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Devolver a praça às pessoas é um dos compromissos assumidos pelo PAN – Pessoas - Animais - Natureza, que concorre pela primeira vez em S. João da Madeira

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Nova Praça Luís Ribeiro é “contranatura”

FOTO: Rui Guilherme
FOTO: Rui Guilherme
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Devolver a praça às pessoas é um dos compromissos assumidos pelo PAN – Pessoas - Animais - Natureza, que concorre pela primeira vez em S. João da Madeira

Andrea Domingos
47 Anos
Ex-professora do 1.º ciclo do ensino básico; atualmente auxiliar de veterinária

Lemos no site do PAN que esta candidatura em S. João da Madeira (SJM) “surge da vontade de redefinir prioridades através de uma forma diferente de fazer política”. Como é que vão marcar a diferença?
Somos um partido de causas, composto por pessoas de causas, a maioria estreante na política. Não temos vícios, portanto.
Queremos que a política seja para todos. Pretendemos democracia e igualdade. Como? Por exemplo, a nível da habitação. A habitação social é tida como um estigma. Por norma, quem vive em casas de habitação social é “rotulado” de desfavorecido e continuamente estigmatizado.
Ora, temos de ajudar a acabar com esse “rótulo”, seja criando habitação para todos e não habitação social, seja dando condições para que os espaços onde vivem sejam iguais a todos os outros. Tudo isto cabe às autarquias.

PAN quer habitação para todos em vez de habitação social
Quer dizer com isso que deveria deixar de haver habitação social e passar a existir habitação para todos?
Sim. Porque assim deixaríamos de estigmatizar, não é?

Então, na sua ótica, este “dossiê” em SJM não está a ser devidamente trabalhado?
Penso que não. Atenção que com isto não estou a dizer que foi tudo mal feito. Mas temos de alterar o paradigma, não só localmente mas também a nível nacional. As pessoas devem fazer parte de um todo, sem estigmas! Aqui, em SJM, tratando-se de uma cidade e um concelho pequenos, era interessante arrancarmos com o projeto da habitação para todos, começarmos a tentar marcar essa diferença.

Ou seja, uma das vossas aspirações é iniciar em SJM um projeto-piloto que depois se estenda ao resto do país.
Queremos que SJM possa, digamos assim, ser o berço de algumas experiências piloto, com repercussão a nível nacional.

SJM é um concelho inclusivo?
Em termos de mobilidade e acessibilidade, não. Não estou a falar apenas de acessos aos edifícios, mas também, e sobretudo, dos passeios, ruas, etc.. Além disso, se reparar, o centro de SJM resume-se a carros e rotundas. As pessoas, uma vez mais, são esquecidas.
Acho que cada vez mais - a exemplo de outras cidades - devemos tentar retirar os carros do centro e dar acesso a ciclovias e aos transportes públicos. Nós, no PAN, queremos criar parques de estacionamento na periferia e fazer com que todas as pessoas, inclusive as portadoras de deficiência, possam ter acesso ao centro da cidade. Queremos dar prioridade às pessoas.

Então que fariam no sentido de devolver o centro às pessoas?
Não interditávamos totalmente a circulação rodoviária, porque temos de ver que há determinadas zonas com espaços comerciais, em que é preciso fazer cargas e descargas de mercadoria. Mas o que realmente faz sentido é que tenhamos acesso ao centro através de transportes públicos e não que cada um de nós leve o seu carro até lá. Além disso, apostávamos em ciclovias, reestruturando as que já existem e criando novas.
Isto não se faz num ano, nem em dois, nem em três. Tem que haver um pacto para que haja continuidade. Temos de trabalhar em conjunto, independentemente da cor política, para que determinadas temáticas possam avançar no tempo. Caso contrário, nunca mais “saímos da cepa torta”.

Qual a vossa opinião acerca do projeto de reabilitação da praça?
Tivemos uma reunião com a câmara onde nos foi facultado o projeto, que neste momento estamos a analisar. Houve uma abertura da parte da autarquia para que pudéssemos dar algumas ideias, o que vamos fazer a seu tempo.
Claro que, quando olhei para aquilo, disse imediatamente que estávamos perante um retrocesso. Achamos quase contranatura que a autarquia e os sanjoanenses tenham aprovado uma obra que irá esquecer as pessoas e que novamente dará lugar aos automóveis.

“Somos contra o regresso do trânsito ao centro da cidade”

Mas o projeto contempla, além do regresso do trânsito, a criação de uma barreira arbórea para separar veículos de pessoas…
Somos contra o regresso do trânsito ao centro da cidade, independentemente da forma como o possam fazer. Plantar umas árvores para criar uma barreira por causa do som, etc., é insuficiente.
Uma coisa que me espanta é que na reunião o senhor presidente disse que desde 2014 que anda a ser feita uma consulta aos sanjoanenses sobre o que pretendem para a praça. A sério que me custa a crer que os sanjoanenses vejam que o melhor para eles é voltar a ter carros no centro.
“Rebentaram” com algo que há 20 e tal anos tinha um significado para eles. “Rebentaram” quando podiam antes tê-lo retirado dali e posto num outro local.

