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“Um disco muito eclético, um disco que vai a muitos sítios e a muitos géneros diferentes”, disse o músico em conversa com o labor

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David Fonseca apresenta “Radio Gemini” na Casa da Criatividade

FOTO: Direitos Reservados
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“Um disco muito eclético, um disco que vai a muitos sítios e a muitos géneros diferentes”, disse o músico em conversa com o labor

Qual a história do nome do novo disco “Radio Gemini”?
A ideia era fazer um disco que tivesse, que falasse de dualidades. Inicialmente o disco era para se chamar “Gemini”, mas depois havia tantas dualidades e tão diferentes que acabou por se chamar “Radio Gemini” por ser mais uma frequência do que propriamente apenas uma luta entre duas coisas. E depois porque o disco acabou por ser um conceito como se fosse um programa radiofónico, ou seja, uma espécie de playlist radiofónica que dura uma hora com imensos momentos diferentes e muitos pontos de vista diferentes.

As músicas “Get Up” e “Oh My Heart” já estão disponíveis. Qual a mensagem de cada uma delas?
A mensagem que cada uma delas carrega tem uma espécie de ideia positiva e festiva que está muito presente no disco. Acho que estas duas canções são boas pontas de lança para essa ideia festiva dentro deste “Radio Gemini”.

O que o levou a gravar o videoclip da segunda música no Japão?
Basicamente eu procurava uma ideia de lá está, mais uma vez, de confronto com a canção. Ou seja, eu queria fazer um videoclipe de playback, onde estou a cantar o playback da canção, mas queria que tudo aquilo que estivesse à minha volta fosse radicalmente diferente de mim. Portanto, como se eu fosse o estrangeiro dentro do meu próprio vídeo e fazer com isso brilhar dois mundos. A tal dualidade que falava ao início quando falei do conceito de “Radio Gemini”.

“Continuo a ser a mesma pessoa por detrás de todos estes impulsos artísticos”
O que pode adiantar sobre as restantes músicas “passadas” neste “Radio Gemini”?
Diria que é um disco muito eclético e que é um disco que vai a muitos sítios diferentes e a muitos géneros diferentes. Mas, ao mesmo tempo, tem algo que une todas estas canções que acaba por ser eu, a minha forma de ver as coisas e a minha personalidade. Mas mais do que descrevê-las acho que é melhor ouvi-las.

Quanto tempo demorou a preparar este novo trabalho?
Penso que demorou cerca de oito meses a fazer este disco.

Quais as surpresas e os desafios de “Rádio Gemini”?
Acho que o grande desafio foi tentar fazer um disco que fosse tão diferente, depois canções entre si tão diferentes e que todas parecessem fazer parte do mesmo disco. O facto de o ter conseguido é em si uma espécie de uma surpresa porque não é costume haver tantas canções diferentes que possam fazer parte da mesma coisa. Aqui neste caso acho que elas se sentem muito parte do mesmo disco apesar de serem tão díspares entre si.

“Essa metamorfose tem muito a ver com uma curiosidade sistemática que tenho em relação ao mundo e à música”
Como foi o processo de construção da capa?
Eu faço as capas dos discos há muitos anos com um amigo meu de liceu chamado Nuno César. Ele é o responsável pelo design gráfico de todos os meus discos até hoje e, por norma, há sempre uma ideia inicial, pelo menos uma foto ou uma ideia.
Neste caso, a ideia inicial partiu muito da foto, da posição em que estava na foto e do facto de haver uma espécie de seminudez na foto que era preciso tapar de alguma maneira. E foi assim que surgiu um bocado a ideia de escrever tudo aquilo e de fazer uma capa que traduzisse um bocadinho uma espécie de um disco que era diferente e com uma posição corporal que também era em si diferente e que demonstrasse um bocadinho em termos de imagem o que é que o disco era.

Que diferenças encontra entre o David Fonseca de “Futuro Eu” em 2015 e de “Rádio Gemini” em 2018?
As diferenças são algumas porque uma pessoa à medida que cresce pensa outras coisas, tem outra noção das coisas e tem necessariamente um lugar sempre diferente no mundo. Acho que as coisas estão sempre a modificar à medida que uma pessoa vai envelhecendo. Acho que há muitas coisas que sou a mesma pessoa e outras que arrisco mais. Talvez este seja um disco mais arriscado do que “Futuro Eu”, embora ache que “Futuro Eu” já tenha sido um disco bastante arriscado do ponto de vista artístico e este também o é por outras razões diferentes. Mas continuo a ser a mesma pessoa por detrás de todos estes impulsos artísticos.

Como descreveria a metamorfose do David Fonseca ao longo de um caminho de 20 anos lado a lado com a música?
Acho que as coisas têm vindo a acontecer da forma como tinham que acontecer. Ou seja, comecei numa banda de raiz acústica e como nunca foi exatamente isso que queria fazer, apenas isso, acabei por fazer desses 20 anos uma espécie de percurso experimental, onde ao longo dos anos vou experimentando várias facetas minhas e das facetas que consigo explorar dentro de um mundo musical. Eu defini muito cedo uma espécie de universo musical no qual me inseria e depois tratei de explorá-lo em todos os cantos possíveis. Acho que ainda tenho muito que explorar, há sempre muita coisa para fazer, mas acho que essa metamorfose tem muito a ver com uma curiosidade sistemática que tenho em relação ao mundo e à música.

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