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Entrevista a Andrea Domingos, candidata do PAN à câmara municipal

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“Jogo do empurra e do diz que disse nada tem a ver comigo”

FOTO: Rui Guilherme
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Entrevista a Andrea Domingos, candidata do PAN à câmara municipal

Natural de Namibe, ou Moçâmedes como era conhecida antigamente, Andrea Domingos veio para Portugal, mais concretamente para a Figueira da Foz, com seis anos de idade. Nesta cidade portuguesa “à beira-mar plantada” estudou até ao 10.º ano. Entretanto, no início dos anos 90, regressou a Angola, onde concluiu o secundário. Na altura, trabalhava durante o dia e estudava ao final da tarde.
Hoje com 47 anos, é auxiliar de veterinária numa clínica em Arrifana (Santa Maria da Feira) há pouco mais de um ano. Tem ainda os cursos de treinadora e de grooming. Mas para trás está uma carreira dedicada ao ensino, que teve de deixar por motivos de saúde.
Andrea Domingos foi, durante mais de 10 anos e em várias partes do país, professora do 1.º ciclo do ensino básico. Começou a sua formação académica na Universidade de Aveiro, onde tirou um bacharelato. Seguiram-se, depois, uma Licenciatura em Educação, no Instituto Superior de Educação e Trabalho (Porto), e uma Pós-graduação em Direitos Humanos, esta última “relacionada com o trabalho de voluntariado que fiz em Angola”.
Em Santa Maria da Feira, além de trabalhar, a candidata do partido Pessoas, Animais e Natureza (PAN) à Câmara Municipal de S. João da Madeira também vive há já oito anos.




Quem é a candidata Andrea Domingos?
Sou uma pessoa simples. Vivo muito das minhas raízes, daquilo que “bebi”, da “fonte” [em Angola] e do meu pai essencialmente. Vivo o dia-a-dia para ajudar os outros. Se sentir que hoje no trabalho faço algo bem já fico feliz.
Não sou dada a bens materiais. Ter coisas nada tem a ver comigo. Acho que vivo da partilha com os outros, com o todo. É assim que me sinto bem. Adoro ter amigos, adoro pessoas que partilhem das minhas ideias, o que não significa que não aceite que tenham ideias diferentes.

O que a levou a ser auxiliar de veterinária?
Motivos de saúde levaram-me a não poder continuar a fazer aquilo mais gostava de fazer. Com 38 anos deixei de poder lecionar. E, de repente, fiquei sem chão.
Foi uma fase da vida muito complicada, pois estava numa idade em que as pessoas já são consideradas velhas para trabalhar e, além disso, tinha habilitações literárias a mais.
Mas, aos poucos, fui tentando ver outros caminhos. Nessa altura, fiz mais formações, para além das que tinha. E o meu percurso de vida começou a fazer sentido dentro da causa animal. Comecei a trabalhar mais com animais. Surgiu a oportunidade de fazer um curso de auxiliar de veterinária. Entretanto, também já andava a fazer o curso de treinadora. E depois fiz um curso de grooming.

Como é o seu dia-a-dia?
O meu dia começa cedo e a alimentar os meus animais. Primeiro, alimento os de casa (uma cadela e duas gatas). E depois os da rua. Agarro no saco de ração e em dois garrafões de água e vou alimentar uma colónia de gatos “autorizada”, digamos assim, porque estou a controlá-la, que tenho em Santa Maria da Feira. Tem uma casinha, bebedouros e os cerca de 10 gatos estão todos esterilizados. Todos têm nome e já sabem a hora a que apareço.
A seguir, preparo-me para ir trabalhar, venho a correr almoçar a casa. Vou passear a minha cadela e ver como estão as gatas. E, depois, lá vou a correr outra vez para o trabalho. Mesmo com os animais da clínica, antes de sair, tenho aquela preocupação de ir ver se está tudo bem, se as medicações são tomadas, se a alimentação está feita, se estão limpinhos.
É à noite que, geralmente, faço os meus contactos, falo com as pessoas, que trabalho as coisas do partido. Então, nesta fase, muitas vezes, é até à uma, duas, três da manhã, para compensar um pouco a minha indisponibilidade durante o dia.

Qual o seu lema de vida?
Viver um dia de cada vez. E também ajudar todos de igual forma.

O que a levou a fazer voluntariado?
Em Angola, fazia sentido ajudar pessoas, porque estávamos num período conturbado [de guerra], em que havia imensas “crianças-soldado” que não sabiam sequer quem eram. Na altura, procurei um colégio de freiras, que trabalhava com essas crianças. Ia para lá para estar com elas, para ouvi-las. Muitas vezes, só olhar para elas e abraçá-las era suficiente.
Eram crianças que não tinham direito à Educação, não podiam frequentar uma escola nem ir a um posto de saúde, porque não tinham bilhete de identidade. Não sabiam quem eram ou onde nasceram nem quem eram os seus pais. E, por isso, segundo a lei, não tinham direitos. Era como se não existissem, por incrível que pareça.
Quando saía do trabalho lembro-me de levar sacos de pão para dar a essas crianças que estavam na rua.
Quando vim para Portugal foi totalmente diferente: aqui as crianças são apoiadas. As pessoas têm voz. Aqui comecei a trabalhar - lembro-me que na altura já na universidade - na causa animal. Mas nunca separando as coisas, porque se tiver que ajudar pessoas ajudo.

