a informação essencial
Pub
Partilha

Entrevista às professoras responsáveis pelo Espaço Aberto e Festival de Teatro

Tags

"Que o festival seja um sucesso"

Manuela Balseiro, Cristina Reis e Elza Pais
FOTO: Diana Familiar
Manuela Balseiro, Cristina Reis e Elza Pais
FOTO: Diana Familiar
Partilha

Entrevista às professoras responsáveis pelo Espaço Aberto e Festival de Teatro

Impressão digital

O Espaço Aberto do Agrupamento de Escolas Dr. Serafim Leite começou no ano letivo de 2004/2005 com o intuito de criar projetos de intervenção na comunidade escolar. O projeto sofreu uma reestruturação no ano letivo seguinte com mais professores que começaram a alargar horizontes e quiseram levar os projetos da escola à comunidade e à cidade.
O primeiro Festival de Teatro realizou-se com apoio da escola e da câmara municipal de 14 a 19 de abril de 2007 nos Paços da Cultura, antecedido, tal como agora, pelo Palcos e Cenas.
O testemunho foi passado há cerca de oito ou nove anos às professoras Manuela Balseiro, Cristina Reis e Elza Paiva, responsáveis pelo Espaço Aberto e Festival de Teatro.
Manuela Balseiro é natural de Ílhavo e professora de Português há 18 anos na Serafim Leite. Já Cristina Reis é natural de Ovar e professora de Geografia e Elza Paiva é natural de Arouca, mas vive em Arrifana e é professora de Português/Francês. Ambas dão aulas há cerca de 24 ou 25 anos na "escola número 1".

A 11.ª edição começou no dia 21 de abril com a grande Maria Rueff. Até agora como está a correr?
Elza Paiva (EP) - O feedback que tivemos ontem (dia 21) no final do espetáculo foi muito bom, excelente. Para nós é um orgulho muito grande. Para vermos que a cada edição que passa, o Festival de Teatro está permeável ao desafio.

O Festival de Teatro começou por ser uma semana, agora é um mês. Como é ver a dimensão que ele conseguiu atingir?
Manuela Balseiro (MB) - Acho que também conseguimos medir um bocadinho o sucesso do festival por aí. Pela capacidade que o festival cada vez mais tem de atrair mais pessoas que querem fazer parte do festival, querem estar presentes, querem atuar, querem mostrar o que fazem e isso é sinal de que o festival tem tido qualidade para as pessoas quererem vir fazer parte dele. E isso deixa-nos muito felizes.

"Os primeiros passos para a existência de um evento que levasse o teatro até à comunidade partiu de escola"

Como apareceu o mote "pelo teatro acontece educação"?
Cristina Reis (CR) - Os primeiros passos para a existência de um evento que levasse o teatro até à comunidade partiram de escola. Portanto, escola associamos à ação da educação e foi considerar o teatro como uma arte intrínseca ao ato educativo. As colegas que criaram esta dinâmica e que designaram por projeto Espaço Aberto tinham precisamente em vista tomar o teatro como algo que faz parte do ser integral, do homem. Portanto, o teatro é utilizado e também é uma expressão do ser-se. Entretanto, mantém-se e a cada edição vamos vendo que pelo teatro acontece educação em vertentes diversificadas da educação.

Tudo isto surgiu com a vontade de levar a escola à comunidade...
EP - A ideia é isso mesmo, muitas vezes, mostrar o que se faz na escola à comunidade.

"Temos aqui assim um encontro perfeito entre a ideia, a possibilidade e o acontecimento"

O Festival de Teatro chegou pela primeira vez no ano passado aos palcos de uma empresa. Como é fazer parte de algo inédito?
CR - Isto é um desafio. O Espaço Aberto desafiou a edilidade à época para que acontecesse o Festival de Teatro, sobretudo com expressão escolar evidentemente. Foi crescendo e a determinado momento há necessidade de as diversas dimensões que constituem a comunidade estarem, há a necessidade para o Espaço Aberto. O Espaço Aberto tem necessidade que a comunidade esteja, mas a comunidade também quer estar. Portanto, temos aqui assim um encontro perfeito entre a ideia, a possibilidade e o acontecimento.

Quais as novidades da edição deste ano?
CR - Uma das novidades é podermos dizer que já temos grupos (de teatro) de segunda geração. Ou seja, pessoas que integraram grupos anteriormente, que tiveram o seu tempo nesse grupo, e após a saída desses grupos por contingências, e aqui concretamente os estudantes que acabaram o seu percurso aqui em S. João da Madeira e entretanto foram ou para a vida ativa ou para o ensino superior, e que...lá está...o teatro que surgiu na escola, numa determinada idade e numa determinada circunstância, essa situação teve o seu lugar, o seu prazo, mas o teatro ficou. Então, eles vieram-nos desafiar: queremos continuar no festival.
Outra originalidade é que o Festival de Teatro está a ser solicitado a nível nacional. Isto é, há grupos de muitas partes do país que estão a solicitar a sua presença no Festival de Teatro.
Neste momento, é algo com que nós, organização, temos que confrontar-nos e vermos como é que no futuro podemos responder.

