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Fundado no passado mês de maio, o Clube A4 é o resultado de um projeto de Rita Veloso, que depois de ter criado um clube de ginástica artística em Oliveira do Bairro decidiu desafiar-se a ela própria a fazer o mesmo em S. João da Madeira.
Ainda que recente, a coletividade conta já com algumas dezenas de ginastas, no entanto a aposta não passa pela quantidade, mas sim pela qualidade e o objetivo está apontado à primeira divisão

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“Se criei um clube noutro concelho, porque não faze-lo na minha terra?”

FOTO: Nuno S. Ferreira
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Fundado no passado mês de maio, o Clube A4 é o resultado de um projeto de Rita Veloso, que depois de ter criado um clube de ginástica artística em Oliveira do Bairro decidiu desafiar-se a ela própria a fazer o mesmo em S. João da Madeira.
Ainda que recente, a coletividade conta já com algumas dezenas de ginastas, no entanto a aposta não passa pela quantidade, mas sim pela qualidade e o objetivo está apontado à primeira divisão

Em que é que consiste o Clube A4 e qual a sua filosofia?
É um clube federado sem fins lucrativos aberto a toda a comunidade que, de uma ou de outra forma, queira praticar desporto de forma responsável, rigorosa, frequente e com carácter competitivo.

E como é que surge o Clube A4?
É uma ideia com alguns anos. Senti essa necessidade quando andava com os meus alunos de Oliveira do Bairro a fazer espetáculos e saraus e pensei “um dia vou ter um grupo na minha terra”. E a oportunidade surgiu agora.
Costumo dizer que o que faz um clube são as pessoas e consegui juntar um grupo de pessoas espetaculares, que abraçaram a ideia e arregaçaram as mangas! Num clube é importante termos um grupo motivado, que acredite, e com pessoas que vistam a camisola.

Quais são as modalidades fomentadas?
A ginástica artística e o judo serão as nossas prioridades.

Numa cidade com dezenas de coletividades desportivas, há algo que caracterize ou que distinga o Clube A4 das restantes associações?
Cada clube e associação na cidade tem a sua própria identidade, que respeitamos. O Clube A4 vem alargar a já vasta oferta na cidade, acrescentando duas modalidades inexistentes, contribuindo, desta forma, para o enriquecimento e crescimento integrado das nossas crianças. O que posso garantir é uma grande dedicação!

Considera que há espaço para mais um clube desportivo num concelho tão pequeno como S. João da Madeira?
Acho que há espaço para todos e, no nosso caso, que eu tenha conhecimento, não existe nenhum clube federado de judo e ginástica em S. João da Madeira, nem na zona.

Tratando-se de um clube, atualmente, mais vocacionado para a ginástica, não teria sido melhor associar-se à Sanjoanense, que já tem a modalidade?
Já passei por vários clubes, mas, sem dúvida, a Sanjoanense é o meu clube do coração.
Relativamente a este projeto propriamente dito, penso que não, e acho que esta foi a melhor opção. Muito embora a Sanjoanense conte com uma secção de ginástica, não compete, que é o nosso caso. E também não somos concorrentes pois a ginástica tem várias disciplinas e o Clube A4 irá apostar, como referi, na Ginástica Artística (aparelhos).

Ainda que independente, o Clube A4 tem vindo a representar um outro clube de Oliveira do Bairro. Porquê?
Foi uma questão de logística de arranque. Como começamos com a época a meio, e visto que pertencia aos órgãos sociais do clube de Oliveira do Bairro, que também foi criado por mim, fazia todo o sentido que assim fosse. Para nós, que estávamos a arrancar, ter o apadrinhamento de um clube amigo que nos abraçou, é nosso parceiro e nos deixou treinar nas suas instalações apetrechadas, foi a opção mais lógica.

Apesar de ter sido fundado recentemente, o Clube A4 tem marcado presença em competições e está prevista a sua presença em muito mais provas. Essa é uma prioridade do clube ou, numa fase inicial, a aposta passa pela formação?
Para mim só faz sentido trabalhar com objetivos e, neste caso, a Federação de Ginástica de Portugal funciona de forma exemplar. As competições não fazem mal a ninguém, ao contrário do que o senso comum possa pensar. A competição devidamente orientada, respeitando a integridade do atleta ou ginasta não fará mal algum. Os miúdos gostam de ter objetivos e aqui a prioridade passa por trabalhar para as metas individuais, mas também por equipas. São situações que farão os atletas superarem-se ao longo da época
Numa prova onde participamos recentemente os ginastas competiam de acordo com os graus de competência. Ou seja, independentemente da idade, os atletas competem segundo as suas habilidades. Isto é uma das coisas que distingue a ginástica das outras modalidades. Um ginasta mais velho, na prática, não quer dizer que seja o mais evoluído. É com isto que conseguimos evitar dropouts (desistências precoces).

Quais os objetivos mais imediatos e a médio/longo prazo para o clube?
Qualidade! Os objetivos passam por criar uma estrutura de qualidade e não tanto de quantidade, onde o crescimento técnico do atleta ou ginasta é a nossa prioridade. Para isso precisamos de recursos humanos de qualidade e com experiencia. Apostamos no recrutamento de treinadores de qualidade, só assim acreditamos num crescimento sustentável.

Neste momento o clube conta já com dezenas de atletas. Como é que num tão curto espaço de tempo conseguiu um número de praticantes tão elevado?
Tem a ver com o facto de alguns dos alunos do Centro de Estudos do Armazém 4 estarem a competir pelo Clube A4. Mas também contamos com ginastas externos que começaram a praticar porque se interessaram por esta disciplina gímnica.

Fundado no passado mês de maio, que balanço faz, até ao momento, deste curto período de existência do Clube A4?
O balanço é muito positivo, muito embora ainda esteja longe do ideal. A ginástica é uma modalidade muito peculiar, onde os aparelhos para praticar devem estar sempre no mesmo sítio. Ou seja, não é como carregar um saco de bolas para qualquer pavilhão. O ideal era haver um local específico para os treinos com o material adequado.

E ao longo deste período já se deparou com dificuldades?
Sim, claro, e isso começa logo pelo investimento. Todo o material de ginástica é caríssimo. Para ter uma ideia, um colchão custa 400 euros. É tudo muitíssimo caro, mas já temos algum material, no entanto, está longe de ser o ideal e o suficiente. Mas estamos a começar e olhando a isso não estamos mal.
Depois há a questão da criação de rotinas, já que tudo é novo e tudo é novidade.
Mas os primeiros anos são assim, de grande luta.

O clube ainda é pequeno, mas a ambição dever ser grande. Onde é que gostaria de ver o Clube A4 chegar?
À primeira divisão! É para isso que vamos trabalhar. O que queremos, sobretudo, é sermos reconhecidos como um clube que o que faz, faz bem. Na ginástica o mais importante não é fazer muito, mas fazer bem.

Como é que uma mulher, com uma forte ligação ao basquetebol como atleta e treinadora, aposta num clube de ginástica?
A verdade é que o basquetebol é a minha outra paixão. Tanto que hoje em dia ainda me encontro ligada à modalidade, mas como jogadora. No basquetebol já consegui feitos muito bonitos que guardo cá dentro com muito carinho. Toda a gente sabe disso! A ginástica é mais um desafio que lancei a mim mesma. Eu pensei: “Se criei um clube noutro concelho, porque não faze-lo na minha terra?”
Os primeiros passos foram dados e terei muito gosto de ver os nossos ginastas a representar a minha cidade pelo país fora.
Uma coisa posso garantir. Vamos trabalhar para que os sanjoanenses se orgulhem de nós.

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