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Ricardo Almeida herdou os genes do avô, o eterno capitão alvinegro que na época 65/66 foi um dos que contribuiu para o regresso da equipa sénior de futebol da Sanjoanense ao Campeonato Nacional da 1.ª Divisão.
Os primeiros anos na modalidade foram no clube da sua cidade, de onde Ricardo Almeida acabaria por sair, tendo regressado, no início da época, para vestir uma camisola que defende com orgulho.
A recuperar de uma lesão, que o deverá manter afastado dos relvados até ao final da época, o defesa mostra-se confiante no sucesso da equipa e na obtenção dos objetivos definidos, a manutenção

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“Sempre que entro em campo olho para onde ele ficava na bancada e atiro-lhe um beijo enorme”

FOTO: Nuno S. Ferreira
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Ricardo Almeida herdou os genes do avô, o eterno capitão alvinegro que na época 65/66 foi um dos que contribuiu para o regresso da equipa sénior de futebol da Sanjoanense ao Campeonato Nacional da 1.ª Divisão.
Os primeiros anos na modalidade foram no clube da sua cidade, de onde Ricardo Almeida acabaria por sair, tendo regressado, no início da época, para vestir uma camisola que defende com orgulho.
A recuperar de uma lesão, que o deverá manter afastado dos relvados até ao final da época, o defesa mostra-se confiante no sucesso da equipa e na obtenção dos objetivos definidos, a manutenção

Começaste na Sanjoanense e saíste para outros clubes, mas, no início da época, regressaste a casa.
Pois é verdade. Comecei por jogar aqui na Sanjoanense, entretanto, quando passei para o futebol de 11, fui para o Feirense, onde estive durante uns anos. Passei depois por outros clubes e no início da época acabei por regressar a uma casa que me diz muito.

Nasceste no meio do futebol e carregas nos ombros o nome Almeida. Sentes que é uma grande responsabilidade?
É claro que é. Saber o que o meu avô foi no futebol e o que representou para este clube, tendo contribuído para a subida ao Campeonato Nacional da 1.ª Divisão na época 65/66, é uma responsabilidade enorme para mim, que aumenta ainda mais quando veem o nome Almeida na camisola e perguntam se é o neto.

Sentes-te mais pressionado, não só pelo passado do teu avô, mas também pelo facto de seres sanjoanense?
É uma situação inevitável que, como seria de esperar, me faz sentir mais responsabilidade.

Como sanjoanense que és, qual o significado deste regresso para vestires as cores do clube da tua terra?
Sou sanjoanense e como não podia deixar de ser, para mim é um orgulho enorme poder representar esta cidade e este clube. É claro que, como qualquer jogador, tenho os meus objetivos, mas neste momento sinto-me bem aqui e é um orgulho enorme vestir a camisola da Sanjoanense.

Regressaste à Sanjoanense no início da época e desde então tens sido titular indiscutível. Achas que essa aposta por parte do treinador é o reconhecimento das tuas qualidades e dedicação?
Desde o início que o mister me tem incutido sempre uma grande responsabilidade porque, se calhar, viu em mim alguma coisa que lhe agradou. Eu venho de uma posição diferente. Cheguei a jogar como central nos juniores, mas desde então nunca mais ocupei esse lugar, no entanto o mister viu em mim capacidade para isso e necessidade na equipa para me encaixar nessa posição e acho que me tenho portado bem e cumprido com o que é exigido. Sempre tive bastante ambição e o mister apostou em mim e tenho dado tudo por ele e pela equipa.

Tem sido sempre essa a tua filosofia?
Claro. Desde que comecei a jogar futebol essa tem sido sempre a minha postura. Por vezes nem os meus pais acreditam em certas situações, mas digo-lhes que um dia vou-lhes provar tudo o que tenho vindo a dizer e para o que tenho vindo a trabalhar.

E é com essa mentalidade que entras em campo?
Não podia ser de outra forma. Acredito que é assim que tem que ser e é assim que grandes jogadores chegam a patamares superiores.

Que análise fazes à prestação da Sanjoanense até ao momento?
Para me pronunciar sobre isso tenho de falar primeiro do mister, que no início da época nem foi a principal escolha, mas tem vindo a realizar um excelente trabalho. É ele próprio que nos transmite que quando chegou ao clube ficou um bocado assustado porque, se não me engano, começou com cerca de 10 jogadores. Entretanto, foram chegado reforços, mas até lá a Sanjoanense portou-se muito bem e estava a cumprir os objetivos que foram definidos desde o início, que é a manutenção. Passou por muita coisa e é preciso dar-lhe o devido mérito por tudo o que fez, porque tem ajudado o clube de uma forma incrível.
Agora, apesar de alguns resultados menos positivos, acho que a época está a correr de acordo com o previsto e, por enquanto, os objetivos estão a ser cumpridos.