Como pretendem lidar com esta solicitação a nível nacional?
CR - Será um dos desafios, provavelmente, já para a 12.ª edição do Festival de Teatro. O que significa que estamos a dois dias de ter começado a 11.ª edição do festival e já falamos da 12.ª edição.

"S. João da Madeira tem muitos palcos e não apenas os palcos formais"

Há mais novidades?
CR - O facto de vermos efetivamente a diversidade de circunstâncias individuais ou de grupo que está neste evento. Portanto, é de facto um evento inclusivo. Há situações de pessoas ou de grupos de pessoas que poderiam ser impensáveis estar numa dinâmica como esta, mas estão cá. Aos poucos e poucos vêm, estão cá e virão outros certamente. Outra das novidades que não é propriamente novidade, mas é um percurso que se está fazendo, é a utilização de espaços não formais para a representação. Temos a ideia de que o teatro acontece em palco. O que estamos a fazer é que S. João da Madeira tem muitos palcos e não apenas os palcos formais.

O Festival de Teatro permitiu a crianças, jovens, adultos e seniores subirem pela primeira vez a um palco, atuar, descobrir uma nova faceta...
EP - É tão importante sentir que está a fazer bulir. Um bulir intrínseco, um bulir nas várias dimensões.
MB - As pessoas sentem esse gosto de fazer parte de ser parte integrante que acho que é fantástico. Uma atitude proativa de estar na cidade, no festival, de estarem com o teatro e com a educação.

Há muitas pessoas que nunca imaginaram ter a oportunidade de fazer teatro...
CR - Há aqueles que estão pelo gosto de representar e os diversos grupos que se vão organizando na cidade dão-lhes essa oportunidade. Há aqueles em que estar num grupo de teatro é também um grande passo na sua vida social, pessoal, económica. Portanto, é sentirem-se pertença de um grupo. Isto é muito bonito de ver.

"Também bule connosco nesse aspeto do sentimento, da emoção, do desafio"

Algum dia imaginaram que conseguissem incluir todos estes pequenos, mas importantes, detalhes num Festival de Teatro?
CR - Quando integramos a organização do Espaço Aberto ou do Festival de Teatro que também faz parte do Espaço Aberto, que não faz só o Festival de Teatro, esta é a parte mais visível e a que envolve, sem dúvida, mais elementos e mais variedade de situações. Mas quando começámos se calhar havia da nossa parte a ideia de que isto seria a organização de um evento seguindo uma pauta de organização de eventos. Aos poucos e poucos fomo-nos apercebendo de que realmente não era só isso. Portanto, não era só encaixar peças de puzzle que dava lugar a um festival. Mas que havia um sentido de humanidade intrínseca a este efeito.
Nesse aspeto, para nós, elementos do Espaço Aberto, tem sido a cola que nos mantém cá. Não é só um ato mecânico de organizar um evento, é muito mais do que isso e esse muito mais está cá dentro. Também bule connosco nesse aspeto do sentimento, da emoção, do desafio.
É com uma agradável sensação que estamos cá e com um enorme gratidão por todos aqueles que começaram e por todos aqueles que nos deixam estar.

"Ao teatro é preciso ir"

As professoras são o rosto deste projeto e não quiseram ter nenhum benefício em relação aos outros colegas, é caso para dizer que quem corre por gosto não cansa?
CR- Cansa um bocadinho, mas nós aguentamos para já.
MB - Compensa.
EP - Ainda esta semana li algures que: ao teatro é preciso ir. Portanto, estamos a ir ao teatro e fazemos com que os outros também vão. É mesmo isso.

Quais as expetativas para esta 12.ª edição?
CR - Uma das coisas que o Espaço Aberto, não só o Espaço Aberto, mas também a nossa parceira câmara municipal, foi criando foi o sentido de sucesso do festival. As pessoas desejam-nos sucesso, as pessoas perguntam-nos se houve sucesso e como é que medimos esse sucesso. Então, nós também fomos criando a nossa ideia de sucesso evidentemente porque refletimos sobre a ação. Cada edição leva-nos a uma autorreflexão enquanto organização do evento. O número de pessoas que vêm ao festival interessa-nos no sentido em que efetivamente traduz a reação e a relação da comunidade, mas o sucesso do festival está muito neste gosto de as pessoas estarem no festival. Estarem nos grupos, estarem nesta dinâmica. Sem dúvida de que gostamos de ver a plateia cheia, mas sem dúvida que também nos interessa muito perceber que aquela pessoa está feliz porque houve o Festival de Teatro. Está feliz porque teve a oportunidade de se sentar num dos lugares, está feliz porque teve a oportunidade de ir ao espaço formal ou não formal, está feliz porque se calhar andou a poupar para ter dinheiro para o bilhete, está feliz porque conseguiu fazer "ginástica" para estar aquela hora naquele sítio. Tudo isto são aspetos do sucesso. Nós expetamos que o festival seja um sucesso e tudo isto mede o sucesso do festival. Aquela pessoa esteve ou aquela pessoa bateu com a porta também. Ou aquela pessoa saiu e voltou ou aquela pessoa tem de sair, mas está com o desejo de voltar. Ou aquela pessoa está a fazer 100 quilómetros porque, entretanto, está noutro sítio e agora vem como espetador. Portanto, a nossa expetativa é que tudo isto possa acontecer. Seja uma ou 500 pessoas presentes, o importante é que aquela ou aquelas pessoas de tudo fizeram para poder estar ali.

