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“De cá já saíram muitos e bons talentos e continuarão a sair”

FOTO: Direitos Reservados
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Embora tenha nascido no Porto, onde atualmente reside e trabalha, Francisco Pessegueiro veio “em pequeno” viver para a cidade sanjoanense, de onde, em seu entender, “já saíram muitos e bons talentos e continuarão a sair se [as entidades competentes] não os conseguirem segurar através de um constante investimento cultural”.
Por cá, o artista plástico “especialista” em cerâmica e vidro ainda mantém, na Praça Luís Ribeiro, “um espaço que me foi cedido para poder servir de expositor para os meus trabalhos”. Até porque, “talvez depois de ter viajado o suficiente e criado uma boa rede de contactos, S. João da Madeira poderá servir de uma boa ‘base de operações’ para criar”.
Com quase 29 anos, Francisco Pessegueiro “sente” a sua atividade profissional como algo “extremamente libertador” “mas pouco considerado por parte dos investimentos públicos”. “É uma luta diária para tentar mudar vícios burocráticos, sociais e culturais”, contou ao labor, acrescentando: “a atividade artística requer muita disciplina, contactos, paciência e insistência para receber os pagamentos”.
Talvez por isso até já se tenha imaginado “a fazer outra coisa”. “Acho que, como todos, estou em constante descoberta e nunca se sabe o dia de amanhã”, confidenciou ao semanário.

Francisco Pessegueiro aborda temas sérios “de forma otimista”

O facto de ter os pais e outros familiares ligados às diferentes vertentes artísticas “foi inspirador e crucial” para o seu trajeto enquanto artista plástico. Francisco Pessegueiro, após completar Artes Visuais na Escola Básica e Secundária Dr. Serafim Leite, em S. João da Madeira, foi estudar para a Escola Superior de Artes e Design nas Caldas da Rainha, onde se licenciou em Design de Cerâmica e Vidro. Além disso, frequentou vários cursos de olaria e de vidro soprado no CENCAL - Centro de Formação Profissional para a Indústria Cerâmica, também nas Caldas da Rainha.
Neste momento, organiza workshops de azulejaria e cerâmica, colabora em projetos relacionados com estas tecnologias e trabalha as suas peças num espaço que denominou como “Oficina Frágil”, inserido no Cowork Estúdio Plata, no Porto.
Francisco Pessegueiro define o seu trabalho “como uma abordagem colorida e, por vezes, até infantil a temas sérios da atualidade”. “Localmente ou não, abordo os assuntos que considero realmente importantes de serem expressos pela arte de uma forma otimista, como a poluição/extinção de espécies, a obsessão tecnológica, a imigração/guerra, a corrupção/política”, explicou ao labor, adiantando ainda que “ultimamente tenho tentado diferir o meu trabalho de arte urbana e cerâmica ao conciliar ambas as técnicas e, por vezes, colaborando com pessoas exteriores ao meu trabalho pessoal de modo a criar interação entre a obra e o público”.
Ao longo dos últimos anos, o jovem tem vindo a participar em diversos eventos e exposições coletivas e individuais, das quais destaca a exposição individual de artes plásticas "Identidades" na Biblioteca Municipal de S. João da Madeira (2015); exposição coletiva "Caldas Design Week" (Caldas da Rainha, 2016); mural no Largo do Souto no âmbito da Semana da Juventude de S. João da Madeira (2016); parceria em instalação na Galeria Municipal do Porto (2017); mural num hostel do Porto (2017); painel cerâmico (Porto, 2017); e Bienal de Cerâmica de Aveiro (2017).

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