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A mãe, Adosinda Marques de Sousa Correia, foi colega de José Régio e Agostinho da Silva e uma das primeiras mulheres do Norte do país a frequentarem a universidade

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Adelaide herdou a determinação e o gosto pela aventura da mãe

FOTO: Nuno Santos Ferreira
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Professora Adosinda Correia, mãe de Adelaide
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A mãe, Adosinda Marques de Sousa Correia, foi colega de José Régio e Agostinho da Silva e uma das primeiras mulheres do Norte do país a frequentarem a universidade

Nasceu a 13 de agosto de 1933, na Quintã, no tempo em que S. João da Madeira ainda era conhecida por lugares. A sua mãe, Adosinda Marques de Sousa Correia, foi colega dos poetas José Régio e Agostinho da Silva e uma das primeiras mulheres do Norte do país a frequentarem a universidade. Formou-se em Filologia Germânica na antiga e famosa Faculdade de Letras do Porto que a ditadura de Salazar viria a extinguir.
“A minha mãe era ‘toda p’ra frentex’. Formou-se numa época em que quase ninguém se formava”, diz Maria Adelaide, que, contrariamente à progenitora, não prosseguiu os estudos. Quedou-se pela escola primária e pelo liceu, feitos no Colégio Castilho. E, depois, com 20 anos, decidiu ir estudar Inglês para Inglaterra.
Ainda pensou tirar Enfermagem, contudo, passados anos, regressou à terra natal para casar com Augusto da Silva Costa, médico pediatra, também de S. João da Madeira e que já conhecia desde miúda. Tinha 25 anos na altura.

Quantos anos a Maria Adelaide esteve casada?
52 Anos e seis meses. Tenho seis filhos e 10 netos. Ainda não tenho bisnetos, porque ainda é cedo. Os netos saem à avó. É preciso ir com calma. Primeiro há que gozar bem a vida. Tudo tem o seu tempo. Aquela ânsia de casar? Nunca tive nada disso. Credo!

Mas imagina-se a viver todos estes anos sem ter casado?
Tudo vai do espírito da pessoa. Podemos ser felizes sem viver com outra pessoa. Claro que quando se tem uma companhia é outra coisa. Agora, por exemplo, depois da morte do meu marido senti muito quando fiquei sozinha. Sabe que depois de ter tido uma casa cheia ficar sozinha é uma diferença muito grande.
Mas se me tivesse habituado a estar só e a depender só de mim não tinha qualquer problema.

Sempre teve amigos?
Sim. Aqui e no estrangeiro, em Inglaterra, Alemanha, Holanda, etc.. Sou um bocadinho viajada, sabe? Tinha amigas de outras nacionalidades, que visitava e a quem escrevia depois de regressar a Portugal.

“O meu trabalho foi ser esposa e mãe a tempo inteiro”
Chegou a exercer alguma profissão?
Não. Casei, comecei a ter os filhos, mais ou menos de dois em dois anos, todos seguidinhos. O meu trabalho foi ser esposa e mãe a tempo inteiro. O meu marido chamava-se Augusto da Silva Costa. Era médico pediatra. Tinha uma profissão que o absorvia imenso. E, assim sendo, tive de assumir um papel muito presente em casa.

Viveram sempre em S. João da Madeira (SJM)?
Não. Vivemos também em Lisboa. Quando vim de Inglaterra casámos e fomos viver para Lisboa. Estivemos lá três anos, salvo erro. O meu marido estava lá a fazer o estágio, no [Hospital] D.ª Estefânia. E só depois de fazer o estágio é que viemos para cima.

Portanto, a Maria Adelaide acompanhou sempre o seu marido?
Sempre. Sempre fui uma esposa presente. Depois de virmos para SJM ele fazia viagens diárias para o Porto, para o Hospital de Santo António. Depois passou para Ovar. Foi ele que fundou a Pediatria no Hospital de Ovar. Esteve em Ovar muitos anos até que por fim resolveu fazer só medicina de consultório.

Não se arrepende por ter decidido “ser esposa e mãe a tempo inteiro”?
Não. Quando me casei já tinha a minha vida orientada, já tinha gozado a minha mocidade.

