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Câmara e Assembleia empossadas com sala cheia

FOTO: Diana Familiar
FOTO: Fernando Aguiar
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Os novos órgãos da Câmara e Assembleia Municipal tomaram posse no dia 20 de outubro, sexta-feira passada, na Sala dos Fornos da Oliva Creative Factory.
A primeira intervenção coube a Oliveira Bastos, presidente da Assembleia Municipal (AM) cessante, que decidiu, em primeiro lugar, justificar o adiamento da cerimónia de tomada de posse de 17 para 20 de outubro devido ao Governo ter decretado três dias de luto nacional por todas as vítimas dos incêndios (de 17 a 19 de outubro). Por todas as vítimas destes incêndios, Oliveira Bastos pediu um minuto de silêncio aos presentes.
A seguir, um a um, todos os elementos eleitos pelo PS, pela coligação PSD/CDS e pela CDU para a AM e para a Câmara Municipal (CM) de S. João da Madeira (SJM) tomaram posse (ver caixa). Depois de Jorge Sequeira, Helena Couto e Clara Reis – eleitos presidentes da CM, Junta de Freguesia e AM pelo PS – terem sido chamados a ocupar a mesa junto de Oliveira Bastos, continuaram as intervenções.
Os sanjoanenses nas últimas eleições autárquicas escolheram “uma mudança de ciclo” ao darem a vitória absoluta aos socialistas nos três órgãos autárquicos, afirmou Oliveira Bastos, considerando que “os resultados das eleições não devem envergonhar nem fragilizar ninguém. Na política, tal como no desporto, há sempre vencedores e vencidos, mas ambos devem ser respeitados e devem-se respeitar”. Além disso, “é importante o contributo de todos os eleitos independentemente da sua cor partidária”, salientou o presidente da AM cessante.
Para Oliveira Bastos, “é provável que os discursos, por vezes, antagónicos das forças políticas que a ele concorreram tenham dividido as pessoas. E se assim aconteceu espero que com o passar do tempo estabeleçam um novo clima de estabilidade e tranquilidade porque estou certo de que todos pretendemos o melhor para a nossa cidade”. Contudo, “não significa que enquanto adversário político não se recorra ao debate político frontal sempre que necessário”, esclareceu o presidente da AM cessante que também foi deputado pelo PSD neste mesmo órgão.
A intervenção de Oliveira Bastos, um dos mais antigos militantes do PSD, também destacou “o contributo do poder local para a melhoria das condições de vida dos portugueses” em que S. João da Madeira não fugiu à regra ao transformar por completo “as zonas de lazer diminutas, o parque escolar débil, as instalações associativas insuficientes, a cultura quase reduzida à biblioteca municipal” desde as primeiras eleições democráticas em 1976. Doravante, a “liderança do desenvolvimento da cidade caberá a Jorge Sequeira” tal como aos anteriores presidentes de câmara eleitos, constatou Oliveira Bastos, deixando uma palavra de apreço e reconhecimento a todos os eleitos e aos cessantes que certamente ao longo dos seus mandatos deram o seu melhor em prol de S. João da Madeira.
O presidente da AM cessante foi eleito depois do falecimento de Josias Gil, “a quem mais uma vez presto a minha homenagem”. Nas suas últimas palavras Oliveira Bastos, demonstrou ter sido “um prazer e um privilégio fazer parte da AM durante muitos e muitos anos”, recordando que a primeira vez que presidiu este órgão foi aquando da elevação de S. João da Madeira a cidade.

“A nossa responsabilidade é preparar a cidade para os grandes desafios do futuro”

