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Em final de mandato e com a época a terminar, Luís Vargas considera que a última temporada foi positiva para as várias modalidades, tal como a sua gestão, ao longo dos últimos dois anos, à frente do clube alvinegro. Satisfeito pelo trabalho realizado durante o mandato, o presidente alvinegro não descarta uma recandidatura, mas admite que ainda não tem qualquer decisão tomada nesse sentido

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“A Sanjoanense nunca esteve bem”

FOTO: Nuno S. Ferreira
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Em final de mandato e com a época a terminar, Luís Vargas considera que a última temporada foi positiva para as várias modalidades, tal como a sua gestão, ao longo dos últimos dois anos, à frente do clube alvinegro. Satisfeito pelo trabalho realizado durante o mandato, o presidente alvinegro não descarta uma recandidatura, mas admite que ainda não tem qualquer decisão tomada nesse sentido

Com o final de mais uma época, que balanço faz da última temporada em termos desportivos?
Acho que há uma frase que define tudo. Um balanço quase, quase positivo à distância de um clique.

Então o que é que faltou?
Faltaram alguns pormenores. Penso que, globalmente, em todas as modalidades, poderíamos ter tido uma época quase perfeita, mas faltou-nos um bocadinho de sorte. Acho que é assim que posso definir esta época desportiva da Sanjoanense em todas as modalidades.

Isso em termos globais. E individualmente nas várias modalidades?
No andebol sénior ficamos a um clique da subida de divisão. Depois de uma primeira fase 100 por cento vitoriosa entramos na segunda fase com algumas equipas superiores à nossa e com outro tipo de apoios. Ainda assim, os nossos atletas conseguiram ultrapassar todas as barreiras, á exceção dos últimos dois jogos, que ditaram a continuidade na 2.ª Divisão. Os veteranos conquistaram, no passado fim de semana, pela quarta vez consecutiva, o título distrital e vão disputar brevemente o título nacional. Ao nível de formação o destaque vai para a equipa de juvenis que na época passada foi campeã nacional da 2.ª Divisão e que este ano não se amedrontou e bateu-se pelos melhores resultados desportivos, conseguindo a manutenção pelo que o objetivo foi cumprido.
No basquetebol a equipa sénior também conseguiu o objetivo ao assegurar a permanência nas últimas jornadas com bastante esforço dos atletas, que não se intimidaram por jogarem num campeonato mais competitivo como é a Proliga. Nos escalões jovens conseguimos um título distrital nos sub14 femininos, enquanto as restantes equipas alcançaram os objetivos inicialmente propostos.
Já no futebol o plantel sénior acabou por realizar uma época positiva, muito embora tenha ficado a um clique da fase de subida e de ir mais longe na Taça de Portugal. Na formação sabíamos que seria uma época extraordinariamente difícil, nomeadamente para os juniores, que é o único escalão nos nacionais, e que ficaram a um clique da permanência na 2.ª Divisão Nacional. Foram vários os fatores que contribuíram para isso desde uma pré-epoca atribulada até termos de recorrer a um campo alternativo para fazer todo o campeonato. Nos restantes escalões a época não se equipara a anteriores, mas apesar de tudo tivemos um vice-campeão distrital (iniciados) e um quinto lugar distrital (juvenis). 
Em relação ao hóquei em patins afigura-nos, a três jornadas do fim, um final de campeonato muito difícil com vista ao objetivo principal que será a manutenção. 
Penso que, acima de tudo, os hoquistas seniores lutaram e vão continuar a lutar, com honra e muita paixão, pela permanência enquanto for matematicamente possível.
De realçar também a equipa sénior feminina pelo campeonato que estão a realizar, mas também por estarem presente na final four da Taça de Portugal. Na formação a surpresa vai para a equipa de juniores, que está perto de alcançar um título nacional. Tem tido uma prestação brilhante, lutando de igual para igual com as grandes potencias do hóquei em patins. Estou confiante que esta equipa nos irá dar uma alegria no final da época. De sublinhar também a prestação da equipa de juvenis, que foi campeã distrital e disputou o nacional.
Na patinagem artística a secção registou um aumento considerável de atletas, resultado o trabalho dos seccionistas e profissionalismo dos técnicos e da beleza da modalidade, que tem elevado bem alto o nome da Sanjoanense. 
A ginástica também continua a aumentar o número de atletas, crescimento que tem sido gradual. Com 240 atletas, esta é a modalidade que nos últimos anos mais cresceu, sendo atualmente a segunda do clube em número de atletas.
Já o bilhar encontra-se numa fase de reestruturação. Depois de um início fulgurante, com um campeão nacional e vários títulos distritais, os jovens foram contactados por clubes de outra dimensão e acabaram por sair.

