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Esta tem sido uma época extremamente positiva para o andebol da Associação Desportiva Sanjoanense, que, apesar das dificuldades, tem vindo a trabalhar no sentido de fazer do clube uma referência nacional ao nível da formação e de ter uma equipa sénior competitiva a disputar a 1.ª Divisão Nacional

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"Estamos ao nível dos melhores clubes nacionais em termos de organização"

FOTO: Direitos Reservados
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Esta tem sido uma época extremamente positiva para o andebol da Associação Desportiva Sanjoanense, que, apesar das dificuldades, tem vindo a trabalhar no sentido de fazer do clube uma referência nacional ao nível da formação e de ter uma equipa sénior competitiva a disputar a 1.ª Divisão Nacional

Como tem sido a integração do treinador e como é que isso se tem refletido na prestação da equipa?
Já conhecíamos o Nuno Silva pois é um técnico que já seguíamos há algum tempo. Trata-se de um treinador que tinha bons resultados no comando de equipas que estiveram na 1.ª Divisão e foi também responsável por subidas de divisão. Trouxe com ele mais ritmo de trabalho, ao nível de uma 1.ª Divisão, e mais intensidade, mas também exige bastante aos diretores. Está a tentar mudar um bocado a mentalidade dos jogadores.
Reconheço que no início os resultados não foram os melhores, mas isso é facilmente justificável. Trata-se de uma pessoa nova que entra, que trás métodos diferentes e as equipas demoram um bocado a adaptarem-se. Admito que o técnico demorou um bocado a ser assimilado, mas neste momento a equipa está muito estável e somos das mais temidas da 2.ª Divisão. Acho que estamos a trabalhar muito e bem e os resultados estão aí.

Apesar dessa fase inicial menos positiva, o trabalho do treinador tem correspondido às expetativas?
Sim. O trabalho do Nuno Silva tem correspondido plenamente àquilo que esperávamos dele.

Referiu que o técnico tem procurado mudar a mentalidade da equipa. Que mudanças são essas?
Há seis anos a Sanjoanense estava na 3.ª Divisão e conseguiu a subida com um técnico da casa, o Humberto, que teve o mérito de juntar um grupo forte numa altura em que a secção estava bastante debilitada. Seguiu-se o Pedro Tavares que realizou um trabalho de continuação. Depois fomos buscar o Nuno Batista, que fez parte de uma mudança que pretendíamos implementar. A vinda do Nuno Silva teve como objetivo colocar mais um bocado de exigência na equipa, ao nível de uma 1.ª Divisão. Este ano a nossa grande aposta nos seniores foi no treinador.

Sublinhou que o novo técnico trouxe também mais exigências. Têm sido justificadas?
Sem dúvida. Se nos pedisse algo que achássemos que não teria sentido não o faríamos. Investimos algum dinheiro em materiais de trabalho e colocámos a equipa sénior a treinar no Pavilhão da Escola Oliveira Júnior, para terem algum sossego. O Pavilhão das Travessas é utilizado como um multiusos. É um local com pouca privacidade, bastante barulhento e onde a comunicação se torna difícil. Para se ter um treino ótimo é necessário estar num local sem essas interferências.

Quais os objetivos definidos para esta época com a entrada do novo técnico?
O que foi pedido ao Nuno Silva foi tentar a subida de divisão. Não estamos obcecados com isso, mas é um objetivo que temos, é a nossa meta na equipa sénior. Como houve algum reforço no plantel e uma aposta num treinador, foi-lhe pedido esse objetivo para este ano ou no próximo.
Sabemos que temos qualidade e preparamos a época com esse objetivo.

E a equipa está a caminhar para esse objetivo?
Está. Temos um grupo bastante forte e motivado. Prova disso são os jogos oficiais realizados com adversários da 1.ª Divisão onde batemo-nos, de igual para igual, com equipas do top seis nacional. Se conseguimos ombrear com essas equipas é porque temos qualidade para isso e, por isso, não podemos dizer que o objetivo é manter.

