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Entrevista a Jorge Sequeira, candidato do PS à Câmara Municipal

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“As cidades vão sofrer choques muito profundos no futuro”

Jorge Sequeira na Rua Manuel Luís Leite Júnior, onde cresceu em S. João da Madeira
FOTO: Nuno Santos Ferreira
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Entrevista a Jorge Sequeira, candidato do PS à Câmara Municipal

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Jorge Vultos Sequeira tem 44 anos, nasceu em Évora, mas vive desde os 11 anos de idade em S. João da Madeira (SJM).
O pai, Fernando Sequeira, trabalhou na Conservatória do Registo Civil e Comercial e veio ocupar um lugar na Conservatória de SJM. “Por isso, transitámos do Alentejo para SJM, cidade onde me formei e onde criei a minha identidade pessoal, familiar, política e cívica”, contou Jorge Sequeira ao labor.
Estudou na Secundária João da Silva Correia, “uma escola absolutamente maravilhosa que me marcou profundamente, onde construi amizades muito fortes que perduram até hoje, designadamente com os meus professores”, disse o candidato do PS. As candidatas socialistas Clara Reis, à Assembleia Municipal, e Helena Couto, à Assembleia de Freguesia, foram professoras de inglês e de noções de administração pública e relações públicas, respetivamente, de Jorge Sequeira, na escola número dois.
Também conheceu os falecidos João Araújo e Josias Gil, “dois grandes amigos e referências na vida política, cultural e desportiva da cidade” na Escola Secundária João da Silva Correia, relembrou Jorge Sequeira, descrevendo-os como “importantes figuras do partido socialista”.
Jorge Sequeira estudou Direito na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. O advogado tem escritório no Porto, reside em SJM e é o candidato do PS à Câmara Municipal de SJM.

Quem é o Jorge Sequeira?
É muito difícil ser juiz em causa própria. O Jorge Sequeira é um cidadão de S. João da Madeira (SJM) que neste momento da sua vida entendeu que deve dar um contributo à cidade apresentando-se aos sanjoanenses como candidato a presidente da câmara. Tenho 44 anos, sou advogado, resido em SJM e apresento-me aos sanjoanenses com um projeto para gerir a cidade e dar-lhe uma perspetiva de futuro.

O que o levou a ser advogado?
Desde muito cedo que adquiri a ideia de que queria ser licenciado em Direito e advogado. Nunca hesitei a este respeito. Nunca perspetivei ser juiz, notário ou conservador, outras profissões que exigem uma licenciatura em Direito para poderem ser exercidas. Quis ser advogado porque sempre tive a vontade de lutar pelos direitos das pessoas e estar ao lado dos mais fracos. A injustiça sempre foi algo que me perturbou imenso. E ainda me perturba. E senti que como advogado era a forma mais útil e eficiente de poder lutar por aquilo que considero ser justo, equilibrado e reto.

Como é o seu dia a dia?
O meu dia começa cedo e é pontuado ou pelas diligências que tenho no tribunal que ocorrem em vários pontos do país ou é pontuado pelas reuniões que tenho com os meus clientes ou com o meu trabalho interno que tenho no escritório. O meu dia a dia é muito focado no trabalho, começa cedo e termina sempre muito tarde.

Onde é o seu escritório?
O meu escritório está localizado no Porto, embora desenvolva a minha atividade em vários pontos como SJM, Santa Maria da Feira, Oliveira de Azeméis, Porto, ou noutros sítios, consoante os locais onde os processos estão alocados.

Faz parte de alguma sociedade de advogados?
Sim. Sou sócio fundador da sociedade de advogados João Carlos Silva & Associados conjuntamente com outro sanjoanense, o Dr. João Carlos Silva, e outros sócios.

Qual o seu lema?
Ser justo, equilibrado e correto na gestão das diversas situações que estão a meu cargo, sejam do ponto de vista profissional, partidário ou pessoal.

O que levou a entrar no movimento associativo?
O percurso associativo começa poucos anos depois de chegar a SJM. Quando estava no 12.º ano organizei uma lista para concorrer à associação de estudantes e fui presidente da Associação de Estudantes da Secundária João da Silva Correia. Com o núcleo de amigos da associação de estudantes, refundámos o núcleo da Juventude Socialista (JS) em SJM no final da década de 80. Fui para a Faculdade de Direito de Coimbra e também me envolvi nas atividades académicas. Fui o coordenador do Núcleo de Direito da direção-geral da Associação Académica de Coimbra quando a presidente foi Zita Henriques. Fui diretor da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de SJM e também vice-presidente da assembleia-geral. Fui presidente da assembleia-geral da ACAIS desde a sua fundação. Depois do interregno de alguns anos, voltei a ser. Fui presidente do conselho fiscal dos Ecos Urbanos. Fui diretor de uma associação fundada pelo Josias Gil, a Associação Cívica Unhas Negras que já não está em funcionamento. Sou sócio dos Bombeiros, da Banda de Música e da ACAIS.