Foi, então, uma época positiva ao nível desportivo.
Sim, mas não é só o aspeto desportivo que interessa a uma coletividade como a nossa, mas também o que tem sido feito pela cidade e sociedade. Exemplos disso são o Andebolmania, a recente exposição Lego, que foi um sucesso, o simpósio de medicina desportiva, que tem vindo a aumentar a qualidade dos intervenientes, a abertura do Centro de Fisioterapia, ou o Torneio de Petizes e o ADS Cup, que começam a ganhar qualidade e a crescer quantitativamente.
A época finaliza com a realização do tradicional sarau de ginástica, que será uma forma de fechar com chave de ouro a temporada desportiva para a Sanjoanense.

Referiu que a equipa sénior de andebol ficou a um passo da subida de divisão. Face às dificuldades do clube, terá sido este o melhor desfecho ou foi um resultado ingrato?
Isso é uma pergunta que faço muitas vezes a mim mesmo e a resposta vem de dois estados, o racional e o da paixão e do coração. Qual é o presidente que, sob o ponto de vista emocional, não gosta que uma modalidade atinja o patamar seguinte. 
Muitas vezes o que nos transmite o coração é para ir em frente e depois de lá estarmos vamos tentar arranjar apoios para nos mantermos. Mas racionalmente colocam-se várias situações. Será que a cidade, os empresários e os sócios apoiam a Sanjoanense para o clube atingir esses patamares? Acho que não. O preço de competir em patamares bastante elevados é muito alto e o clube não tem condições financeiras e logísticas para responder a esse custo. Depois vem a questão da logística, dos transportes e das viagens. No caso do andebol, se passasse para um campeonato semi-profissional teria que realizar muitos jogos à quarta feira, dia que não se compadece com jogadores que têm os seus afazeres profissionais. Depois colocava-se a questão do recinto, que teria de estar disponível duas horas antes do jogo e duas depois. Isso implicaria uma tarde completamente absorvida para a realização de um jogo de andebol, que iria complicar, ainda mais, a já difícil gestão do Pavilhão das Travessas. 

É então um sentimento contraditório.
É. É o mais difícil de um gestor de uma coletividade desportiva que, em primeiro lugar, deveria fazer uma análise racional em desprimor pela paixão clubística, que na maioria dos casos não acontece. Outro dos grandes problemas de qualquer pessoa à frente de uma coletividade se depara é gerir os egos pessoais.
Tem sido uma preocupação minha. Durante todo o mandato tentei sempre, na base do consenso, evitar situações de divergência entre as várias secções e diretores. Temos de saber, acima de tudo, gerir os egos pessoais.

Já no hóquei em patins, depois de na época passada a permanência ter sido conseguida no final do campeonato, esta temporada a manutenção, apesar de ainda ser possível, será muito difícil de alcançar.
Quando o orçamento de um clube, que movimenta 1200 atletas, é idêntico ao de uma equipa sénior de hóquei em patins de outro clube está tudo dito. O nosso orçamento da secção de hóquei fica muito aquém de qualquer uma das equipas do campeonato nacional da 1.ª Divisão. Podemos contar pelos dedos as agremiações desportivas que são tão ecléticas como a nossa e que não se dirijam apenas a clubes de uma determinada modalidade. Poucos são os clubes que têm tantas modalidades como a Sanjoanense.
Não podemos ter um orçamento para a uma equipa que se queira manter em determinado patamar que possa ser comparável a outros clubes.

E qual é que poderia ser a solução para isso?
Parte da solução poderia ser a criação de uma SAD para o futebol profissional. Cada vez estou mais convencido disso. Com investimento externo e com o futebol a ser gerido por uma estrutura profissional, seria, numa primeira fase, uma possibilidade para que as outras modalidades tivessem mais apoio a nível orçamental. Acho que numa primeira fase essa seria a solução e numa etapa mais avançada para as outras modalidades do clube.

E no futebol sénior o que é que faltou para que a época fosse mais positiva?
Na Taça de Portugal foi uma questão de sorte, porque em termos exibicionais não se notou a diferença entre uma equipa do Campeonato de Portugal e da Primeira Liga. Isso foi uma opinião unânime.
No campeonato tivemos uma série de jogos que provocaram algum desgaste físico, bem como algumas lesões de jogadores influentes na equipa, precisamente numa altura de encontros decisivos. São situações normais do desporto, mas que causaram alguma intranquilidade da equipa, que nesses jogos decisivos também teve alguma falta de sorte. 