A poucas jornadas do final do campeonato, e com a Sanjoanense numa posição complicada, acreditas que a manutenção vai ser alcançada?
Sem dúvida. Acho que o mais importante para que o objetivo seja alcançado é vencer todos os jogos que faltam em casa, depois é lutar por resultados positivos fora de portas. Temos de nos mentalizar que a Sanjoanense tem de vencer, principalmente nos jogos em casa.

A Sanjoanense tem tido uma prestação algo irregular, perdendo com equipas ao seu alcance e conquistando pontos frente a adversários mais difíceis. O que se tem passado para Sanjoanense não estar numa posição mais tranquila na tabela classificativa?
Penso que é uma situação que já vem desde o início da época e se deve ao facto da Sanjoanense ter uma equipa sénior muito jovem. Em termos estatísticos, acho que o clube devia ter uma das equipas mais novas de todas as séries do Campeonato de Portugal, com uma média de idade a rondar os 20 anos. Entretanto têm chegado alguns reforços que vieram dar mais alguma maturidade à equipa e fizeram subir a média. Acho que esse tem sido um dos principais fatores.

Ainda assim, achas que a Sanjoanense está a cumprir com o que lhe é exigido?
Sem dúvida. É certo que não estamos numa posição confortável, mas se o campeonato acabasse agora cumpríamos o nosso objetivo.

Encontras-te, neste momento, a recuperar de uma lesão. Tem sido fácil?
Não, é preciso ter uma grande força de vontade e manter pensamento positivo e confiante de que vou regressar ainda mais forte.
Como se compreende, aqui as condições não são as mesmas de um clube de uma primeira Liga, em que, se for preciso, nos dias seguintes à lesão o atleta já está a ser submetido a cirurgia. Quem me dera que assim fosse, porque numa situação dessas, neste momento, já poderia estar a treinar, mas ainda tenho mais três semanas de recuperação pela frente.
Tem sido um processo longo onde cada dia é uma batalha ganha, mas sempre fui muito bem aconselhado e acompanhado aqui na Sanjoanense.

Como encaras o tempo restante de recuperação e que, provavelmente, te impedirá de dar o contributo à equipa até ao final da época?
Acho que tenho uma mentalidade muito forte. Apesar do mister não concordar, e até a minha família, acho que tenho uma força muito grande para lutar e alcançar algo, muito embora possa não transmitir isso. Se calhar transmito aos outros que não tenho uma mentalidade forte, mas para mim acredito que vou conseguir.

Estás, então, confiante que ainda poderás dar o teu contributo à equipa nos últimos jogos?
Gostava imenso, mas não quero apressar a recuperação, ainda por cima quando a lesão é num joelho, por causa de dois ou três jogos. Não posso esquecer que, mesmo estando apto, ainda tenho pela frente um período de adaptação e de recuperação da forma física devido a esta paragem de cerca de dois meses. Não será fácil estar completamente preparado para os últimos jogos.

Com o campeonato perto do fim e a Sanjoanense numa posição complicada na tabela classificativa, que conselhos darias aos colegas de equipa para os jogos que faltam?
O que poderia dizer é essencialmente o que o mister transmite ao longo dos treinos, que é continuar a trabalhar e fazer o que têm feito ao longo dos jogos. É certo que há alguma irreverência na equipa, fruto também da juventude presente no plantel, mas acho que se continuarem a trabalhar como têm vindo a fazer o objetivo definido será, com certeza, alcançado.

E com a época a aproximar-se do final, gostarias de continuar na Sanjoanense?
Claro que gostava. Como referi, é um orgulho imenso jogar na Sanjoanense. Enquanto me sentir bem aqui e se o clube quiser que continue será um gosto enorme contribuir para o sucesso da Sanjoanense. Mas, como também referi, tal como todos os jogadores, tenho objetivos pessoais.

Quais são esses objetivos?
Chegar à primeira Liga o mais rápido possível. Tenho consciência que vou fazer 24 anos e que começa a ficar tarde, mas vou lutar por isso. A Sanjoanense tem sido uma enorme rampa de lançamento para muitos jogadores que têm saído para a primeira e segunda Liga e até para o estrangeiro.

No início referiste que na época 65/66 o teu avô contribuiu para a subida da Sanjoanense ao Nacional da 1.ª Divisão. Gostavas também de deixar essa marca no clube?
No balneário faço questão de mostrar as fotos que tenho do meu avô e fico orgulhoso, como neto, pelo que ele conseguiu. Para mim, cumprir esse objetivo e dar esse contributo ao clube, era um orgulho tremendo. Sempre que entro em campo olho para onde ele ficava na bancada e atiro-lhe um beijo enorme, porque sei que ele está a ver-me.

No que diz respeito à massa associativa, a equipa tem sentido o apoio necessário?
Sem dúvida alguma, não só nos jogos em casa como também fora, e a claque Força Negra é exemplo disso, pois tem sido inexcedível ao longo da época no apoio à equipa. Tem sido o 12.º jogador, mas a equipa ainda precisa do apoio de todos nos jogos que faltam e que é muito importante.

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