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As últimas temporadas têm sido de contratempos para o Fundo de Vila e a que agora começa não é exceção. Depois de ver a equipa sénior praticamente reduzida a três ou quatro elementos no final da época passada, situação ultrapassada pela subida de juniores, o clube depara-se agora com a possibilidade de poder vir a ter que extinguir um escalão de formação devido à falta de espaços para treinar

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“Às vezes só sabemos dos problemas muito depois de terem acontecido”

FOTO: Nuno S. Ferreira
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As últimas temporadas têm sido de contratempos para o Fundo de Vila e a que agora começa não é exceção. Depois de ver a equipa sénior praticamente reduzida a três ou quatro elementos no final da época passada, situação ultrapassada pela subida de juniores, o clube depara-se agora com a possibilidade de poder vir a ter que extinguir um escalão de formação devido à falta de espaços para treinar

Labor: No início da última época previa uma temporada positiva. Que balanço faz?
Vultos Sequeira: O escalão de seniores foi uma agradável surpresa. Disse sempre que a aposta era a subida de divisão. Mas acusaram-me de ser demasiado otimista e houve até quem se risse na minha casa, mas afinal a equipa de seniores não só subiu de divisão como lutou pelo título distrital na última jornada, onde acabamos por perder com o Beira Ria.
Nos juniores as coisas não correram tão bem e esta podia ter sido uma época com outra qualidade. Já os juvenis também foram uma surpresa extraordinária. Depois de um início atribulado tiveram um final de temporada espantoso, conseguindo seis jogos consecutivos sem perder e disputaram a presença na Final Four da Taça Distrital. Só não conseguiram porque no último segundo a equipa de arbitragem receou marcar um livre que, naturalmente, daria o passaporte ao Fundo de Vila, e acabámos por perder por 7-6.
O escalão dos mais pequenos, os infantis, também não esteve ao nível esperado, com a equipa a sofrer grandes goleadas para tristeza dos pais, que assistiam aos jogos.
Foi uma época em que o presidente praticamente não existiu, e limitou-se, apenas, a ver jogar. Foi uma época em que se prometeu muita coisa e não se cumpriu nem metade. Para alguns foi uma época de desilusão, em particular o final, com pessoas, que diziam que tinham o Fundo de Vila no coração, a desaparecerem e a levarem bastantes jogadores, principalmente dos seniores que ficou com apenas três ou quatro atletas.
Agora tivemos de arregaçar as mangas porque senão ficávamos sem futsal.

Porque é que andou tão ausente ao ponto de só ter conhecimento dos problemas que existiam no clube no final da temporada?
As coisas estavam entregues a outras pessoas que me acompanhavam e nas quais tinha confiança e eu não chegava a saber dos problemas do clube. Mas está provado que não pode ser sempre assim.

Apesar das contrariedades do final da época, foi uma temporada positiva?
Foi uma temporada extraordinariamente positiva no que diz respeito à classificação. Disso não tenho qualquer dúvida. Os seniores são exemplo disso, com a equipa a conseguir o segundo lugar da classificação e na última jornada estar a lutar pelo título distrital.

Foi, então, só no final da época que a instabilidade afetou a equipa sénior?
Às vezes só sabemos dos problemas muito depois de terem acontecido. Quase a meio da época houve tentativas de mudanças nos seniores, que eu, como presidente, não soube, e só tive conhecimento há relativamente pouco tempo. Mas o técnico manteve-se e realizou um excelente trabalho e vai estar à frente da equipa esta temporada. Tem toda a nossa confiança e apoio.

Com o regresso da equipa sénior na época passada definia como objetivo a subida de divisão. Não só isso foi alcançado como garantiu o segundo lugar e lutou pelo título distrital. Isso foi uma surpresa?
Para mim foi. Aquilo que sempre ambicionei foi a subida de divisão, mas chegar ao fim da época e estar a lutar pelo título foi uma surpresa muito boa. Acho que não podíamos pedir melhor.

Referiu que no final da época a equipa sénior ficou reduzida a três ou quatro elementos. Como foi a preparação para a nova temporada?
Face ao sucedido, houve uma grande remodelação na equipa. Neste momento temos sete ou oito elementos que vieram do escalão de juniores e que já tinham subido dos juvenis. Temos uma equipa sénior extremamente jovem e formada praticamente por atletas nossos provenientes dos juniores. Por isso, esta vai ser uma época de muito trabalho para o treinador e para todos os jogadores, mas temos uma equipa com capacidade para alcançar um bom resultado e fazer uma boa época.

Já no que diz respeito à formação, no início da época passada referiu que gostaria de ver uma equipa alcançar um título distrital, mas isso não aconteceu. Isso faz com que a última temporada não tenha sido positiva?
Não, também foi uma temporada positiva para a formação do Fundo de Vila, nomeadamente nos juvenis, que realizaram um ótimo trabalho, desde a equipa técnica até aos jogadores. Estar seis jogos consecutivos sem perder reflete o que foi feito neste escalão, onde se deve destacar o trabalho importante que o treinador teve para manter toda a equipa motivada e sempre disposta a lutar para ganhar.