As primeiras palavras de Jorge Vultos Sequeira, o novo presidente da CM de SJM, foram dirigidas em nome dos sanjoanenses a todas as vítimas dos incêndios. “S. João da Madeira é uma cidade solidária e por isso, desde já, assumo o compromisso de, na medida das nossas possibilidades, colocar os recursos da nossa terra à disposição das autarquias que foram devastadas pelo fogo e que o solicitem”, homenageando os soldados da paz sanjoanenses que estiveram presentes no combate aos incêndios de Arouca, Vagos, Castelo de Paiva e Vale de Cambra.
Nesse sentido, Jorge Sequeira concentrou o discurso na “importância da proteção civil e de adoção de uma cultura de prevenção de sinistros. A Proteção Civil Municipal é uma responsabilidade legal do presidente da câmara, responsabilidade que assumirei com especial vigor e atenção, determinando a incitação e ações de formação e prevenção e a criação de uma verdadeira cultura da proteção civil na nossa cidade”.
A cerimónia de tomada de posse é tradicionalmente no Salão Nobre do Fórum Municipal, mas, desta vez, e pela primeira vez, realizou-se na Sala dos Fornos da Oliva Creative Factory. Por “uma razão muito simples. Este foi um local de trabalho duro e áspero e é precisamente para o trabalho que todos os empossados estão convocados pelos sanjoanenses”, justificou o novo presidente.
Acerca da cidade sanjoanense, “pequena em território, mas grande em valor, é preciso ter sempre presente o segredo: o povo que guarda o culto da hospitalidade, pioneiro de ideal de progresso e faz do trabalho um sacerdócio”, citando João da Silva Correia.
Daqui em diante, “a nossa responsabilidade é preparar a cidade para os grandes desafios do futuro. Uma cidade que não se renova morre. Os sanjoanenses escolheram o programa eleitoral do PS que iremos executar, estando abertos para todas as soluções de melhoria e contributos que queiram transmitir independentemente da sua origem”, assumiu Jorge Sequeira, estando disponível para dialogar com todos os candidatos que concorreram com ele nas eleições autárquicas, inclusive os que não conseguiram ser eleitos.
Os primeiros passos do novo executivo serão dados esta semana com “a adoção do nosso município de um código de conduta aplicável ao presidente, vereadores e funcionários do município” e ao ser “proferido um despacho que determinará a reformulação do site da CM no sentido dos cidadãos através do mesmo poderem aceder à informação respeitante aos atos e despesas camarários”.
A prioridade dada à educação, a fixação dos jovens, a promoção da cidade, e luta pelos investimentos, equipamentos e eventos que levem ao desenvolvimento do município, a revitalização do comércio tradicional, um “novo olhar” sobre os idosos, as pessoas com deficiência, um plano individual de reabilitação de pessoas sem abrigo, as novas piscinas, a pista de atletismo, os courts de ténis, a casa da memória e a cidade verde e amiga dos animais está no horizonte de Jorge Sequeira e da sua equipa. Também dar uma “nova vida” aos bairros, terminar com a ideia de zonas periféricas, a supremacia do interesse público na empresa municipal Águas de S. João e a reforma estrutural de exploração do próprio município da rede elétrica de baixa tensão com potencial que levará à “transformação da vida da nossa cidade”.

Jorge Sequeira quer o “alargamento” do concelho a Milheirós de Poiares

Na “visão de futuro” de Jorge Sequeira, está o “alargamento do nosso concelho. O nosso crescimento depende da integração da freguesia de Milheirós de Poiares em S. João da Madeira”. Uma vontade antiga de alguns milheiroenses que mais recentemente foi expressa através da Petição Pública “Pela Integração de Milheirós de Poiares em S. João da Madeira” levada a cabo por um grupo de cidadãos independentes ligados ao Referendo Local realizado em 2012 em que “81% dos milheiroenses” votaram a favor da integração no concelho vizinho. A mesma vontade também foi manifestada na Assembleia de Freguesia por diversas vezes, disse Jorge Sequeira. O movimento de cidadãos que venceu as eleições autárquicas em Milheirós de Poiares “afirmou a vontade inequívoca de integração em S. João da Madeira. Vamos por isso delinear e executar um plano político para que de uma vez por todas este desafio se concretize”, recordou Jorge Sequeira, apelando “aos partidos representados na Assembleia da República (AR) que resolvam este bloqueio respeitando a vontade e dando sequência a uma reforma administrativa racional e equilibrada do ponto de vista da gestão do território e do interesse das populações”.

“Renovo compromisso de ser pessoa autónoma e livre”

