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Entrevista a Paulo Cavaleiro, candidato da coligação PSD/CDS à câmara municipal

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“Se for eleito presidente, é para iniciar e concluir as piscinas”

FOTO: Rui Guilherme
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Entrevista a Paulo Cavaleiro, candidato da coligação PSD/CDS à câmara municipal

Um dos compromissos da vossa candidatura é construir novas piscinas municipais. As piscinas projetadas por Souto de Moura?
Sim. Pretendemos construir as piscinas que estão projetadas por Souto de Moura. Isso depois implica um pavilhão novo, um novo complexo de ténis que já está em projeto para ser construído na zona das Travessas. S. João da Madeira (SJM) é um concelho com muitas boas infraestruturas. Provavelmente, é o concelho mais bem infraestruturado do país em oito quilómetros quadrados. Portanto, o nosso tempo de investimento, sobretudo de grandes investimentos, deve ser algo que seja absolutamente diferenciador e que marque quer na região, quer no país e até muitas vezes, porque não, ambicionar também a nível internacional.
Queremos construir aquilo que estava previsto procurando outras soluções para poder financiar essa obra, mas tendo a consciência de que vai demorar mais tempo a pagar porque perdemos um financiamento, como dizíamos na altura, que não se voltaria a repetir. Isso hoje é uma evidência. Neste quadro comunitário não existe uma oportunidade para financiarmos as piscinas como elas podiam ter sido financiadas.

“O atletismo é uma das modalidades que precisa de uma resposta da cidade”

Se for eleito presidente da câmara, as novas piscinas serão iniciadas no próximo mandato?
Se for eleito presidente da câmara, como espero, é para iniciar e concluir as piscinas neste mandato. Não é um projeto que preveja que ultrapasse este mandato.

A pista de atletismo é algo que não existe, mas é uma necessidade?
A pista de atletismo é algo que está nosso programa de uma forma diferenciadora. O atletismo é uma das modalidades que precisam de uma resposta da cidade. Queríamos ser um bocadinho mais ambiciosos na resposta tendo uma solução que tem algo a ver com o “indoor” (interior/coberto). É um tipo de investimento que se tem de avaliar os custos concretos. O equipamento ligado ao atletismo pode ser algo diferenciador aqui na nossa comunidade.

O Hospital de SJM foi reclassificado com o Serviço de Urgência Básica. É a melhor solução?
Sempre nos batemos pela urgência desde a primeira hora e pelo reforço do nosso hospital. Havia um caminho, o Governo atual entendeu seguir outro. Há dias visitei o hospital, numa das visitas que fizemos a vários equipamentos que estão a funcionar de noite, e fiquei preocupado porque as obras estão atrasadas. Foi uma das questões a que o médico que estava lá fez referência porque causava alguma dificuldade ao serviço. É importante é que, independentemente da estratégia, se concretize aquilo que se planeou para depois vermos se os resultados relativamente ao reforço ou não do hospital são ou não atingidos.

“Está provado que foi um erro ter tirado daqui a urgência tal e qual como ela existiu”

A coligação quer que o hospital volte a ter o Serviço de Urgência Médico Cirúrgica?
É uma ambição que todos gostaríamos de ter. Agora precisamos de avaliar as condições. Acho hoje que está provado que foi um erro ter tirado daqui a urgência tal e qual como ela existiu. Há uma diferença que é: o nosso concelho não serve apenas a população que cá reside, serve uma população muito mais abrangente. Isso é assim nas empresas, nas escolas, no comércio e é assim também nas estruturas de saúde. O que nos batemos muito quando discutimos sobretudo a questão da urgência é que as pessoas estão muito mais próximas do nosso hospital do que estão do da Feira. Estou absolutamente convencido hoje, como estava no passado, que as nossas urgências – e vê-se pela quantidade de utentes que estão a ter – são uma boa resposta e melhoraram muito o serviço que é hoje prestado em Santa Maria da Feira. Portanto, a nossa preocupação é que os sanjoanenses que vão ao hospital ou que tenham muitas vezes de ir à Feira sejam bem atendidos.