Mas não lamenta por, por exemplo, não ter sido enfermeira?
Estava tão ocupada que nem tinha tempo para pensar nisso. Mas não, não gosto de estar a remoer coisas passadas. Foco-me no presente. O passado é passado. Tudo tem o seu tempo, é o que digo. O que passou já passou.

Hoje essa dedicação a 100% à família é possível?
Acho que é um bocado difícil. Só se tiver meios financeiros razoáveis. Hoje em dia a vida é muito diferente do que era.

Se fosse uma jovem mãe agora como seria?
Com seis filhos acho que talvez não fosse tão fácil. Antes as coisas eram mais fáceis. O facto de o meu marido ser médico e ganhar razoavelmente bem ajudou. Era outra vida, claro. Mas agora com a vida que se leva é diferente. É muito diferente. Acho que hoje talvez não conseguisse.

A sua mãe exerceu a profissão de professora?
Exerceu, aqui, no Liceu de SJM. Antes tinha estado em Chaves e Guimarães.

Nesse aspeto a sua mãe diferenciou-se de si.
Sim. Mas antes de exercer criou primeiros os filhos. Só depois é que se propôs para lecionar. Quando o fez eu já estava em Inglaterra e o meu irmão em Moçambique.

Essa sua determinação de saber o que quer e o que é melhor para si herdou-a da sua mãe?
Acho que herdei da minha mãe e do meu pai. O meu pai também era muito culto. O meu pai, António de Lima Correia, chegou a trabalhar num banco e depois abriu uma fábrica de calçado aqui em SJM.
Foi ele o primeiro diretor d’ “O Regional”. Muita gente esquece-se disso e, às vezes, não diz as coisas como elas são. Não foi por muito tempo, porque naquela altura havia muitas desavenças, coisas de política.

Quer isso dizer que não só os genes mas também o ambiente familiar acabaram por ser determinantes para o seu modo de estar na vida.
Sim, sem dúvida.

“Não me deixo vencer. Luto sempre!”

Qual é a sua maior qualidade? E o seu maior defeito?
Defeito? Sou teimosa. Isto é já genético. Mas talvez a melhor palavra seja antes persistente. Não me deixo vencer. Luto sempre!
Quanto a qualidades, gosto muito de animais, da natureza. Sou uma amante da natureza. Gosto de ar livre, de me sentir livre. Gosto de desporto, de me mexer. Agora não faço muito. Estou muito limitada, mas já fui desportista.

Quais os episódios mais marcantes da sua vida pela positiva e pela negativa?
Pela negativa, não gosto de falar nisso. Positivos? O casamento e o nascimento dos filhos.

Sempre foi muito agarrada à família?
Sim. É a pedra basilar que sustenta a vida. Sairei mais à minha mãe, porque os familiares da parte dela eram mais aventureiros, eram do Brasil. Faziam viagens… Devo sair um bocado a esse lado. Sou um bocadinho aventureira. Gosto de sair, de ler, de observar.
A minha mãe era exatamente a mesma coisa. Não se apegava a coisas materiais. Há pessoas que chegam ao ponto de dizerem que têm de morrer na própria casa… Elas não levam a casa para a cova. Para que estão agarradas à casa? Não é muito melhor dar um passeio ou fazer qualquer coisa assim?

A sua mãe foi das primeiras mulheres do Norte a frequentar um curso universitário, é isso?
Não foi só ela. Também tinha colegas. Ela era de Mindelo, concelho de Vila do Conde. O meu pai conheceu a minha mãe no Porto quando ela estava a estudar.
Ela fez o liceu na Póvoa de Varzim. Ela e o [José] Régio iam sempre de comboio. Depois, na universidade, também iam de comboio para o Porto. Entretanto, quando casou, veio viver para SJM. Mas nos primeiros anos não lecionou.

Há muitas diferenças entre as jovens de agora e as do seu tempo?
Sim. Acho que agora as jovens são muito mais abertas, independentes. Mas, embora seja muito “open mind”, há coisas com que não concordo. Não critico ninguém (cada um tem a sua maneira de ser e faz o que entende), mas interiormente posso não aprovar.

