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Entrevista ao saxofonista António Neves

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“Gostava muito de explorar o papel de Maestro”

FOTO: Direitos Reservados
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Entrevista ao saxofonista António Neves

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António Neves
Tem 21 anos, é natural de Vila Dianteira (São João de Areias) e está a frequentar a licenciatura no Departamento de Comunicação e Arte (DeCA) da Universidade de Aveiro.
Os estudos musicais começaram quando tinha 11 anos na Sociedade Filarmónica Fraternidade de São João de Areias, instituição que integra uma das mais antigas bandas filarmónicas do país. Estudou no Conservatório de Música e Artes do Dão e na Escola Profissional Metropolitana.
António Neves conta com vários prémios no seu percurso musical, integra o Ensemble de Saxofones da Metropolitana, a Orquestra de Sopros do DeCA e a Banda Filarmónica de São João de Areias.

O António iniciou os estudos musicais aos 11 anos. O que recorda desses primeiros tempos?
Foram bons tempos. Ainda tínhamos bastante tempo para brincar e era o que eu fazia com o saxofone. Para além do gosto e vontade que tinha a tentar ler todos os estudos que me punham à frente também tive a sorte de ter bons professores que me souberam sempre manter no caminho certo e dar-me a conhecer o mundo do saxofone e tudo o que ele tem de bom. Devo isso ao professor Jorge Amaral (Escola de Música da minha banda) e ao professor José Magalhães (Conservatório de Música e Artes do Dão).

A iniciativa foi sua ou de familiares?
Na minha família não havia nenhum músico, portanto não estava nos planos. Acho que foi algo que foi construído gradualmente. Na altura tinha aulas de Música na primária durante o 3° e o 4° anos graças às AEC (Atividades de Enriquecimento Curricular) e adorava aquilo. Ora, os professores pertenciam à Filarmónica da minha terra...já adivinharam o final da história. Quando dei por mim já estava de instrumento na mão na Escola de Música da Filarmónica. Depois aí sim houve motivação da parte da minha família que muito me ajudou e "sofreu" lá em casa com o barulho.

O que o levou a escolher o saxofone?
Normalmente nas Bandas Filarmónicas escolhe-se o que um aluno irá tocar consoante a necessidade desse instrumento na Banda em si. Lembro-me de estar a brincar numa bateria no salão depois de uma aula de Formação Musical - pois normalmente é o instrumento sensação de todos os pequeninos - e um amigo meu me vir informar que iria tocar saxofone. Nem fazia ideia o que era. Olhei para a parede e ele disse-me que era igual a um daqueles instrumentos antigos que a minha banda tinha lá pendurado. Deram-me de início um saxofone tenor Buffet Crampon que eu gostava muito apesar da caixa pesar imenso. Mas mais tarde ele teve de ir arranjar por causa de uns problemas que ele já tinha antes e eu tive de trocar para o saxofone alto.

Quais as características deste instrumento?
O saxofone é um instrumento muito versátil. É talvez isso que eu gosto mais nele. Tanto tem repertório clássico como de Jazz e em outros estilos.

Qual o sentimento de integrar uma das bandas filarmónicas mais antigas do país?
É um orgulho muito grande, mas também uma grande responsabilidade. Para mim a minha Banda Filarmónica é uma família. É onde convivo com os meus amigos ao fim de semana nos ensaios. Mas também trabalhamos a sério e todos tentamos dar o melhor.

O António frequenta a licenciatura em Música no Departamento de Comunicação e Arte da Universidade de Aveiro. O que pretende para a sua vida profissional?
Ainda tenho o Mestrado pela frente, mas para mim era importante começar a dar aulas. Hoje em dia um músico tem de saber fazer um pouco de tudo e é nesse sentido que estou a trabalhar. Também gostava muito de explorar o papel de maestro... Já estou a ter uma experiência agradável na Orquestra Juvenil da Banda de São João de Areias, mas gostava de um dia me aprofundar mais nesta área e o resto o futuro o dirá.

Conhece S. João da Madeira?
Não, infelizmente.

É a primeira vez que atuará por cá?
Sim.

Quais os critérios usados na escolha do repertório?
Basearam-se nas peças que temos executado nos recitais que eu e a minha colega Ana andámos a fazer. Estes foram propostos pelo nosso professor Fernando Ramos para este primeiro semestre e foram apresentados tanto no Conservatório de Música e Artes do Dão (Santa Comba Dão) como no Conservatório de Música do Porto.

O que é que as pessoas podem esperar deste recital com dois saxofonistas?
Podem esperar um recital com músicas totalmente contrastantes. E daí é que vem a curiosidade porque a pessoa tem a oportunidade de poder comparar no momento diversos estilos dentro do mesmo instrumento.

É a primeira vez que tocará em duo?
Já toquei várias vezes em duos com outros colegas, é habitual durante a nossa aprendizagem. No entanto, para mim é sempre um gosto poder fazê-lo com a minha colega Ana Sousa de quem eu gosto muito quer como pessoa quer como músico.

Também integra o Ensemble de Saxofones da Metropolitana e a Orquestra de Sopros do DeCA. Qual a história destas experiências?
O Ensemble de Saxofones da Metropolitana é um projeto da minha antiga escola - Escola Profissional da Metropolitana (Lisboa) - elaborado pelo professor João Pedro Silva. Apesar de já não frequentar essa escola, sempre que posso, faço questão de me juntar novamente a este Ensemble que já me trouxe muitas experiências únicas como a gravação de um CD e a participação num Congresso Mundial de Saxofone que se realizou em Strasbourg (França).
A Orquestra de Sopros do DeCA é a orquestra da Universidade e realizamos todos os semestres pelo menos um concerto em Aveiro.

Quais os projetos futuros?
Para já ainda não há nada decidido.

Qual o significado da música na sua vida?
A música toda em si é muito importante para mim. Acompanha-me nos bons e maus momentos. Acho que sem sons a vida não teria graça e eu poder ser um dos que proporciona esse encanto na vida deixa-me muito feliz.

Sábado, às 17h00, nos Paços

Musicatos com dois saxofonistas


“Um recital com músicas totalmente contrastantes”

O Musicatos apresenta os saxofonistas Ana Sousa e António Neves este sábado, dia 27 de janeiro, pelas 17h00, nos Paços da Cultura.
As pessoas “podem esperar um recital com músicas totalmente contrastantes”, tal como adiantou António Neves na entrevista dada ao labor.
A entrada, como é habitual, é gratuita, mas com lotação limitada ao espaço da sala de espetáculos.

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