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“A escolha do estudo de música erudita veio naturalmente”, revelou a jovem cantora ao labor

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Musicatos com Mariana Marques Pinto

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“A escolha do estudo de música erudita veio naturalmente”, revelou a jovem cantora ao labor

O recital de canto deste sábado conta com a atuação de Mariana Marques Pinto, de 18 anos, natural de S. João da Madeira.
A jovem sanjoanense começou os estudos musicais aos 10 anos na Academia de Música de S. João da Madeira, na classe de Viola Dedilhada do professor Carlos Moreira, onde prosseguiu estudos até completar o 5.º grau. No grau seguinte, iniciou os estudos de Canto Lírico, na classe de Canto da professora Mafalda Campos Leite, na Academia sanjoanense.
Maria Marques Pinto acabaria por entrar, no ano seguinte, no Conservatório de Música do Porto na classe de Canto do professor Emanuel Henriques, com quem continua a trabalhar. Frequentou o Estúdio de Ópera do Conservatório, onde trabalhou com a professora Palmira Troufa, na ópera Hänsel und Gretel, de E. Humperdinck, no qual interpretou o papel de Gretel. Teve Masterclasses com vários professores e cantores como Isabel Alcobia, Rui Taveira, Magna Ferreira, Susan Waters e Jenevora Williams, Pierre Mak, Helen Lawson e Ulrike Sonntag. A jovem sanjoanense já ganhou alguns prémios e no ano passado estreou-se como solista na Casa da Música com a Missa da Paz, de Karl Jenkins. Maria Marques Pinto, ao longo do seu período académico, já interpretou várias obras como Coronation Mass in C, Mozart, Zadok the Priest, Händel, Vesperaes solenes de Confessore, Mozart, Oratório de Natal, Saint-Saëns, entre outras. Atualmente, frequenta a classe de canto da professora Isabel Alcobia na Universidade de Aveiro, através da qual atuou no Campo Pequeno, no Pavilhão Multiusos de Gondomar e no coro da banda de Tributo aos Queen: God Save the Queen.

A Mariana começou a estudar música aos 10 anos. O que recorda dos primeiros tempos de aprendizagem?
Lembro-me do meu primeiro ano de oboé. Pouca gente sabe, mas eu toquei um ano de oboé no meu 6.º ano. Lembro-me como se fosse hoje porque foi a única vez que eu toquei em orquestra. Lembro-me também de querer a todo o custo ir para canto mas não poder porque naquela altura só se podia frequentar a classe de canto no 6.º grau, no ensino complementar, portanto.

A iniciativa partiu de si ou dos seus pais?
Na verdade, desde pequena que tenho este “bichinho da música”. A minha mãe e os meus avós contam-me histórias em que eu passava a vida a cantar, desde pequena, e lembro-me que sempre fiz, juntamente com os meus irmãos e as minhas primas, espetáculos e pequenas produções para a nossa família. E eram bastante variados, desde música a dança, a teatro e magia, nós fazíamos de tudo um pouco!
A escolha do estudo de música erudita veio naturalmente, não houve um dia em que tenha dito eu vou estudar música clássica. Simplesmente aconteceu, talvez porque quando era pequena e a caminho da escola ia no carro com o meu avô a cantarolar a Flauta Mágica de Mozart, ou a trautear as sinfonias, concertos, óperas ou o que estivesse a dar na Antena 2!

Na altura, o que levou à escolha da viola dedilhada?
Quando entrei para a Academia de Música de S. João da Madeira tive de escolher um instrumento e, como não podia escolher canto, o critério foi escolher um instrumento que desse para cantar ao mesmo tempo, e assim foi.

Depois, a Mariana passou para a classe de canto lírico. Porquê?
Como já referi anteriormente, a minha grande paixão sempre foi cantar e mal pude, entrei na classe de canto da professora Mafalda Campos Leite, na Academia de Música de S. João da Madeira. Quando se estuda música numa Academia, temos sempre coro e o repertório mais comum é o clássico. Eu sempre gostei muito de o cantar e, aceitando as propostas da professora Mafalda fui começando a fazer alguns solos. Ela foi uma das pessoas que acreditaram logo no meu potencial como cantora lírica, e mesmo quando ainda era aluna de guitarra, ela foi-me sempre empurrando para ter umas aulinhas de canto e acabou, quatro anos mais tarde, por acontecer.

Continuou canto no Conservatório de Música no Porto. E depois?
Eu fui para o Conservatório de Música do Porto no meu 11.º porque, infelizmente, naquela altura a Academia não tinha todas as disciplinas necessárias para concorrer ao Ensino Superior, e além disso, ao mesmo tempo estava a frequentar o ensino secundário em Ciências e Tecnologias, o que tornava tudo mais difícil. Como fazer do canto a minha vida era já uma certeza, tive de tomar essa decisão. Claro que não teria sido possível sem o apoio incondicional da minha mãe e dos meus avós que sempre me apoiaram em tudo.
Estive dois anos no Conservatório do Porto, na classe de canto do professor Emanuel Henriques, onde fiz imensos projetos importantíssimos para mim, que enriqueceram o meu currículo profissional. O professor Emanuel foi também outra pessoa fulcral para o meu percurso erudito. Com ele cresci muito como cantora, mas também como pessoa, porque é preciso saber como viver neste mundo super competitivo, que é a música e sempre me incutiu valores e pensamentos a ter em conta no meu percurso como cantora.
Depois, ingressei no Ensino Superior em Aveiro, onde atualmente frequento a classe de canto da professora Isabel Alcobia. Para nós, músicos, o mais importante é escolhermos um bom professor, e a universidade é pouco relevante. A professora Isabel, foi a professora com quem criei logo uma ligação quase “instantânea”, diria eu, e desde início que sempre trabalhámos muitíssimo bem e achei que naquele momento seria a pessoa mais indicada para trabalhar comigo. E não estou nada arrependida!

