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Este foi um ano de surpresas para o Clube A4. Desde o aumento significativo de atletas, passando pela inauguração de instalações próprias, até aos diversos títulos alcançados, a coletividade não tem parado de crescer nos mais diversos aspetos

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“Toda a equipa veste a camisola do clube como sendo seu”

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Este foi um ano de surpresas para o Clube A4. Desde o aumento significativo de atletas, passando pela inauguração de instalações próprias, até aos diversos títulos alcançados, a coletividade não tem parado de crescer nos mais diversos aspetos

A 25 de maio de 2017 S. João da Madeira via nascer mais uma coletividade. O Clube A4, dirigido exclusivamente para a ginástica, era oficialmente fundado, juntando-se às mais de duas dezenas de associação desportivas da cidade que fazem com que o mais pequeno concelho do país seja também um dos mais dinâmicos.
A comemorar o seu primeiro aniversário, este “foi um ano de surpresas” para a coletividade, segundo a fundadora, Rita Veloso, resultado do crescimento, nomeadamente no que diz respeito à quantidade de atletas, que atualmente rondam os 120. “Nem nós estávamos a contar com tanta adesão”, confessa a responsável, confiante que a enorme procura se devia a uma lacuna desportiva na cidade. “Chegámos à conclusão que havia uma falha na ginástica federada de competição”, sublinha Rita Veloso. Um crescimento que não passou despercebido e que já trouxe às instalações do jovem clube os responsáveis da Federação Portuguesa de Ginástica e da Associação de Ginástica do Norte “porque não percebem esta explosão de atletas”. “De repente, em cinco meses, tinham 120 miúdos inscritos e vieram ver o que se estava a passar”, explica a dirigente.
Um quadro técnico especializado, “não apenas licenciado em Educação Física, mas com formação particular em ginástica” também tem sido fundamental para este sucesso. “Temos de ter os melhores treinadores na base, habilitados, com formação e experientes”, assegura Rita Veloso que, no entanto, garante que não tem sido fácil ultrapassar essa exigência, “mesmo a pagar bem”. “Daqui a uns anos acredito que será mais fácil. É mais aliciante vir para um clube que luta por resultados e que tem uma estrutura sólida por trás. Têm de acreditar no projeto”, assegura a dirigente, que enaltece, ainda mais, o trabalho das seccionistas, a que Rita Veloso chama de “formiguinhas” e que, de acordo com a dirigente, têm sido preponderantes para o êxito da jovem coletividade. “A estrutura é muito importante e nós temos um conjunto de pessoas, que não se vê, que são o clube e o nosso sucesso deve-se a isso. Toda a equipa veste a camisola do clube como sendo seu”, garante a responsável.
Um percurso que, de acordo com a fundadora, tem vido a ser trilhado assente em três pressupostos que Rita veloso define como uma “pirâmide”. “Havendo material humano, atletas e instalações estão reunidas as condições para que tudo funcione. É uma questão de tempo para se ter sucesso”, refere a responsável, que admite que o Clube A4 tem estado no bom caminho, ainda que as instalações desportivas não sejam as ideais. De facto, poucos meses depois da sua fundação a coletividade mudava-se para um espaço próprio que veio responder ao rápido “crescimento do clube”. Sem qualquer solução por parte da Câmara Municipal, Rita Veloso, optou por procurar alternativas e encontrou, a poucos metros do local que até então acolhia os treinos da coletividade (Armazém 4), “um espaço a um custo relativamente baixo” que permitiu à associação avançar para a criação de instalações próprias. O passo “foi uma melhoria” nas condições da coletividade, que, entretanto, já se depara com o mesmo problema, pois já se tornou pequeno para os mais de 120 atletas da associação. “Atualmente já não são suficientes para as necessidades do clube”, confessa a responsável, que admite que a situação poderá obrigar a coletividade a “colocar um travão” à entrada de novos ginastas. “É isso que nos está a custar”, frisa Rita Veloso, assegurando que não pretende “fazer triagem” ou recusar atletas. “Nós queremos, por exemplo, ter uma classe de ginástica masculina, para ajudar a desmistificar a ideia de que a modalidade é para meninas”, explica.
Face ao crescimento e para evitar chegar ao ponto de ter de tomar medidas extremas, a dirigente confessa que já iniciou a procura de novas instalações, mas a tarefa não parece fácil porque trata-se de uma modalidade que requer um espaço tipificado, sem que seja necessário estar constantemente a montar e mudar equipamentos. “Estamos numa cidade muito eclética, com muitas coletividades e modalidades e eu percebo que temos de ganhar o nosso espaço”, frisa Rita Veloso, que aponta também como dificuldade a falta de material desportivo adequado para treinar as ginastas.
Ainda assim, o sucesso tem feito parte do percurso do Clube A4 e os resultados desportivos acabaram por aparecer, com a coletividade a subir ao pódio pela primeira vez no passado mês de março no Campeonato Distrital de Duplo Minitrampolim, Torneio de Níveis, realizado em S. João de Ver. Conquista que Rita Veloso confessa que não contava presenciar ainda no primeiro ano de atividade do clube. “Foi uma surpresa, mas este sucesso é resultado de toda a equipa de trabalho que está por trás do Clube A4. Acho que essa foi a nossa maior conquista”, realça Rita Veloso, que define todo o percurso do Clube A4 como “extremamente gratificante”. “É fruto de todo o trabalho de equipa”, afirma a fundadora, que acredita que ao longo deste ano a coletividade tem vindo a afirmar-se e a conquistar o reconhecimento na ginástica distrital e nacional. “Tenho um exemplo que demonstra isso mesmo”, assegura. “Em fevereiro participamos numa prova de GpT (Ginástica para Todos) e fizemos uma exposição à Associação de Ginástica do Norte porque não concordámos com uma determinada situação e na prova seguinte foi alterada. Isso demonstra que temos peso e que somos ouvidos. Já há um certo respeito pelo Clube A4, mas também faço questão de sermos cumpridores e de demonstrar competência em todos os aspetos. Embora pequeno, demonstramos que temos estrutura e que somos organizados”, conta.
Ainda que pequena, a coletividade tem objetivos ambiciosos e a meta passa por chegar à 1.ª Divisão, algo que podia ter acontecido já durante esta primeira época com a júnior Joana Tarrafo, que recentemente conquistou duas medalhas de ouro e sagrou-se campeã distrital no escalão júnior no Campeonato Distrital Base de Ginástica Artística. “Se tivéssemos todos os aparelhos para a ginasta treinar ainda podíamos ter feito melhor”, esclarece Rita Veloso que, mesmo assim, viu a jovem, que recentemente juntou-se ao Clube A4, conseguir o apuramento para o Campeonato Nacional. “É uma miúda de primeira divisão e um alento e inspiração para as restantes ginastas”, confessa a dirigente, que ambiciona, a médio prazo, alcançar as Super Finais de ginástica, uma competição que envolve todas as disciplinas gímnicas da modalidade e onde participam os seis melhores ginastas de cada escalão.
Ainda que este primeiro ano tenha sido de sucesso, ao ponto de surpreender a direção do Clube A4, a verdade é que as dificuldades também têm feito parte do percurso desta jovem coletividade, nomeadamente na vertente financeira, que tem levado a direção da associação a procurar apoios. “Não somos subsídio-dependentes”, frisa, revelando que recentemente o clube conseguiu um patrocínio “muito bom”, que ajuda a colmatar algumas das várias necessidades. “A questão financeira é um problema, tal como os recursos humanos ou arranjar treinadores com as competências que precisamos”, relembra Rita Veloso, que realizou esta primeira época sem qualquer apoio da autarquia sanjoanense. “Ainda não temos um ano e, por isso, ainda não somos ninguém”, concluiu a responsável, revelando, no entanto, que a coletividade já irá fazer parte do próximo Contrato Programa de Desenvolvimento Desportivo da Câmara Municipal de S. João da Madeira. “Acreditamos que a autarquia deve entender este crescimento e deve colaborar dado uma resposta a esta causa social/comunitária. Há clubes com mais de 30 anos de história que têm tantos ginastas como nós, como é o caso do Vilacondense”, sublinha Rita Veloso, que deixou uma promessa: “Deem-nos condições que nós fazemos o trabalho!”

