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Desde 2015 que Rita Azevedo comanda os destinos da Associação de Promoção da Juventude (APROJ), coletividade que, no aspeto desportivo, tem apostado exclusivamente no voleibol. Fundada em 2009, ao longo dos vários anos a associação já passou por alguns altos e baixos, mas a persistência e empenho de todos os que acreditam no projeto permitiu o crescimento da coletividade, que procura agora afirmar-se em termos desportivos

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“Como em todas as associações, é preciso ter um bocadinho de amor à camisola”

FOTO: Nuno S. Ferreira
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Desde 2015 que Rita Azevedo comanda os destinos da Associação de Promoção da Juventude (APROJ), coletividade que, no aspeto desportivo, tem apostado exclusivamente no voleibol. Fundada em 2009, ao longo dos vários anos a associação já passou por alguns altos e baixos, mas a persistência e empenho de todos os que acreditam no projeto permitiu o crescimento da coletividade, que procura agora afirmar-se em termos desportivos

Labor: Fundada em 2009, como analisa o crescimento da APROJ ao longo destes oito anos?
Rita Azevedo: Apesar da associação ser recente, já tivemos altos e baixos. Já passamos por fases em que tivemos mais atletas do que os que temos, mas também já tivemos menos.
Houve uma altura, devido a um desentendimento interno, que a coletividade viu um escalão inteiro sair para formar uma equipa num clube em Arrifana. Tivemos de começar praticamente do zero, mas a APROJ foi-se reconstruindo e, neste momento, avizinha-se uma temporada muito boa porque conseguimos fazer captação de atletas no nosso campo de férias.
Prevemos uma época risonha. É muito difícil captar aqui miúdos para o voleibol porque, para além desta modalidade ter sido quase a última a surgir na cidade, em S. João da Madeira a oferta é enorme. Hoje já temos miúdas que começaram em minis e isso permite-nos ter alguma base, mas ainda estamos a crescer e temos de crescer muito para conseguirmos ter todos os escalões completos. Essa é uma das nossas dificuldades.

Para além das dificuldades normais de uma coletividade desportiva, como é que gerem todos esses altos e baixos que a APROJ tem ultrapassado?
Não temos ninguém a trabalhar a tempo inteiro na coletividade pelo que é fundamental o esforço das direções e dos treinadores que vão passando por cá. Como em todas as associações é preciso ter um bocadinho de amor à camisola.
Quando perdemos muitas atletas tivemos de nos esforçar para dar estabilidade às que ficaram e continuaram a acreditar no projeto. Essas atletas, que foram trazendo mais amigas, são hoje a nossa base.
Como é que superamos? Continuamos a trabalhar da forma que achamos ser correta, limpamos um bocadinho a casa e fomos reconstruindo aos poucos, com calma e paciência. Tivemos de dar dois passos atrás para poder seguir em frente.
O espirito que existe hoje na APROJ é muito saudável. Muitos dos pais das atletas já vão de férias juntos, dão-se todos muito bem.

Em 2009 surgia a APROJ com uma aposta no voleibol. Foi uma resposta da coletividade à saturação desportiva no concelho ou uma aposta na própria modalidade?
Queríamos mesmo desenvolver o voleibol porque não existia em S. João da Madeira, apesar de terem existido tentativas de outros clubes, mas que nunca se afirmaram, e porque nas redondezas o mais perto para a prática da modalidade era em Fiães. Além disso, sabíamos que era praticada nas escolas no âmbito do desporto escolar, mas depois haviam miúdos que gostavam de continuar a praticar de uma forma federada e não tinham oferta.
A associação foi criada especificamente para desenvolver o voleibol em S. João da Madeira, procurando colmatar a falha que existia, não ao nível desportivo na cidade mas da modalidade.

Desde a fundação que a APROJ nunca teve uma equipa sénior. Isso acontece porque não tem conseguido dar continuidade aos escalões ou é a visão da coletividade?
Nesta fase a prioridade passa por ter uma base, ter formação, e ter minis para depois termos sustentabilidade quando chegarem aos seniores.
Não temos as portas fechadas a um escalão sénior. A questão é que ainda não temos ferramentas para esse escalão. Como não temos prata da casa, porque as atletas que chegam à idade sénior vão para a faculdade, torna-se difícil criar uma equipa. Isso iria obrigar o clube a procurar jogadoras de fora, que implicava um orçamento muito maior. Assim, a nossa prioridade passa por ter uma base maior para quando as atletas, que agora são cadetes, mas que começaram em minis, chegarem a seniores formarem a equipa. É por isso que não temos uma equipa sénior a competir, mas não é uma carta fora do baralho

Uma equipa sénior iria complicar ainda mais a gestão de espaços desportivos?
Estamos um bocado limitados porque fomos os últimos a chegar e ficamos com os horários que haviam. A câmara municipal tem-se mostrado sempre disposta a colmatar algumas lacunas, mas os pavilhões estão extremamente lotados pelo que, no ano passado, com o aumento de atletas que registamos, vimo-nos obrigados a alugar pavilhões de escolas duas vezes por semana para poder treinar.

Então, ainda hoje são os espaços desportivos que continuam a ser a principal dificuldade da coletividade.
Sim. Conseguir treinadores era uma das grandes dificuldades, até porque o nosso orçamento há alguns anos era diferente, mas acho que agora a nossa principal dificuldade são os espaços e os horários de treino. Estamos a treinar à terça feira às 8h00 da noite, com miúdas desde os 10 anos, e à sexta feira e sábado. Estes últimos não são muito rentáveis para quem joga ao fim de semana, pois se tivermos jogo sábado à tarde o treino da manhã fica sem efeito. Praticamente ficávamos com dois treinos semanais e isso fez com que, juntamente com o aumento de atletas, surgisse a necessidade de alugarmos um pavilhão com o acréscimo no orçamento desse custo. Essa é a nossa principal dificuldade.