Está a falar do Elemento Arquitetónico?
Exatamente.

Concordam com a sua demolição?
É verdade que o monumento estava praticamente ao abandono. Mas, se estava, deviam antes diligenciar para dinamizá-lo através de iniciativas. O que fizeram foi pôr dinheiro ao lixo.

Já foi à praça depois da demolição?
Sim. Na altura, questionei-me: “e agora?”. Agora andam lá a fazer atividades ao fim de semana e à noite, argumentando que é para revitalizar o comércio de rua, “bla, bla, bla”.

Aliás, dizem que é com o intuito de “revitalizar o comércio” que pretendem fazer regressar o trânsito à praça.
Alguém me explica como querem revitalizar o comércio quando abrem espaços comerciais uns atrás dos outros? É evidente que o centro vai ficar vazio, as frutarias que abrirem fecham logo a seguir, as poucas lojinhas que há de roupa fecham logo de seguida. Temos, antes, é de criar atividades de rua, que tragam as pessoas à praça.

A promoção de iniciativas deveria estender-se ao logo do ano?
Exatamente. Nenhuma cidade vive só do verão ou só do inverno. As coisas têm de ser feitas ao longo do ano. A cultura é para todos!

“Se há dinheiro para fogos de artifício por que não há dinheiro para dar cultura às pessoas?”

Acha que neste momento a cultura é só para alguns?
Sim. A partir do momento em que temos espaços, como a Casa da Criatividade, em que a esmagadora maioria dos espetáculos é paga.
Deveria haver um leque mais abrangente de iniciativas. Podemos auscultar a população e perguntar-lhe o que gostava de ver, sentir, participar. Defendemos a transparência e a participação.

“Transparência e Participação” é um dos vossos eixos programáticos.
Sim, é. Temos de criar mecanismos para aproximar a população, que está cada vez mais afastada de tudo o que envolve a política. Se há dinheiro para fogos de artifício por que não há dinheiro para dar cultura às pessoas? Para lhes proporcionar, por exemplo, uma grande ópera ou a reflexão sobre um bom livro?

As pessoas estão arredadas da política. A que se deve isso?
Deve-se a quem tem vindo a gerir a câmara, à forma como gere, aos assuntos a que dá prioridade.

Um dos compromissos do PAN é reforçar as verbas do Orçamento Participativo Municipal (OPM).
Estamos de acordo com o OPM, defendendo, inclusive, que a verba deve ser reforçada. Esta oportunidade que é dada às pessoas tem de chegar a todos. As pessoas têm de saber que a têm, que podem participar. Cabe à autarquia informar como podem fazê-lo.

Há pouco falou nas ciclovias e no reforço dos transportes públicos. Em seu entender, a atual rede de transportes públicos não é suficiente?
Não, não é.

Segundo o PAN, é primordial que o Município incentive práticas amigas do ambiente.
Quando damos prioridade à “Mobilidade e Acessibilidade” falamos sempre em criar meios de mobilidade suave. Claro que não conseguimos fazer esta alteração hoje, agora. Porque tem de se melhorar as acessibilidades, implantando as ciclovias e dando prioridade aos transportes públicos e retirando aos poucos os automóveis do centro.

Qual é a vossa posição em relação à Linha do Vouga?
A sua reestruturação é uma das nossas preocupações. Defendemos os transportes públicos. Portanto, não faz sentido que as pessoas deixem de ter a linha ferroviária para depois andarem de carro.

O que é que os seniores podem esperar do PAN?
A autarquia tem como função ajudar também os idosos. Quando digo ajudar não é mandar lá a casa uma assistente social. Convém sermos nós a ir ao seu encontro. Vamos envolver os jovens a fazer voluntariado e a ajudar os idosos. Vamos sensibilizar para o envelhecimento, para que as pessoas na reta final das suas vidas tenham dignidade e possam ser ajudadas, e não serem como um farrapo que de vez em quando se vai lá a casa tratar.

O albergue vai resolver o problema do abandono de animais?
Como se explica que as obras do dito albergue [projeto vencedor do OPM 2014] estejam por concluir? E como se explica que estiveram este tempo todo só para construir quatro boxes, sem pôr saneamento nem água? Não vai resolver o problema. É ridículo!
De imediato terá de se apostar num novo espaço ou aumentar o número de boxes, para rapidamente poder acolher de forma digna os animais do Município, enquanto o CRO intermunicipal não recebe animais, e procede às devidas reestruturações, tão necessárias para fazer cumprir a legislação em vigor.
Além disso, deve proceder-se à esterilização e castração de animais e apostar em boas práticas de adoção de animais.

