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Entrevista a Ana Catarina Bento, bióloga sanjoanense que está a trabalhar em Basileia

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“Adoro o contacto com pessoas de diferentes países”

FOTO: Direitos Reservados
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Câmara Municipal de Basileia
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Lago de Zurich
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Máscaras Típicas do Carnaval
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Vista sobre o rio da cidade
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Entrevista a Ana Catarina Bento, bióloga sanjoanense que está a trabalhar em Basileia

Ana Catarina de Pinho Ferreira Bento tem 31 anos, é natural de S. João da Madeira, é Bióloga e trabalha no Departamento de Biomedicina associado ao Hospital de Basileia. O percurso educativo começou na Escola Primaria do Espadanal, continuou na Escola Secundária Oliveira Júnior e concluiu a licenciatura e mestrado em Biologia na Universidade de Coimbra. Neste momento, Ana Catarina Bento está a fazer o doutoramento na área da Neurobiologia em Basileia

O que a levou a deixar a sua cidade, o seu país?
A curiosidade de estar em contacto com outras culturas aliada à falta de oportunidades de trabalho na minha área.

O mercado de trabalho ligado à Biologia é muito pequeno em Portugal?
É um mercado de trabalho restrito em que somos financiados na maioria dos casos por bolsas de trabalho que não nos proporcionam nenhum tipo de estabilidade.

Onde está a trabalhar?
Trabalho no Departamento de Biomedicina (associado ao Hospital de Basileia).

“Estou a estudar uma nova proteína que está relacionada com a doença de Alzheimer”
Quais as suas funções na empresa?
Neste momento estou a concluir o último ano do doutoramento na área de Neurobiologia. De uma forma geral, estou a estudar uma nova proteína que está relacionada com a doença de Alzheimer.

Que funções desempenha no Departamento de Biomedicina?
Estou associada a um grupo de investigação em colaboração com o Instituto de Patologia também.

Este é o primeiro emprego fora de Portugal?
Não, anteriormente havia trabalhado na mesma área em Salamanca (Espanha).

Como foi a experiência em Salamanca?
A minha experiência em Salamanca foi fantástica. Permitiu-me abrir horizontes e ter o meu primeiro contacto internacional com pessoas de diferentes países, algo que eu adoro. Estive a trabalhar no Centro de Investigação do Cancro em parceria com uma empresa farmacêutica em Madrid.

Foi sozinha?
Sim. Tanto para Salamanca como para Basileia fui sozinha para a aventura em busca de um futuro melhor e de uma carreira profissional. Em Salamanca, por coincidência, encontrei no mesmo Laboratório uma amiga dos tempos da universidade, o que fez com que os primeiros tempos fossem bem mais fáceis.

“As condições de trabalho em Portugal ainda não nos oferecem muita estabilidade”
Quais as principais diferenças entre a experiência de Salamanca e de Basileia?
Talvez a principal diferença seja as pessoas. Em Espanha, de uma maneira em geral, as pessoas são um pouco mais abertas do que na Suíça, o que me ajudou bastante nos primeiros tempos na integração no novo país e trabalho.

Como é o mercado de trabalho ligado à Biologia e as condições de trabalho em Portugal comparando com Salamanca e Basileia?
Infelizmente as condições de trabalho em Portugal ainda não nos oferecem muita estabilidade. A nível de condições de trabalho tanto Espanha como Suíça têm um mercado que investe muito mais na ciência e por essa razão as condições a nível de salários e trabalho são melhores.

Conhece muita gente? Portugueses e estrangeiros?
Sim, conheço muita gente, mas maioritariamente estrangeiros.

Como é conviver com tantas culturas?
É algo muito aliciante. Aprendemos a respeitar muito mais pontos de vista completamente diferentes dos nossos e descobrimos novos hábitos e diferentes comidas completamente diferentes das que estamos habituados no nosso país.

“Os primeiros tempos foram um pouco difíceis”
Há quanto tempo está a trabalhar em Basileia?
Estou a trabalhar em Basileia há quatro anos.

Como foram os primeiros tempos?
Os primeiros tempos foram um pouco difíceis. Em Salamanca estava habituada a um outro tipo de sociedade onde já tinha o meu círculo de amigos formado. Em Basileia tive que recomeçar tudo do zero. Cheguei em outubro e os dias já eram muito cinzentos e chuvosos, algo que torna as coisas por si também mais tristes, e arranjar casa é um processo bem mais complicado do que em Portugal e Espanha pois somos sujeitos a uma entrevista, temos que enviar o curriculum para as agências imobiliárias. Todo este procedimento demora algum tempo e por essa razão vivi o primeiro mês num hostel até conseguir arranjar um apartamento.

