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“Nada é impossível, difícil ou não instantâneo”

Pritzker Pavillion
FOTO: Direitos Reservados
Millenium Park
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Cloud Gate
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Sanjoanenses no mundo

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Eduardo Sousa
O sanjoanense tem 29 anos e é Business Developer no Grupo Amorim. Os estudos começaram na escola primária das Fontaínhas, continuaram na EB2,3, na Escola Secundária João da Silva Correia e na Escola Básica e Secundária Dr. Serafim Leite. Eduardo Sousa é licenciado em Economia e pós-graduado em Finanças pela Universidade Católica. Pelo meio, estudou durante seis meses em Barcelona ao abrigo do programa Erasmus. O percurso profissional começou na delegação do Aicep em Tunes, na Tunísia, passou pela Associação Empresarial Portuguesa e Vicaima. Eduardo Sousa é responsável pelo Business Development para o continente americano, está no Grupo Amorim desde 2013.

Este é o primeiro emprego fora de Portugal?
Sim, este poderá considerar-se o meu primeiro emprego no estrangeiro. No entanto, a minha primeira experiência profissional no estrangeiro foi um estágio na Aicep em Tunes ao abrigo do programa INOV Contacto, em 2010.

Como foi a experiência na Tunísia?
Estagiei na Embaixada de Portugal em Tunes, na delegação local do Aicep ao abrigo do programa INOV Contacto. A minha posição tinha o título de Market Analyst e o trabalho principal era a identificação de oportunidades de negócio para as empresas portuguesas e o acompanhamento de delegações empresariais portuguesas que visitavam a Tunísia. Fui com mais três portugueses, também do INOV Contacto, dois deles trabalhavam comigo no Aicep.

“Sempre sonhei um dia poder vir a ter uma experiência de trabalho nos EUA”

O que o levou a deixar a sua cidade, o seu país?
Uma enorme oportunidade de crescimento, ambos, profissional e pessoal. No estágio creio que foram mais a “aventura” e o desafio. No entanto, quando soube que o meu estágio era na Tunísia fique algo reticente e com vontade de não ir. Graças à insistência da Teresa, na altura, é que acabei por embarcar na “aventura” e ainda bem porque foi aí que o “bichinho” do trabalho comercial e dos mercados internacionais nasceu e as oportunidades que vieram em seguida muito se devem a esta experiência.
De alguma forma, desde miúdo, sempre sonhei um dia poder vir a ter uma experiência de trabalho nos EUA. Sempre me fascinou essa ideia, poder viver no meio da sociedade americana. Por isso, quando a oportunidade surgiu não hesitamos. Por outro lado, a oportunidade profissional e responsabilidade que me foi confiada motiva-me bastante e isso foi fulcral. Foi um salto profissional que em Portugal talvez me levasse mais algum tempo até o conseguir.

Onde está a trabalhar?
Em Chicago, Illinois, EUA.

Quais as suas funções na empresa?
Sou responsável pelo Business Development para o continente americano, na divisão Amorim Top Series, que fornece soluções de packaging para a indústria de bebidas espirituosas.

Foi sozinho?
Não, vim com a Teresa, a minha mulher.

Como correu a adaptação?
A adaptação correu bem e o balanço até agora é bastante positivo. No início, até criarmos as nossas rotinas e conhecimentos locais foi mais complicado, mas hoje em dia estamos bastante bem integrados.

“O que sempre valorizei mais foi o contacto com diferentes realidades e culturas”

Quais as principais dificuldades?
A maior dificuldade creio que é comum a qualquer pessoa que deixa o nosso país: as saudades da família, dos amigos, da nossa casa…

Quais os maiores benefícios?
O que sempre valorizei mais nas experiências fora de Portugal foi o contacto com diferentes realidades e culturas. Isso é o que, na minha opinião, nos valoriza mais e nos torna mais tolerantes. Creio que nos transformamos num “cidadão do mundo” e aprendemos a lidar com as diferenças de uma forma mais tranquila. Aprendemos a adaptarmo-nos e a gerir/aceitar melhor das mudanças. Por fim, creio que passamos a valorizar muito mais o nosso país e as condições que temos em Portugal.

“Em Chicago não existem assim tantos portugueses”

Conhece muita gente? Portugueses e estrangeiros?
Conhecemos um número razoável de pessoas e, sim, em Chicago não existem assim tantos portugueses e por isso quase todos os portugueses se conhecem.

Há quanto tempo está a trabalhar nos EUA?
A nossa vinda foi há pouco mais de um ano.

Quais os pratos e bebidas característicos?
Chicago é famosa pela “Deep Dish Pizza” que é basicamente uma pizza com a altura de uma tarte recheada com uma dose brutal de queijo! E o “Hot Dog” Chicago Style recheado com um pickle gigante e onde é “proibido” adicionar ketchup.

“Proibido” porquê?
É apenas uma “embirração” local, como um teste a quem é um verdadeiro Chicagoan.

“O rio é fonte de variadíssimas histórias sobre a cidade”

Quais as tradições?
Para além das tradições comuns que partilha com o resto dos Estados Unidos, uma das tradições que considero valer a pena partilhar acontece no dia 17 de março, o St. Patrick’s Day, dia em que o rio de Chicago é tingido com um corante verde fluorescente. Parece Kryptonite ou algo saído de um filme da Marvel. A história conta que, entre as décadas de 50 e 60, o Mayor de Chicago, para identificar as várias fontes de poluição do rio, ordenou utilizar um pigmento especial que reagiria às mesmas. O rio é fonte de variadíssimas histórias sobre a cidade.

Já festejaram um St. Patrick´s Day?
Sim, até porque coincide com o aniversário da Teresa. No entanto, no ano passado ainda era muito no início e não vivíamos na cidade. Este ano vai ser a sério! Sim, existe a tradição de usar uma peça de vestuário verde.

