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A preparação da nova época do andebol alvinegro está no bom caminho e são várias as novidades apresentadas. Para além do reforço no escalão de juvenis a secção aposta na criação de uma equipa de sub23 que, segundo José Pedro Silva, responsável pelo andebol da Associação Desportiva Sanjoanense, servirão de apoio ao plantel principal que, à semelhança da última época, terá como objetivo lutar pela subida de divisão

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“Se subíssemos iria ser um choque porque a Sanjoanense não está habituada a um ritmo de trabalho de uma 1.ª Divisão”

FOTO: Direitos Reservados
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A preparação da nova época do andebol alvinegro está no bom caminho e são várias as novidades apresentadas. Para além do reforço no escalão de juvenis a secção aposta na criação de uma equipa de sub23 que, segundo José Pedro Silva, responsável pelo andebol da Associação Desportiva Sanjoanense, servirão de apoio ao plantel principal que, à semelhança da última época, terá como objetivo lutar pela subida de divisão

Labor: Já a preparar a próxima temporada, que análise faz da última época do andebol alvinegro?
José Pedro Silva: Foi uma sequência das duas temporadas anteriores. Reforçámos gradualmente os técnicos da formação e procuramos criar uma organização diretiva que fosse quase autossuficiente e que tivesse um diretor por escalão, coordenador desportivo e outro diretivo. Queríamos arrumar um bocadinho a casa, mas isso não pode ser feito tudo de uma vez, tem de ser aos poucos.
Esta época terminamos com tudo montado. Trouxemos alguns treinadores e demos sempre preferência a técnicos que pudessem jogar nos seniores.
Tanto no masculino como no feminino sentimos uma evolução muito grande nos jovens. Tivemos uma equipa de juvenis masculinos que lutou pelos primeiros lugares nacionais até aos últimos jogos e 80 por cento dessa equipa ainda se mantem no mesmo escalão. Os seniores fizeram o que há muito tempo não se fazia. Há 31 anos a Sanjoanense esteve na 1.ª Divisão e depois disso nunca mais disputou uma fase de subida até esta época. A equipa que subiu e que foi campeã nacional (S. Bernardo) ficou a trás de nós na fase regular. Falhámos um bocado na fase final e acabámos por não conseguir a subida, mas acho que foi um campeonato muito positivo. Conseguimos captar muitas pessoas para os jogos, e temos como exemplo uma partida que decorreu em simultâneo com um Benfica-Sporting, em futebol, e tivemos no pavilhão cerca de 500 pessoas a ver um encontro da fase final. Era esse envolvimento que pretendíamos antes dar outros passos que acabam por ser naturais quando isso acontece.

No que diz respeito à equipa sénior, como vê o final de temporada depois da excelente época realizada?
Foi, provavelmente, o pior momento em termos de performance na equipa. Penso que tivemos uma quebra de forma numa altura em que deveríamos ter um pico. Não houve, por parte dos jogadores, nenhuma má reação às derrotas. Os atletas deram sempre o máximo, mas fomos infelizes. Recordo-me do primeiro encontro da fase final, em Setúbal, em que o adversário empatou o jogo com um livre de sete metros, extremamente duvidoso, já depois do fim do tempo regulamentar. Tivemos depois em casa um jogo que perdemos por um golo, mas a três minutos do fim vencíamos por cinco. Esses dois encontros, se tivéssemos vencido, deixavam-nos, na altura, em primeiro lugar. Isso criou muito nervosismo no grupo. Seguiram-se alguns jogos em que houve uma reação muito forte nossa e conseguimos, num campeonato de nove jogo, três empates, que é pouco usual acontecer no andebol.
Chegou-se a um ponto em que tínhamos de ganhar os últimos três jogos para subir. Vencemos o primeiro, mas, no segundo, em Guimarães, senti a equipa muito nervosa e completamente diferente do habitual, com alguns jogadores completamente irreconhecíveis devido à pressão. No último encontro, em casa, com o S. Bernardo, foi um jogo atípico. Houve algum relaxamento e acabamos por perder a partida.
Houve alguma frustração, mas da parte da direção não existia uma obsessão com a subida. Queríamos estar lá em cima e ter uma equipa competitiva na 2.ª divisão e conseguimos isso tudo e, por isso, acho que o objetivo foi cumprido. A cereja no topo do bolo, que era a subida, irá acontecer. Não estamos obcecados.

Com o final da época já para trás e analisando de cabeça fria o desfecho, acha que o facto da Sanjoanense ter falhado a subida de divisão pode, de alguma forma, ter sido positivo devido às exigências financeiras e logísticas que isso traria?
Se subíssemos iria ser um choque porque a Sanjoanense não está habituada a um ritmo de trabalho de uma 1.ª Divisão. É por isso que este ano vamos mudar algumas coisas. O treino vai ser diário e deverá passar de 1h30 para 2h. Vamos procurar criar hábitos que existem mais acima.
A nível orçamental é obvio que seria mais caro porque há mais jogos, muitas deslocações às ilhas e ao sul, mas penso que também iriamos ter possibilidade de ter acesso a outro tipo de fundos porque a visibilidade seria completamente diferente.
Relativamente ao aspeto logístico também seria necessária alguma adaptação. Numa primeira divisão os jogos são ao fim de semana e, pontualmente, à quarta-feira à noite e podem ter bilheteira. A opção é nossa e, nesse caso, o pavilhão terá de estar fechado, pelo menos, uma hora antes e uma hora depois do jogo.
O Pavilhão das Travessas é o único em S. João da Madeira homologado para jogar andebol, pelo que os jogos teriam de ser obrigatoriamente aqui, ou fora da cidade, que estava completamente fora de questão.
Essa situação foi colocada à câmara municipal e foi-nos dito para não nos preocuparmos porque era um problema deles e que seria resolvido.