Quando entrou para a política?
O embrião do percurso político foi a associação de estudantes. Com os meus amigos, decidimos dirigirmo-nos ao PS de SJM, onde não conhecia ninguém. Batemos à porta do PS e pedimos uma audiência à Comissão Política (CP) do PS. Fomos recebidos pela integralidade da CP do PS, presidida na altura pelo senhor Vasco Almeida. Nós expusemos a nossa pretensão de refundar o núcleo da JS e de facto saímos de lá com a chave da sede na mão. Sentimos que depositaram em nós uma grande confiança. Um aspeto que nos marcou profundamente. A partir daí refundámos o núcleo da JS, comecei a contactar todas as estruturas a nível do distrito para ver se havia outras JS. Mandei uma carta para todas as estruturas do partido em Aveiro para fazer uma estrutura distrital. Foi aí que conheci o Afonso Candal, que veio a ser líder da JS e presidente da Federação Distrital de Aveiro e mais tarde deputado na Assembleia da República, e conheci um dos meus grandes amigos o Fernando Rocha Andrade que hoje é secretário de Estado dos Assuntos Fiscais. Depois comecei a militar no plano distrital, fui presidente da CP Distrital da JS. Anos mais tarde, presidente da concelhia do PS em SJM durante dois mandatos, candidato à presidência da Assembleia Municipal (AM) quando Josias Gil foi candidato a presidente da Câmara Municipal (CM). Integrei durante vários mandatos a AM. Já fui da comissão nacional do PS quando o secretário-geral foi o Ferro Rodrigues. Sou membro da comissão nacional e vice-presidnete da Federação Distrital de Aveiro, sendo o presidente Pedro Nuno Santos, um dos meus amigos mais próximos quer no plano pessoal quer no plano político.

Porquê o PS?
É o partido que tem na sua matriz a luta contra as desigualdades sociais, defende o Estado Social de modo mais firme e intenso e é absolutamente radical na defesa dos direitos da pessoa humana. Esta matriz identitária do PS cativou-me, mantém toda a atualidade e, portanto, é este quadro doutrinário que fez com que aderisse ao PS.

Nunca o desiludiu?
É claro. Em mais de 40 anos de história há momentos em que as organizações não fazem aquilo que nós do ponto de vista pessoal e social apreciamos. Estaria a mentir se dissesse que não houve momentos na história do partido que não me agradaram. Agora, no essencial, o PS é o partido da consolidação da democracia em Portugal, da nossa Constituição da República que é pautada por um estado de direito democrático, o partido da integração europeia e o partido da defesa do Estado Social. Estas marcas fundamentais do PS no desenvolvimento do país são absolutamente positivas.

Como concilia a vida pessoal, profissional, associativa e política?
Com uma gestão muito rigorosa do tempo e com um espírito de entrega e de sacrifício às causas. Sempre que não coloquemos aquilo que é essencial e prioritário acima de algumas razões ou circunstâncias de menor importância, nunca conseguiremos cumprir os objetivos. É necessário estar-se focado no que é essencial, escolher adequadamente as prioridades e se fizermos isso conseguimos fazer essa conjugação de forma satisfatória.

O que está “mais” na cidade sanjoanense?
SJM é uma cidade fantástica. Tem muitas coisas positivas. Advirto, desde já, que não me ouvirão na campanha a fazer um discurso derrotista, negativo, pessimista ou miserabilista. Não vou fazer isso porque gosto da nossa cidade, é fantástica e tem infraestruturas muito positivas quer no plano cultural, desportivo, tecido empresarial, ação social, aspetos que tenho vindo a estudar com muita atenção.

O que está “menos” na cidade sanjoanense?
Penso que a questão que se coloca relativamente à nossa cidade tem a ver com a antecipação dos desafios que o futuro coloca. As cidades, e SJM não será uma exceção, vão sofrer choques muito profundos no futuro. A indústria vai sofrer o choque da grande mutação tecnológica que se avizinha com a indústria 4.0. Todo o trabalho da ação social vai sofrer um choque muito profundo por via das alterações demográficas e do avanço da esperança média de vida. Vamos sofrer choques muito profundos com a digitalização e com a revolução tecnológica com impactos na educação e no crescimento das pessoas. Por isso, acho que o papel principal de um presidente da câmara é o de trabalhar para o futuro, antecipar essas mudanças e preparar a cidade para aquilo que deve ser para daqui a 10, 15, 20 anos. Essa será essencialmente a minha preocupação enquanto presidente da CM de SJM.

Acha que não estão a antecipar esses desafios neste momento?
O que acho é que tem de haver um pensamento e uma ação estruturados nesse sentido. Sinto-me capaz de fazer esse trabalho e de reunir as equipas que possam desenvolver esse plano estratégico para o futuro.

O que o levou a aceitar o convite para ser o candidato do PS?
Justamente ter esta perspetiva e sentir esta necessidade e achar que estou numa fase da minha vida pessoal e profissional que me dá a maturidade, a experiência e os conhecimentos suficientes para enfrentar este desafio. Se não sentisse que tinha essa capacidade neste momento teria recusado liminarmente este desafio.

O que é que os sanjoanenses podem esperar do candidato Jorge Sequeira?
Podem esperar muita verdade, transparência, uma dedicação total e inequívoca à cidade e, repito, um projeto voltado para a preparação do futuro da nossa cidade. Daí termos, apostado, numa mensagem central: “Temos uma visão de futuro”.

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