“As pessoas que estão comigo são de terreno e não de gabinete”

O abate de árvores justifica-se quando?
Situações trágicas, como a da Madeira, acontecem porque as pessoas não estão despertas para a importância da prevenção e por se tratar de uma árvore. Temos outras coisas, supostamente, mais prioritárias do que ver se a árvore está doente ou não.
No caso da Madeira, viu-se que a junta alertou para o perigo, mas a câmara parecia ter outras prioridades. O abate não é justificado com o facto de a árvore estar grande, mas por estar doente.
Para que isto não aconteça temos de prevenir. Na autarquia temos pessoas competentes, que percebem do assunto, que devem sair dos gabinetes e ir para o terreno. Tenho a certeza que o nosso grupo de trabalho vai fazer a diferença. As pessoas que estão comigo são de terreno e não de gabinete.

Que tem a dizer sobre os espaços verdes sanjoanenses?
São insuficientes e não são bem tratados. Não nos devemos focar nos espaços verdes do centro da cidade. E à volta? E a periferia como está a nível de espaços verdes? Já viu como está o Parque de Nossa Senhora dos Milagres em termos de limpeza?
Os nossos cursos de água são outros que tais, deixados para segundo plano, que só é lembrado nestas alturas, para parecer bem.

O que se passa com o “cheiro a Casqueira”?
Não entendo como é que as autoridades que são obrigadas a fiscalizar dizem que não veem nada demais. Alguma coisa se passa. Se ao longo dos anos, várias pessoas e vários partidos já falaram na temática, se o assunto já foi, inclusive, à Assembleia da República e mesmo assim continua-se a olhar para o lado, só entendo isto como havendo interesses maiores, que não o bem-estar das pessoas.

Qual a estratégia do PAN a nível ambiental?
Para além da recolha seletiva porta a porta, existem outras boas práticas que poderiam ser implementadas de forma simples, recorrendo uma vez mais à sensibilização junto dos mais novos e usando uma política de proximidade indo ao encontro da população.
Assim, e desenvolvendo um conjunto de boas práticas, seja ambientais e de sustentabilidade, seja de mobilidade e acessibilidade, seja até do bem-estar animal e não abandono, SJM poderia ser o berço de projetos pilotos (através de parcerias), não só a nível industrial, devido à sua dimensão, assim como poderia candidatar-se a diferentes projetos europeus que levam outras cidade portuguesas a concorrer. Caso de Guimarães, que é candidata a Capital Verde Europeia.

“Não estamos a dois minutos da Feira (…). Temos trânsito e infelizmente as ambulâncias não voam”

Que me diz acerca do hospital?
Faz algum sentido, no caso de uma urgência grave como um problema cardíaco, uma pessoa morrer pelo caminho em direção à Feira por não quererem dar assistência aqui? Não estamos a dois minutos da Feira. Pode acontecer muita coisa até lá. Temos trânsito e infelizmente as ambulâncias não voam.
Sabemos que a decisão sobre o funcionamento ou cancelamento de serviços de saúde é da competência do poder central. Mas cabe ao poder local “lutar”, mostrando a necessidade dos serviços de saúde. O poder local deve lutar pelos sanjoanenses, eles merecem.

São a favor da integração de Milheirós de Poiares no concelho?
Acredito que ninguém gosta de perder uma freguesia. É muito complicado dizermos que estamos a favor ou contra. Acho que devemos estar a favor daquilo que é melhor para as populações, daquilo que as serve. Cabe a ambas as autarquias (a que vai perder e a que vai ganhar uma freguesia) informar devidamente as populações de tudo. Se vão servir condignamente as pessoas a nível de assistência de saúde, postos de saúde, etc., etc..

Caso seja eleita, vai assumir funções independentemente do cargo?
Para aceitar sair do meu trabalho e exercer outra profissão tem de ser algo que vá ao encontro da minha maneira de ser. Sou muito de contacto com as pessoas e os animais.
A minha hesitação deve-se ao facto de sabermos que estes cargos estão formatados para que as pessoas vivam “fechadas” em salas de reuniões, em gabinetes, rodeadas de burocracia e burocratas etc., afastando-se daquilo que realmente é importante, que é ver as necessidades das populações no terreno, ver as situações in loco. Se a formatação fosse outra de imediato não hesitaria.

Quais as expetativas do PAN em termos de resultados?
O objetivo da candidatura é conseguir alguém de imediato na assembleia municipal (AM). E se conseguir um lugar de vereação será excelente!
Mas também pretendemos combater a abstenção. Em 2013, em SJM houve 50.72% de abstenção. Isto é muito! Queremos fazer com que as pessoas percebam que a democracia, a igualdade, está em votar. Temos que mostrar-lhes porque têm de votar, que o voto é um direito que lhes assiste, algo que em muitos países as pessoas não têm acesso.

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