Das várias equipas da APROJ todas são femininas. Isso é uma característica da própria modalidade, que desperta mais interesse nas mulheres, ou é uma prioridade do clube?
Não, acho que é algo que vem mesmo da modalidade. Já tivemos uma equipa masculina em competição, mas eram atletas de vários escalões que conseguimos inscrever num torneio através da AVP (Associação de Voleibol do Porto).
Todos os anos temos três ou quatro atletas masculinos e nunca conseguimos formar uma equipa. Temos dois elementos a treinar connosco que nunca chegaram a competir. Às vezes fazem torneios de duplas, mas é o máximo que temos conseguido dar a esses atletas, porque torna-se difícil a adesão de rapazes ao voleibol.
As meninas não são a nossa prioridade. Até gostávamos de formar uma equipa masculina, mas é bastante difícil conseguir nove ou dez atleta,s dentro da mesma idade, para formar uma equipa e os colocar a competir.
Acho que é uma predisposição do voleibol que tem mais aceitação junto das meninas.

Que balanço faz da última época desportiva?
É muito positivo porque tivemos um aumento de atletas e esse crescimento permitiu-nos fazer uma escolha melhor para os jogos. Em termos de classificação temos um escalão que, na época passada, era de iniciados, que já consegue mostrar alguma coisa. A APROJ está habituada a aparecer no fundo da tabela e esta equipa conseguiu ficar a meio nos campeonatos regionais e num torneio, que se realiza depois dos campeonatos, alcançou um bom nível nacional.
As nossas juvenis, que começaram a jogar mais tarde comparativamente às adversárias, que começaram a jogar juntas muito mais cedo, conseguiram uma prestação engraçada. Também fizemos uma aposta num treinador com uma larga experiência, campeão várias vezes, tanto no feminino como masculino, quer regional quer nacional, selecionador de voleibol de praia, que também deu os seus frutos.

E para esta época quais são as expetativas?
Esperamos conseguir igual ou melhor. O treinador teve que sair, mas temos outro que entra este ano que tem a mesma experiência e arcaboiço, pelo que as expetativas são boas. Praticamente todas as atletas continuam de um ano para o outro, à exceção do escalão de juniores, que perdemos porque as jogadoras terminaram o ciclo. No entanto, temos um novo a entrar, de iniciadas. Os nossos treinadores também têm formação e começámos a ter atletas de juniores a assumirem a função de treinadoras adjuntas.

Procurar um quadro técnico com melhor formação é uma aposta da coletividade para começar a progredir em termos desportivos?
Claro. Agora já se começa a exigir algum tipo de resultados. Já sentimos que as atletas querem fazer mais, treinar mais. Mesmo os pais já não vêm ver os jogos por ver, gostam de ver a equipa ganhar. Já se apercebem que as atletas conseguem fazer mais e exigem isso à própria associação. Agora não basta ter treinadores de Nível 1 ou professores de Educação Física. Temos de apostar forte no quadro técnico para também podermos corresponder às expetativas das atletas e dos pais.

E a APROJ está preparada para dar resposta a essa exigência no que diz respeito aos quadros técnicos?
Sem dúvida porque também é um investimento. Mas para isso temos de fazer uma boa oferta para que os treinadores deixem outros clubes para vierem para S. João da Madeira, que não tem historial nenhum de voleibol, e temos de lhes dar condições para poderem trabalhar.
Temos que fazer um investimento maior em tudo, desde disponibilidade até ao orçamento. Mas com o número de atletas a aumentar temos conseguindo colmatar o investimento. Além disso, treinadores mais qualificados também nos dá um valor maior em termos de contrato programa com a câmara municipal.

Então o caminho que a APROJ tem vindo a percorrer tem tornado a coletividade mais apetecível para os treinadores?
Estamos numa fase em que já sabem quem é a APROJ e de onde é. Acho que estamos a caminhar nesse sentido. Aliás, os treinadores com quem temos falado gostam do projeto e da ideia, e acham que a coletividade está a crescer e isso é aliciante para os técnicos porque têm margem para trabalhar.
Acho que a nossa melhor arma para aliciar treinadores a virem para cá é o projeto ser novo e poderem moldá-lo como pretendem e contribuírem para o crescimento do clube.
O novo coordenador vem de um ciclo de três anos do Esmoriz e este ano está a prever, daqui a um ano ou dois ter um determinado número de atletas, atingir um determinado patamar para um escalão. Acho que daqui a algum tempo, quando o voleibol de S. João da Madeira começar a ganhar mais visibilidade, os treinadores vão querer vir para aqui.

A cerca de meio ano do final do mandato, como é que gostava de deixar a APROJ?
Gostava de deixar os escalões mais novos completos. Dessa forma sinto que deixava assegurada a vitalidade da APROJ por dois ou três anos, ou até mais. Gostava ainda de ter a equipa que este ano vai ser de cadetes apurada para o Nacional. Acho que as atletas têm potencial, trabalham bem e são cumpridoras. Era também uma forma de mostrar que a APROJ, ao fim de alguns anos, tem capacidade de ter uma equipa no nacional.
Nas restantes secções da coletividade está tudo a correr bem.

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