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Daqui a um mês S. João da Madeira vai virar capital do andebol com a realização da edição deste ano do Andebolmania. Com as inscrições já encerradas, tendo sido estabelecido um limite de 140 equipas, a organização trabalha afincadamente para que nada falhe ao longo dos quatro dias de prova. Sem grandes alterações relativamente aos moldes anteriores, Alexandre Tavares, coordenador do torneio, acredita que vai ser um dos mais competitivos de sempre

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"Se queres ser grande tens de andar e melhorar com os grandes"

FOTO: Direitos Reservados
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Daqui a um mês S. João da Madeira vai virar capital do andebol com a realização da edição deste ano do Andebolmania. Com as inscrições já encerradas, tendo sido estabelecido um limite de 140 equipas, a organização trabalha afincadamente para que nada falhe ao longo dos quatro dias de prova. Sem grandes alterações relativamente aos moldes anteriores, Alexandre Tavares, coordenador do torneio, acredita que vai ser um dos mais competitivos de sempre

Acompanhas o Andebolmania praticamente desde o início. Como é que surgiu o torneio?
Surgiu através do Rui Bandeira, que sempre pensou no andebol como mais do que um simples desporto para os miúdos ocuparem o tempo, e que tinha uma visão mais internacional da modalidade. Numa primeira fase levou equipas dos escalões de formação a torneios internacionais em Portugal, sempre numa perspetiva de que se queres ser grande tens de andar e melhorar com os grandes.
Estamos conscientes da cidade que temos, que é pequena, e que tem um grande handicap, não só para o desporto, mas para tudo o resto, que é a ausência de universidades. Isso torna a captação de atletas difícil, tal como mante-los por cá. Para isso é necessário haver outro tipo de atrações e a ideia foi criar um torneio com nome que chamasse equipas.
Procurámos tirar partido de uma cidade pequena, agradável e dotada de bons pavilhões. No fundo com o Andebolmania queremos ser melhores na modalidade e sermos um clube reconhecido, como é neste momento.

Tu que acompanhas o evento praticamente desde o início, embora inicialmente como atleta, algum dia pensaste na dimensão que viria a alcançar?
Em 1991, quando tudo começou, o sonho era este. Era um sonho louco porque tinha apenas uma pessoa à frente e que com os miúdos organizou um torneio. Agora somos adultos e com a experiência, que fomos adquirindo, mesmo na nossa área profissional, tornou-se possível e só não é maior porque a cidade também não consegue ser maior e não queremos sair de S. João da Madeira. Já usamos instalações em algumas freguesias vizinhas, mas deslocar o torneio para outros concelhos perderia uma das coisas que nos move e caracteriza, que é a cidade.

Tem sido fácil dar continuidade a este torneio para que não desapareça como muitos outros?
Procurámos que entre sempre sangue novo para, assim, dar continuidade. Quando o torneio começou com o Rui Bandeira, os miúdos dessa altura são os adultos de hoje que estão por detrás do evento, mas agora somos muitos mais. Estão a entrar outros jovens, perto da idade adulta, e que entram na organização. É isto que nos dá esperanças e garantias de continuidade e que o torneio não vai acabar tão cedo.

Desde o relançamento do torneio em 2014, após um interregno de alguns anos, o evento tem vindo a crescer de forma significativa. A internacionalização foi um passo natural ou uma necessidade?
Tudo começa por um desejo e nos dias de hoje com a facilidade de comunicação e divulgação não há fronteiras. A internacionalização foi, por isso, um passo natural dada a dimensão e crescimento do evento, nomeadamente com o boom dos espanhóis. Uma forte aposta na comunicação através das redes sociais é a principal publicidade. No fundo, o Andebolmania é uma experiência que fica na memória e é isso que os miúdos comunicam e que falam nas redes sociais. Essa é a nossa grande publicidade.

Achas que para além da vertente competitiva os eventos paralelos e o ambiente que se vive têm sido fundamentais para o sucesso e crescimento do Andebolmania?
Claro, e as redes sociais demonstram precisamente isso. Há dois anos tivemos uma situação que nos fez ver isso. Um escalão de formação do Sporting estava num evento na Nazaré e era de rir a provocação das miúdas nas redes sociais aos colegas com fotos, jogos e eventos do Andebolmania e os miúdos revoltados por não estarem cá. Isso é a maior publicidade que se pode ter. Colocar uma primeira imagem, ainda muito básica e quase desenhada à mão, do evento deste ano e sermos bombardeados por mensagens, comentários e partilha de fotos da edição anterior demonstra o sucesso e onde conseguimos chegar.

Face ao sucesso do evento e a cerca de um mês do arranque, as inscrições já atingiram o limite?
Recentemente recusámos 24 equipas espanholas de três clubes. Na edição anterior chegámos às 152 e foi uma autêntica loucura, por isso este ano introduzimos um limite de 140 equipas. Entrar em rutura e ter mais olhos do que barriga só para arranjarmos mais dinheiro ou inscrições não é o caminho a seguir. Definimos esse limite de 140 equipas porque considerámos ser o número ideal para que tudo o que temos planeado decorra sem sobressaltos. Até poderíamos aceitar mais inscrições, mas a 30 dias do torneio teria de ser tudo reestruturado.

