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O fomento da prática desportiva tem sido uma preocupação da Cerci de S. João da Madeira, que tem procurado, dessa forma, “zelar pelo bem-estar e saúde” dos seus utentes. Natação, futsal, treino funcional adaptado, Ioga e boccia, são as modalidades promovidas pela instituição sanjoanense

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“São pessoas muito autênticas e genuínas”

FOTO: Direitos Reservados
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O fomento da prática desportiva tem sido uma preocupação da Cerci de S. João da Madeira, que tem procurado, dessa forma, “zelar pelo bem-estar e saúde” dos seus utentes. Natação, futsal, treino funcional adaptado, Ioga e boccia, são as modalidades promovidas pela instituição sanjoanense

A deficiência continua a ser um tema sensível, no entanto são já muitos os progressos feitos e as barreiras quebradas. A realização no passado mês de março do I Torneio de Futsal Adaptado, que teve como palco o Pavilhão das Travessas, em S. João da Madeira, demonstrou isso mesmo, com a participação de mais de 120 atletas portadores de deficiência. O encontro de carater essencialmente lúdico, mas que visava também a promoção da prática desportiva e ao mesmo tempo contribuir para o combate à discriminação e inclusão social cumpriu, na totalidade, esses objetivos que há muito a Cerci de S. João da Madeira tem vindo a trabalhar junto dos seus utentes. “A nossa preocupação com a vertente desportiva já existe há muito tempo”, garante António Cunha, presidente da instituição sanjoanense, realçando que no último ano “foi feito um grande investimento na parte de ginásio.
Ainda que Portugal seja um dos países mais sedentários da Europa, a atividade desportiva tem vindo a registar um crescimento significativo, demonstrando uma preocupação cada vez maior com um estilo de vida saudável. Cuidado que a Cerci de S. João da Madeira tem procurado transportar para os seus utentes. “Como são pessoas muito paradas, se não lhes proporcionarmos algum tipo de atividade física a tendência é que tenham cada vez mais problemas de saúde”, explica o responsável pela instituição sanjoanense, sublinhando que a prática desportiva “causa também algum desgaste”, tornando-os “mais serenos”. “É nossa preocupação zelar pelo bem-estar e pela saúde dos nossos utentes e temos vindo a notar, ao longo dos anos, de um modo generalizado, um aumento do peso e da tensão arterial”, acrescenta Dulce Santos, diretora técnica da Cerci de S. João da Madeira.
O trabalho tem sido realizado por um professor de Educação Física e desde 2016 que a instituição sanjoanense conta com um ginásio equipado para a realização de treino funcional, resultado de uma candidatura apresentada ao Instituto Nacional de Reabilitação (INR). “Tentámos contratar sempre alguém que tenha ligação ao desporto, formação na área da deficiência ou que já tenha trabalhado nesta vertente”, explica António Cunha, que sublinha que a “sensibilidade para trabalhar com este tipo de pessoas” também é importante.
Face à preocupação constante com o “bem-estar psicológico dos utentes”, a Cerci esta a preparar uma candidatura ao Programa2020 para a criação de uma sala Snoezelen. Trata-se de um espaço multissensorial que tem como objetivo proporcionar conforto através da estimulação sensorial e da diminuição dos níveis de ansiedade e de tensão, com o uso de forma individual ou combinada dos efeitos de música, sons, luz e aromas, entre outros. “Neste momento estamos a fazer isso no nosso balneário”, revela António Cunha, que confessa que, apesar de não ser o ideal, é o espaço disponível que reúne as melhores condições “porque é escuro”, mas “pequeno”, fazendo com que seja necessário trabalhar com poucos utentes de cada vez. “Será um complemento ao nosso ginásio”, sublinha Dulce Santos.
Natação, futsal, treino funcional adaptado e Ioga são as atividades desportivas fomentadas pela Cerci às quais se juntou na última semana o boccia. “É uma modalidade muito recente na instituição”, explica a diretora técnica, sublinhando que o “projeto já tinha existido”. “Deixamos de ter a atividade porque foram aparecendo modalidades e o professor não conseguia acompanhar tudo”, explica António Cunha, que justifica o regresso do boccia com a integração de “dois voluntários” na instituição. “Estamos a ver se constituímos equipas para começar a treinar e participar em torneios”, acrescenta a diretora técnica, assegurando que “é necessário conhecer o utente para depois o encaminhar para uma modalidade em particular”. “Procuramos ir sempre ao encontro dos seus interesses, mas é necessário avaliar as suas capacidades e ver qual a atividade física mais adequada às suas limitações”, refere Dulce Santos. “Não empurramos nenhum utente para nenhuma modalidade. Tentámos que escolham sempre o que pretendem, dentro das suas capacidades”, reforça o presidente da Cerci, que garante que assim “a sua progressão é melhor e o interesse maior”. “Há, no entanto, utentes que não conseguimos que façam nada e até seria benéfico para eles, mas recusam”, lamenta António Cunha.
A participação em “eventos da comunidade” é, por isso, uma preocupação da instituição sanjoanense, que tem sido presença assídua nos mais diversos eventos, não só culturais mas também desportivos, onde, por vezes, assume o papel de organizadora. “Há um leque de instituições aqui da zona, ligadas à deficiência, que vão promovendo atividades diversas entre si, pelo que todos os meses temos sempre algum tipo de iniciativa cultural ou desportiva”, explica Dulce Santos, que destaca a atividade de Hipoterapia realizada num concelho vizinho, mas sob a alçada da instituição sanjoanense. Foi também o que aconteceu recentemente com o I Torneio de Futsal Adaptado, realizado no Pavilhão das Travessas, em que a Cerci de S. João da Madeira foi “convidada pela Associação de Futebol de Aveiro (AFA)” para fazer parte da organização desta competição integrada na iniciativa “Futebol para Todos”, promovida pela Federação Portuguesa de Futebol e que surge no âmbito da sua política de responsabilidade social. “A AFA lançou-nos o desafio e nós convidamos todas as instituições do distrito de Aveiro a explicar o que pretendíamos fazer e conseguimos ter cá oito concelhos e 11 instituições representadas”, explica a diretora técnica, com António Cunha a destacar a “competição saudável”, que se viveu ao longo do dia. “Era uma coisa espetacular quando marcavam um golo”, esclarece o responsável, recordando o último encontro da instituição sanjoanense. “Ganharam e parecia que tinham sido campeões”, frisa o responsável. “São pessoas muito autênticas e genuínas. Competem com equipas diferentes mas no final são todos amigos”, acrescenta o dirigente, um exemplo que gostaria de ver seguido “por muitos jogadores seniores para aprenderem o que é o fair-play”.

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