A "Greve" sobe hoje ao palco da empresa CEI

A 11.ª edição do Festival de Teatro de S. João da Madeira começou a 21 de abril e termina a 5 de maio em S. João da Madeira.
O evento é organizado pelo Espaço Aberto do Agrupamento de Escolas (AE) Dr. Serafim Leite em parceria com a Câmara Municipal (CM) de S. João da Madeira (SJM).
O Festival de Teatro apresenta 22 grupos de teatro amadores e profissionais, 340 atores e atrizes e 23 espetáculos. Dos 22 grupos de teatro, dois são profissionais e 19 amadores. Destes últimos, 17 são grupos de teatro de S. João da Madeira e os outros dois, um de Santa Maria da Feira e o outro de Oliveira de Azeméis.
As novidades desta edição estão relacionadas com novos locais, novos grupos de teatro e uma especial comemoração do 25 de Abril.
O teatro estará presente nos locais habituais, isto é, Paços da Cultura e Casa da Criatividade. E voltará às instalações da empresa Companhia de Equipamentos Industriais (CEI) na Zona Industrial das Travessas. O Festival de Teatro levará pela primeira vez uma peça de teatro à Sala dos Fornos na Oliva Creative Factory.
Os novos grupos de teatro amador são ATEC – Associação de Teatro Experimental do Curval, de Oliveira de Azeméis, Ladrão de Sonhos com a soprano sanjoanense Iria Perestrelo, a mezzo soprano Catarina Rodrigues e a pianista Natasha Pikoul e NAQA constituído por ex-alunos e ex-membros do grupo de Teatro Oliveira Júnior (TOJ).
As comemorações do 25 de Abril foram assinaladas com o espetáculo ´Ailé Ailé´ de José Fanha e Daniel Completo no auditório dos Paços da Cultura.
O Festival de Teatro apresenta “A história repete-se” do grupo Os Boinas no dia 27 de abril, pelas 15h30, nos Paços da Cultura. O teatro regressa com a peça “Greve” pelo grupo A.C.E.I.T.E., no dia 27, pelas 21h30, a um palco muito especial, o da empresa CEI.
A peça “Não há sempre lugar para mais um” do grupo de teatro Lua Nova é apresentada no dia 28 de abril, pelas 21h30, na Casa da Criatividade.
As peças “Viagem a um universo de mundos diferentes” do grupo Recriarte e “Depois de ti” do grupo Serafins sobem aos palcos no dia 29 de abril, pelas 15h30 e 21h30, do Paços da Cultura e da Casa da Criatividade, respetivamente.
O estreante ATEC apresenta “ATEC ao ataque” no dia 30 de abril, pelas 15h30, nos Paços da Cultura. Os interessados podem ver “Jubileu e Romieta” do grupo de teatro GEDE, pelas 21h30, na Casa da Criatividade.
O grupo TOJ apresenta “Vermelho | Carmim | Púrpura | Escarlate” no dia 1 de maio, pelas 15h30, na Casa da Criatividade. A peça “Os gatos têm vertigens” do NAQA estreia às 21h30 nos Paços da Cultura.
A peça “Uma rua à portuguesa” do grupo de teatro Anim´Arte é apresentada no dia 2 de maio, pelas 21h30, na Casa da Criatividade. Por fim, “Está lá?...Fim da transmissão” do TROUPE realiza-se no dia 3 de maio, às 21h30, na Sala dos Fornos da Oliva Creative Factory.
O custo dos bilhetes é de 2,5 euros para as peças de grupos de teatro amador, 10 euros para os grupos de teatro profissional.
Os bilhetes estão à venda em BilheteiraOnline (http://cmsjm.bol.pt/), na Casa da Criatividade, nos Paços da Cultura, nas lojas FNAC, CTT, Centro Comercial 8.ª Avenida (Worten), El Corte Inglês, Pousadas da Juventude, linha 24h de reservas e informações 18 20 do MEO e Qiosques Serveasy.

Comentários

Pub

Notícias relacionadas