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Rita Mendes garante que a luta da CDU - Coligação Democrática Humanitária pelo Hospital de S. João da Madeira é para continuar

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“Não estamos contentes com esta ‘urgenciazinha’ que nos deram”

FOTO: Rui Guilherme
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Rita Mendes garante que a luta da CDU - Coligação Democrática Humanitária pelo Hospital de S. João da Madeira é para continuar

Na última entrevista que deu ao labor disse: “não estamos na política para nos servirmos, mas para servir os outros”. Com isto quis dizer o quê? Que quem tem estado no poder não tem servido os sanjoanenses?
Achamos que os sanjoanenses podiam estar melhor servidos. E por isso é que apresentamos um programa com o que pretendemos para a cidade. Nem eu nem qualquer uma das outras pessoas que compõem as listas da CDU temos aspirações pessoais.
Estamos na política para servir os outros. Não queremos fazer carreira política nem concorremos em nome próprio. Somos um coletivo.

A CDU compromete-se a “humanizar a cidade”. De que forma o vai fazer?
Queremos uma cidade para todos, em que todos contam. Não queremos que uns sejam mais favorecidos do que outros. As pessoas têm de ser tratadas de igual forma, com a mesma dignidade.
Além disso, entendemos que é muito importante chamar as pessoas aos centros de decisão. O poder político deve exercer sempre uma política de proximidade, ouvindo as pessoas, percebendo o que lhes faz falta, quais são as suas aspirações.

Na sua ótica, o que tem afastado os munícipes do poder político?
Por um lado, e isto está a acontecer a nível nacional, as pessoas estão desacreditadas da política. Por outro, não têm sido levados em conta as aspirações, os problemas reais das populações.
As pessoas têm de ser chamadas a participar, têm de ter voz ativa. A cidade é de todos.

“S. João da Madeira é uma cidade de assimetrias”
Membros da CDU têm visitado lugares do concelho que, segundo dizem, se encontram “esquecidos”. O que têm visto nessas visitas preocupa-vos?

Preocupa-nos, porque vemos que S. João da Madeira (SJM) é uma cidade de assimetrias, em que uns (quando digo “uns” digo lugares e, por conseguinte, pessoas) são mais bem tratados do que outros. E nós não concordamos com isso. Ainda para mais num concelho tão bem dimensionado como é SJM. Não há razão para isso! Lá está, se houvesse essa preocupação de proximidade, se o poder político fosse aos lugares, contactasse diretamente com a população, acho que a cidade não estaria assim.

Junta “pode ser o ‘pivot’ da ação social”
Avançam como linha estratégica com a transferência de competências e de recursos para a junta de freguesia (JF), sobretudo em termos de área social. O que é que está a falhar a este nível?
A JF, principalmente num concelho de freguesia única como é SJM, pode ser o pivot da ação social. Achamos que tem condições de ser o órgão com maior proximidade dos fregueses.
Quando falamos em transferência de competências falamos também em transferência de meios financeiros, recursos humanos, recursos técnicos. Não se trata de uma mera transferência. Tem de haver uma transferência global. E nesse sentido entendemos que a área de excelência para uma JF é a ação social.
Há pessoas que, por razões várias, estão sozinhas, isoladas, a precisarem de alguma coisa e nem sempre é de dinheiro. É preciso apoiá-las, é preciso esse tal trabalho de proximidade, que é fácil de desenvolver num concelho pequeno como o nosso e que tem de acontecer.
E depois há que agilizar todo o processo.
A propósito dos idosos, é muito importante que os idosos tenham apoio, mas que também lhes seja proporcionado um envelhecimento ativo.

Ou seja, as iniciativas direcionadas para os idosos organizadas quer pela câmara, quer pela JF não vos convencem. Caso, por exemplo, dos passeios.
Antes de tudo, é preciso perceber o que é que os idosos precisam. Se é de passeios, “ok”, damos-lhes passeios. Mas tenho em mente que os idosos precisam de muito mais do que passeios.

De que forma a CDU pretende erradicar a pobreza no concelho?
Temos de apoiar as pessoas afetadas pela pobreza, através da ação social. É preciso apoiá-las em termos de habitação, saúde, educação, etc.. Elas não podem ser abandonadas nem esquecidas e se mais ninguém atuar o Município, em última instância, tem de atuar. É preciso socorrer essas pessoas no imediato! E lá está, esse processo tem de ser agilizado com grande celeridade.

