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Segundo a presidente Helena Couto, Centro de Fisioterapia também deverá ser transferido para o Centro Coordenador de Transportes no próximo mês

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Junta muda-se para os Paços da Cultura em junho

FOTO: Gisélia Nunes
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Segundo a presidente Helena Couto, Centro de Fisioterapia também deverá ser transferido para o Centro Coordenador de Transportes no próximo mês

Passados mais de seis meses desde o início do mandato, que balanço faz da atividade da Junta de Freguesia (JF) de S. João da Madeira?
Saliento o que conseguimos em termos de diálogo com a atual câmara municipal (CM), que nunca conseguimos nos quatro anos anteriores. Isso é de tal maneira notório que culminou [a 16 de maio] com a assinatura de um memorando de uma série de situações que tentámos discutir no nosso primeiro mandato com o presidente da câmara da altura.

Mas chegou a haver discussão?
Na altura, éramos praticamente desconhecedores do que era uma JF e das problemáticas que íamos encontrar numa JF. Hoje posso dizer, com toda a confiança, que pelo menos três de nós temos o conhecimento claro do que se faz numa JF, daquilo que já fizemos e do que ainda nos falta e queremos fazer.
Mas, voltando ao início do primeiro mandato, passado um mês já estávamos a marcar reuniões com o presidente da câmara. Havia três ou quatro situações que queríamos discutir na altura e que agora estão resolvidas ou em vias de o ser.
Falo concretamente das instalações da JF que “metiam água”. Houve alturas, inclusive, em que tive mesmo de sair do meu gabinete; da questão da transferência de competências; do Centro de Fisioterapia, onde também chovia. Identificámos claramente todas estas situações, sem termos o conhecimento que temos hoje.
Aliás, lembro-me perfeitamente que, passados um ou dois meses, estávamos a visitar alguns dos edifícios que sabíamos que estavam devolutos e que pertenciam ao património do Município sanjoanense. Na altura, isso foi-nos permitido sem qualquer tipo de limitação. Fomos ver o Palacete Conde Dias Garcia, o Palácio do Rei da Farinha… Este [edifício dos Paços da Cultura] nem sequer viemos ver.

“Acabámos por ser levados a reboque”

Os Paços da Cultura não eram uma vossa opção?
Na altura, não eram. Porque se havia edifícios que estavam vazios e não estavam aproveitados por que não esses? Fizemos propostas nesse sentido, mas estávamos abertos a outras.
Sempre fomos muito bem recebidos pelo senhor presidente da câmara, mas nunca houve seguimento de absolutamente nada. Acho que a minha maior frustração no anterior mandato nem foi o relacionamento com o senhor presidente da câmara, mas, sim, não ter havido sequer um seguimento, uma continuidade ou discussão sobre tema absolutamente nenhum. Ignoraram-nos completamente.

Foram várias as tentativas de entendimento ao longo dos quatro anos?
Primeiro tentámos fazê-lo de uma forma muito “soft”, como é, aliás, a nossa forma de estar. Não queríamos criar muitos barulhos, mas antes resolver as situações. E assim fizemos durante para aí oito meses até chegar à conclusão que já não valia à pena.
Estávamos sempre à espera das reuniões. Quando chegávamos às reuniões diziam-nos que “iam ver”, mas não havia nenhuma contraproposta nem absolutamente nada. Foi quando começámos a falar nas Assembleias de Freguesia e Municipal e junto da comunidade, porque achávamos que tínhamos de dar a conhecer o que pensávamos que era importante para o funcionamento da junta e que não estava a ser feito.
Entretanto, as coisas agudizaram-se um bocado, quase a meio do mandato, face às divergências que havia entre os vereadores do PS e do PSD e a alguma animosidade entre os dois maiores partidos. Acabámos por ser levados a reboque.
A partir daí deixámos de ter acesso sequer aos espaços. Lembro-me de uma vez querer ir ver uma sala à Torre da Oliva, coisa que fiz particularmente antes de ser presidente da junta com a maior das calmas, porque qualquer pessoa pode ir ver as salas, e barraram-me a entrada. Disseram-me que só podia fazê-lo com autorização do presidente da câmara.
É passado, é passado. Agora não interessa. Mas acho que o mau relacionamento que existia entre os próprios vereadores e os partidos também veio a repercutir-se de alguma forma connosco.
E continuo a dizer a mesma coisa: acho que há pouca valorização da JF de uma maneira geral. A maioria dos sanjoanenses não reconhecia a JF nem valorizava o seu trabalho. Penso que um dos nossos trabalhos, e sem falsa modéstia, foi esse: ter posto as pessoas a valorizar a JF. Contra mim falo. Eu própria não sabia o que fazia a JF.