E a secção tem condições para assegurar a subida de divisão?
A Sanjoanense tem condições para alcançar a primeira divisão e, com muito cuidado, preparar um plantel que permita assegurar a manutenção, que será o nosso objetivo se lá chegarmos. Costumo dizer que com um quinto do orçamento dos três grandes fazia uma equipa para lutar pelo título na 1.ª Divisão Nacional. Os clubes mais pequenos, como a Sanjoanense, têm de ser muito criteriosos na escolha dos atletas e na gestão do orçamento.

Após dois anos a tentar a subida, acha que agora o clube está preparado para isso?
Acho que sim, pois ao longo deste tempo criou-se uma base muito forte. Há cinco anos atrás fizemos uma reestruturação. Trouxemos muita gente para o andebol, criamos uma equipa técnica com bastante qualidade, temos um responsável técnico, um diretor para a formação e outro para os seniores. À medida que crescemos também fomos criando uma base maior de patrocinadores. Penso que, neste momento, estamos ao nível dos melhores clubes nacionais em termos de organização. Atualmente há clubes da 1.ª Divisão com menos capacidade do que nós.

Uma subida de divisão irá obrigar a secção a fazer alguma reestruturação da equipa e, se calhar, no próprio quadro técnico?
No que diz respeito ao quadro técnico, o que foi acordado com os treinadores foi algo de continuidade. Independentemente de subir ou não contámos com a equipa técnica para a próxima época. Já ao nível de jogadores é obvio que uma subida implicará entradas ou saídas, mas contámos com os atletas que estão cá e que estão a dar tudo.
Acho que conseguimos construir um plantel para manter na 1.ª Divisão sem aumentar muito o orçamento deste ano.

Relativamente à Taça de Portugal, como descreve o percurso da Sanjoanense na competição?
Tivemos duas eliminatórias com equipas da 3.ª Divisão que vencemos sem dificuldade. Defrontámos depois o ABC e os jogadores transcenderam-se, deram o máximo, e com um jogo perfeito eliminámos atual detentor da Taça e da Supertaça. O jogo seguinte, com o Avanca era uma partida entre duas equipas que se conhecem muito bem, pelo que não iam haver surpresas dentro de campo. Acabámos eliminados com um golo onde não é possível ter a certeza se deveria ser validado, mas na dúvida a equipa de arbitragem deveria ter dado o prolongamento.

A forma como esse jogo terminou, e que ditou o afastamento da Sanjoanense da Taça, afetou, de alguma forma, a equipa?
Não, pelo contrário. Somos uma equipa da 2.ª Divisão que eliminou um grande do andebol nacional e que logo a seguir discutiu a eliminatória com outro, o Avanca. Os jogadores só se valorizaram com isso e ficaram ainda mais galvanizados com os dois jogos, mas a Taça não era o nosso objetivo.

Acha que a boa campanha que a Sanjoanense fez na Taça de Portugal e que está a realizar no Campeonato Nacional leva as pessoas a pensar que tem havido uma aposta maior nos seniores em detrimento da formação?
É precisamente o contrário. Apesar da boa campanha da equipa sénior, a nossa grande aposta é na formação. A Sanjoanense não trabalhava na formação e por esse motivo não tínhamos atletas a sair para os seniores. Ao longo dos últimos seis anos temos vindo a fazer um esforço para inverter isso e neste momento estamos como queremos. A partir da próxima época vamos ter jogadores com qualidade a saírem todos os anos para a equipa sénior.

E a aposta numa equipa B sénior não transmite essa ideia?
A equipa B não é o que parece. Entre juvenis e seniores há os juniores, mas é um escalão onde os atletas têm idade de faculdade, pelo que todos os anos tínhamos sempre muitas dificuldades para formar uma equipa porque muitos jogadores saíam para estudar. Optámos então por extinguir esse escalão e criar a equipa B sénior, que joga na 3.ª Divisão Nacional e onde estão os juniores.
O objetivo é ajudar à transição entre os escalões de formação e a equipa sénior.
É apenas uma forma diferente de ver as coisas.