Qual a vossa estratégia para a revitalização da Linha do Vouga?
Numa lógica de equilíbrio metropolitano o Sul da Área Metropolitana do Porto (AMP) também tem o mesmo direito que o Norte – sobretudo Gaia e do Rio Douro para cima – a ter apoio e financiamento do Estado para transportes públicos. Os STCP e o Metro do Porto não existem na região do Entre Douro e Vouga. Portanto, acho que faz todo o sentido que nos continuemos a bater pela revitalização da Linha do Vouga. Esse debate começou quando o anterior Governo fez um estudo e onde até identificava como hipótese o encerramento da linha. Logo nessa altura, enquanto estive no Parlamento, fiz um combate muito forte para que isso não acontecesse. Felizmente, a linha não veio a encerrar. Acho que não há projeto tão integrante a Sul da AMP como uma linha que passe pelo centro de Oliveira de Azeméis, SJM, Feira e centro de Espinho. Há várias formas de fazer isto. Sei que está a estudar-se o assunto. Vão fazer-se investimentos na STCP, novamente no Metro Porto, penso que está na altura de este ser um projeto que seja um desígnio regional. Tivemos agora a extensão do Andante que é um passo para que possamos estar ainda mais ligados.

Acerca da integração de Milheirós de Poiares em SJM...
Neste momento, é um assunto que não está na agenda, estamos a conversar sobre eleições autárquicas em que os milheiroenses votam em Santa Maria da Feira e os sanjoanenses em SJM. Não mudámos de posição. Acho que a bem até de todo o desenrolar das campanhas eleitorais, devemos deixar ser os milheiroenses a tomar as suas decisões. E isso é uma decisão que como é óbvio compete à Assembleia da República.

E se o assunto voltar à Assembleia da República?
Se lá voltar a nossa posição vai-se manter. Somos a favor.

“A junta e a câmara têm de estar a puxar a cidade para o mesmo lado”

“É importante ganharmos a junta” para que “saiba trabalhar lado a lado com a câmara, respeitando cada uma as suas responsabilidades”, disse na apresentação do programa da coligação. A junta não soube trabalhar lado a lado com a câmara?
As instituições têm que procurar cumprir os seus objetivos, mas há momentos em que tem de haver coordenação. Pelo menos haver tentativa de coordenação. Acho que isso às vezes não existiu. A minha convicção é que com a nova presidente de junta de freguesia, a Deolinda Nunes, possamos intensificar este trabalho e a junta de freguesia possa ter um papel mais ativo nalgumas áreas. Sendo certo que é importante que esse papel esteja bem ligado com as funções e atividades organizadas e desenvolvidas pelo município. Só assim temos todos a ganhar. A cidade tem muitas coisas, muitas delas às vezes a acontecer ao mesmo tempo. Se muitas vezes conseguirmos coordenar os espaços e os eventos para que não hajam coisas sobrepostas, conseguimos coordenar públicos. Independentemente de quem tem responsabilidades a junta e a câmara têm de estar a puxar a cidade para o mesmo lado.

A presidente da junta queixou-se diversas vezes de falta de resposta por parte da câmara...
Acho que às vezes há sobretudo uma visão diferente sobre o papel das coisas, das competências. Penso que no essencial a câmara vai respondendo às solicitações da junta de freguesia. Acho que é uma questão de tentarmos todos puxar a cidade para o mesmo lado. Acho que devemos melhorar a coordenação das nossas ações e melhorar certamente algumas respostas.