“A junta de freguesia não é do PS nem da presidente”

Em quatro anos conseguiram aproximar os sanjoanenses da JF?
Acho que as pessoas já falam na JF. Conseguimos nos aproximar mais da população.
O que aconteceu agora? Qual a diferença? Iniciámos o diálogo com a CM, sentámo-nos, vimos as hipóteses possíveis e chegámos a conclusões.
A junta de freguesia não é do PS nem da presidente. A JF é dos sanjoanenses, assim como a CM. Todos estes edifícios são dos sanjoanenses, são públicos. Se são da freguesia ou do Município é uma questão de organização administrativa, digamos, e de acordo entre os órgãos eleitos pela população sanjoanense.
Fizemos até agora uma guerra por causa de um património que já é dos sanjoanenses e que nunca vai deixar de o ser. Há determinado tipo de discussões que sinceramente não entendo.

Fale-nos agora do autocarro que a câmara vai pôr à disposição da junta.
É verdade que nunca pedimos um autocarro à [anterior] CM. Nunca fizemos essa tentativa, até porque as relações estavam tão extremadas…
Fizemos, antes, reuniões internas, com os vários partidos no âmbito da Assembleia de Freguesia. Só que não conseguimos ter o envolvimento do PSD, porque achavam que o problema não era deles e que tinha de ser resolvido pelas pessoas que estavam no poder. Além do mais, sabíamos perfeitamente que nunca teríamos dinheiro para comprar um autocarro.

Mas a junta não tem autocarros?
Os nossos dois autocarros (um de 51 e o outro de 27 lugares) têm mais de 16 anos. E, como tal, não podem transportar crianças. Os autocarros estão a funcionar, podendo fazer o transporte de adultos.
Ainda ontem [dia 24 de maio] tive uma reunião com a Associação de Jovens Ecos Urbanos e o ATL Gente Miúda porque todos os campos de férias desta cidade, durante estes quatro anos, foram feitos com transporte da junta. Preocupa-nos a comunidade mais débil do ponto de vista financeiro, porque, habitualmente, estas crianças não podem ter férias com os pais. E nós sempre cedemos os autocarros para eles irem para a praia.
Por isso, a ideia é a câmara comprar o autocarro (cujo custo anda à volta dos 250 mil euros) e sermos nós a geri-lo. As condições ainda não estão definidas, porque o que foi assinado no passado dia 16 é um plano de intenções. Temos, entretanto, 15 dias para fazer os protocolos e apresentar as nossas propostas.

Voltando às instalações da JF…
Os Paços da Cultura foram a última opção que propus ao presidente Ricardo Figueiredo. Sempre nos propuseram alargar as instalações ao arquivo [do Fórum Muncipal], que era a mesma coisa que continuar no “bunker” como costumo dizer. O nosso objetivo não era propriamente ficar no “bunker”. Além do espaço, era ter condições de trabalho e, por isso, propus os Paços da Cultura, proposta que só foi aceite agora.
Há um trabalho que está a ser feito pela CM e um posto de trabalho que vamos assumir, provavelmente, com um horário mais alargado porque trabalhamos desde as 9h00 às 17h30, seguido, e às terças até às 19h30. Portanto, este é um custo que deixa de estar nas mãos da câmara.
Dentro do nosso horário, vamos assumir, dentro do que está pré-acordado, toda a parte da venda dos bilhetes dos espetáculos, atendimento ao público, etc.. A pessoa que está aqui fica livre para outras funções. Depois há despesas do próprio edifício que também vamos assumir.
O auditório vai continuar a ser gerido pela câmara, que tem um plano de atividades, mas nos dias em que não estiver ocupado vamos poder utilizá-lo e rentabilizá-lo. Casos das reuniões da Assembleia de Freguesia e também de eventos.
Relativamente à galeria, também já há um planeamento de exposições. Mas quando não houver exposições podemos fazer aqui as nossas exposições e atividades.
Vamos ocupar todos os pisos e assegurar o funcionamento do Espaço Internet, que vai continuar a existir como existia e a ser “mantido” pela câmara, mas que não vai precisar ali de ninguém para supervisionar porque vamos ser nós a fazer esse serviço.
O nosso grande objetivo é dinamizar este espaço, que consideramos ser emblemático da cidade e adequado para a JF. Parece-nos que muita gente em S. João da Madeira não o conhece na sua plenitude. Conhece-o de ir ao auditório ou de ir ao café e quase que só por essa razão. O edifício é muito mais do que isso. Há um espólio de documentos da cidade que está no último andar e que iremos manter enquanto não houver a Casa da Memória, mas que queremos potenciar também o seu conhecimento. Portanto, a nossa ideia é um bocado dar vida a este edifício.