Então como é que está a formação da Sanjoanense?
Temos equipas A e B em todos os escalões e mais de 200 atletas. No masculino os juvenis lutam pelos primeiros lugares na 1.ª Divisão, enquanto os juvenis B garantiram o apuramento para o nacional, mas não podem subir porque temos lá outra equipa. O escalão de iniciados também garantiu o apuramento para o nacional, enquanto em infantis temos duas equipas ao mesmo nível e que estão nos primeiros lugares de Aveiro. No masculino contámos ainda com os minis. No feminino temos três escalões, que é onde temos alguma dificuldade na captação de atletas.

Essa dificuldade é de agora ou sempre se verificou?
Tem sido sempre assim. S. João da Madeira tem uma oferta desportiva muito grande e para praticamente todos os desportos no feminino. O facto de também ser uma modalidade vista como muito física também deve contribuir para esta dificuldade de captação no feminino, mas estamos a trabalhar nas escolas com vista a diminuir essa diferença, contudo, não tem sido fácil.

E no que diz respeito ao quadro técnico da secção?
Temos 15 treinadores, todos com curso, sendo que a maioria tem nível 2 ou 3. Procurámos incentivar atletas ou ex-atletas, que tenham alguma propensão para treinador, a tirar o curso, sendo que somos nós que oferecemos. Depois colocámo-los como adjuntos de um técnico com mais rodagem para ganharem experiência. Neste momento acho que dificilmente a secção poderia ter melhores treinadores ao nível da formação.

E onde é que a secção ambiciona colocar o andebol?
Ao nível da formação procurámos ser um clube de topo nacional e disputar os títulos com as melhores equipas do país. Em termos seniores queremos uma equipa competitiva na 1.ª Divisão que dê visibilidade ao clube.

Para tudo isso é preciso uma conjugação de fatores como condições de trabalho, espaços para treino, entre outros. Isso está assegurado?
O andebol cresceu e para ter tantas equipas precisa de espaços de treino. Neste momento gastámos 10 mil euros por ano em alugueres de pavilhões, para além do que está comtemplado no contrato programa com a Câmara Municipal. Temos muitos recintos desportivos na cidade, mas não são suficientes para tantas equipas de tantas coletividades. É necessária uma intervenção por forma a que se resolva a situação. Se chegarmos à 1.ª Divisão temos de ter um nível de treino muito elevado e não podemos treinar num pavilhão que está sujeito a sofrer alterações de horário à última da hora.
Também teremos jogos à 4.ª feira e ao sábado, o que implica não ter mais nenhum campo em uso. Alguém vai ter de resolver esse problema, porque o Pavilhão das Travessas é o único recinto em S. João da Madeira com um piso homologado para jogar na 1.ª Divisão.

Com mais uma edição do Andebolmania a aproximar-se, o que é que se pode esperar para o torneio deste ano?
Vamos ter algumas surpresas na parte lúdica, mas não deverá sofrer grandes alterações em relação ao número de clubes presentes relativamente ao ano passado. Cerca de 60% das equipas estrangeiras são espanholas, sendo que virão três seleções do Québec, do Canadá, e duas de Cabo Verde. É o mais internacional de sempre e vai ser o melhor de sempre.

Este abrandamento relativamente às edições anteriores verifica-se porque a iniciativa não tem capacidade para crescer mais ou não há interesse para isso?
Sentimos que não podemos crescer mais porque não temos capacidade para isso. Isso implicaria uma estrutura muito profissional e um investimento em algumas áreas que não queremos fazer. Se aceitássemos todas as inscrições crescíamos mais um bocado, mas ultrapassávamos o limite em termos de infraestruturas.

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