Este número de 140 equipas deverá manter-se ou poderá sofrer alterações nas edições futuras?
O número prende-se, essencialmente, com a manutenção da qualidade do evento, bem como assegurar a segurança de todos os participantes. Achamos que é o número ideal após a experiência da edição anterior, para manter qualidade na competição, no lazer, no divertimento e, acima de tudo, não haver preocupações relativamente a algumas situações que poderiam comprometer o evento. Preferimos cortar na quantidade para manter a qualidade.

Qual a importância do Andebolmania para a secção de andebol da Sanjoanense?
É o maior patrocinador do andebol da Sanjoanense. Não podíamos sonhar ter um andebol de formação tão forte no clube se não fosse o Andebolmania. Para se ter qualidade de treinadores, de treino, para se ter material e as várias equipas por escalão é necessário um suporte financeiro muito grande e o torneio dá-nos alguma tranquilidade nesse aspeto, bem como o apoio da Câmara Municipal. S. João da Madeira é uma cidade feliz porque tem muitas modalidades, mas depois a luta é entre todas nós para angariar fundos. Se não fosse o Andebolmania se calhar o andebol existia por carolice de um ou outro pai, que iria tentar sustentar uma equipa onde tivesse o filho a treinar, mas nunca iria ter a dimensão que tem atualmente.

E qual a importância do torneio para a cidade?
No ano passado realizámos um estudo e não deve haver evento na cidade com um impacto económico tão grande como o nosso. É um dos maiores eventos de S. João da Madeira, que chega a trazer cerca de sete mil visitantes, que dão outro movimento e animação à cidade e ao comércio local. Mas se há quem nos dê valor e que nos apoie com o que pode e o que não pode, ainda há quem nos feche as portas. Cabe-nos a nós trabalhar para mudar as mentalidades.

Quais as expetativas para a edição deste ano?
Acreditámos que em termos desportivos vai ser um torneio como nunca se viu. A lista de inscritos e os comentários que temos recebido fazem-nos pensar dessa forma. Estamos confiantes que vai ser um dos mais competitivos de sempre.

E quais as novidades?
No que diz respeito a surpresas conseguimos uma parceria com a cidade de Estarreja, que ao mesmo tempo vai organizar um minitorneio de seleções juniores, escalão que não faz parte do Andebolmania, pelo que conseguimos trazer uma jornada para S. João da Madeira. Assim, na noite de sexta feira, que é o ponto forte da competição, vamos ter um confronto entre Portugal-Tunísia e Roménia-Espanha. Acho que vai ser o expoente máximo do evento e demonstra o reconhecimento da Federação de Andebol de Portugal pelo nosso torneio. Teremos também o já habitual Best Trick Show, que este ano, provavelmente, irá decorrer em moldes mais virados para o espetáculo em detrimento da vertente concurso. Outra das novidades passa por ter, pela primeira vez, um circuito que irá passar pelos diversos sítios do Andebolmania, assegurando transporte com regularidade.

Face à dimensão do torneio e a tudo o que envolve, quais são as principais dificuldades com que a organização se depara?
Olhámos para isto com carolice, mas procurámos angariar o máximo de dinheiro porque a modalidade depende do sucesso do evento. A grande dificuldade reside na negociação das infraestruturas, na coordenação dos transportes, na preparação da segurança, entre outras coisas essenciais, bem como todos os custos inerentes à organização do Andebolmania.

Com o crescimento que o Andebolmania tem tido, em particular nos últimos anos, onde ambicionam chegar?
A ambição não é crescer em termos de quantidade. Queremos crescer, mas qualitativamente e ver o torneio reconhecido internacionalmente, e continuar a trazer equipas de topo. Queremos ser uma referência. O nosso grande sonho é chegar à Escandinávia, mas será muito difícil devido à data que decorre o evento.

Quais são as ambições da Sanjoanense para o torneio?
Sou diretor do escalão de juvenis e lancei o desafio ao treinador para alcançar a fase final do torneio, e ele também tem isso em mente. Não quer dizer que vai acontecer, mas se não for este ano, não será tão cedo. Temos uma equipa muito forte, com uma grande categoria e com qualidade para estar na seleção. Estão todos motivados e acho que este ano vamos fazer uma surpresa. Também as infantis femininas têm essa ambição e acho que tem capacidade para lá chegar.
Nos outros escalões vamos lutar pelos melhores lugares, mas não será tão fácil porque são atletas do primeiro ano. Neste momento os únicos escalões que estão estruturados para lutar pela vitória no torneio é o de juvenis masculinos e de infantis femininas.

A cerca de um mês do início do torneio, está tudo pronto para o arranque?
Até tenho receio de dizer isto, mas 80% do trabalho está feito. Os 20% que faltam têm de ficar para o fim porque dependem muito do restante que já está fechado. É um processo normal. Estou seguro que, mais uma vez, vamos fazer um torneio com qualidade.

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