E o que acha do “murmurinho” que tem havido da parte da oposição, que fala em “capricho político”, inclusive da própria presidente?
É verdade que sempre lutei por termos instalações condignas. Acho que estas são condignas, que podemos valorizá-las mais, acho que podemos rentabilizá-las mais e que é uma solução ótima para nós e para a câmara.
Acho que toda a gente ganha, inclusive os sanjoanenses. Acho que há aqui uma rivalidade provavelmente política, que extremou as posições. Não vejo razões objetivas para não podermos ficar aqui.


“Junho vai ser determinante. É o mês da junta!”

Para quando a mudança?
Falei inicialmente em maio. Mas, entretanto, fizemos um memorando e temos 15 dias para fazer os protocolos, prazo que termina na próxima quarta-feira (ontem). Penso que no final do mês temo-los assinados.
Gostaria que fosse em meados de junho, só que não depende de mim. Há questões do sistema informático que têm de ser resolvidas. Mas, sim, penso que até final de junho mudamos.

O que acha quando a oposição fala de difíceis acessos, falta de estacionamento, etc.?
Existem acessibilidades para pessoas portadoras de deficiência e outras com mobilidade reduzida, pelo lado do café. Existem também elevadores.
Quanto ao estacionamento, é um problema de toda a cidade. S. João da Madeira é uma cidade com apenas 8km2 em que toda a gente anda de carro. Isto tem a ver com um problema de mentalidades, que temos de modificar.

E quanto ao Parque de Nossa Senhora dos Milagres, o que vai acontecer?
O parque tem um problema que é a sua dimensão e a quantidade de pessoas necessárias para que seja mantido sempre limpo. Aliás, esta semana e na anterior estiveram 15 pessoas da CM e ainda não acabaram de limpar o parque.
Temos ideias próprias sobre a maneira como deve ser gerido, que estamos a discutir e a propor à CM. Enquanto não tiver essa discussão finalizada, não gostaria de adiantar o que quer que seja.

Mas o presidente da câmara disse em sessão da AM que a manutenção dos espaços verdes ficaria a cargo da CM e dos seus serviços de jardinagem.
Há muito investimento feito pela JF ali ao longo dos tempos, inclusive pelos anteriores executivos, desde o parque canino, parque infantil (tudo o que lá está foi comprado pela JF), as casas de banho de cima, zona de piqueniques, etc..
Agora, o protocolo de 1996 assinado pela JF e pela CM, além de ser muito “insípido”, nunca foi cumprido. Pelo menos, na nossa gestão. Na nossa gestão o que lá estava definido como obrigações da CM nunca foram cumpridas, nomeadamente a limpeza e a garantia de pessoas para a fazer.
Não estou a dizer que o protocolo não está bem feito. Mas é limitado. Não revela o conhecimento real. Hoje somos conhecedores da realidade para a poder discutir objetivamente, ponto por ponto, com o presidente da CM, o que há quatro anos não era possível fazer. Tínhamos a noção do que aquilo era, mas não tínhamos a noção do que tinha, da manutenção que era precisa, de uma série de situações necessárias.
Hoje, sim, temos um levantamento do que é preciso no parque. Estamos em condições de juntamente com a CM ver o que realmente é necessário.
Há um compromisso já estabelecido de que tudo o que seja a limpeza dos espaços verdes e a sua manutenção será feito pela CM. Quanto ao restante, ainda não entrámos em pormenores.

