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O Musicatos – Recital de flauta e piano realiza-se no dia 26 de maio, pelas 21h30, nos Paços da Cultura. Os flautistas Ricardo Carvalho e Beatriz Baião estarão acompanhados da pianista Filipa Cardoso.

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"Um músico tem de ser completo"

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O Musicatos – Recital de flauta e piano realiza-se no dia 26 de maio, pelas 21h30, nos Paços da Cultura. Os flautistas Ricardo Carvalho e Beatriz Baião estarão acompanhados da pianista Filipa Cardoso.

O Ricardo começou a estudar música aos seis anos. O que recorda dos primeiros anos de aprendizagem?
De facto, foi uma paixão à “primeira vista”. Achava divertido tocar um instrumento musical e era isso que ocupava grande parte dos meus tempos livres. Além disso, antes de ter a minha primeira flauta, lembro-me de brincar com as canas de madeira do jardim, e fingia que eram a minha verdadeira flauta. Deixavam-me feliz.

A iniciativa de estudar música partiu de si ou dos seus pais?
Na verdade, não sei bem. A minha irmã mais velha aprendia órgão na mesma escola de música e, uma vez que ela já estava lá, também fui. No entanto, creio que esta decisão nunca foi dos meus pais, porque eu é que escolhi, de facto, a flauta e se queria estudar música ou não.

Há mais algum músico na família?
Não, sou o “diferente” da família.

O que levou à escolha da flauta transversal?
Foi numa audição da minha irmã da escola de música. Era uma apresentação dos alunos de vários instrumentos e a flauta encantou-me por completo. O som, o brilho que refletia a luz, a “voz”. Comecei, então, a dizer à minha mãe: “mãe, posso aprender a tocar a “flauta de lado”, por favor?. E ela inscreveu-me na escola de música.

Entrou no Conservatório de Música de Aveiro Calouste Gulbenkian no ano letivo 2008/2009. Como tem sido esta jornada de quase 10 anos dedicada à música?
De facto, é uma experiência inesquecível. Não só pela flauta, mas tudo o que me envolve no Conservatório. Esta escola, na minha opinião, tem uma identidade única. Uma alma. E todos os que estão nela são sensibilizados. O conservatório tornou-se para mim uma segunda casa. E para muitos dos meus colegas também. Há relações humanas, há laços. Eternos. E, em conversa com outros colegas de outras escolas, concluí que esta é uma caraterística apenas da “minha casa”. É algo de que me orgulho muito. De fazer parte desta família.

A sua formação profissional será música?
Sim.

Onde continuará a sua formação?
Felizmente, fui admitido no Conservatoire National Supérieur de Musique et Danse de Lyon (CNSMDL), e continuarei os meus estudos com o professor Julien Beaudiment.

Se não, qual será a sua formação profissional? Sempre complementada pela música?

Quais as características de um músico?
Na minha opinião, um músico tem de ser equilibrado. Evidentemente que nos podemos especializar, seja em músico de orquestra, compositor, professor, etc., mas devemos saber sempre de tudo um pouco. Acho que a palavra correta nem é equilibrado, é completo. A geração de “músicos analfabetos” já passou, e com tanto desemprego, creio que isto pode ser, de facto, um fator decisivo entre dois concorrentes muito bons. Creio que todos temos de lutar o máximo para atingirmos os nossos objetivos e para termos o futuro que queremos. Caso contrário, só nos resta aceitar o futuro que vier.

Quais as características da flauta transversal?
Uma vez compararam a flauta transversal a um anjo e a um demónio. Acho que é uma definição muito boa. Tanto pode ser um instrumento delicado e elegante, como violento e bruto. Acho que é uma vantagem comparando a outros instrumentos de hoje em dia.

O Ricardo tem conquistado vários prémios e participado em vários projetos. Desde orquestras, ensembles e festivais. Qual a experiência mais marcante?
De facto, a experiência mais marcante foi o concerto com a Jovem Orquestra Portuguesa (JOP), em 2015, na Konzerthaus de Berlim. Foi uma realização total no momento. Um reviver de todos os momentos entre amigos e colegas da orquestra e que, sempre no final de cada concerto, sabíamos que iriamos tocar outra vez todos juntos passado um mês ou dois, desta vez era o fim da nossa aventura. Além disso, interpretámos uma obra muito especial no repertório de orquestra, “A Sagração da Primavera” de Igor Stravinsky. Penso aqui, como irei traduzir este sentimento por palavras, mas é tão difícil. Inexplicável. É uma energia, uma vontade, uma paixão sentida por 118 músicos em palco, tocando todos para Um mesmo fim, todos com Um objetivo. De facto, para mim é muito importante fazer música com outras pessoas. E quando essas pessoas nos são próximas, ainda melhor. São as relações humanas, a proximidade. São os olhares, as respirações, as melodias, os abraços trocados, e os nervos sentidos, as emoções à flor da pele. Tudo isto torna um momento muito marcante. Inesquecível. Sou um sortudo. É verdade. E só me resta agradecer a todas as pessoas que contribuíram para que tivesse momentos com este. Que venham muitos mais.

Quais os projetos futuros?
Espero um dia conseguir um lugar numa orquestra, mas por agora, quero é continuar a estudar.

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