Os seus filhos e netos sempre tiveram abertura para falar consigo sobre todos os assuntos?
Acho que sim, inclusive os rapazes. Lembro-me de quando estavam a estudar no Porto e chegavam a casa ao fim de semana e ficávamos a conversar até altas horas da noite. O pai ia deitar-se, porque trabalhava no dia seguinte, e nós ficávamos a conversar. Contavam-me tudo o que se passava. Gostava de estar com eles.

Falavam até de temas mais íntimos, “temas tabu”?
Acho que se falava abertamente. Acho que sim.

Falou ainda há pouco que as jovens de agora são mais abertas…
Abertas? Não sei se com os pais são mais abertas, note-se! Acho que são mais livres. Agora saem a qualquer hora, têm muita informação, muita coisa à disposição. Vejo miúdas muito novinhas que já andam a altas horas da noite por aí. No meu tempo não havia nada disso. Nem pensar.

A Adelaide podia sair até que horas?
No meu tempo ainda podíamos ir a um baile com pessoas de família ou amigos. Mas andar de noite não. Eu também nunca tive muita vontade de andar de noite. Mas também ninguém andava. Não era só eu. Ainda hoje não gosto de sair à noite. Mas isso tem a ver com a minha maneira de ser. Mas nessa época não se saía.

Viveu no tempo da ditadura.
Da ditadura e da II Grande Guerra Mundial, que foi terrível. Nós passámos muito mal aqui. Nem estávamos em guerra, mas passámos mal. Como o Salazar mandava tudo para a Alemanha, nós aqui, em Portugal, passávamos mal. Tivemos racionamento e tudo.

Até agora quais foram os episódios históricos mais marcantes?
A II Grande Guerra Mundial, o Estado Novo, o 25 de Abril. Aqui em SJM houve uma época em que os operários revoltavam-se bastante e, muitas vezes de noite, ouviam-se gritos.

Mas então o facto de sair à noite tem a ver com algum trauma desse tempo?
Não. Eu sempre gostei de me deitar cedo. Nunca gostei de sair à noite. Só saia para acompanhar o meu marido. Ele sim gostava de sair.

Era ciumenta ao ponto de não o deixar sair sozinho?
Não, não. Não o deixava ir sozinho porque achava que devia ir com ele. Uma esposa deve acompanhar o marido. Ele gostava e eu ia. Agora por iniciativa própria estar a combinar coisas à noite não.

Falou na II Grande Guerra e no facto de haver racionamento.
Vivia-se muito mal.

“Lembro-me de faltar açúcar. Era racionado. O azeite também era racionado”

Mas isso independentemente da classe social?
Nós não tínhamos assim muitas dificuldades, porque tínhamos uma “quintazinha”. Tínhamos quase tudo em casa. Mas lembro-me de faltar açúcar. Era racionado. O azeite também era racionado.

Passou fome?
Ai não! Graças a Deus não passei fome. Mas sentimos o “peso” do racionamento, de dificuldades. À noite não nos deixavam acender a luz. Lembro-me disso. Era miúda. Teria oito, nove, 10 anos. Passava-se mal.

Havia receio que a guerra se estendesse ao nosso país?
Dizia-se muita coisa. Mas era muito miúda para estar preocupada.

E o que me diz acerca do Estado Novo? O que lhe traz à memória?
Lembro-me da PIDE, dos tais gritos à noite. Às vezes levavam operários. Ninguém se podia revoltar porque senão era calado.
O meu pai era de falar muito. Nunca foi preso, mas também foi por pouco que não foi. Ele foi sempre contra o Estado Novo e toda a gente sabia. Por pertencer a uma classe mais alta é que se foi livrando. Falar abertamente na rua? Nem pensar!

E o 25 de Abril? Onde estava no 25 de Abril?
Estávamos aqui em SJM, na nossa casa na “Oliveira Júnior”. A minha mãe ainda era viva, o meu pai não. Lembro-me de uma manifestação na rua, na qual ia o “Carreirinha” (um comunista conhecidíssimo, que esteve preso não sei quantas vezes e era operário do meu pai), que, aliás, ainda veio abraçar a minha mãe.

