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É uma das modalidades mais recentes da Associação Desportiva Sanjoanense, mas em 2016 a patinagem artística esteve perto do fim quando, apenas dois anos depois da sua criação, treinador e responsáveis abandonaram o projeto. Sem ninguém para dar continuidade, alguns pais assumiram a responsabilidade e hoje a modalidade atravessa um dos melhores momentos

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“A destreza e flexibilidade da ginástica e a elegância do ballet sobre rodas”

Fátima Teixeira, Hugo Guerra e Sandra Leite, três dos quatro seccionistas da modalidade, que conta ainda com Ana Aleluia (ausente)
FOTO: Nuno S. Ferreira
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É uma das modalidades mais recentes da Associação Desportiva Sanjoanense, mas em 2016 a patinagem artística esteve perto do fim quando, apenas dois anos depois da sua criação, treinador e responsáveis abandonaram o projeto. Sem ninguém para dar continuidade, alguns pais assumiram a responsabilidade e hoje a modalidade atravessa um dos melhores momentos

A patinagem artística é uma das modalidades mais recentes da Associação Desportiva Sanjoanense. Os primeiros passos foram dados em 2014, com dois elementos do Clube Desportivo de Cucujães, mas só um ano depois é que a secção viria a ser federada. Hoje a modalidade atravessa um dos melhores momentos e o sucesso da 1.ª Gala, realizada recentemente, demonstra isso mesmo. Mas o trajeto da secção não tem sido fácil e em finais de 2016 o fim esteve mesmo à vista. “Não foi um percurso fácil”, refere Hugo Guerra, um dos seccionistas que assumiu a modalidade quando, em setembro do ano passado, os então responsáveis abandonaram o projeto. “Foi num sábado, antes de iniciar um treino, que os seccionistas e treinador se demitiram”, recorda. “Se calhar, houve uma determinada altura em que um grupo de pais quis mais empenho e dedicação e, de um momento para o outro, a secção caiu e deixou 30 atletas dentro de um ringue”, tenta justificar o atual responsável. “Quando cheguei cá a secção tinha mais voz do que o que era. Possivelmente quis crescer de uma forma muito rápida e bateu o pé às outras secções, o que acabou por criar algum atrito”, acrescenta o dirigente, que admite que a situação obrigou os encarregados de educação a tomarem medidas para dar continuidade ao projeto. “Nós, pais, ficámos surpresos e em tempo recorde quase que fomos obrigados a assumir a secção, caso contrário a modalidade acabava”, reconhece Hugo Guerra, que acredita que “seria um ato quase criminoso baixar os braços”. “Olhámos para dentro do ringue e vimos 30 atletas completamente desamparados e com uma vontade e paixão enorme”, acrescenta o responsável, que confessa que antes a “ausência de um ambiente de grupo e de calor” era evidente.

Um crescimento “fantástico”