Quais os locais emblemáticos?
Chicago é incrivelmente cultural, talvez a cidade “mais europeia” dos EUA, e é por isso muto difícil enumerar todos os locais emblemáticos. No entanto, cá seguem alguns: Chicago Theater; Loop, o famoso sistema de comboios de Chicago; Willis Tower, conhecida também como a Sears Tower, foi durante imensos anos o edifício mais alto do mundo; Cloud Gate (ou The Bean) que integra o Millenium Park, com as Crown Fountains, o Pritzker Pavillion, num espaço verde que se estende até à praia. Na Michigan Avenue é o início da Route 66 que se estende até Los Angeles; Wrigley Field, famoso estádio dos Chicago Cubs, um dos mais emblemáticos da Liga de Basebol e onde o placar de pontuação ainda é totalmente atualizado de forma manual; o Navy Pier é a atracão popular mais antiga do Illinois, contando com mais de 100 anos e onde é lançado fogo de artifício duas vezes por semana em todos os meses de Verão; Green Mile, e a mesa reservada a Al Capone, onde conspirava e orquestrava a sua rede mafiosa; e o Art Institute of Chicago, Field Museum of Natural History e o Museum of Science and Industry, três museus de grande reconhecimento nos EUA.

Já visitou todos?
Falta-nos ver uma peça no Chicago Theater, um jogo dos Cubs e visitar o Field Museum of Natural History e o Museum of Science and Industry

Como são os habitantes/o povo do local onde está?
São frenéticos, bastantes civilizados e ambiciosos. As pessoas apesar de serem mais individualistas, e por mais contraditório que possa parecer, têm um maior sentido de comunidade e por isso um maior respeito pela cidade e pelo o que é de “todos”.

“Muitas organizações multinacionais têm escolhido Chicago para a sua base”

O que mais o surpreendeu?
A cidade em si. Nós, europeus, tendemos a reconhecer NYC, Vegas, Miami e LA como as cidades mais interessantes dos Estados Unidos, mas quando cá chegamos ficamos realmente surpreendidos! Chicago para a maioria dos locais é o centro dos EUA. A qualidade de vida é incomparável, economicamente estável, com emprego, ritmada, com praia e com uma oferta cultural dificilmente alcançável. Nos últimos anos parece-nos que a cidade se tem reinventado, passando de uma comunidade marcadamente industrial para uma economia local cada vez mais baseada em empresas tecnológicas e de serviços, muitas das grandes organizações multinacionais que conhecemos têm escolhido Chicago para a sua base.

Por exemplo?
A McDonald’s tem cá a sua sede mundial e está neste momento a construir um novo edifício no centro da cidade. A Amazon também está a ponderar abrir o seu segundo edifício sede aqui. Outras empresas de base tecnológica como a Google e o Facebook também têm em Chicago importantes centros de operação.

O que mais custou a adaptar?
A falta da nossa família e dos nossos amigos. Ah, e a falta de peixe, do Atlântico, fresco e grelhado sem molhos!

Vocês vêm regularmente a Portugal?
Sim, pelo menos, duas vezes por ano, pelo Natal e Verão.

Há alguma expressão típica do local onde está?
Stay warm! No Inverno, onde os termómetros chegam a baixar até aos -40ºC. Have a good one! Como Have a good day, a good night, a good party. Good for you! Por exemplo quando dizemos: “Terminei o curso com 17 valores!”

Que sítios costuma frequentar?
Em Chicago existem duas vidas: a de Inverno e a de Verão. No Inverno juntamo-nos muito mais em casa uns dos outros, vamos ao bowling e ao cinema. E ainda somos regulares visitantes do Art Institute of Chicago. O Inverno é também a altura de aproveitar para ver os Chicago Bulls no United Center.
No Verão passamos muito tempo na rua. Apesar do Inverno rigoroso, no Verão temos 30ºC constantes, durante o dia e a noite, vamos à praia, vamos a concertos gratuitos que acontecem diariamente no Pritzker Pavillion, vamos ao Futebol, Basebol ou Futebol Americano, fazemos muito a Happy Hour em Restaurantes e Bares, e também o bastante típico Tailgate (churrasco)...

“Trabalhar naquele que pode ser considerado o mercado empresarial mais competitivo do mundo é uma grande oportunidade”

Qual o balanço desta aventura pessoal e profissional?
O balanço é bastante positivo. Pessoalmente, a Teresa e eu, temos crescido bastante e todos os dias temos algo novo com que lidar. Creio que isto nos faz desenvolver ferramentas que nos serão muito úteis no futuro das nossas vidas. Em termos profissionais, trabalhar naquele que pode ser considerado o mercado empresarial mais competitivo do mundo é uma grande oportunidade. Coloca-nos à prova perante os melhores e isso faz com que nos superemos a cada dia. Tenho aprendido muito, mas devo dizer também que a nossa capacidade de trabalho é reconhecida.

Do que sente mais falta?
Da família, dos amigos, do oceano e da comida.

Do que é que sentirá falta, do local onde está, se um dia for para outro país ou regressar a Portugal?
Da acessibilidade geral de todas as coisas em qualquer momento. Nada é impossível, difícil ou não instantâneo. Creio que este é um dos ponto-chave do sucesso económico dos EUA. Finalmente, a escala do mercado e dos negócios aliadas a uma rapidez e dinâmica que não estamos acostumados na Europa. É surpreendente a velocidade a que as coisas acontecem!

Os seus planos passam por voltar a Portugal?
Neste momento, é difícil responder concretamente a essa questão. No entanto, o mais provável é que continuemos pelos EUA durante mais alguns anos.

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