Antes de se dar a “Revolução dos Cravos” acreditava que tal era possível vir a acontecer?
Desde que o Salazar caiu da cadeira toda a gente começou a acreditar que isso seria possível.

A notícia da revolução foi bem recebida?
Ficámos satisfeitíssimos. Estávamos a falar de liberdade que aqui, em Portugal, nunca se tinha sentido.

A vida melhorou depois da revolução. No seu caso, sentiu grandes diferenças?
Não senti grande diferença na minha vida. Mas houve muitas mudanças [a nível geral], muito alarido. Períodos melhores, períodos piores. Andava-se para trás e para a frente. Os políticos andavam mais à esquerda ou mais à direita. Inicialmente foi uma balbúrdia muito grande! Mas depois as coisas começaram a ajustar-se.

E neste momento? Qual o estado atual do país?
Está confuso. Acho que está envolvido numa confusão muito grande. Está tudo muito encoberto, acho que não há clareza. Não sou política, mas é a minha opinião.

“Fez-se muita asneira” em S. João da Madeira

E o estado de SJM?
Fez-se muita asneira. Por exemplo, aqueles “monstros” que estão na Praça [Luís Ribeiro], aquele edifício horroroso [Parque América] e também o Elemento Arquitectónico.
O Parque América tirou o sol àquela praça. Tornou-a sombria e mais pequena. Já era um quico e ainda mais pequena ficou. Não percebo como se fazem coisas daquelas.

Na sua opinião qual seria a solução para a Praça Luís Ribeiro?
Li no jornal que estiveram três projetos em exposição nos Paços da Cultura e que um deles foi submetido a discussão pública. Houve também um debate à noite, mas à noite não saio. Segundo o que li, um dos arquitetos defende o regresso do trânsito, o que é um pavor.
Isso não vai adiantar nada para o comércio e vai ser pavoroso. Vai ser só poluição, sonora, do ar, etc.. Depois li que a praça de táxis também voltaria. Olhem-me só que disparate! Roubar mais espaço àquele quico? E as pessoas para onde vão? Com o trânsito a passar, uma praça de táxis. Assim cada vez mais vai fugir mais gente de lá.

Pelo menos, vê com bons olhos a ideia de demolirem o “Pirilau”?
Sim, sim. Não está lá a fazer nada. Na minha opinião, a melhor forma de homenagear a indústria chapeleira é conservar as chaminés originais, que ainda existem. Essas é que se devem conservar. Não é fazer aquilo!

Temos conhecimento que é uma amante do desporto. Quando surgiu essa paixão?
Tenho esta paixão desde miúda. Na escola ainda não havia Educação Física. Era só jogar à macaca, saltar à corda, etc.. Na praia jogávamos voleibol e eu gostava muito. Era miúda, muito magrita, mas saltava muito e até era boa. O desporto que fazíamos era na praia. Jogávamos voleibol, fazíamos corridas, essas brincadeiras.

Ir à praia era um dos seus hobbies de verão?
Sim. Os meus avós tinham casa em Mindelo (Vila do Conde).

Quando começou a praticar desporto com regularidade?
A família tinha uma professora de ginástica, que era espanhola mas vivia em Oliveira de Azeméis. Então tínhamos aulas de ginástica em casa.

“Fui cliente do primeiro ginásio em SJM”

Nunca pertenceu a um clube ou associação desportiva?
Não. Também naquela altura não havia. Entretanto, em Inglaterra, também fiz desporto. Até patinagem no gelo fiz, embora me esfolasse toda.
Depois que me casei e comecei a ter filhos fiquei limitada. Só voltei ao desporto depois de eles estarem grandinhos e de abrir o primeiro ginásio em SJM. Fui cliente do primeiro ginásio em SJM. Era o ginásio do Toni, que tinha classes femininas e classes masculinas.
Foi das primeiras clientes e mulheres a frequentarem um ginásio em finais dos anos 80. Teria para aí 40 e tal anos.

Depois de ter regressado ao desporto nunca mais parou?
Fiz sempre. Fazia step, aeróbica, musculação, body pump, spinning, body combact, etc.. O spinning era o que gostava menos, porque gostava era de andar de bicicleta na rua. Também não gostava da musculação porque era muito parado.