O PSD acusou o PS e SJM Sempre de bloqueio para concretizar os 22 projetos de desenvolvimento da cidade. Depois das eleições intercalares, quais as obras desbloqueadas?
Acho que há uma evidência clara que hoje conseguimos fazer coisas que não conseguíamos naquele tempo. Hoje a maior parte das obras ou estão concretizada ou em via de serem concluída. O campo de futebol está em conclusão, a capela mortuária está pronta, o Parque Ferreira de Castro está em conclusão, os desfibrilhadores foram colocados, as viaturas adquiridas. O parque infantil do mercado foi concretizado, a cobertura da sala de chá também foi concretizada, o tapete e passeios também se notam em várias zonas onde houve intervenção na cidade, os balneários sociais do Orreiro. E mais outros que fomos fazendo entretanto.

Qual o estado do Albergue para animais errantes?
Essa é uma das obras que está concluída. O senhor presidente na visita que tivemos ao local mostrou a sua disponibilidade para tratar dos arranjos exteriores e para aumentar as celas e a vedação. Ele já deu indicação aos serviços para desenvolver essas iniciativas e levar a cabo essa ampliação. O que se percebe é que naquele equipamento, depois de cumprir todas as exigências, a parte disponível para os animais é muito pequena. Já foram dadas indicações para a ampliação do mesmo.

Reversão da gestão da água em 2018: "um processo em que se tem de fazer uma avaliação mais próxima dessa data"

A gestão da empresa águas de S. João pode ser revertida em 2018 na totalidade para o município. A gestão vai continuar como está ou vão municipalizá-la?
É um processo em que se tem de fazer uma avaliação mais próxima dessa data. Independentemente de questões que têm haver com tarifários, acho efetivamente que o serviço da empresa em si, um serviço mais especializado do que quando estava integrado na câmara, é positivo. Agora é algo que tem de se avaliar e perceber se existem mais vantagens em manter as coisas como estão ou encontrar uma alternativa. A Águas de S. João é uma empresa que tem um papel importante na vida da cidade e que queremos que continue a melhorar a sua atividade, o seu serviço e a forma como presta serviço aos sanjoanenses.

O "Cheiro a Casqueira" foi levado à Assembleia da República...
Saúdo todos aqueles que se empenharam na tentativa de resolução ou pelo menos de levantar a questão e de lhe dar dimensão. É inaceitável que nos dias de hoje ainda existam empresas que possam funcionar colocando em causa a qualidade de vida das pessoas. A empresa tem que ter soluções para resolver o assunto e sabemos que existem soluções. É preciso é haver empenho da empresa para também resolver o assunto. Queremos é continuar esta luta até que o assunto esteja resolvido.

Há falta de Habitação Social. Qual a solução para este problema?
Nós temos falta de algumas tipologias, sobretudo T0 e T1. Há pessoas que vivem sozinhas em T2 e T3. Esse é um problema que acho que com a construção, como está na nossa proposta, de algumas tipologias menores podemos ganhar alguma melhoria na resposta. E melhoria também para essas pessoas que vivem sozinhas e que na sua maioria são idosas. Por exemplo, a habitação social não tem elevador. Portanto, acho que tem de ser uma solução que também tenha de ter este cuidado em termos de habitação social. Depois, há uma proposta de arrendamento que já hoje está disponível e que gostaríamos de reforçar a verba disponível. Acho que efetivamente a nossa resposta à habitação social pode estar muito em apoiar arrendamento e não em termos que construir mais. É um assunto que queremos agarrar e procurar novas soluções. A da tipologia é a mais evidente, as outras são soluções que precisam de ser mais desenvolvidas e aprofundadas.

O novo método de cálculo das rendas é justo?
Quem define a portaria é o Governo, não é a câmara municipal. Acho que é justo as pessoas terem todas o mesmo sistema. Já criamos condições para poder abater as rendas e quero continuar esse caminho de procurar soluções que permitam baixar as rendas de habitação social.