Como pensam fixar a juventude no concelho?
Essa é uma questão que nos preocupa. O nosso programa contempla desde as crianças até aos jovens, passando pelos adultos e pessoas de mais idade. É um programa para todos, tendo também como objetivo fixar os jovens.
A juventude tem de ter casa, mas tem de ter casa com custos controlados e não a preços altíssimos como verificamos em SJM. A juventude tem de ter emprego, mas emprego com qualidade, emprego com direitos. A juventude tem de ter acesso à cultura, ao desporto. Tem de ter boas condições para viver nesta cidade.
“Somos contra a alienação de património e venda de habitação social”

Habitação social: já por diversas vezes se manifestaram contra a forma como ela está atualmente concebida.
Somos contra a alienação de património e venda de habitação social. Porque há casos em que é preciso socorrer as pessoas no imediato e podemos chegar a uma situação de não ter casa para alojá-las.
Por isso, entendemos que a bolsa de habitação social no concelho deve crescer, a par da habitação a custos controlados, da construção de habitação corporativa. Nesse sentido, temos, por um lado, de fazer pressão sobre o poder central para que haja mais habitação social e, por outro, temos de pensar em olhar para o nosso concelho onde há tanta casa devoluta, tanta casa vazia, que podia ser reabilitada e que podia ser disponibilizada à população.
Já temos falado na Assembleia Municipal (AM) sobre o assunto. Também já fizemos uma conferência de imprensa, em que mostrámos um exemplo muito concreto, nomeadamente as casas da Devesa Velha, que pertencem aos serviços sociais da GNR, e as casas na Mourisca, que pertencem aos serviços sociais da PSP, que estão vazias. E já pedimos à autarquia para tentar entrar em contacto com esses serviços para que estas casas pudessem reverter para o Município e serem transformadas em habitação social.

Outra das vossas bandeiras é a municipalização da água.
Sempre nos manifestámos contra a privatização da água e as empresas municipais. A água é um bem público. Portanto, não pode ser um negócio lucrativo.
Entendemos que é importante reavaliar esta parceria público-privada, que é a Águas de S. João, e estudar a possibilidade de a água ser municipalizada. Não dizemos que vamos já municipalizar. É preciso, antes, perceber em que moldes foi feito este contrato e avaliar o impacto da municipalização. Mas entendemos que a água deve ser municipalizada e, portanto, aquilo a que nos comprometemos é estudar essa possibilidade.
Depois, também pretendemos baixar o preço da água. Achamos que a água é cara em SJM. Em SJM, que é um concelho tão pequeno, com captações próprias e é uma zona com muita água, não há razão para a água ter um preço tão elevado.

Falando agora do Tribunal, a CDU tem-se mostrado preocupada com a sua subocupação.
Sim. Está subocupado, perdeu algumas valências. Achamos que a reestruturação devia ter sido feita tendo em conta a centralidade do tribunal, as próprias caraterísticas físicas. O poder local devia fazer mais pressão junto do poder central.

“Quem gere nem sabe onde existem os problemas, porque é preciso ir aos lugares e a pé”
A questão da limpeza de terrenos e a manutenção dos espaços verdes públicos estão também na vossa lista de preocupações.

Sim. São as tais assimetrias de que já falei. Como é que é possível tal coisa? Isto é bem visível na limpeza de terrenos. Há terrenos que pertencem à câmara que estão cheios de silvas, lixo e até com animais indesejados, que podem constituir perigo para a saúde pública. Portanto, é preciso dar atenção a esta matéria.
Até defendemos que haja uma equipa de funcionários camarários que possa estar permanentemente a ver onde é preciso atuar, fazer uma pequena obra, uma pequena reparação. O que acho é que, às vezes, quem gere nem sabe onde existem os problemas, porque é preciso ir aos lugares e a pé.

Como veem a questão do “cheiro a Casqueira”?
Entendemos que o cheiro é, de facto, muito incomodativo e que deve ser revertida essa situação. Defendemos até a monitorização da qualidade do ar. Mas uma coisa científica e não baseada na opinião das pessoas. Tem de ser feito um estudo técnico, científico, sobre o impacto não só do cheiro em si, mas também da qualidade do ar.
Não sei. Não sei porque é que isto se arrasta há décadas.
Acredita que a petição “Cheiro a Casqueira Não!” mude alguma coisa?
Pelo menos reavivou a discussão sobre o tema e isso só por si já é muito importante. Não deixa morrer o assunto. Aliás, também assinei a petição. E os meus camaradas também.

Hospital: não concordam com a perda de valências e defendem a sua reabilitação.
Não estamos contentes com esta ‘urgenciazinha’ que nos deram, uma urgência básica que qualquer centro de saúde pode ter. Queríamos antes a nossa urgência médico-cirúrgica. E também queríamos a recuperação das valências que já tivemos e a nossa autonomia administrativa, sem dúvida!
Tínhamos um hospital com uma autonomia administrativa, com uma urgência médico-cirúrgica, com um determinado número de valências. Hoje não estamos contentes com aquilo que temos, porque perdemos a nossa autonomia. Somos uma extensão do hospital de Santa Maria da Feira. Pertencemos ao CHEDV [Centro Hospitalar de Entre o Douro e Vouga]. Não temos nenhuma competência administrativa, não gerimos os nossos próprios recursos. É tudo gerido na Feira.
Temos uma centralidade que deve ser aproveitada. SJM recebe utentes de vários concelhos aqui à volta e portanto a ideia era que este hospital pudesse servir melhor as populações. Lembro-me que quando deram uma "machadada" neste hospital foi no governo de Sócrates e que tudo começou à custa de uma política de austeridade. Portanto, isto por si só já é esclarecedor.