Está satisfeita com a solução para o Centro de Fisioterapia?
Acho que é uma ótima solução. As instalações do Complexo Desportivo Paulo Pinto que nos foram emprestadas têm dois problemas: não têm acesso para deficientes nem para outras pessoas com mobilidade reduzida. Não tem elevador. É tudo escadas. Além disso, a água escorre dramaticamente. Desde que lá estamos sempre aconteceu isso. Tentámos arranjar soluções, mas sem sucesso.
Este ano, repetiu-se o “cenário” quando houve todas aquelas chuvadas. E tornámos a reforçar junto da câmara que era preciso uma solução. O vereador do Desporto disse que esta situação não podia continuar assim e que se tinha de arranjar uma solução. E o que nos propuseram, e que nos agradou muito, foi uma sala no rés-do-chão do Centro Coordenador de Transportes, no piso ao nível dos autocarros, para onde o Centro de Fisioterapia vai ser transferido no próximo mês.
Junho vai ser determinante. É o mês da junta! Vai ser um mês bastante trabalhoso, mas ao mesmo tempo gratificante.

Qual o ponto de situação do Orçamento Participativo (OP) da junta?
Aceitámos propostas até ao passado dia 15 d emaio. Está agora a decorrer o período de reclamações, sendo que a votação vai começar no dia 1. Ao todo, candidataram-se ao OP 16 projetos.

“Em que pé” se encontram os projetos vencedores do ano passado?
Em relação ao “Frigorífico Solidário”, já fizemos o contacto com um estabelecimento comercial cá da terra, que está disponível para nos dar o frigorífico. Já temos a garantia que nos vai oferecê-lo e estamos a ver qual o melhor local para o instalar.
Quanto à app, havia interesse da parte da CM ter uma aplicação do género. Não sei até que ponto vai chocar ou não com os interesses da câmara. Se estiver interessada podemos fazer uma parceria. O projeto ainda não está avançado por essa razão.
Relativamente à “Fruta Social”, que ganhou em 2016, foi proposta pela Ecos Urbanos. Trata-se de um projeto muito interessante que pode ir muito para além da simples recolha da fruta.
Temos como objetivo a criação de postos de trabalho, de forma a fazer compota com frutas excedentárias. Há uma série de projetos que estão como que acoplados a este projeto e que podem criar emprego. Temos o contacto já feito com o IEFP no sentido de se fazer formação e estamos atentos a possíveis financiamentos no âmbito do Portugal Inovação Social.

E a Horta Comunitária?
Penso que estamos a fazer um bom trabalho. Estamos a dar visibilidade à horta, levando lá [Centro Humanitário da Cruz Vermelha Portuguesa] várias instituições para a conhecerem, e a criar um princípio básico de ter lá uma atividade uma vez por mês. Recorde-se que qualquer associação ou munícipe sanjoanense pode explorar um talhão, sem qualquer custo.

Próximos projetos da JF?
Um dos nossos focos é, sem dúvida, a área social, daí termos neste momento projetos partilhados com a CM: o Sénior Ativo e a Oficina do Idoso. Estamos também a desenvolver um trabalho com crianças e idosos, que consiste numa série de atividades mensais realizadas na Biblioteca de Fundo de Vila para as crianças do ATL Gente Miúda. "De Graúdos para Miúdos" é uma iniciativa que conta com a parceria da Universidade Sénior do Rotary Club.
Outra vertente que temos de explorar é a da juventude. Não há um programa adequado nesta terra para a juventude, quer em termos de trabalho/residência, quer de lazer. Temos de criar condições de atração.
A junta tem a força que tem. Não temos dinheiro nem grande força política, mas temos muito boa vontade. Este é um dos nossos objetivos deste ano. No segundo semestre o apoio aos jovens vai ser o meu foco. Temos muitos jovens na junta e eles melhor do que ninguém poderão identificar as lacunas a este nível. Tem de se começar por algum lado. Depois é criar-se parcerias.

Em declarações exclusivas ao labor, a presidente da Junta de Freguesia de S. João da Madeira reconheceu que o Parque de Exercícios, Recreio e Passeio Canino, em funcionamento há mais de um ano, necessita de uma intervenção, sobretudo ao nível da relva. “Vamos voltar a pôr a relva e o que for preciso. Já temos, aliás, investimentos identificados”, adiantou Helena Couto ao jornal, acrescentando: “estamos à espera de fechar este dossiê [memorando de entendimento] com a câmara para depois nos virarmos para a manutenção do parque canino”.
Quanto aos atos de vandalismo de que aquele espaço tem sido alvo, “é, infelizmente, um problema de todo o Parque dos Milagres”, lamentou a autarca local.

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