O projeto para a "Nova Praça" vai devolver centralidade ao "coração da cidade"?
Acho que vai ajudar muito. Não chega fazer obra para que a Praça e o centro tenham dinâmica. Acho que efetivamente hoje falta estacionamento. Acho que o estacionamento que vamos criar – cerca de 100 lugares à superfície – vai melhorar muito a acessibilidade à Praça e ao centro. Acho que a introdução de trânsito junto ao Parque América vai trazer alguma dinâmica. Ganhamos outra escala para poder ter eventos de outra dimensão no centro.

De que forma será "reavivado" o comércio tradicional e o mercado municipal?
Temos de continuar a ter projetos diferenciadores. O “S. João Nosso” é um projeto que vai permitir criar uma rede e depois uma loja online que vai ser útil em alguns estabelecimentos. E depois acho que passa muito pela ligação do comércio aos eventos. No caso do mercado é com uma reorganização e ao mesmo tempo a criação de zonas de lazer. Olhar também em termos de gestão numa lógica muito profissional e de promoção do próprio mercado. Felizmente, o mercado tem estacionamento, o que é ótimo. Este foi um trabalho feito por uma empresa especializada que fez entrevistas aos comerciantes, a pessoas que habitam a cerca de 500 metros do mercado, para também ver aquilo que as podia fazer atrair ao mercado. Acho que agora estão reunidas as condições para podermos mais do que uma obra, termos uma nova dinâmica para o mercado.

"É preciso descativar essa obra (EN223)"

O desaproveitamento do Tribunal de S. João da Madeira...
Enquanto estive no parlamento bati-me para que ele tivesse mais especialidades. É uma evidência que o nosso tribunal tem condições para ter mais respostas. É nisso que já temos vindo a trabalhar junto do Governo, sensibilizando-o para essa questão. E vamos continuar a fazê-lo.

A requalificação da EN223 é sempre um assunto que ganha maior força em véspera de eleições...
O que sei é que essa obra foi cativada. Quando estive no Parlamento fiz muita pressão para que fosse feita essa obra. Ela foi consagrada num plano de obras de proximidade da Estradas de Portugal 2015/2020 e foi uma das obras prioritárias desse plano. Foi aberto um concurso, escolhida uma empresa e depois o atual Governo cativou-a. Há também resoluções na Assembleia da República a defender isso mesmo. Ela é muito útil aos sanjoanenses, mas também a toda a gente que reside nesta região. Neste momento, não há razão nenhuma para que a obra não se realize. Portanto, se não há questões orçamentais, e vamos tendo alguma disponibilidade orçamental, é preciso descativar essa obra. Quando o Governo anterior terminou o seu trabalho, essa obra estava em processo de concretização.

"O resultado que espero ter no dia 1 de outubro é ganhar as eleições com maioria absoluta"

Pedro Nuno Santos disse recentemente: "O PSD apresenta um candidato fraco" sem o apoio público e expresso de Ricardo Figueiredo, Miguel Oliveira, Dilma Nantes e Oliveira Bastos. Qual a sua reação?
Temos um dever de gratidão para com todos aqueles que prestaram serviço na vida pública. O Pedro Nuno é responsável pelas suas afirmações. Portanto, não vou comentar as afirmações do Pedro Nuno. Temos tanto para construir em S. João da Madeira e quero concentrar-me sobretudo naquilo que queremos construir.

Qual o resultado ideal para a coligação PSD/CDS?
É ganhar as eleições. O resultado que espero ter no dia 1 de outubro é ganhar as eleições com maioria absoluta. Acho que os sanjoanenses já perceberam que os projetos para se poderem concretizar tem que haver condições de governabilidade e tivemos infelizmente uma má experiência que prejudicou claramente SJM nos últimos tempos.

Se for eleito apenas vereador, assumirá o cargo?
Esse é um cenário que não tenho na minha cabeça. Portanto, vou ganhar as eleições. Com respeito democrático pela vontade dos sanjoanenses, como é óbvio, mas é essa a minha convicção.

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