Quais os pratos e bebidas característicos?
De alguns pratos que eu conheço, posso destacar a famosa raclette, o roesti (combinação de batata com queijo), a típica salsicha no pão e quanto a bebidas, a cerveja de uma maneira geral, Glühwein e Rivella.

“O Carnaval tem muita tradição e é um ponto atrativo em Basileia”
Quais as tradições?
O Carnaval tem muita tradição e é um ponto atrativo em Basileia, quer a nível nacional e também internacional.

Quais os locais emblemáticos?
A Rathause (Câmara Municipal), Spalentor (Porta Medieval emblemática da cidade com várias lojas e restaurantes típicos à volta), Museu Tinguely (com exposições permanentes de Jean Tinguely, para quem gosta de arte é um ponto forte da cidade tanto pelas obras como pela arquitetura do edifício), Fundação Beyeler (Fundação com diferentes exposições de arte e escultura, rodeada de espaços verdes) e depois o rio é outro ponto forte em especial no verão onde os imensos espaços verdes à volta convidam a piqueniques com amigos acompanhados de um mergulho.

O que distingue o local onde está?
Geograficamente, o facto de Basileia fazer fronteira com França e Alemanha permite que viajemos com muita facilidade a qualquer um destes países e também que seja uma cidade muito internacional por essa mesma razão e também porque aqui estão concentrados grandes empresas a nível farmacêutico e importantes gabinetes de arquitetura, o que contribui também para uma maior diversidade cultural.

“Basileia é uma cidade envolvida por um ambiente muito internacional”
Como são os habitantes/o povo do local onde está?
Basileia é uma cidade envolvida por um ambiente muito internacional, fruto da mescla de nacionalidades que por aqui habitam, e por essa mesma razão as pessoas são bastante abertas e acessíveis. Em geral, são amáveis.

O que mais a surpreendeu?
A simpatia e simplicidade das pessoas no seu dia a dia.

O que mais custou a adaptar?
Aos dias demasiado cinzentos e aos longos e rígidos invernos.

Há alguma expressão típica do local onde está?
Aqui existem várias expressões típicas, isto porque cada cantão tem o seu próprio dialeto, mas as mais engraçadas aqui em Basileia e que eu destacaria talvez sejam: Grüezi mitenand (a forma de dizer olá), Bis spoter (até logo), Widerluege (boa sorte) e Tschüss (adeus).

A língua foi um entrave?
Sim, a língua ainda continua a ser um entrave. Cada cantão na Suíça tem o seu próprio dialeto, uma mistura de alemão com suíço. Eu ando a aprender alemão, mas nem sempre entendo as pessoas daqui pois algumas palavras mudam completamente. No entanto, no meio onde trabalho e amigos que tenho, a língua oficial em que nos comunicamos é o inglês, o que torna tudo muito mais fácil.

Que sítios costuma frequentar?
Nos meus tempos livres gosto de explorar de tudo um pouco, desde bares, museus, concertos e atividades ao ar livre, desde que as condições atmosféricas assim o permitam.

Qual o balanço desta aventura pessoal e profissional?
O balanço é efetivamente bastante positivo, pois permitiu-me evoluir imenso tanto a nível profissional como a nível pessoal.

Do que sente mais falta?
Sem dúvida da família e depois das nossas belas praias e mar.

“Penso que quase todos os que andamos espalhados pelo mundo, um dia desejaríamos regressar ao nosso país Natal”
Do que é que sentirá falta, do local onde está, se um dia for para outro país ou regressar a Portugal?
Sentirei muita falta deste sistema organizado suíço em que quase nada falha.

Há alguma coisa que poderia melhorar em Basileia?
Muito sinceramente, no meu ponto de vista, as coisas de uma forma geral funcionam bem. Aqui, como costumo dizer, temos regras para tudo, até para os dias em que podemos despejar o lixo, mas, no entanto, é uma sociedade organizada nesse sentido e todos temos a consciência dessas regras.

Os seus planos passam por voltar a Portugal?
Essa é uma questão complicada. Gostar… gostava, pois, penso que quase todos os que andamos espalhados pelo mundo, um dia desejaríamos regressar ao nosso país Natal. No meu caso, a questão passa também pelas condições de trabalho em Portugal, que na minha área, infelizmente, são muito instáveis, o que é uma enorme pena... Somos incentivados a experimentar uma vida no estrangeiro, mas, depois, o regresso torna-se um pouco complicado e difícil de concretizar. Por estes motivos, talvez continue por aqui mais uns tempos.

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