Como tem decorrido a preparação da nova temporada?
Tem sido muito atribulada. É sempre complicado formar a equipa de treinadores porque os que queremos, que são os melhores, têm sempre convites. Ainda assim, noto uma diferença muito grande relativamente ao primeiro ano que cá estive. Antes tinha muita dificuldade em abordar treinadores porque não queriam vir para a Sanjoanense, mas neste momento isso não acontece. Sabem que se trabalha, que há organização e que cumprimos com o que prometemos, mas também vamos ser muito exigentes. Neste momento temos uma pessoa, que é o Rui Bandeira, que vai fazer a coordenação técnica e vai haver muita exigência. Vamos ter planos que os técnicos terão de cumprir, senão irão ser chamados à atenção por isso. Queremos colocar o máximo de rigor naquilo que fazemos.

Então quais são as principais novidades para esta nova época?
Nos juvenis investimos num novo treinador, o Saúl Alves, que é reconhecido com um dos melhores técnicos de formação e vamos reforçar a equipa com cinco novos atletas que vêm de fora, sendo que três são do Feirense e dois do Gaia. Vamos apostar forte nos juvenis.
Nos seniores também temos algumas novidades. Na última época tínhamos 22 atletas e como não temos tido juniores nos últimos anos decidimos criar uma equipa de sub23, que será o equivalente aos seniores B, que vai disputar a 3.ª Divisão. Vai contar com uma série de atletas que sobem ao escalão de juniores e com alguns seniores menos utilizados este ano. Vamos ter, assim, um plantel mais reduzido na equipa principal que passa de 22 para 18 jogadores, enquanto os sub23 terão 15 atletas.
Reduzimos o plantel principal com a passagem de três elementos para a equipa B e a saída de mais dois jogadores, e registamos apenas uma entrada, que é o Diogo Tabuada, que foi campeão nacional pelo S. Bernardo. É um lateral direito esquerdino experiente que já jogou na 1.ª Divisão e esteve nas seleções nacionais jovens.
Na equipa principal o núcleo base está lá e depois temos atrás um leque muito grande para, a qualquer momento, servir de apoio.
Os juvenis serão lançados numa das duas equipas seniores, dependendo do potencial dos jogadores e da ligação dos treinadores, procurando dar aos jovens o ritmo das formações principais. Ao trabalhar desta forma queremos acelerar o crescimento dos jogadores.
São alterações que vão dar muita competição aos elementos menos utilizados.

E porque essa alteração de estratégia nesta altura?
Sentíamos que os atletas que passavam de juvenil a júnior, e com a ausência desse escalão, tinham de ser muito bons para integrar a equipa sénior, e durante esse período perdiam qualidade, abandonavam a modalidade ou ganhavam peso. Optámos por esta estratégia e achamos que este é o caminho que devíamos seguir.

Apostar na contratação de atletas juvenis não é desvirtuar a política que o clube defende de dar prioridade à formação?
Não. Os nossos planteis estão sempre abertos na formação a jogadores de qualquer local. Temos no clube atletas de muitos sítios daqui de perto. Como esta é uma equipa que já consideramos como de pré-competição, têm de ser miúdos já identificados com capacidade para depois singrarem na modalidade. Achamos que esse é o caminho. Temos de começar a construir a equipa para depois os atletas saltarem para o plantel principal. E só com uma equipa forte é que os outros jogadores também se desenvolvem.

Outra novidade é a renovação do comando técnico da equipa sénior. Como é que surge a aposta no Nuno Silva, um técnico com experiência de 1.ª Divisão?
É um treinador que já conheço há muito tempo, não pessoalmente, mas pelo trabalho que tem realizado. Está identificado como um dos grandes técnicos promissores do andebol nacional e fez um excelente trabalho nas últimas duas épocas.
Foi uma das primeiras opções. Sabia o que tínhamos feito no ano anterior e ficou agradado com a proposta apresentada. Foi muito fácil chegar a acordo.

A aposta passa por dar continuidade ao trabalho que o Nuno Baptista desenvolveu ao longo dos últimos três anos?
Claro. Foi por reconhecermos o trabalho de qualidade do Nuno que renovamos com ele duas vezes. Mas no desporto há poucos Alex Ferguson. Há um desgaste muito grande quando se lida com um grupo e quando a distância entre atleta e treinador diminui à medida que os anos passam pode criar situações difíceis de gerir. Foi uma opinião da direção e do Nuno renovar um bocado as coisas.