O que defendem relativamente à Praça Luís Ribeiro?
Na AM, órgão onde temos voz, dissemos por várias vezes que já chegava de mexer na praça. É que todos os executivos municipais têm mexido na praça. Fora isso, defendemos que a praça tem de ser um local onde as pessoas se sintam bem, onde haja comércio de qualidade, espaço para o convívio. Basicamente é isso.

E em termos de cultura?
A cultura é um meio privilegiado de emancipação pessoal e social do indivíduo e portanto ela tem de ser acessível a toda a gente. É necessário promover o acesso efetivo das populações aos bens culturais. Entendemos que, para além de todo o apoio que deve ser dado às associações, instituições culturais, aos grupos informais de cidadãos, é necessário e importante promover uma participação ativa, dar voz ativa a esses grupos na definição de políticas culturais para a cidade e em termos de desporto.

“Já chega de grandes superfícies comerciais no concelho!”
Como é que a CDU vai apoiar os comerciantes?

Os comerciantes têm de ser ouvidos. É preciso recolher os seus contributos, perceber o que acham que está errado, o que é preciso melhorar. Lá está, é a proximidade. O comércio tradicional tem de ser valorizado, modernizado, melhorado. E nesse sentido tem de ser apoiado. Já chega de grandes superfícies comerciais no concelho! O território está a ser 'gasto' com grandes superfícies, construídas de uma forma descontrolada.
Depois, achamos também que devem ser criados eventos locais. O Município pode dar apoio a estes eventos no sentido de dar visibilidade ao comércio tradicional em geral e não só aos comerciantes da restauração.

E no que diz respeito ao Mercado Municipal?
Temos de modernizar o Mercado Municipal, que neste momento está subaproveitado. Eu própria faço compras no mercado. Vou lá com regularidade lá e constato que está subaproveitado.

São a favor da construção de umas novas piscinas?
Não compreendemos o bloqueio da oposição. Era muito importante para SJM que o projeto tivesse sido aprovado. Perdemos uma grande oportunidade! Acho que é imperdoável! Se a CDU tivesse representação na edilidade, não tinha acontecido. Mas, pronto, vamos aguardar por novas oportunidades.
Não há crescimento nem desenvolvimento sem investimento e não há investimento sem endividamento. Achamos que o investimento não ia desequilibrar as contas da câmara. Foi uma pena!

A propósito da requalificação da EN223, esta é, no vosso entender, uma obra fundamental?
É necessário garantir o acesso sem constrangimento à A1 e A29. É urgente encontrar uma solução para aquela estrada. Aliás, já apresentámos recomendações na AM, que foram votadas até por todos.

Continuando com o tema das acessibilidades, o que pensam sobre a Linha do Vouga?
Achamos que a linha tem de ser reabilitada, revitalizada em todo o seu trajeto. É muito importante também.

Relativamente à vinda de Milheirós ou de outras freguesias para SJM?
Somos a favor de uma reorganização administrativa do território. Há concelhos que são excessivamente grandes, em que os centros das decisões ficam longe das populações, o que não faz sentido.
Achamos que tem de haver essa revisão geral, que, aliás, foi acordada pelos partidos que fundaram a democracia. A não haver essa revisão geral, quando existem questões avulsas, que haja entendimento, tem de haver entendimento entre os concelhos.
Se não houver esse entendimento não somos a favor. Tem de ser um processo pacífico. Coisa que não acontece em relação a Milheirós de Poiares.

“A CDU faz falta à cidade”
No atual mandato, a CDU está representada não só na AM, mas também na Assembleia de Freguesia (AF). Como define o trabalho que têm vindo a desenvolver?

Fazemos um balanço positivo. Temos um trabalho reconhecido por todos, mesmo por quem não vota em nós e pelas outras forças políticas. Um trabalho pautado pela honestidade e competência, sempre em defesa dos interesses dos sanjoanenses.

Quais são as vossas expetativas em termos de resultados nestas autárquicas?
Continuar com representação na AM e AF e eleger na câmara. Temos essa convicção e esperamos que sim, para bem dos sanjoanenses.

Então, o facto de a CDU não estar representada no executivo prejudica, na vossa opinião, a cidade?
A CDU faz falta à cidade. Digo-lhe isto assertivamente.

Se for eleita, seja para que lugar for, vai cumprir o mandato?
Sim. Não viramos as costas só porque não ganhamos. Não fazemos birra. Assumimos os cargos que os munícipes nos confiarem. Sempre com o mesmo empenho, o mesmo rigor, a mesma honestidade.

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