a informação essencial
Pub
Partilha

Renato Gonçalves e Manuela Silva são os responsáveis pelo boccia sénior da Associação Cultural e Recreativa “É Bom Viver”, que há mais de uma década apostou nesta modalidade para estimular o convívio entre os atletas mais idosos.
Hoje isso ainda está presente na filosofia da associação, mas é a vertente competitiva que mais estimula os praticantes

Tags

“Temos atletas dos 60 aos 96 anos”

FOTO: Nuno S. Ferreira
FOTO: Nuno S. Ferreira
Partilha

Renato Gonçalves e Manuela Silva são os responsáveis pelo boccia sénior da Associação Cultural e Recreativa “É Bom Viver”, que há mais de uma década apostou nesta modalidade para estimular o convívio entre os atletas mais idosos.
Hoje isso ainda está presente na filosofia da associação, mas é a vertente competitiva que mais estimula os praticantes

Há mais de uma década que a modalidade de Boccia Sénior faz parte das atividades desenvolvidas pela Associação Cultural e Recreativa “É Bom Viver”. Desenvolvido inicialmente para ser praticado por pessoas com paralisia cerebral, o desporto acabou por se popularizar de tal forma que hoje é praticado por diversas gerações, sem qualquer tipo de deficiência, tendo ganhado dimensões de desporto federado num grande número de países. Foi o que aconteceu em Portugal, com a modalidade a dar os primeiros passos no Norte, mas a crescer rapidamente ao nível nacional. “O professor Luís Ferreira, que foi o grande impulsionador deste jogo no país, achou que as pessoas com idade superior a 65 anos começavam a apresentar algumas limitações normais da idade. Na altura teve alguma visão e introduziu esta modalidade aos idosos, que aderiram facilmente”, explica Renato Gonçalves, um dos responsáveis pelo Boccia na associação “É Bom Viver”.
“Tem uma lógica muito idêntica ao jogo da petanca. Há uma bola branca, chamada de bola alvo, e cada equipa tem uma cor, azul ou vermelho. A bola lançada que se aproximar mais da branca pontua”, explica o treinador, que apesar de admitir ser necessário “alguma destreza manual” para o direcionamento da bola, considera que o fundamental neste jogo passa pela “estratégia”. “É uma modalidade que abrange atletas com um leque de idades muito diferente e que não exige muito em termos físicos e mentais. Temos atletas dos 60 aos 96 anos”, acrescenta Manuela Silva, professora de Boccia na associação.
O crescimento que a modalidade registou em Portugal rapidamente foi aproveitado pela “É Bom Viver”, que apostou neste desporto para promover o convívio entre os praticantes mais idosos, mas não demorou muito para que o caminho fosse outro. “O objetivo era retirar os idosos de casa para conviverem, mas começaram a perceber a dinâmica do jogo e a competição passou a ser, para alguns elementos, o principal motivo para praticarem a modalidade”, explica Renato Gonçalves. “São questões relacionadas com a superação ou o melhoramento individual, que fazem parte da nossa natureza humana”, acrescenta o responsável, que revela que numa tese de mestrado realizada nesta área constatou-se que a competição era o principal fator de motivação para os atletas seniores.
Com a modalidade ainda numa fase inicial no país, a transição para a vertente competitiva da “É Bom Viver” acabou por ser uma resposta aos desejos dos praticantes, resultado de algum sucesso inicial. “Não foi algo imposto. Os bons resultados trazem mais motivação”, esclarece Renato Gonçalves, que reconhece que a exigência que a competição atingiu tem causado algumas baixas. “Alguns atletas têm vindo a perder a motivação”, refere o responsável. “Quando começamos estávamos quase sempre no pódio. Hoje não é assim. O nível de jogo e a exigência evoluíram bastante ao longo dos últimos 10 anos e atualmente está num patamar completamente diferente”, explica o treinador.
Apesar de algumas desistências, o balanço é positivo e uma mudança na abordagem e na dinâmica, resultado também de uma aposta nas novas tecnologias, às quais os idosos se têm mostrado mais recetivos, permitiu mesmo um crescimento em algumas das classes da associação. “Se calhar queríamos outro crescimento, mas não há muitas competições regulares”, esclarece Renato Gonçalves.
E foi o calendário reduzido, levando a que os atletas permaneçam muito tempo sem competição, que levou a “É Bom Viver” a estabelecer uma parceria com a Santa Casa da Misericórdia de S. João da Madeira para a realização de um torneio local mensal. “Com isto conseguimos que as pessoas continuem a aderir a este desporto”, refere Renato Gonçalves, que confessa que a associação tem vindo a ponderar a criação de uma prova municipal que deverá contar com a participação de outras instituições.
Depois de uma época positiva, segundo Manuela Silva, com a “É Bom Viver” a garantir o primeiro, segundo, terceiro e quinto lugares do Regional da Zona Porto, esta temporada o objetivo é “jogar para ganhar”. Meta que os responsáveis garantem ser definida pelos próprios atletas. “São eles que se auto pressionam para ganhar. Para nós a participação está em primeiro lugar, só depois vem a competição, onde pretendemos que façam o melhor possível”, esclarece Renato Gonçalves que, no entanto, admite que se as equipas passarem à fase final da competição as metas serão mais exigentes. “Aí estamos sujeitos ao estado emocional dos atletas. É claro que a qualidade dos jogadores e do jogo é importante, mas quem estiver mais bem preparado mentalmente é que vence e, na final, o objetivo é tentar chegar a um dos três primeiros lugares”, confessa o responsável.
“O nosso objetivo é conseguir ter o máximo de pessoas na fase final dos campeonatos. Depois de estarmos aí é chegar aos três primeiros lugares. Não faz sentido que seja de outra forma”, reforça Manuela Silva, que garante que as condições são boas para a prática da modalidade. “Se a direção da associação dissesse que tínhamos de chegar ao primeiro lugar se calhar teria de reconhecer que não dispomos de condições para isso, mas essa situação não se coloca”, garante Ricardo Gonçalves.

O Boccia Sénior

Inspirado num jogo da antiga Grécia, o boccia foi originalmente desenvolvido para ser praticado por pessoas com paralisia cerebral, e em 1984 foi mesmo reconhecido como modalidade paralímpica. Contudo, o jogo tornou-se tão popular que ao longo dos últimos anos tem-se registado um crescimento significativo da prática em grupos alvo de várias gerações e sem qualquer tipo de deficiência.
Onde a modalidade tem vindo a assinalar um grande desenvolvimento é junto da população idosa, e o chamado Boccia Senior tem sido um sucesso, com o número de praticantes a aumentar de ano para ano.
Com provas de âmbito nacional, na última época desportiva (2015-2016) estiveram inscritos cerca de 750 idosos, em representação de 68 associações/clubes e outras entidades. Esta temporada a PCAND (Paralisia Cerebral – Associação Nacional de Desporto) assumiu a responsabilidade total pela gestão e organização de toda a atividade relativa ao Boccia Senior.

Comentários

Pub

Notícias relacionadas