Os agradecimentos de Jorge Sequeira foram muitos. A começar por Pedro Nuno Santos, que mais do que secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares é um “querido amigo” e foi o mandatário da sua candidatura. Os agradecimentos estenderam-se aos representantes das instituições e organizações locais, aos deputados da AR, representantes de organismos do Estado, aos antigos autarcas, aos funcionários da autarquia e a todos que vieram de foram de S. João da Madeira. Um agradecimento aos familiares e amigos pessoais, recordando os falecidos João Araújo e António Pires.
A Ricardo Figueiredo, presidente da CM cessante, Jorge Sequeira deixou um “reconhecimento sincero pelos serviços relevantes que prestou à cidade”, avisando desde já que “não vou fingir como nunca fingi durante a campanha eleitoral. Estas eleições foram especiais e a sua decisão política marcou o processo eleitoral. O seu exemplo de ética e o modo como colocou o interesse público acima da sua glória pessoal são dignos de figurar e figurarão na história da cidade”.
O novo presidente da câmara municipal sanjoanense destacou “o rigor e o profissionalismo do processo de transição de poderes, sublinhando a disponibilidade ativa demonstrada pelo presidente cessante e pelos vereadores Miguel Oliveira e Dilma Nantes em prestarem todas as informações necessárias”, deixando de fora Paulo Cavaleiro.
Jorge Sequeira também agradeceu “o trabalho desenvolvido em prol de S. João da Madeira por todos os autarcas que terminam os seus mandatos, estou convicto de que deram o seu melhor à cidade”, não esquecendo e recordando Tavares Fernandes pelo PSD e José Correia Lima pelo PS que foram eleitos nas primeiras eleições autárquicas de 1976 e cessaram agora as suas funções políticas. Uma “palavra especial” dada a Oliveira Bastos que “serviu a cidade e o país como vereador, membro da AM, deputado à AR, dirigente da administração pública, lembrando os debates e discussões que travámos no palco da AM e o respeito e a fraternidade que se construíram nesse contraditório civilizado”. Por último, mas igualmente importante, a homenagem a Josias Gil através das palavras de Manuel Pereira da Costa: “Tenho por Josias Gil a admiração pela sua cultura, pelo seu poder de luta e sobretudo pela lealdade que apesar de tantas perseguições e sacrifícios jamais quebrou e manteve de princípio a fim”.
O novo presidente da CM de SJM agradeceu “humildemente a confiança em mim depositada, tudo farei com os vereadores que me acompanham para merecer a merecida forte confiança”. Posto isto, “renovo compromisso de ser pessoa autónoma e livre que não estará ligada ao interesse de nenhum interesse privado e que decidirá as questões que se lhe colocarem unicamente de acordo com o interesse geral, o dos sanjoanenses”, concluiu Jorge Sequeira.


Os eleitos da Câmara Municipal

PS: Jorge Sequeira, Irene Guimarães, Paula Gaio, José Nuno Vieira e Pedro Silva

PSD/CDS: Paulo Cavaleiro e Fátima Roldão


Os eleitos da Assembleia Municipal

PS: Clara Reis, Rodolfo Andrade, Teresa Correia, Leonardo Martins, Vítor Cabral, Rita Pereira, Artur Nunes, Márcia Lopes, Teresa Oliveira, Pedro Santos, Pedro Fernandes, Susana Gomes e Helena Couto (lugar inerente pela eleição como presidente da Junta de Freguesia)

PSD/CDS: Pedro Gual, Lília Laranjeira, Susana Lamas, Manuel Correia (CDS), Paulo Barreira, Bruna Soares, João Neves e Gonçalo Fernandes (devido à renúncia de Pedro Ventura)

CDU: Jorge Cortez


Pedro Ventura não tomou posse

Na tomada de posse dos novos órgãos da Câmara e Assembleia Municipal, foi anunciado que Pedro Ventura renunciou ao cargo que seria o de líder da bancada da coligação PSD/CDS.
Apesar da coligação ter perdido as eleições, o empresário sanjoanense Pedro Ventura disse: “vou assumir o cargo. Sanjoanenses que votaram na minha candidatura vão continuar a merecer o meu respeito e cada vez mais”, na noite do sufrágio eleitoral à comunicação social.  Entretanto, as coisas mudaram. "Quem votou no Pedro Ventura era para ser presidente da Assembleia Municipal. Para ganhar. Como não ganhou, o cenário mudou", afirmou o candidato independente que não acredita que as pessoas fiquem desiludidas com a sua decisão. Passando a explicar que "não fazia sentido a bancada ser gerida por um independente. Agora, é tempo de permitir a evolução a alguém que quer evoluir na carreira política e tempo de construir uma oposição forte". O empresário entende que seria "inviável termos um independente numa bancada com dois partidos que são oposição".
Enquanto candidato independente, pela coligação PSD/CDS, a ideia era ser eleito para "gerir de forma independente a Assembleia Municipal" e "transformá-la num órgão autárquico diferente", esclareceu Pedro Ventura ao labor.
O empresário diz um até já à política, deixando espaço para um dia quem sabe voltar a integrar uma candidatura à sua cidade.

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