Maria da Feira que exigem transporte adaptado cujo custo de ida e volta ronda os 22 euros, contou Paulo Bacalhau.
A cidade sanjoanense tem “muitas lacunas” em termos de mobilidade, afirmou o autor da petição, que diariamente é confrontado e obrigado a lidar com as mesmas.
Uma das lacunas é precisamente o estado de muitos passeios com paralelos soltos e altos e baixos. Por esta razão, Paulo Bacalhau prefere ir pela estrada apenas por “uma questão de segurança. O passeio não nos dá segurança”. “O que é preciso são soluções integradas de mobilidade para todos e não remendos”, defendeu o sanjoanense.

Eliminar barreiras de comunicação

O munícipe Paulo Bacalhau apelou à criação de mecanismos para eliminar barreiras de comunicação para uma boa cidadania e igualdade de direitos durante a reunião de câmara desta semana.
A saber, a existência de técnicos de Língua Gestual Portuguesa e de áudio descrição em atos públicos como as reuniões de câmara, assembleias municipais e outros eventos do Município. O sanjoanense sugere ainda a criação do cartão para deficientes da cidade sanjoanense, um passe social do TUS totalmente gratuito e a promoção de transportes adaptados a pessoas com deficiência para todos os atos públicos.
O presidente da câmara, Jorge Sequeira, deu a conhecer que a proposta será endereçada a Paula Gaio, vereadora da Ação Social, para análise, durante a reunião de câmara.

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