Quais as caraterísticas essenciais a um cantor lírico?
Um cantor lírico tem de estar disposto a lutar e a fazer tudo o que estiver ao seu alcance para ser cada vez melhor, porque como já disse, este mundo é um “mundo cão”, extremamente competitivo e só mesmo os melhores é que singram. É também preciso ter certos cuidados com a voz e com o corpo, porque como a professora Isabel Alcobia, costuma dizer, o nosso instrumento não é a voz, é o corpo e um cantor deve ser um atleta, porque a pressão, o cansaço e o estado de espírito influenciam muito a nossa performance, e através do exercício físico regular, permite-nos, de certa forma, moderar e controlar essas situações, de maneira a estarmos aptos a fazer o nosso melhor em qualquer situação.
Outras caraterísticas principais de um cantor lírico são a força de vontade e a persistência. Por vezes temos de sacrificar o nosso tempo livre ou outras atividades que gostaríamos de fazer porque temos concertos, ensaios ou simplesmente porque temos mesmo de estudar. Sem estas caraterísticas nada vale.

Qual será o repertório do recital de canto deste sábado?
O recital está dividido em duas partes. Na primeira parte irei interpretar apenas canções, em italiano, alemão, francês e em português entre os séculos XVIII e XX. Na segunda parte, serão arias de ópera que estão por ordem cronológica para auditivamente, o público perceber um pouco a evolução e desenvolvimento do estilo operático ao longo dos tempos. Desde o Barroco com Händel, passando pelo período clássico de Haydn e Mozart, até chegarmos ao período Romântico com Rossini.

O que é que as pessoas podem esperar deste recital de canto?
Da minha parte, podem esperar um belo recital e talvez perceber o porquê desta minha paixão pelo canto lírico. Isto porque de todas as vezes que canto em público toda a gente me diz que parecia que eu estava a chorar, porque os meus olhos ficam muito vidrados e brilhantes, mas, de facto, entrego-me muito às peças e isso transparece. Mas a realidade é que isso passa pelo trabalho enorme que está por trás, que inclui a tradução, a análise e o contexto em que as peças foram escritas. Só assim podemos usufruir do momento fantástico que é estarmos num palco a fazer o que adoramos.

Qual o papel da música na sua vida?
A partir do momento em que decidi que era da música e do canto que queria viver, passou a ser algo inerente a mim e ao meu dia-a-dia. É através dos concertos, recitais, audições e récitas de óperas, que tenho a confirmação que é mesmo a música que me dá prazer e, desde aí, que não paro de sonhar e de lutar para ser uma prima donna.

Quais os projetos em que está envolvida de momento?
Ultimamente tenho tido bastantes convites para diversos projetos, o que é extremamente positivo, porque é a partir deles que começo a ter alguma visibilidade, algo importantíssimo no meu ramo. O ano passado fiz de Gretel, na ópera Hänsel und Gretel de Humperdinck e fui solista na Casa da Música na Missa da Paz de Karl Jenkins. Tenho participado em vários concursos e Masterclasses com professores de outros países e vou fazendo concertos como coralista e solista do Coro dos Pequenos Cantores de S. João da Madeira e com o quarteto de cordas da Academia de Música de S. João da Madeira.
No âmbito da Universidade de Aveiro, no Departamento de Comunicação e Arte, frequento a cadeira de Estúdios de Ópera, onde estamos a fazer o musical A Bela e o Monstro e na disciplina de Música na História e na Cultura, faço parte de um grupo de investigação no ramo da Musicologia Aplicada em que investigamos e procuramos mais informações sobre a música erudita em Portugal, temática muito pouco valorizada nos dias de hoje.

O que projeta para o futuro?
Para o futuro, espero fazer ainda mais concertos, espero ser cada vez melhor e trabalhar mais para poder singrar no nosso país, porque esse, sim, seria um sonho que infelizmente não está facilitado para nenhum músico solista em Portugal. O que é uma pena porque os portugueses no ramo da música são muito bem vistos e muito reconhecidos no estrangeiro. Pode ser que isto venha a mudar, e acredito que sim. S. João da Madeira, apesar de ser uma cidade pequena, é muito cultural e aposta muito nos jovens e promove muitos projetos ligados a criatividade e implementação da cultura na cidade. Sinceramente, acho que é de louvar pois é isso que faz de S. João da Madeira, uma pequena cidade, ser grande!


Programa
1ª parte:
Le Violette – A. Scarlatti
Als Luise – W. A. Mozart
Pagenlied – F. Mendelssohn
Widmung – R. Schumann
Ici-bas – G. Fauré
Les Chemins de l’amour – F. Poulenc
Barca Bela – R. S. da Costa
Quero cantar, ser alegre – F. Lacerda

2ª parte:
Tornami a vagheggiar (da ópera Alcina) – G. F. Händel
Si, si t’amo (da ópera Teseo) – G. F. Händel
A fatti tuoi (da ópera Lo Speziale) – J. Haydn
Appena mi vedon (da ópera La finta Giardiniera) – W. A. Mozart
Anch’io son giovine (da ópera La Cambiale de Matrimonio) – G. Rossini

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