Quando parou de fazer desporto?
Quando tive um problema nos olhos e depois numa perna. Tive de parar uns sete, oito meses, mais ou menos. Depois retomei. Entretanto, o meu filho foi atropelado, o meu marido ficou doente.
Parei mais ou menos com 77, 78 anos. Agora que pus a prótese na anca tenho de caminhar mesmo e faço uns “exercíciozinhos”. Mas agora já não volto ao ginásio. Farei o que posso fazer, mas nada de exageros porque já não tenho idade para isso.

Além do desporto, que outros hobbies tem?
Leio tudo e mais alguma coisa. Gosto de ler e de estar atualizada, de ver o telejornal. Também fiz pintura e tapeçaria no Centro de Arte.

“Sei que há pessoas que não aceitam a idade. Mas eu aceito bem. Sempre aceitei”

A idade assusta-a?
Não. Sei que há pessoas que não aceitam a idade. Mas eu aceito bem. Sempre aceitei. Não tenho problema algum. Aceito perfeitamente. É a lei da vida. Tudo tem o seu tempo.

Arrepende-se de alguma coisa que fez?
Nunca parei para pensar nisso, mas acho que não.

E há algo que ainda quer fazer?
Sim. Quero fazer umas viagenzinhas. Voltar a Londres. Gosto de viajar. Não se leva nada quando morremos. Não levo este sofá onde estou sentada nem este espelho que era do meu bisavô. Fica aqui tudo. Portanto, para que estou a agarrar-me demasiado aos bens materiais? Gosto de desfrutar das coisas, porque sei que um dia uma pessoa acaba.

Como é o seu dia-a-dia?
Gosto de me deitar às 23h00, de ficar sossegada no meu canto. Agora acordar? Não acordo muito cedo. Se me acordarem acordo. Se não me acordarem deixo-me estar. Ainda mais com o tempo assim, de tempestade, sabe-me bem estar na cama.
Acordo mais ou menos às 08h00. Mas deixo-me estar, naquela sonolência, às vezes, até às 10h00. E se pego no sono deixo-me estar mais ainda. Depois, faço os meus cozinhados, comemos e se estiver bom tempo vamos [Adelaide e o filho] passear. Gosto de caminhar. Gosto de tratar da casa. Não faço agora limpezas por causa da prótese. Não vou estar a fazer habilidades.

Prefere a praia ou o campo?
A praia. Fui habituada a estar na praia. Íamos três meses para casa do meu avô. Eram os tempos dos banheiros, pessoas que nos davam banho. Era horrível aquilo. Eram banhos de choque, recomendados pelos médicos da altura porque supostamente curavam doenças.
O bom da coisa era depois ir para a barraca, onde mudávamos de roupa e depois vinham as criadas com os grandes açafates com o pão, o leitinho, manteiga. Tudo feito em casa dos meus avós. A cozinheira era formidável. Fazia a manteiga em casa e tudo.

Vê o mundo de hoje com bons olhos?
Não. Há muito ódio, violência…

Vê o telejornal?
Sim. E só vejo desgraças. Não põem nada de bom que anime as pessoas. Até a nossa Assembleia da República é uma desgraça. Aquilo é só desgraças.

Nunca lhe interessou a política?
Não me interessa. O meu pai, sim, interessava-se. Era muito aguerrido. Era republicano e anti-salazarista. A minha mãe já não. Abstinha-se, porque como era professora [de Inglês/Alemão].

Mas o que a assusta atualmente? O terrorismo?
Tudo. Porque hoje em dia não se está seguro em nenhuma parte do mundo. Por exemplo, gostava muito de ir ao Brasil, porque os meus avós eram de lá. Mas como o país está a atravessar uma fase complicada já não me seduz ir lá.

É uma mulher de fé?
Sim. Mas tenho a minha fé. Não ando pelas igrejas nem procissões. Tenho antes uma ligação direta com Deus. Falo diretamente. Não preciso de intermediários.

Qual é o seu lema de vida?
Procurar não fazer mal a ninguém, procurar fazer o melhor para nós e para a nossa família e viver com o máximo de alegria.

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