E qual foi o segredo para uma exibição ao nível do escalão principal na Taça de Portugal?
Foi uma série de situações associadas ao encontro, como o facto de defrontar uma equipa da primeira liga e a possibilidade de uma maior visibilidade. É evidente que os jogadores valorizam essas situações e, se calhar, até suplantam os seus próprios índices tanto técnicos como físicos. É natural. Com todas as condições reunidas para fazer uma boa exibição, a equipa suplantou-se.

Relativamente ao campeonato, fica alguma mágoa pelo facto da equipa sénior de futebol ter falhado a fase de subida, muito embora o objetivo principal tenha sido alcançado?
Ficou à distância de um clique. Não posso dizer que fiquei satisfeito, estando ali tão perto, mas aconteceu. São coisas do futebol e estamos sujeitos a estas situações. Se acontece aos clubes profissionais também pode acontecer à Sanjoanense.

Referiu uma série de torneios e de ações de formação que a Sanjoanense tem vindo a realizar.  De que forma é que essas iniciativas têm sido positivas para o clube?
O conhecimento é imprescindível para qualquer ser humano, seja em que área for.
A Sanjoanense é a maior instituição desportiva da cidade, que movimenta cerca de mil crianças entre os 12 e os 18 anos nos escalões etários onde há mais probabilidades dos jovens serem desviados para comportamentos menos corretos. Com a nossa missão direcionada para o desporto estamos a contribuir para que esses jovens assimilem outros valores.
Acho que os sócios e os habitantes de S. João da Madeira deviam ponderar se não deveriam apoiar mais a Associação Desportiva Sanjoanense e outras coletividades do concelho que têm esta missão aliada à componente desportiva.
Há também o aspeto da obesidade. Qualquer instituição que fomente a prática desportiva está a contribuir para o combate da obesidade ou doenças como o diabetes. Aí, para além da sociedade, o estado também deveria reconhecer esse trabalho e apoiar mais as instituições desportivas. Nem se trata de um apoio financeiro. Bastava que o policiamento não fosse do encargo dos clubes. Para muitos já era um alívio.

Destaca também o centro de fisioterapia, uma luta antiga e que foi entregue à Sanjoanense. Que vantagens trás para o clube?
Desde cedo que a Sanjoanense manifestou a sua vontade para que a gestão daquele espaço passasse para o clube por vários fatores. Só pelo número de atletas já se justificava isso.
A mais valia para a Sanjoanense é que a partir de determinada hora o centro de fisioterapia funciona exclusivamente par aatletas do clube. Acaba por ser a retaguarda a uma primeira intervenção feita pelos fisioterapeutas de cada modalidade. Depois tem a componente social. Das 14h00 às 16h00 todos os pensionistas e desportistas podem ser consultados no centro de fisioterapia. É a nossa missão social em parceria com a Junta de Freguesia.

Quando fala em missão social, isso quer dizer que o serviço não tem custos?
Tem. Numa visão puramente economicista, se calhar, a utilização do centro é deficitária para a Sanjoanense, mas em questões de saúde não podemos olhar a isso.
Pode não se justificar em termos financeiros, mas justifica na recuperação do atleta e no diagnóstico da lesão. Nestes casos não se pode ter uma visão direcionada apenas para a vertente financeira.
Posso referir que desde há um ano que estamos a enveredar, junto da Federação Portuguesa de Futebol, todos os esforços para obter a certificação para a Sanjoanense como entidade formadora. Este centro foi mais um apoio para que isso desse mais um passo em frente. Obtendo esta certificação temos logo duas vantagens. Daqui a alguns anos passará a haver diferenciação dos clubes com e sem certificação e com as alterações dos regulamentos efetuadas há alguns anos atrás, só um clube certificado pode estabelecer contratos de formação, que é a única forma que um clube tem para segurar atletas com qualidade superior. 
Havendo certificação podemos estabelecer contratos com atletas que, dessa forma, ficam vinculados ao clube. As exigências são cada vez maiores e uma certificação é sempre bem-vinda.

Financeiramente como se encontra a Sanjoanense?
A Sanjoanense nunca esteve bem. O clube sobrevive à custa de muito amor e paixão dos dirigentes, seccionistas, diretores e pais, que dão uma contribuição imensa nas equipas mais jovens no que diz respeito ao transporte, e ao apoio da Câmara Municipal. A Sanjoanense luta constantemente com dificuldades e não tem verba em tesouraria para acudir a todas as situações existentes.
As contrapartidas financeiras com a venda de atletas foi o recurso que utilizamos para contrabalançar um pouco a tesouraria do clube, mas é uma situação momentânea. 