Quando entrou para a política?
Em 2011. A política nasceu da necessidade de querer fazer mais qualquer coisa, de querer contribuir de forma positiva e efetiva para que as coisas possam vir a mudar. E também para que aquilo que ando a fazer há muitos anos não seja só algo separado, compartido, mas que faça parte de algo maior, de um todo, que contribua para mudanças. Mudanças que se esperam sempre positivas.
Quando surgiu o PAN [partido Pessoas, Animais e Natureza], disse, num primeiro momento, que “era disto que preciso: de dar o meu contributo e aprender com estas pessoas”. Percebi que havia pessoas que pensavam como eu e que fazia todo o sentido estar junto delas.

A sua experiência política resume-se ao PAN?
Sim. Bebi fontes de outros conhecimentos, ideias, mas tudo em Angola. Porque o meu pai também pertenceu à política. Começou como sindicalista, etc...
Depois quando vim para Portugal não me identifiquei com nada. Nada fazia sentido. Aliás, não me identifico com a política que vimos nos telejornais. O jogo do empurra e do diz que disse nada tem a ver comigo. Não é essa política que quero fazer.
Quero, antes, contribuir e quero, digamos assim, juntar pessoas que tenham esta mesma visão e que queiram melhorar o que está feito, sem ter que andar a criticar o que foi feito para atrás. É que nós, neste momento, temos esta visão, mas amanhã é natural que possamos ter outra e as pessoas não são livres de errar.
Portanto, se não são livres de errar, é natural que pensem de formas distintas. Agora, o que todos devemos pensar é no todo e é nisso que queremos fazer a diferença.

O PAN já a desiludiu?
O PAN nunca me desiludiu. Aliás, tem vindo a surpreender-me cada vez mais. Sinceramente, nunca pensei que o partido chegasse aonde chegou e a este nível, com representação na Assembleia da República.
No partido ajudamo-nos, apoiamo-nos. É totalmente diferente, é muito mais saudável. É uma alegria constante. Podemos falar uns com os outros sem o preconceito. Não temos isso.

De onde são as pessoas que compõem o grupo do PAN a que pertence?
O grupo autárquico que está, neste momento, em S. João da Madeira é composto maioritariamente por sanjoanenses, mas também feirenses.

Como consegue conciliar a vida pessoal, profissional e política?
Consigo facilmente. Não posso dizer que sou uma pessoa super organizada, mas tenho sempre em atenção o que é urgente, prioritário, e o que não é. O resto vou fazendo, sem stress, sendo que à noite tento ter um bocadinho para me debruçar sobre estas questões da política.
Claro que há dias em que ando um bocadinho a correr. Mas acho que tudo se faz. Se as pessoas se compreenderem e se ajudarem é fácil.

O que está “mais” na cidade de S. João da Madeira?
A zona empresarial. É fantástica. Dá trabalho a muitas pessoas e está bem conseguida. Segundo dados estatísticos, é uma zona que dá muito à economia do país.

E o que está “menos”?
A parte ambiental e animal está um pouco esquecida. Não está bem planeada. Há aqui uma falha de pensar a longo prazo. Não sei se devo chamar falha, mas é a falta de visão. As árvores existem, os espaços verdes existem, mas não estão tratados, cuidados, reestruturados. Não estão bonitos, não são locais onde nos sintamos bem, sintamos a terra, sintamos os barulhos. Estamos aqui [no Parque Urbano do Rio Ul] e praticamente não ouvimos pássaros. Já reparou?
É isto que falta. Falta sentir o ambiente, a natureza, os animais.

Como surge a sua ligação a S. João da Madeira?
Surge através da causa animal, de ajudar a associação da D.ª Teresa [AniI São-João]. Quando vim para a Feira, entrei logo em contacto com as associações locais para poder ajudar. E sempre que precisa a Teresa contacta-me. Depois, também conheço muita gente de S. João da Madeira que é reikiana, como eu.

O que a levou a aceitar o convite para ser candidata pelo PAN?
Já fui candidata, aquando das Legislativas. Era a número dois por Aveiro. Mas na altura ninguém sabia o que era o PAN. Agora fui apanhada de surpresa. Porque, na Assembleia Plurimunicipal do Vouga, há pessoas com mais tempo de partido e que estão mais contextualizadas do que eu. Há, inclusive, elementos que já pertenceram a outras forças políticas, que as deixaram há alguns anos por motivos diversos e que se juntaram a nós por se identificarem com o PAN.
Aceitei este desafio para dar visibilidade no Município de S. João da Madeira às causas e aos valores que o PAN tem vindo a defender publicamente um pouco por todo o país. A defesa da democracia de todos, a participação ativa e a igualdade para todos os seres são temáticas que hoje, mais do que nunca, têm vindo a contribuir para a mudança de consciência. Em S. João da Madeira, urge sentir-se a mudança de paradigma que já ecoa um pouco por todo o país.

O que é que os sanjoanenses podem esperar da sua equipa?
Dedicação, visão do todo, transparência, honestidade, participação. O PAN é um partido com uma visão diferente. Confiem em nós! Queremos que os sanjoanenses nos vejam como um partido melhor e, acima de tudo, que saibam que podem participar, vir ter connosco e apresentar as suas ideias.

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