Proposta do Clube A4 é uma das candidatas ao Orçamento participativo Municipal
Combater a exclusão social através do projeto Total Gym

Procurando rentabilizar recursos, ao mesmo tempo que potencia a modalidade de ginástica, o Clube A4 candidatou-se com o projeto TotalGym S. João ao Orçamento Participativo Municipal, que “visa a integração e inclusão social através da ginástica, dirigida a três tipos de populações: crianças, idosos e pessoas portadoras de deficiência”. “Precisamos de treinadores a tempo inteiro, mas como no clube só podem trabalhar ao final do dia, o resto do tempo dos técnicos seria rentabilizado com atividades sociais, contribuindo para que a coletividade tivesse um papel cívico, de cidadania e de inclusão”, explica Rita Veloso, referindo que se trata de um projeto divido em três fases. A primeira passa por trabalhar a modalidade junto da população alvo, passando depois para a etapa seguinte, que seria a preparação da coreografia a apresentar no evento final. A terceira fase seria o MegaGym Fest S. João, “que decorreria em três palcos da cidade”. “Seria um fim de semana onde grupos de escolas ou clubes vinham a S. João da Madeira para apresentar o seu trabalho numa festa da ginástica”, esclarece a responsável, que gostaria de ver o evento final tornar-se numa “referência nacional”.
Confiante no sucesso, Rita Veloso acredita que o TotalGym S. João “tem potencial para ser apadrinhado pela autarquia”, e mesmo que a proposta não saia vencedora, a responsável garante que “o projeto não deverá ficar pelo caminho, uma vez que o desporto pode e deve ser uma grande alavanca ao incentivo à inclusão social e à educação cívica por uma sociedade mais justa e inclusiva”. “Se a porta se fecha, abre-se a janela”, refere, sublinhado que a associação também concorreu com esta proposta ao Programa Nacional do Desporto para Todos.

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