Com o início das competições já bem perto, o Fundo de Vila continua a deparar-se com dificuldades no que diz respeito aos espaços de treino. Este ano a situação parece estar mais complicada já que há a possibilidade de um dos escalões não ser inscrito.
É um facto que poderemos vir a ter que eliminar um escalão porque, tal como na época passada, não conseguimos que a câmara municipal nos arranje um espaço para uma das nossas equipas treinar. A autarquia deveria reorganizar todos os espaços que tem, não só o Pavilhão das Travessas mas também o Pavilhão Paulo Pinto, que recebeu agora um piso novo. Infelizmente, apesar de gostar muito da Sanjoanense, aquele recinto (Pavilhão Paulo Pinto) parece que é exclusivo do clube. Abriram-nos as portas para irmos lá treinar, mas a partir das 16h30. A essa hora, como seria de esperar, os atletas dos nossos escalões não têm disponibilidade.
Assim sendo, se esta situação não for solucionada dentro de pouco tempo, estamos em vias de ter que eliminar um dos escalões.

Mas o clube não está a iniciar a época precisamente com o mesmo número de escalões da temporada anterior?
Estamos a iniciar com o mesmo número de escalões e estamos exatamente com as mesmas dificuldades da época passada, em que tivemos um escalão a treinar fora. Mas, neste momento, isso é uma situação impensável para o clube porque custa-nos milhares de euros por ano. Outra solução poderá passar pela câmara municipal assumir o custo do aluguer do pavilhão onde poderemos treinar.
É uma situação que pode tornar-se ainda mais complicada na próxima época. Temos atletas de infantis que irão subir a iniciados, o que implica a criação de mais um escalão e se não arranjarem um espaço teremos de mandar os atletas para outros clubes, interrompendo, assim, a nossa formação. A câmara municipal tem de começar a olhar para tudo isto de outra forma.

Despois de uma época positiva para a equipa sénior, esta temporada, fruto das alterações a que se viram obrigados, será igualmente ambiciosa?
Vai ser uma época mais moderada. Com uma nova equipa e na 1.ª Divisão Distrital, acho que um ótimo resultado seria ficar ligeiramente acima do meio da tabela classificativa.
O grupo tem capacidade e matéria humana para isso, mas tem de trabalhar para lá chegar. Seria bom sermos campeões distritais, mas, neste momento, é sonhar demasiado alto.

No início da época passada dizia que gostaria de ver a equipa sénior chegar ao título distrital nos três ou quatro anos seguintes. As mudanças que foram obrigados a fazer no plantel principal alterou esses objetivos?
Não, mas temos que ter noção das diferenças entre a 1.ª e 2.ª Divisão. No escalão superior estão equipas com grande experiência e ambição para subirem para o nacional e isso vai complicar a nossa vida. Não é nosso objetivo ir ao nacional, mas vamos lutar para fazer a melhor temporada possível e, para mim, é ficar ligeiramente acima do meio da tabela. Para mim já seria uma época extraordinária.

Os últimos anos têm sido de grande instabilidade no Fundo de Vila com o regresso e fim de alguns escalões.
É verdade. Há bem pouco tempo apostamos numa equipa feminina, mas as coisas não correram bem e no ano seguinte o projeto terminava. Na altura apostamos nesse escalão porque sentimos entusiasmo de algumas pessoas, mas depressa se perdeu. Já na época passada foi-me apresentada uma nova direção, que, na altura, me deu esperanças que eu poderia sair. No entanto, foi-me transmitido que os novos elementos só avançariam se eu ficasse. Continuei, mas no final da época foi uma triste desilusão, com a maioria dos elementos a saírem do clube, à exceção do vice-presidente.

Depois de tantas contrariedades, o Fundo de Vila está preparado para a nova temporada?
Temos tudo reorganizado e estamos prontos para começar a trabalhar. Estou convencido que vamos ter uma época tranquila. Só temos este problema de espaços para treinar por resolver. A câmara municipal continua a dizer que não há, mas se houver boa vontade é possível, só temos de falar com as pessoas.
Se não conseguirmos, infelizmente vamos ter que eliminar um escalão e a atual câmara municipal será a responsável por isso.

E num início de uma nova temporada o clube vai apresentar algumas novidades?
Vamos ter uma seção de desportos de combate, com as modalidades de Boxe Chinês, Karaté Kenpo e MMA (Mixed Martial Arts), resultado de uma parceria com a academia Jou Team Fighters. Tem cerca de 60 atletas com muita qualidade e alguns deles com títulos alcançados. Foi uma situação que surgiu em conversa com o André Silva, treinador do nosso escalão de infantis, que é o responsável pela academia. Chegámos à conclusão que seria bom para ambos a junção das duas instituições.

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