E quais é que são os objetivos para a equipa sénior para a nova época?
Serão os mesmos do ano passado. Vamos voltar à zona Centro, que não é a mais complicada. Deveremos ter dois clubes que também têm aspirações de passar à segunda fase, que garante automaticamente a manutenção. Temos uma equipa para disputar o título nacional, tal como no ano passado.

A Sanjoanense assume-se, então, como candidata à subida à 1.ª Divisão?
Sim, não vamos baixar a fasquia. Vamos manter e continuar com o mesmo objetivo. A equipa é forte o suficiente para nos permitir pensar nisso e, com isso em mente, vamos jogar para ganhar os jogos todos. Se o treinador conseguir que os atletas trabalhem bem os jogadores têm muito para dar. Será difícil fazer melhor do que o que o Nuno Baptista fez na primeira fase, mas espero que a segunda fase seja melhor.

Para a nova época apostam numa equipa de sub23 e no reforço do escalão de juvenis. Faz parte dos projetos da secção trazer de volta uma equipa sénior feminina?
Quando entrei para aqui disse que era meu objetivo ter duas equipas de seniores, uma masculina e feminina, e foi isso que fizemos. No ano seguinte já não demos continuidade porque eram poucas as atletas disponíveis e houve alguma falta de compromisso da parte delas. Chegou-se a ter treinos com duas ou três jogadoras e fiquei um bocado triste com isso e no ano seguinte já não demos continuidade à equipa. Para nós, diretores, é um esforço muito grande e muitas vezes os atletas não reconhecem isso. Para que tudo funcione é necessário ter por trás uma formação forte e nós não temos porque houve um vazio no passado.

Não está, então, no seu projeto apostar novamente no escalão de seniores femininos enquanto a formação não for suficiente para assegurar a continuidade da equipa?
Não. Criava já o escalão de seniores femininos se tivesse uma equipa de juvenis com 16 ou 17 atletas que estivesse a subir em bloco e que fossem substituídas pelas iniciadas. Nesse caso podíamos criar uma equipa sénior e, se calhar, convidar outras atletas da Sanjoanense, mais velhas, espalhadas por outros clubes, para fazerem parte do projeto. Gostava de fazer isso, mas neste momento não temos condições para fazer esses convites nem temos uma estrutura que permita dar garantias de um trabalho de qualidade.

Tendo em conta todo o trabalho que a direção tem realizado e que se tem refletido nos resultados desportivos, não só nos seniores, mas também na formação, acha que a Sanjoanense está a dar os passos certos para, daqui a pouco tempo, ser considerada uma das potencias do andebol nacional?
O nosso objetivo é esse. Queremos estar entre as melhores equipas de formação nacional e a consequência natural disso é ter uma equipa sénior na 1.ª Divisão. Quando pegámos neste projeto foi numa altura em que já havia um vazio na formação há vários anos e a equipa sénior, apesar de ser jeitosa e dos atletas serem todos de cá, estava a envelhecer. Sabíamos que passado cinco ou seis anos ou mantínhamos os jogadores da casa e íamos jogar para o fundo da 3.ª divisão, ou apostávamos em jogadores de perto para reforçar a equipa e mantínhamos ou subíamos o patamar. Para fazer isso tínhamos de ir buscar bons jogadores porque não tínhamos alternativa, já que nos últimos anos o andebol trabalhava mal e não produzia atletas para a equipa sénior e não fazia captação. Hoje isso não acontece. Temos muitos atletas nos escalões mais jovens bem trabalhados e isso vai começar a fervilhar e vão começar a aparecer jogadores. Se forem excecionais não ficam cá e, por isso, não temos interesse em fazer equipas dependentes de um ou dois jogadores, têm de ser homogéneas e fortes.

Num curto espaço de tempo o andebol alvinegro sofreu uma grande revolução ao ponto de, atualmente, os objetivos da equipa sénior passarem pela subida à 1.ª Divisão Nacional. A que é que se deve esta mudança tão grande no andebol da Sanjoanense?
Quando pegámos nisto não trazíamos nenhuma formula mágica nem nenhum planeamento muito objetivo. Na altura o que pretendíamos era recuperar o clube e acho que havia vontade de muita gente em dar o contributo, mas é preciso que apareça alguém que os junte. Recordo-me que no primeiro ano que cá estive, e disse-o muitas vezes, que não me importava de fazer tudo, mas no ano seguinte isso não podia acontecer. Tenho de criar uma estrutura que garanta que tudo funcione de forma autónoma. Neste momento é o que acontece e se tiver que voltar a fazer tudo outra vez alguma coisa está mal.
Quando se paga exige-se e pode-se ser ditador, mas quando se trabalha com voluntários temos de ser muito democráticos.
Neste momento temos alguns diretores, coordenadores e treinadores na secção e são todos autónomos. Só os problemas graves é que chegam a mim.
Acho que o segredo é isso. As pessoas têm de sentir que estão a fazer bem e têm de ter alguma autonomia. Isso às vezes trás problemas, mas depois temos de os resolver.

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