Com uma tomada de posição quase forçada, para que a modalidade não desaparecesse, hoje a patinagem artística atravessa um dos seus melhores momentos e o ambiente familiar, que antes não existia, parece estar agora bem presente na secção. Para Sandra Leite, outra das secccionistas da modalidade, a solução para reerguer a modalidade passou, essencialmente, por trabalhar determinados aspetos com os quais não concordavam. “Foi a nossa dedicação, procurando melhorar algumas coisas que considerávamos que estavam erradas”, refere. “Tivemos de saber ser humildes. O que fazemos é sempre pelos atletas que estão em campo”, acrescenta Hugo Guerra, que considera que ao longo dos últimos meses o desenvolvimento da secção “tem sido fantástico”. Um crescimento que se refletiu no número de praticantes, que de 24 passou para 40, obrigando os responsáveis a suspenderem a entrada de novos atletas para não comprometer qualidade do trabalho desenvolvido. “O nosso patamar era chegar aos 40 praticantes. Temos de ser realistas. Faz-nos falta a verba que o atleta iria pagar, mas não podemos ter todo o espaço de treino ocupado porque deixávamos de ter qualidade. Foi o que aconteceu e neste momento temos atletas em lista de espera”, explica Hugo Guerra, que, no entanto, admite que esta tomada de posição “é sempre um risco”. “Podemos estar a deixar lá fora um futuro campeão europeu”, justifica.
Uma decisão que se prende com o défice de espaços desportivos num concelho com dezenas de coletividades e de modalidade, algumas das quais com caraterísticas e necessidades específicas, como é o caso da patinagem artística. “Oficialmente só temos o Pavilhão da Sanjoanense e o das Travessas, sendo que neste último apenas um dos pisos se adapta a nós, pois os restantes tornam-se bastante escorregadios”, explica o dirigente, que admite que esta situação poderá ter contribuído para a rutura da anterior direção. “A guerra de espaços já é antiga, só acho que foi mal liderada”, acrescenta, sublinhando que a atual direção optou por um caminho diferente. “A nossa humildade fez-nos perceber que temos de nos aliar ao hóquei em patins e a quem usa os mesmos espaços e procurar não criar atritos com ninguém. É preciso perceber que o emblema que trazemos ao peito é só um”, acrescenta Hugo Guerra.
“E foi precisamente a secção de hóquei em patins que deu o primeiro passo para o arranque da patinagem artística”, refere Sandra Leite. “O responsável pelo hóquei da Sanjoanense podia ter acabado com a modalidade, mas decidiu avançar porque achou que tinha potencial”, sublinha a seccionista, recordando que quando a anterior direção caiu os novos responsáveis apelaram, mais uma vez, ao hóquei em patins. “Temos mais a ganhar com o apoio da modalidade do que se formos contra.”, acrescenta Sandra Leite que, no entanto, reconhece que o hóquei em patins não irá ceder espaços em prol da patinagem artística. Também o andebol “tem sido fantástico”. “Às vezes faz permutas e vai treinar noutro local para nos ceder o espaço”, atira Hugo Guerra, que sublinha que a própria autarquia tem-se mostrado bastante compreensiva. “Quando há uma abertura tem o cuidado de nos avisar. É uma logística complicada”, confessa o responsável, que, tal como a colega Fátima Teixeira, gostava de ver o número de treinos semanais aumentar. “Estamos esperançados que na próxima época tenhamos mais um tempo de treino por semana”, refere a seccionista. “É o mínimo se queremos que a modalidade evolua e ande para a frente”, acrescenta Sandra Leite.

Competição ainda não é um objetivo

Com todos os atletas da modalidade ainda nos níveis de iniciação (1, 2, 3, 4), a competição ainda não está nos horizontes da secção de patinagem artística. “Só quando se atinge os Livres”, refere Hugo Guerra. “Só aí começam a entrar em competição e nós ainda não temos ninguém nesse patamar”, explica o responsável, que define a modalidade como uma mistura de vários desportos. “A patinagem artística é ter a destreza e flexibilidade da ginástica e a elegância do ballet sobre rodas”, refere o seccionista que, num desporto que acredita que se está “em constante aprendizagem”, a aposta do clube “tem de ser na formação”. “Acho que o futuro deve passar, inevitavelmente, pela competição. Mas precisávamos de mais espaços para treinar para que a secção cresça e o número de atletas aumente”, acrescenta Fátima Teixeira que considera que, neste momento, as preocupações da secção passam pelos eventos onde irão participar e organizar.
Com a modalidade a atravessar um dos melhores períodos, o trabalho dos novos responsáveis não tem sido fácil, mas o resultado é visível e atualmente a secção encontra-se no bom caminho. Fátima Teixeira admite que os atuais seccionistas “têm ainda muito para aprender”, mas reconhece o sucesso do trabalho que tem sido feito, nomeadamente “em tão pouco tempo.” “Apesar das dificuldades estamos a conseguir fazer as coisas. Não como queríamos, mas estamos a conseguir”, conclui Hugo Guerra.

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