Já que refere as contrapartidas financeiras da venda de atletas, qual a verba que o clube conseguiu com transferências ao longo da época?
O valor será apresentado no devido local que é na assembleia geral, mas é de umas dezenas de milhares de euros.

Apesar das dificuldades financeiras com que o clube se depara diariamente, tem sido possível reduzir o passivo?
Tem e vai continuar a ser reduzido. Costumo dizer que com pouco se fez muito e a verdade é essa. Esta época com muito pouco se fez muito. O passivo tem continuado a descer, mas não se pode esquecer o índice competitivo das equipas que tem vindo a subir. É muito difícil gerir estas duas situações.

Com as eleições cada vez mais perto, que balanço faz deste mandato?
Os sócios é que devem julgar. Dei tudo pelo clube. O que tinha e o que não tenho. Os últimos oito anos foram dedicados à Sanjoanense, sendo que os últimos quatro ou cinco como remunerado. Quero, de uma vez por todas, desmistificar a questão da remuneração. Sempre foi meu lema que primeiro estavam funcionários, atletas e treinadores e que eu seria sempre o último a receber. E neste momento encontro-me numa situação deficitária de mais de um ano.

Então a Sanjoanense não tem as contas em dia?
Não, neste momento estamos com dois meses de atraso. Não é uma situação que deveria existir, mas também não é tão drástica como isso. Tem havido grande compreensão por parte de todos porque, acima de tudo, sabem da realidade do clube, que o presidente não tem outras fontes de rendimento e que, ao contrário de muitos outros clubes, com maior ou menor dificuldade, e apesar de alguns atrasos, tudo o que foi estabelecido será cumprido.

Ao longo do mandato as críticas têm sido muitas. Acha que tem sido incompreendido por muitos associados?
Os associados devem questionar o presidente, ou quem quer que seja, sobre as atividades do clube nos locais próprios. Mas em S. João da Madeira, por ser uma cidade pequena e muito concentrada, fala-se muito no café de situações que até nem são verdadeiras e criticam seja quem for.
Isto não quer dizer que só estou disposto para esclarecer os associados de ano a ano nas assembleias. Estarei sempre disponível, como estive, para esclarecer qualquer associado.

Uma vez que a próxima assembleia será para dar início ao processo eleitoral, irá apresentar ou faz parte de alguma lista?
Neste momento estou a ponderar. Ainda não tenho qualquer decisão tomada e provavelmente não irei ter na próxima assembleia.

E o que é que o poderá levar a apresentar uma candidatura?
São várias situações, mas a principal é ter um sinal, inequívoco, de que um investidor podia avançar para a constituição de uma SAD. Sublinho que trata-se apenas de um sinal, porque depois isso teria que ser aprovado pelos sócios em assembleia geral.
Tem havido conversações, mas ainda não há certezas.
Outro motivo, que também tenho que considerar, é a questão de apoio interno, em termos administrativos, de uma estrutura muito mais forte do que tive até ao momento. Estou muito isolado e, por isso, tenho de me rodear de dois ou três elementos que me ajudem a gerir e a levar o clube para a frente. Preciso de um elemento na área financeira, na área de marketing e publicidade e de infraestruturas. Está tudo sobre a minha alçada há muitos anos e começo a já não ter ideias como também provoca um grande desgaste. 
Ainda assim, de uma maneira geral, penso que os meus mandatos foram positivos e os factos dizem isso. Como ter pegado no clube com um passivo de 1 milhão e quinhentos mil euros e que neste momento está em 500 mil, a juntar a parte desportiva. 
Acho que até ao momento, com maior ou menor dificuldade, a minha missão tem sido cumprida.

Se optar por não se recandidatar deixa a Sanjoanense com sentido de dever cumprido.
Sim. Como referi os factos falam por si. A Sanjoanense já não é compatível para ter um presidente para vir aqui assinar cheques ao final da tarde. Com o atual patamar de exigência do clube é necessário alguém a tempo inteiro. 

Não foi um mandato perfeito e foram cometidos erros. Quais os mais marcantes de que se lembra?
Às vezes apostar em pessoas que não merecem a confiança. Não tive o tempo que queria para pensar em objetivos a médio a longo prazo por estar completamente absorvido pela vida quotidiana do clube, nomeadamente a parte financeira. Um dos principais erros que reconheço foi não ter tido um braço direito e esquerdo na gestão do clube.

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